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Securing t he Apache HT T P Server

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Chapter 4. Hardening Your System with Tools and Services

4.3. Securing Services

4.3.7. Securing t he Apache HT T P Server

Logo que foi preso, Giuseppe Pistone, em seu depoimento, apresentou a versão de que havia sido traído pela esposa, que eram imigrantes italianos, e que teria vindo ao Brasil para trabalhar com um parente. Todos os dias ele e a esposa, Maria Fea, almoçavam em restaurantes nas proximidades da pensão onde moravam. No dia 04 de Outubro, data do crime, saiu do trabalho um pouco mais cedo. Ao abrir a porta do quarto da pensão surpreendeu um homem bem trajado, sair apressada mente, e a esposa na cama em trajes menores. Pistone, em um ato de fúria, a sufocou e matou. Disse ter ficado bastante atordoado, mas voltou para o trabalho. Logo no dia 05 de Outubro comprou uma mala e corda. Tentou ajeitar o cadáver, porém não conseguia fechar a mala, quando teve a iniciativa de cortar os joelhos com uma navalha (DESVENDOU-SE..., 1928, p. 4). Textualmente foi dito:

Em suas declarações, prestadas hontem á policia paulista, narrou o bárbaro assassino que na noite de quinta-feira ultima, entre as 11 e 12 horas, ao entrar em sua casa, notou que do seu quarto sahia um individuo

23 Informação publicada em matéria de SILVARES, José Carlos. Como foi o ‘crime da mala’. Jornal A

desconhecido, que, pelos modos, parecia ter tido relações ilícitas com sua esposa.

Penetrando no aposento, completamente perturbado com o que acabava de ver, na própria cama suffocou a mulher, estrangullando-a. como louco, abandonou a residência, andando toda a cidade. Depois, voltou novamente a casa, mas sahiu immediatamente. Não tinha socego. O desespero delle se apoderara. (DESVENDOU-SE..., 1928, p. 04)

A outra versão apresentada por Pistone, de acordo com o termo de declarações prestadas teria sido que ele e Maria Fea tiveram uma discussão e a esposa tivera um mal súbito, falecendo naturalmente. Em Crimes, criminosos e a criminalidade em São Paulo (1870-1950) , o autor Guido Fonseca (1988, p.302) relata que por medo de ser apontado como o assassino, a mutila e coloca o cadáver em uma mala. A primeira versão do depoimento de Pistone foi desmentida por Maria Sitrângulo de Oliveira, proprietária junto com o marido da pensão onde o casal ficou hospedado. Afirmou em depoimento que no dia 04, por volta das 11 horas, um vidraceiro esteve no apartamento nº 05 para consertar uma janela. Maria Fea estava costurando enquanto a janela tinha o reparo. Logo em seguia ambos, a proprietária da pensão e o vidraceiro, deixaram o apartamento. Minutos depois Maria Sitrângulo ouviu uma discussão, mas não pode entender o que falavam. Em seguida ouviu gritos, um barulho de queda, em seguida silêncio. Entretanto, Pistone sustentou a versão de adultério até sua morte em 28 de junho de 1956. (FONSECA, 1988, 303)

Mesmo sem saber o real motivo de Giuseppe Pistone ter assassinado sua esposa, Maria Mercedes Fea, alguns veículos de mídia impressa descreviam o criminoso de maneira áspera. Segundo o jornalista Jose Carlos Silvares24, isso acontecia justamente porque havia uma grande quantidade de veículos, a concorrência era grande, e não existiam regras específicas com relação à Ética jornalística. Silvares também aponta para o caráter cinematográfico do crime através do planejamento minucioso dos detalhes para a ocultação do cadáver feito por Pistone, como um dos principais motivos para a comoção popular. Destacamos um trecho do jornal Folha da Manhã, que era de propriedade da Folha da Noite Limitada e, posteriormente, viria ser o jornal Folha de S. Paulo:

