2.9 More Drawing Algorithms
2.9.1 Scan Converting Polygons
O ano de estágio é também um ano onde podemos experimentar novas abordagens de ensino numa mesma modalidade, desde que, obviamente, não coloquem em causa a aprendizagem dos alunos. Assim, o professor deve ter sensibilidade para perceber até que ponto a abordagem está a resultar ou não, tendo também em consideração as características da própria turma, pois são elas que vão determinar qual a melhor abordagem. Por outro lado, a experiência ao longo dos anos permite que um professor consiga observar as caraterísticas de determinada turma e, quase imediatamente, definir que tipo de abordagem irá adotar para aquela turma, já nós, “estreantes nestas andanças” temos de experimentar para depois retirarmos as ilações, nomeadamente as vantagens e as desvantagens de uma ou outra abordagem. Foi isso que aconteceu comigo numa das modalidades que abordei, que por conseguinte se transferiu para uma outra modalidade fruto da perceção recolhida na primeira modalidade. Passo a explicar: Quando comecei a abordar o Futebol, inicialmente, optei por dividir a turma em grupo homogéneos, ou
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seja, os alunos com mais capacidades faziam determinado tipo de exercícios com colegas equivalentes e os alunos com menos capacidades faziam outros tipo de exercícios, também com colegas equivalentes:
“De facto, hoje, optei por seguir esta metodologia até para relembrar as capacidades que cada um tem, pois a avaliação diagnóstica já foi realizada há algum tempo. Além disso, com as várias aulas do primeiro período eles também tiveram possibilidade e oportunidade de evoluir, obviamente que as suas capacidades estão muito melhores que no início do ano letivo. Na planificação da aula pensei que se juntasse alunos com diferentes capacidades, os mais fracos, não iriam participar muito no jogo e nos exercícios, logo eu não iria conseguir aferir tão bem em que patamar eles se encontram. Da forma como planifiquei foi muito mais prático e acessível para mim observar, analisar e comparar alunos. Desta forma, para a próxima aula poderei fazer os ajustes que entender necessários para a potenciar a aprendizagem dos mais fracos e aperfeiçoar a aprendizagem dos mais evoluídos, até porque na minha turma tenho bastantes jogadores de futebol. Todo este meu pensamento foi justificado na literatura, no que aprendi nas aulas de didática de futebol e também na opinião da professora Telma.” (Reflexão aula – 9/1/2013)
Esta abordagem tem vantagens e desvantagens como é óbvio, no entanto tendo em conta as características de cada turma, cabe ao professor decidir que abordagem tem mais vantagens quando comparada com outra abordagem.
As vantagens desta abordagem são que os exercícios são pensados de acordo com as capacidades de um grupo e de outro, logo o nível de exigência é igual para todos. O fato de colegas gostarem de ajudar os que tem mais dificuldades é também um bom indicador psicossocial, como está patente nos excertos a seguir apresentados.
“Relativamente aos exercícios da aula, penso que tiveram uma progressão pedagógica correta em ambos os níveis, no entanto os rapazes que escolhi
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para ficarem do lado das raparigas com o objetivo de as ajudar a jogar e a perceber o jogo não tiveram a prestação que eu idealizei, ao contrário do que se passou na última de futebol, onde o Neto e o Tiago corresponderam às expetativas. O que me surpreendeu mais pela positiva na aula até foi o facto de o Neto me ter pedido para ir para o lado das raparigas. Fiquei com a nítida sensação que ele gostou de as "ensinar" e ajudar. Como tal, na próxima aula vou voltar a pô-lo no nível elementar.” (Reflexão aula – 30/1/2013).
Relativamente às desvantagens, alguns alunos podem sentir-se “injustiçados”.
“O que me marcou mais na aula de hoje foi o que uma aluna disse: “oh professor, isso de dividir os melhores para um lado e os piores para outro não vai possibilitar que os piores evoluem!”.” (Reflexão aula – 9/1/2013).
Por outro lado, os alunos com mais dificuldades ao não serem sujeitos a
Outro tipo de complexidade, como enfrentar colegas com mais capacidades, quando chegam à situação de jogo competição 5x5 ficam bloqueados.
Estas inquietudes levaram-me a ponderar uma outra abordagem e pensei “porque não experimentar?!”
