Quando um professor é colocado numa determinada instituição de ensino, deve antes de mais conhecer o ambiente em que ela está inserida e estudar a política da Escola, pois estes fatores irão influenciar a sua vida na Escola e por conseguinte na sua lecionação.
No ato de planear, o docente deve ter em conta o ambiente familiar de cada aluno, pois, como é habitual ouvir-se, a escola é a imagem/espelho da sociedade, e do meio em que está implantada. Assim, cada professor deve fazer uma leitura correta da escola e do meio envolvente, para que a sua ação seja apropriada e adaptada à sua escola e aos seus alunos.
Concretamente, a Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas situa-se na freguesia de Cedofeita, atualmente é constituída por cerca de 25 mil habitantes, sendo considerada um dos locais sociais e comerciais mais marcantes da cidade do Porto.
A Rua de Cedofeita situa-se no seio da cidade do Porto, rodeada por Santo Ildefonso, Ramalde, Paranhos, Massarelos, Miragaia e Vitória.
Na área cultural, destaca-se a Casa da Música, na Rotunda da Boavista, sendo visitada por inúmeras pessoas.
A Escola situa-se numa zona de comércio e de cultura, num local onde todos os dias passam milhares de pessoas.
Por sua vez, a Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas foi inicialmente denominada por Liceu Central do Porto D. Manuel II sendo projetada em 1902 pelo Arquiteto Marques da Silva.
A Escola foi tendo várias designações ao longo dos anos como se pode verificar no quadro nº1:
Quadro 1 - Designação da Escola B. e S. Rodrigues de Freitas ao longo dos tempos
DATA NOME
1836 Liceu Nacional do Porto
1880 Liceu Nacional Central do Porto
1906 Liceu Nacional Central da 2ª Zona Escolar do Porto
1908 Liceu de D. Manuel II
1910 Liceu de Rodrigues de Freitas
1947 Liceu de D. Manuel II
1957 Liceu Normal de D. Manuel II
1974 Liceu de Rodrigues de Freitas
… Escola Secundária Rodrigues de Freitas
… Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas
Atualmente a Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas é a sede do agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas, sendo constituída por sete instituições de ensino como indica o quadro abaixo:
Quadro 2 - Agrupamentos de Escolas Rodrigues de Freitas
AGRUPAMENTO DE ESCOLAS RODRIGUES DE FREITAS
Sede Escola Básica e Secundária Rodrigues de Freitas
Escolas Agrupadas E.B. de Miragaia
E.B. da Torrinha E.B. /J.I. da Bandeirinha
E.B. de S. Nicolau E.B. de Carlos Alberto Jardim de Infância da Vitória
A Escola contém diversos espaços como a sala de professores, a sala dos diretores de turma, a sala de recursos, as salas de aula, o laboratório, a biblioteca, a reprografia, a cantina, os espaços desportivos e ainda se pode gabar de ter um museu, sendo que a maioria das Escolas não tem.
Como professora de EF devo conhecer quais as instalações e equipamentos desportivos que a Escola oferece, pois as minhas aulas dependem dos espaços disponíveis.
No que diz respeito aos espaços físicos operacionais disponíveis para a prática de atividade física, a Escola possui pavilhões interiores, sendo eles: o Ginásio Central (GC) destinado principalmente à prática de voleibol e badminton; o Ginásio Pequeno (GP) destinado principalmente à prática de ginástica, ténis de mesa e salto em altura; e o Pavilhão polidesportivo (PP) destinado à prática de desportos coletivos e ainda do badminton. O espaço exterior contempla dois campos de andebol, um de basquetebol e três pistas de atletismo de 50m.
Relativamente ao material disponível para a abordagem dos mais variados desportos, há a referir que existe material de boa qualidade. Como espaços auxiliares às instalações desportivas a Escola dispõe de balneários, de um gabinete de EF, de balneários para professores, de um posto médico e de uma arrecadação. Perante este cenário, pode-se depreender que há excelentes condições para se lecionar, apesar de por vezes o pavilhão polidesportivo ser partilhado por três professores, o que dificulta a lecionação. Ter à minha disposição bom material e boas instalações é meio caminho andado para o sucesso de uma aula.
Todo o indivíduo tem por base uma educação, pois é o que o ajuda a viver e a pertencer a uma sociedade. Essa educação é transmitida em casa, na Escola e no próprio grupo de amigos.
É de facto notório que a escola espelha as ocorrências socioeconómicas que o nosso País está a viver. A Escola B. e S. Rodrigues de Freitas, sendo uma escola pública, não seleciona os alunos que a integram, representando, assim, fielmente a sociedade em que está inserida. Durante o meu ano de estágio, pude constatar que existem alunos com diferentes estatutos sociais, sendo que a maior diferença reside entre o ensino básico e o ensino secundário. Se por um lado, o ensino básico (em geral) representa a escolaridade obrigatória e alguma indisciplina, por outro lado, o ensino secundário representa precisamente o oposto. Contudo, ambos refletem problemas económicos fruto do momento que a Europa está a enfrentar (crise financeira). Aquando da minha lecionação e das reuniões de Conselho de Turma, deparei-me com algumas situações constrangedoras. Por vezes, uma das minhas alunas iniciava o dia na escola sem tomar o pequeno-almoço, pois o encarregado de educação não tinha possibilidades económicas. A escola ofereceu-se para lhe dar todos os dias a refeição da manhã, contudo tanto o EE como a aluna recusaram, julgo eu por não se sentirem à vontade com a situação. Num outro momento, aquando da lecionação da modalidade de atletismo, tendo por base o Modelo de Educação Desportiva, solicitei que os alunos vestissem a t-shirt consoante a cor da equipa a que pertenciam. Contudo, uma das alunas, por motivos económicos, não pôde comprar a t-shirt, tendo-a pedido emprestada a uma colega.
Em suma, o professor precisa de estar atento à realidade que o rodeia, ciente das mudanças sociais / económicas, estar em constante atualização e ter a capacidade de se adaptar e de adaptar as suas aulas a estas circunstâncias.