[...] Deveria ter sido criança esse monstro de agora, quando Trad espantou o mundo com sua ferocidade de estrangulador, para que em sua

imaginativa se fixassem tão profundamente os pormenores do velho crime. Seguiu os meandros deixados pelo predecessor no seguinte da impiedade, avançando um pouco mais no quase êxito da empresa macabra. Nada o demoveu da sua tentativa: luctou com a victima; dominou-a violentamente; estrangulou-lhe a vida na garganta em convulsões espantosas a que assistiu com procurada volúpia; cerceou-lhe as articulações; forçou o tamanho da estatura; esquartejou-a para que coubesse na pequenez da mala escolhida. Acompanhou-a até Santos; velou como um cão de fila a presa até os últimos momentos. A carne putrefacta tresandava horrivelmente; o sangue manchava o pavimento, a denunciar o crime. Ninguém supportava a exhalação espantosa e, entretanto, o monstro velava, assentado sobre o caixão da victima. Só desappareceu quando a bocca enorme e escura dos porões do ‘Massilia’ tragou a carga tormentosa. (MAIS..., 1928, p. 08 e 09)

Como se pode observar pela leitura dos jornais da época, durante o período de investigações, os jornais acompanharam diariamente os novos dados levantados pela polícia. Esta se apressava em mostrar resultados, preocupada com a opinião pública. Havia uma competição entre os veículos de imprensa a respeito de qual deles daria em primeira mão a solução completa do crime, e alguns arriscavam questionar a qualidade de informações dadas ao público pelo concorrente:

Hontem, cedo, toda a gente procurou nos jornaes da cidade detalhes completos sobre a prisão de Jose Pistone, o assassino. Estes, porém, não satisfizeram inteiramente a curiosidade popular. Limitavam-se a notas resumidas em relação ao casal e ao móvel do assassinato. Por isso, quando chegaram os jornaes de São Paulo, o povo correu soffregamente para os pontos de venda, esgottando logo as remessas idas desta capital, que não chegaram sinão para um pequeno numero de leitores, dada a grande multidão que os procurava. (MAIS..., 1928, p. 08)

Dentre as várias versões do motivo do crime apresentadas pela polícia, foram levantadas outras hipóteses, como o envolvimento de Pistone com drogas, desmentido através de exames periciais, e um plano de extorção de dinheiro a Francesco Pistone. Esta versão foi a que prevaleceu, sendo constatada através de documentos, como cartas de Maria Fea à sogra e aos irmãos. Os depoimentos de Esther e Jose ao inquérito veio confirmar o caráter instável e violento de Pistone.

Reprodução do jornal Folha da Manhã de 09 out. 1928.

Imagem da mala despachada no porto de Santos para o navio Massilia II em nome de Francisco Ferrero. Apresentada no programa Linha Direta – Justiça, em 02 jun. 2005.

Os irmãos da vítima também informaram que durante um período Giuseppe Pistone isolou sua esposa da família em Rosário, província de Santa Fé, fugindo em seguida para o Brasil (O CARACTER..., 12 OUT. 1928, p. 8).

A Folha da Manhã (1928) publicou trechos das cartas apresentadas à polícia, as quais foram apreendidas entre os objetos pessoais do acusado:

[...] Duas cartas, uma já escripta e outra que servia de rascunho, serviam à polícia para a descoberta da razão por que Pistone foi levado ao crime. [...] Assim é que, desesperado com a falta de dinheiro, elle passara um tellegramma à sua mãe, solicitando-lhe a remessa de 150.000 liras, parte da herança que lhe coubera por morte de seu pae.

Maria Fea, entretanto, sendo uma moça pobre, e sabendo que por essa razão o seu casamento com Pistone não fora muito bem visto pela família de seu marido, digna que era, oppoz-se a que seu esposo recebesse essa quantia.

Não sendo attendida, escreveu duas cartas à sua sogra, carta essas que vieram esclarecer bem esse ponto.

Ahi, Maria, dizendo o quanto seu marido a amava e o quanto também ella lhe queria, confessa á sogra que Pistone era pouco ajuizado, razão pela qual a toda hora lhe escrevia, pedindo dinheiro, contando até mentiras. (MAIS..., 1928, p. 07)

O jornal A Tribuna da cidade de Santos publicou o conteúdo de uma outra carta enviada por Maria Fea aos irmãos, que trouxeram como prova do temperamento agressivo de Pistone quando vieram ao Brasil auxiliar nas investigações e em visita ao túmulo da irmã no Cemitério da Filosofia, no bairro do Saboó:

A carta escripta por Maria Fea, datada de 2 deste mês, dois dias antes de ser asassinada por seu marido e algoz, é a seguinte:

‘Carissimos irmãos:

