5.3 Representation Schemes
5.3.4 Euler Operations
“Não desista. Geralmente é a última chave no chaveiro que abre a porta.”4
Paulo Coelho A formação docente inicial e continuada gira em torno de quatro princípios: a intencionalidade do trabalho docente, a articulação da teoria com a prática, o trabalho coletivo e o reconhecimento do caráter subjetivo e social do trabalho docente. É fulcral que o docente reflita e explicite a intencionalidade das suas ações, pois está a comprometer-se com o desenvolvimento de um projeto do qual o Homem e a sociedade fazem parte integrante. Para isso, a formação inicial e continuada deve interrogar constantemente sobre o sentido de ensinar as crianças/jovens. Por sua vez, a teoria e a prática não devem ser consideradas em separado, mas sim como algo que se complementam. Um professor que só considere um destes elementos, será com certeza incompetente, os professores não adquirem conhecimentos só com a prática, a teoria é a base para uma prática de sucesso, sem reflexão (e teoria) a análise da prática fica incompleta. O saber docente é assim algo inacabado sendo que se deve circunscrever na prática e vice-versa (Caldeira, 2001).
O professor deve considerar aquando da sua formação, o trabalho coletivo, pois ninguém é sem o outro, o Homem é sobretudo um ser social sendo que a sua identidade se edifica na interação com o seu par. O trabalho coletivo, presente em todas as ocasiões exige compromisso, cooperação, respeito, crítica e participação entre todos os intervenientes. Por último, o docente coloca um pouco de si em tudo o que faz, ou seja, assume a prática a partir de significados que ele mesmo lhe atribui. Nem sempre a ação do professor é objetiva, pois todas as suas vivências e experiências influenciam a sua forma de agir não só a nível pessoal mas também a nível profissional.
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Porém, apesar dessa subjetividade, o professor deve ser consciente e responsável pelas suas ações (Caldeira, 2001).
Tal como referi em pontos anteriores, as dúvidas, as incertezas, as inseguranças e a inexperiência assolavam-me, influenciando a minha prestação nas aulas. Para além destes fatores, sabia de antemão que nas reuniões de núcleo de estágio, a minha aula seria aquela com um maior número de críticas, pois tinha de melhorar em vários aspetos. Cheguei mesmo a pensar se era capaz de terminar o estágio num bom patamar. Surgia sempre a dúvida se algum dia iria ser capaz de atingir os meus objetivos, se algum dia alguém me iria dizer que a aula tinha corrido bem.
Para não perder o comboio e conseguir acompanhar tudo aquilo que me era exigido, estudei bem cada matéria antes de a lecionar, visualizei vídeos sobre as várias modalidades, observei a atitude da minha professora cooperante perante momentos de indisciplina, ouvi conselhos dos meus colegas de profissão e da família, fui a ações de formação e refleti bastante sobre cada aula que lecionei, pois tal como Oliveira & Serrazina (2002, p. 5) afirmam “o processo reflexivo caracteriza-se por um vaivém constante entre acontecer e compreender na procura de atribuição de significado às experiências vividas”.
Talvez se já tivesse experiência em lecionar/treinar provavelmente não precisaria de me esforçar tanto, porém, eu vejo o meu esforço e dedicação como uma forma de evolução e uma procura de um caminho de conhecimento. Apesar de todas as dúvidas que me assombravam, desistir nunca fez parte do meu vocabulário, eu acreditei em mim e reconheço que graças às ajudas e à minha persistência hoje sou completamente diferente daquilo que fui no início do ano letivo, mais confiante e com mais experiência. Em suma, procurei sempre seguir os quatro princípios orientadores da formação inicial e continuada: trabalhar coletivamente para superar as minhas insuficiências, estudar a matéria a ser lecionada, colocá-la em prática e posteriormente analisá-la tendo por base a teoria, refletir todos os dias sobre qual a minha intencionalidade no que diz respeito ao processo de ensino/aprendizagem e
por fim, colocar um pouco de mim em tudo o que faço, tendo sido sempre consciente e responsável nas minhas ações.
Tudo aquilo que faço contribui para a minha formação, pois sou e serei um ser inacabado, bebendo sempre que possa, da fonte do conhecimento e das experiências.
3.6 Conquistas alcançadas
Este ano foi repleto de aprendizagens e de conquistas pessoais e profissionais.
Os documentos que elaborei ao longo do ano (necessários para a lecionação das aulas) foram corrigidos pela professora cooperante, sendo que inicialmente esta detetava bastantes incorreções, ou porque os objetivos e as componentes críticas estavam mal redigidas no plano de aula, ou porque nas unidades temáticas (UT) alguns conteúdos deveriam ser introduzidos mais tarde/mais cedo. Certo é que, do início para o fim do estágio, houve uma grande evolução, pois os últimos documentos quase não apresentavam erros. Ainda me lembro de uma ocasião em que a professora cooperante me enviou um e-mail com a correção de um diário de bordo e que, em anexo, vinha um comentário em que me a professora referia como eu tinha melhorado a minha escrita e a minha capacidade de refletir. No início do ano letivo, as minhas reflexões eram bastante descritivas e confusas, eram relatos autênticos do que se tinha passado nas aulas, mas não uma reflexão sobre o porquê do que acontecera. Após a leitura do e-mail, fiquei em êxtase e li mais do que uma vez o comentário, pois nem queria acreditar que, finalmente, tinha atingido um dos meus objetivos, refletir racionalmente para agir eficazmente.
Desenvolver nos alunos o gosto pela EF, conseguir que os educandos evoluíssem e melhorassem a sua aptidão física foram conquistas que, para mim, tiveram um enorme significado. Quem visse estes alunos no início do ano não acreditaria que tal fosse possível. Apesar de ter duvidado, nunca desisti dos meus alunos, incentivei-os sempre e ajudei-os a realizarem as tarefas mais
complexas, tendo sido um processo longo e demorado, mas com ótimos resultados.
Por fim, aos poucos, fui conquistando melhorias não só na prestação dos meus alunos, mas também na minha como professora de EF. Não ser rápida na transição dos exercícios, não ser clara na instrução, não terminar as aulas consoante o horário estipulado e não adaptar os exercícios quando necessário, eram dificuldades que sentia. Hoje, apesar de poder falhar uma vez ou outra, consigo lecionar como uma verdadeira professora, embora esteja consciente de que a aprendizagem nunca está completa.