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12.7 Sauvegarde et restauration de l’environnement
Mas se o adulto/formando é elemento essencial em todo este processo enquanto agente e sujeito do seu próprio processo de aprendizagem, não menos importante é o papel dos profissionais e formadores que o acompanham.
A Portaria n.º 370/2008, de 21 de Maio, no seu artigo 11º, salienta a importância do papel do formador de RVCC, referindo que ao formador compete:
“Apoiar o processo de reconhecimento de competências desenvolvido pelo adulto, orientando a construção do portefólio reflexivo de aprendizagens no âmbito das respectivas áreas de competências (…) participar com o profissional de RVC na validação de competências adquiridas pelo adulto (…) organizar e desenvolver as acções de formação complementar que permitam ao adulto aceder à certificação (…) participar, conjuntamente com os elementos da equipa do centro que intervêm nos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências e com o avaliador externo, nos júris de certificação”.
O acompanhamento dos adultos durante todo o processo é essencial para que se possam rentabilizar todas as potencialidades formativas do processo de RVCC, o que por vezes não se coaduna com as exigências por parte da tutela, de lógica iminentemente quantitativa (veja-se as metas definidas pela tutela). É um novo papel que é pedido ao professor, que abandone a sua postura de “instrutor”, que transmite conhecimentos teóricos e técnicos e controla o modo como os alunos se apropriam desses mesmos conhecimentos, para passar a uma postura, a de “passador”, aquele que acompanha os formandos no seu percurso de aprendizagem, preocupado “em saber para onde a pessoa que ir e em perceber como … ajudá-la durante um determinado período a caminhar na direcção que pretende” (Josso, 2008, pp. 118 -119). Também Rui Canário (2008) realça as mudanças que se impõem ao trabalho do professor nestas novas modalidades de formação, apontando para novos papéis e para outras posturas por parte do professor/formador, a quem se exige que “esteja atento e à escuta do que sabe o aprendente, ajudando-o a formalizar saberes tácitos adquiridos na acção” (p. 110). Esta perspetiva harmoniza-se também com a posição defendida por Cármen Cavaco (2009) que, apoiando-se em estudos de alguns investigadores como Perrenoud e Karolewicz, identifica alguns aspetos essenciais para que o formador cumpra este seu papel de “facilitador” das aprendizagens: “a escuta activa”, “a maiêutica”, “o acompanhamento”, “a estimulação”, a adaptação”, “a responsabilidade”; “a ética” (pp. 709-710).
Para além da centralidade do trabalho a desenvolver com o adulto, esteé também um trabalho que requer, da parte do formador, a capacidade de trabalhar em equipa, modalidade que permite articular e otimizar procedimentos, partilhar informação, conduzindo, em consequência, a uma capitalização da experiência dos diferentes elementos da equipa pedagógica.
Apresentamos de seguida um quadro-síntese (adaptado de Cavaco, 2009, pp. 715-718),
no qual se destacam as principais competências do formador de RVCC nas funções de reconhecimento e validação de competências:
Quadro 3 – Funções e Competências do Formador RVCC
Funções do formador Competências do formador Reconhecimento das competências dos adultos em processo de RVCC através da explicitação da sua experiência de vida e da resolução de problemas
- Ser capaz de interpretar e descodificar as competências do referencial, tornando-o um instrumento de trabalho passível de ser utilizado, pelos adultos em processo
- Ser capaz de apoiar os adultos no desenvolvimento dos instrumentos de mediação, explicando a finalidade de cada instrumento e esclarecendo as dúvidas que surgem no preenchimento, para que estes possam perceber a lógica do processo
- Ser capaz de envolver o adulto no processo, de modo a que este se sinta motivado e implicado na reflexão sobre a globalidade da sua experiência de vida
- Ser capaz de incentivar o adulto a reflectir sobre os seus projectos de vida, apoiando-o na explicitação e formalização de um desses projectos
- Ser capaz de animar sessões em pequeno grupo, gerando um processo de colaboração interpessoal entre os adultos envolvidos, uma dinâmica de discussão e troca de ideias e experiências
- Ser capaz de apoiar e incentivar o adulto a ultrapassar bloqueios e estados emocionais que condicionam a reflexão sobre a sua experiência de vida
- Ser capaz de identificar os saberes e competências de cada adulto, quer através da explicitação da sua experiência de vida, quer através de situações proporcionadas nas sessões de reconhecimento
- Ser capaz de orientar o adulto em processo de RVCC para uma tomada de consciência dos seus saberes e competências, promovendo um processo de auto-reconhecimento
- Ser capaz de confrontar o adulto com situações-problema para este demonstrar competências e, assim, promover o reconhecimento nas áreas de competência-chave -Ser capaz de orientar e apoiar o adulto na pesquisa, para que este possa, autonomamente, desenvolver as competências que não foram reconhecidas ao longo do processo
Validação das competências do adulto em processo de RVCC, através da comparação entre as competências do adulto e as competências do referencial
- Ser capaz de comparar os saberes e competências que inferiu, através da experiência de vida do adulto e das situações vividas durante o processo, com as competências identificadas no referencial de competências-chave
- Ser capaz de analisar e discutir em equipa as competências demonstradas pelo adulto para cada área de competência-chave do referencial, propondo ao adulto, caso seja necessário, um plano de formação complementar
- Ser capaz de fazer um balanço sobre o processo de reconhecimento do adulto no júri de validação e de incentivar o adulto a prosseguir o seu percurso formativo e a concretizar os seus projectos de vida, numa perspectiva de valorização e reconhecimento do potencial de cada pessoa
O trabalho desenvolvido pelo processo de RVCC obriga a uma reconversão do trabalho dos professores, agora imbuídos de um novo papel enquanto formadores. Há mudanças inevitáveis devido à especificidade do trabalho realizado no âmbito do processo de reconhecimento e validação de competências. É um trabalho complexo que exige trabalho em equipa, reflexão constante sobre o trabalho realizado, flexibilidade e adaptabilidade, e um caminho de autoformação em constante (re)elaboração. O formador é um profissional que reflete na prática e sobre a prática, que atua refletindo na ação, criando uma nova perceção da realidade educativa, experimentando, corrigindo, inventando, recriando-se, a si e às suas práticas, através de um diálogo que estabelece com essa mesma realidade e com os outros atores que dela fazem parte.
Como é evidente, perante esta nova realidade, desfiadora e exigente, torna-se imperativo investir na formação, não só pela especificidade que o modelo RVCC apresenta (atendendo aos seus princípios orientadores – a aprendizagem ao longo da vida, a valorização de aprendizagens informais/não formais e a validação de competências), mas também pela importância de que se reveste a formação contínua de qualquer professor/formador, e não apenas do educador de Adultos. Ações de formação que permitam ter um conhecimento da evolução de um campo de saber e de intervenção como é o da Educação e Formação de Adultos em Portugal, dos princípios da Iniciativa Novas Oportunidades, da missão, papéis e funções de um Centro Novas Oportunidades e de toda a complexidade inerente a um processo de reconhecimento, validação e certificação de adquiridos.