José disse-me que vae mandar as passagens para que vocês embarquem. Não venham, peço-lhes. Devo avisal-os disso. Não posso escrever mais e nem ser mais extensa. Em outra carta direi porque. Adeus. Recebam um beijo da Maria.’ (DOIS IRMÃOS..., 1928, p. 09)

Quase três anos depois de cometer o crime, Giuseppe Pistone foi levado a julgamento. Tamanha foi a repercussão do assassinato de Maria Fea, que algumas publicações criminalísticas descrevem como foi o processo de condenação:

[...] a 15 de julho de 1931, quando levado a julgamento, viu-se condenado a 31 anos de prisão celular por homicídio e profanação de cadáver.

Apelou, e a 29 de fevereiro de 1932, data de seu novo julgamento, seria condenado a 26 anos de prisão celular. Por acórdão de 7 de dezembro de 1936 a suprema Corte anularia essa decisão do Júri.

Finalmente, a 5 e 6 de agosto de 1937 José Pistone se submeteria a outro julgamento sendo condenado a 31 anos de prisão. Inconformado, apelaria mais uma vez, mas, o Tribunal, em acórdão de 24 de março de 1938 confirmaria a sentença, rejeitando ainda os embargos em acórdão de 16 de maio desse mesmo ano.

Dezesseis anos depois, a 13 de junho de 1944, o Presidente da República comutaria sua pena para 20 anos de prisão e a 3 de agosto, por sentença do Juiz das Execuções Criminais, foi ele colocado em liberdade condicional. Sua liberdade definitiva viria a 5 de novembro de 1948 quando sua pena de 20 anos foi julgada cumprida (FONSECA, 1988, p. 304).

Depois de 50 anos do assassinato de Maria Mercedes Fea, o jornal A Tribuna publicou em 1978 uma série de três reportagens sobre o Crime da Mala. O jornalista José Carlos Silvares foi o responsável pelas reportagens publicadas nos dias 03, 04 e 05 de Outubro de 1978, na série Santa Maria Fea – 50 anos. As matérias retratavam as informações a respeito do crime, mas também contavam com entrevistas do coveiro Romão Ximenes, que sepultou Maria Fea no Cemitério do Saboó; o médico legista Hugo Santos Silva, que participou da autópsia da vítima; e um dos maiores devotos de Maria Fea, o tabelião Sr. Thales de Almeida, morador de Cardeal, distrito de Elias Fausto, que havia mandado construir um santuário em uma gruta em Ribeirão Barro Amarelo, onde poderia ser encontrado um retrato de Maria Fea. Thales de Almeida impulsionado pela série de reportagens, mandou celebrar uma missa na Igreja do Valongo, às 8h30, noticiada pelo jornal A Tribuna, que reuniu cerca de 900 pessoas no interior da Igreja e arredores. Diversos veículos de mídia ainda exploram o crime e o reproduzem no cinema, na televisão, até os dias de hoje.

2.1. O crime no cinema e na televisão

Logo após o início da cobertura jornalística, outros tipos de mídia passaram a se interessar pelo histórico do crime para uma reconstituição na qual pudesse ser visualizado todo o plano executado por Giuseppe Pistone. A primeira produção cinematográfica que se tem registro data de 18 de Outubro de 1928, quando foram iniciadas as filmagens de O Crime da Mala no Porto de Santos. Uma matéria do jornal Folha da Manhã (19 out. 1928, p. 08), diz:

A estação da Ingleza, hoje, teve, por momentos, o aspecto dum ‘studio’ cinematographico, tal o movimento pela chegada duma companhia, que está filmando o ‘Crime da Mala’.

Vieram artistas, comparsas, operadores e, da estação, foram todos para o caes, reproduzindo aspectos do horrível crime, que tanto impressionou o publico.

