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Score pronostique révisé (IPSS-R) (28, 29,164) (Tableau n °XVII, n° XVIII)

MATERIELS ET METHODES

1- Classification - franco -américano-britannique FAB :

5.4.3 Score pronostique révisé (IPSS-R) (28, 29,164) (Tableau n °XVII, n° XVIII)

Dislexia é considerada “uma perturbação da linguagem que se manifesta na dificuldade de aprendizagem da leitura e da escrita, em consequência de atrasos de maturação que afectam o estabelecimento das relações espácio-temporais, a área motora, a capacidade de discriminação perceptivo-visual, os processos simbólicos, a atenção e a capacidade numérica e/ou a competência social e pessoal, em sujeitos que apresentam um desenvolvimento adequado para a idade e aptidões intelectuais normais.” (Torres & Fernández, 2001:7).

Como tem vindo a ser referido até este momento, vários têm sido os estudos desenvolvidos em torno da Dislexia e fatores influentes no seu desenvolvimento aquando da aprendizagem da leitura, sendo que, de alguns anos a esta parte, diversos investigadores fazem referência à divisão desta perturbação em vários tipos. Neste sentido, de acordo com investigações mais recentes face ao tema, tem-se vindo a admitir a existência de síndromes disléxicas distintas que podem manter alguns traços comuns.

De acordo com Torres & Fernández (2001, cit. por Associação Portuguesa de Dislexia), a conceção de Dislexia enquanto “um atraso específico de maturação, permite que a mesma seja entendida como uma perturbação evolutiva e não patológica, o que apresenta consideráveis vantagens no domínio da avaliação e da intervenção, nomeadamente permitindo a identificação de diferentes tipos de Dislexia”.

Inicialmente foi estabelecida a existência de dois géneros de Dislexia, auditiva e visual, que posteriormente, de acordo com a investigação qualitativa dos padrões de ortografia e leitura, foram mais especificadas através da conceção de três padrões de Dislexia distintos, sendo eles a Dislexia auditiva ou disfonética, a Dislexia visual ou diseidética e a Dislexia mista (Torres e Fernández, 2001).

Esta interpretação das variantes atribuídas à Dislexia pode, no entanto, promover alguma confusão no que concerne o diagnóstico diferenciado entre a Dislexia tipo auditiva e a de tipo visual, visto que, frequentemente, existe a tendência de considerar que uma mesma criança/indivíduo possa apresentar dificuldades tanto visuais como auditivas. Cabe, neste

81 sentido, entender que o problema não reside diretamente nas questões auditivas ou visuais mas sim no processamento cerebral relativamente à informação proveniente tanto da visão como da audição. Neste contexto, as associações Americanas de Pediatria e de Oftalmologia reforçam a ideia de que a Dislexia não advém de questões visuais, na medida em que, erros como os de inversão26 são de origem fonológica e não visual (Teles, 2004). A Dislexia Tipo Auditiva/Disfonética, é aquela em que se verifica uma maior incidência, encontra-se relacionada com questões de carácter auditivo e caracteriza-se essencialmente pela dificuldade de estabelecer relações entre os diversos sons e seus respetivos grafemas (letras) (Torres e Fernández, 2001). Esta reflete-se nas crianças/indivíduos com ela diagnosticados através de características diversas, tais como:

1) atraso na linguagem; 2) deficiência na fala;

3) erros de leitura resultantes de problemas na correspondência grafema-fonema; 4) erros na escrita resultantes de problemas na correspondência fonema-grafema; 5) alterações da ordem das letras/sílabas;

6) omissões e acréscimos;

7) substituições de palavras por sinónimos;

8) troca de palavras por outras visualmente semelhantes; 9) permutas semânticas;

10) QI verbal inferior ao de realização.

Para além disso, estas crianças/indivíduos, apesar de não revelarem dificuldades na capacidade de leitura de palavras familiares (pertencentes à sua realidade quotidiana), mostram-se incapazes de ler palavras desconhecidas ou pseudopalavras acerca das quais não possuam representação visual do léxico. Por outro lado, estes fatores vão também refletir-se na tendência para cometerem erros de carácter morfológico, como por exemplo

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Por exemplo, letras como o p/b confundem-se porque constituem duas consoantes com o mesmo ponto de articulação, uma surda e outra sonora (Teles, 2004).

82 ler uma palavra conservando a sua raiz mas alterando o seu sufixo (“comia” em vez de “comida”).

No âmbito das caraterísticas deste tipo de Dislexia a incapacidade de assimilação letra-som que os indivíduos apresentam, revela-se a maior e mais sentida dificuldade, sendo que o erro mais comum associado se traduz por uma soletração que não se assemelha à palavra lida e pela troca da palavra a ler por uma outra com sentido equivalente (Apito/assobio). Entende-se, deste modo, que os indivíduos que possuam este tipo de Dislexia recorrem à via direta (léxica) aquando da decifração de vocabulário na medida em que, a sua via indireta (subléxica) se encontra modificada, sendo que o melhor método de diagnóstico face a esta situação consiste na verificação de diferenças significativas ou não aquando do confronto entre a leitura de palavras familiares e outras semelhantes.

A Dislexia Tipo Visual/Diseidética, encontra-se relacionada com perturbações de ordem visual e espacial que se caracterizam pela incapacidade de reconhecimento de palavras como um todo e que se traduz por dificuldades como:

1) problemas de orientação direita/esquerda; 2) disgrafia ou fraca qualidade da letra;

3) erros de leitura que implicam aspetos visuais (por ex. p/q); 4) erros ortográficos;

5) leitura silabada sem aglutinação e síntese;

6) fragmentação e/ou troca por equivalentes fonéticos; 7) maior dificuldade no processo de leitura do que na escrita; 8) QI de realização inferior ao verbal.

Neste contexto, Cruz (1999) afiram que o leitor estabelece o seu acesso ao léxico guiado pelo som e não pela forma ortográfica das palavras sendo que, deste modo, não é capaz de as distinguir e estabelecer de forma adequada o seu referente aquando a sua leitura isolada e fora de um contexto específico.

Entende-se deste modo, que este tipo de Dislexia apresenta uma perturbação ao nível da via lexical que se traduz pela incapacidade de estabelecer uma ligação entre a palavra

83 enquanto um todo e a forma como esta se pronuncia. Perante isto, o processo de leitura desenvolve-se segundo o procedimento fonológico, cujo reconhecimento é feito através do som, verificando-se que uma palavra que o sujeito seja incapaz de pronunciar conduz á incapacidade de compreensão do respetivo significado.

A Dislexia Tipo Mista consiste essencialmente numa fusão dos dois tipos supramencionados e caracteriza-se por uma simultaneidade de dificuldades ao nível fonológico e visual, comprometendo ambas as vias visual e auditiva da leitura, e por uma leitura baseada no significado que tem como implicações uma maior probabilidade de ocorrência de erros de tipo semântico.

Neste sentido, disléxicos que apresentem estas características revelam perturbações nos processamentos fonológico e ortográfico que se traduzem pela incapacidade de realização de análises fonológicas que permitem a decifração de palavras, assim como, comportamentos de associação visuo-verbal e de perceção auditiva.