“Para a aula de hoje pensei noutra organização que não o trabalho por níveis, como tinha feito nas aulas anteriores, com o objetivo de aferir se a turma trabalha mais e melhor. Deste modo, dividi a turma em 3 grupos heterogéneos e organizei a aula por 3 estações de trabalho, em que o propósito foi relembrar alguns conteúdos abordados até à última aula que tínhamos lecionado, já no 2º período.” (Reflexão aula – 10/5/2013).
A partir deste momento e até ao final do ano letivo todas as aulas de futebol foram planeadas desta forma – grupos heterogéneos e trabalho por estações. As vantagens deste tipo de abordagem sobrepuseram-se às vantagens da outra abordagem, nomeadamente pelo facto de todos os alunos se sentirem integrados e a competição/intensidades/exigência nas estações de
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trabalho ao ser maior permitiu que nas situações de jogo 5x5 os alunos com mais dificuldades não sentissem tanta diferença, logo não bloqueavam e além disso os alunos melhores, através da comunicação ou através de uma melhor compreensão tático-técnica, criavam situações mais fáceis aos colegas com mais dificuldades. O único cuidado que tive foi a introdução de variantes ou condicionantes, conformes os exercícios, de forma a permitir que os alunos com mais dificuldades tivessem sucesso. Assim, este mantinha-se motivados.
A desvantagem principal desta abordagem foi que em determinados exercícios, por serem mais exigentes ao nível técnico, por exemplo, é difícil que resultem e quando resultam, usualmente, não é com a intensidade pretendida.
Todavia, como o mais importante no ensino de modalidades coletivas na Escola é que os alunos compreendam e participem no jogo de forma ativa. Nesse contexto, coloquei a seguinte questão: “Que interessa ter um aluno que saiba fazer bem um passe se a seguir não se desmarca? É preferível ter um aluno que consiga fazer um passe mais ou menos direcionado, mas que imediatamente a seguir crie uma outra linha de passe.”
No voleibol como também havia um número elevado de alunos com bom desempenho motor, já não experimentei a abordagem de grupos homogéneos. Aproveitei o transfere do que aprendi com o futebol e abordei o voleibol da mesma forma. Esta opção está plasmada no excerto que se segue:
“Posteriormente, elaborei equipas para realizarem exercícios de jogo, nas situações 2x2, 3x3 3 4x4. O motivo pelo qual fui eu a elaborar as equipas foi pretender que as mesmas fossem heterogéneas, isto é, misturar alunos com mais dificuldades com alunos com os que têm mais capacidades, para assim além de os jogos serem mais equilibrados, existir a possibilidade de os que têm mais capacidades ajudarem os que têm menos.” e “… Assim, com o trabalho heterogéneo que vai ser realizado ao longo da unidade didática pretendo que os alunos com mais capacidades ajudam os colegas a evoluir,” (Reflexão aula 3/4/2013).
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Como já referi anteriormente, o professor deve ter a sensibilidade de perceber quando uma estratégia está ou não a funcionar, por isso e dependendo dos conteúdos a abordar e pela especificidade da modalidade (a bola não poder cair ao chão), decidi realizar pontualmente r exercícios em que os alunos estavam divididos por grupos homogéneos, designadamente na abordagem do remate:
“O exercício 3, da aula de hoje, foi planeado a pensar nesses pressupostos todos: grupos de trabalhos homogéneos - alunos com capacidades diferentes – exercícios com diferentes exigências. A introdução de um novo conteúdo na próxima aula não pode colocar em causa a necessidade de este conteúdo ser novamente exercitado. Apesar de muitos alunos conseguirem fazer o remate sem grandes falhas técnicas, outros ainda não o conseguem pela sua dificuldade, principalmente em coordenar a chamada com o momento de bater a bola no seu ponto mais alto – fase que dei mais importância hoje, principalmente nos níveis mais baixos.” (Reflexão aula – 24/4/20113).
Concluindo, apesar de considerar que o ensino por grupos heterogéneos aporta mais vantagens para o processo de ensino aprendizagem, cabe ao professor decidir quando aplicar uma ou outra abordagem e, se necessário, intercalar na mesma unidade didática estratégias distintas, pois o que importa é que os alunos aprendam e os professores façam tudo o que estiver ao seu alcance para que a aprendizagem se concretize.