O artista que ‘fazia’ de Pistone, attrahia os olhares dos curiosos, que, no cães, à abertura da mala, recuaram, acreditando ter, dentro da mala ‘sinistra’ algum outro cadáver (O CRIME..., 1928, p. 08)

O filme foi uma produção da Íris Film, e contava com Antonio Sorrentino, como Giuseppe Pistone, e Amanda Leilop, como Maria Fea. Estreou em 04 de Novembro de 1928 nas salas de cinema do Colyseu e Olympia25, em São Paulo, simultaneamente, com sessões às 19:30h e 21:30h, segundo anúncio publicado no jornal Folha da Manhã, em 04 de Novembro de 1928, página 23. Permaneceu em cartaz nessas salas até 05 de Novembro de 1928, quando entrou em circuito no cinema Triangulo na mesma cidade, segundo anúncio da Folha da Manhã, de 05 de Novembro de 1928, página 16, com sessões corridas a partir das 14 horas devido a grande procura pelo público e permaneceu em cartaz até 08 de Novembro de 1928. Em Santos a produção da Mundial Film, filmado no mesmo período e divulgado como um furo da cinematografia nacional entrou em cartaz na sala de cinema do Teatro Coliseu em 31 de Outubro de 1928.

Tais produções foram consideradas ousadas para época por se tratarem de um retrato de um fato real, e pelo pouco recurso tecnológico que as produtoras possuíam. Recentemente, a Rede Globo apresentou uma reconstituição do crime em rede nacional no Programa Linha Direta – Justiça, O Crime da Mala , pela Rede Globo de televisão, em 02 de Maio de 2005. A produção teve direção de Edgard Miranda, e contou com elenco de Gabriel Braga Nunes, como Giuseppe Pistone; Ana Paula Tabalipa, como Maria Mercedes Fea; e Lúcio Mauro, como o delegado Ferreira da Rosa. Contou ainda com depoimentos de personagens que acompanharam o caso ao longo da história, como o jornalista e escritor Jose Carlos Silvares, responsável pela série de reportagens do jornal A Tribuna em homenagem aos 50 anos da morte de Maria Fea.

O Programa Linha Direta – Justiça deu enfoque ao criminoso, Giuseppe Pistone, o qual foi retratado como um esquizofrênico que alternava violência incontrolável com profunda ternura(ATOR..., 2005). Os traços de esquizofrenia não foram confirmados pela polícia científica e, contrariando esta hipótese, os veículos de imprensa de época na qual ocorreu o crime mostravam um homem impulsivo, aparentemente arrependido, mas visivelmente astuto, como pode ser contatado em matéria do jorna l O Estado de S. Paulo (10 out. 1928, p. 07), como no trecho abaixo:

Continua empolgar o espírito publico a horripilante tragédia de que foi theatro um 3º andar, do prédio nº 34 da rua da Conceição. É e continua sendo o objecto obrigatório de todas as palestras. A ferocidade de que deu mostras o criminoso, as diligencias concatinadas e rápidas da policia, deram uma feição impressionante ao sangrento drama.

O dia de hontem decorreu calmo para o criminoso, que não esta em estado de ser interrogado. Passou noites sem dormir, numa grande depressão nervosa. Velou durante toda a noite de hontem e, no correr do dia, ao ser interrogado pelo dr. Carvalho Franco, verificou aquella autoridade ser impossível obter mais informações. Por conselho medico, foi José Pistone removido para o xadrez. Receitaram-lhe um calmante. Depois que tenha dormido e repousado, será novamente interrogado.

Foram, porém, effectuadas varias diligencias pela delegacia de Segurança Pessoal. Numerosas testemunhas prestaram depoimentos, tendo sido reconhecidas peças de roupas, de uso da victima. (A EMOCIONANTE..., 1928, p. 07)

A emissora também disponibilizou no site na Internet26 informações a respeito do crime, bem como fotos dos envolvidos. Após a transmissão, foi realizado um fórum de debates no site da emissora na Internet. Entre os participantes estava o Sr. Waldemar Dias de Castro Junior, neto do oficial Alberto Dias de Castro, quem teria descoberto a mala no porão do navio Massilia II, mas não foi citado na reconstituição. Segundo Waldemar Dias27, o avô teve uma participação importante na solução do crime, ação retratada no jornal Praça de Santos de 09 de Outubro de 1928.

Apesar de o programa ter empreendido uma equipe numerosa, cenários, figurinos, e um elenco conhecido do grande público, a reconstituição apresenta uma série de falhas, que inquietaram aqueles que conviveram com caso ou conheciam os detalhes de época mostrados na produção.

Segundo o jornalista José Carlos Silvares, em entrevista concedida à autora em 21 de Setembro de 2005, que também aparece em algumas cenas fazendo intervenções a respeito da cobertura jornalística, a produção do Linha Direta - Justiça empenhou recursos de uma superprodução, mas foi desatenta. Silvares aponta detalhes como “homens vestidos de marinheiro com uniforme da Marinha de Guerra, enquanto quem acompanhava embarque de passageiros, ou mesmo ações da polícia em navios no Porto de Santos eram soldados da Marinha Mercante, que usavam roupas normais, marrom de manga comprida”. Outros pontos interessantes, que também passaram despercebidos pela produção do Programa Linha Direta – Justiça, de acordo com Silvares, foi a localização do Terminal de Passageiros, que ficava entre os Armazéns 14 e 15, mostrado como os Armazéns 13 e 14, e o navio filmado no Porto do Rio de Janeiro não apresentava as três chaminés características do Massilia II. Segundo José Carlos Silvares explica que a entrada dos navios e embarque dos passageiros era feita pelo Armazém 14, e a saída pelo Armazém 15. Na reconstituição feita pela Rede Globo o navio Massilia II teria entrado pelo caminho errado, manobra impossível de acontecer devido às proporções da embarcação e visto a estrutura do canal do Porto de Santos

Entretanto a maior falha da produção teria sido a queda da mala no tombadilho. Silvares explica que a mala teria sido içada para bordo. A altura que atinge uma carga em

26 Informações disponíveis em: http://linhadiretajustica.globo.com/Linhadireta/0,26665,5257,00.html . Acesso

em 03 jun. 2005.

uma lingada é de mais ou menos de um prédio de 5 andares, e portanto, se a mala caísse teria estourado, podendo ter jogado o corpo ao mar. O jornalista acrescenta que “a mala ao entrar em contato com o chão sofreu um pequeno impacto, o que provocou uma rachadura na parte inferior, revelando um forte mau cheiro”. A produção retratou esta cena com um filete de sangue saindo da rachadura, o que, segundo José Carlos Silvares28 não seria possível já que o corpo estava em avançado estado de putrefação, o que pode ser constatado em matérias antes mencionadas.

O programa Linha Direta – Justiça teve grande repercussão também entre os devotos e ocasionou um aumento no número de visitantes ao túmulo localizado no Cemitério do Saboó durante as segundas- feiras, dia dedicado às almas segundo os fiéis, seguintes à exibição do programa, de acordo com informações colhidas pela autora em contatos com devotos durante o período de janeiro a julho de 2005. Apesar das falhas encontradas, o Crime da Mala pode esclarecer os devotos a respeito dos boatos divulgados durante anos a respeito de aspectos como o motivo do crime, o modo do assassinato, a condição social- financeira de Maria Fea e o suposto destino de Giuseppe Pistone após o cumprimento da pena.

2.2. As lendas sobre Maria Fea e a mitificação popular da

personagem.

As várias versões do “Crime da Mala” contribuíram para uma comoção popular de grandes proporções. A história do “Crime da Mala” é repetida por gerações pela oralidade e pelo que se depreende contribui para a mitificação da personagem Maria Mercedes Fea, elevada à categoria de santa por um segmento de devotos. Entendemos por mito o conceito de olimpianos, a partir de Edgard Morin (1969, p. 113), conforme citado no capítulo anterior.

Com relação ao suposto motivo do crime, apesar de Giuseppe Pistone ter mantido a versão de traição, os devotos acreditam que esse foi apenas um fato inventado pelo assassino para justificar o crime, pelo que é transmitido oralmente. Para eles Maria Fea foi inocente e teria sido assassinada pelos ciúmes doentio do marido, como podemos constatar através de

28 Entrevista concedida em 21 set. 2005. Espectadores, como o Sr. Waldemar Dias de Castro, também atentam

para a cena da queda da mala, como relatado em entrevista concedida em 17 nov. 2005. En trevista na íntegra em Anexos 6

depoimento de Wilma Marques Pereira, 69 anos, dona-de-casa, em entrevista concedida à autora em 11 de Março de 2005:

A minha mãe me contou que a Maria Fea morava em uma pensão com o marido. Essa pensão tinha um corredor comprido. A Fea era uma moça muito bonita e estava grávida. Depois que vieram saber que ela estava grávida. Um dia o marido chegou em casa, não sei se foi à noitinha ou à tardinha, e quando ele vinha entrando ela vinha saindo para o corredor. Tinha o quarto dela e um outro de onde saiu um homem. O quarto estava

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