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Sahara 97096 (EH3)

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4.5 Chondrites non carbon´ees

4.5.3 Sahara 97096 (EH3)

Primeiramente, o experimento realizado serviu como base para comprovar a possibilidade de inserção das atividades da abordagem TEACCH, adaptadas para dispositivos móveis, dentro do processo interventivo de pessoas com autismo. As atividades elaboradas para a aplicação no experimento foram protótipos que retrataram toda a dinâmica, recomendações e princípios da abordagem TEACCH e serviram de base para implementação de mais duas versões do aplicativo ABC Autismo: Frutas e Meios de Transporte, apresentadas nos anexos B e C com previsão de lançamento para os próximos meses.

Com a pretensão de contribuir claramente para a área de pesquisa em prol do universo autista, este trabalho teve como objetivos levantar estudos da área de tecnologia destinados ao ensino ou desenvolvimento de habilidades a pessoas com autismo, além de validar do ponto de vista pedagógico uma tecnologia moldada aos princípios do TEACCH, uma abordagem utilizada no processo de alfabetização de pessoas com autismo.

Sabendo que a área em questão apresenta ainda uma carência de estudos relacionados ao tema pesquisado, os resultados obtidos com a revisão sistemática além de referencial teórico para pesquisas futuras, podem servir de indicadores para ações no meio científico que visem preencher as lacunas levantadas.

Acredita-se que todas as respostas deste estudo tenham sido relevantes para o meio científico em questão. Por exemplo, compreender quais estratégias pedagógicas surte mais efeito no tratamento autista pode ser fundamental para efetividade de trabalhos vindouros. Ter essa informação previamente pode reduzir consideravelmente o tempo total de pesquisas, pois trata-se de um conhecimento já adquirido e portanto não é necessário uma nova investigação para obtê-lo.

Além disso, com os dados coletados nesta revisão será possível montar vários cenários, dentre eles um que possibilite listar as tecnologias voltadas para o trato de determinado nível de comprometimento do autismo, em outras palavras, verificar quem é mais assistido, os autistas de grau severo, moderado ou leve, pelos dispositivos tecnológicos. Esse resultado em particular pode estimular iniciativas que trabalhem novas formas de intervir com o autista utilizando tecnologias, aumentando assim o assistencialismo atualmente oferecido.

Também é possível que alguma pesquisa futura, verificando os pontos de falha nos estudos listados, apresente alguma alternativa para melhorar seja um processo, abordagem ou dinâmica, ou

até propor uma mudança na funcionalidade de alguma aplicação que resulte em maior efetividade do estudo antes apresentado. Talvez algum experimento possa ser reestruturado, novamente configurado, para prover ganho significativo ao desenvolvimento cognitivo do autista. Muitas são as possibilidades que são abertas com o agrupamento dos resultados dessa revisão sistemática elaborada.

Outro objetivo nesta pesquisa era realizar um experimento para validar uma tecnologia pedagógica em prol do autista. Partindo do pressuposto de que o uso de tecnologias apoiadas em modelos pedagógicos já consolidados no meio científico, e diretamente alinhados as carências cognitivas de pessoas com autismo é benéfico para o desenvolvimento deste público, realizamos um estudo longitudinal na Associação de Amigos dos Autistas de Alagoas.

Neste estudo tínhamos a pretensão de obter indícios que sinalizassem para a melhoria, do ponto de vista da prática de habilidades necessárias ao processo de alfabetização em crianças com autismo. Mediante a execução de uma aplicação móvel intitulada ABC Autismo, desenvolvida considerando conceitos e recomendações de uma abordagem consolidada e comprovadamente eficaz na conduta autista, o TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children), um grupo de crianças autistas participou de sessões que mesclaram entre o uso da tecnologia e o uso de pastas confeccionadas com atividades do modelo convencional.

Após a realização de uma série de sessões, que tiveram como parâmetro comparativo a própria abordagem convencional, e mediram dentre outras variáveis o número de erros cometidos, as dicas aplicadas e o total de cada sessão, os resultados obtidos foram animadores.

No que cerne o entendimento da proposta inserida em cada atividade os resultados gerais indicaram que o Grupo 1, constituído por crianças em fase de aquisição para habilidades correspondentes ao Nível 4 da abordagem TEACCH, apresentou evolução entre sessões tanto na fase de tratamento com a abordagem tecnológica como para a fase de tratamento com as atividades convencionais. A evolução registrada para o uso da tecnologia foi mais evidente neste cenário.

Já no Grupo 2, constituído por crianças em fase de aquisição das habilidades inseridas no Nível 3 da abordagem TEACCH, registramos evolução após a fase de uso da tecnologia, apenas para metade dos integrantes. Considerando que C6 e C8 apresentaram problemas de ordem comportamental e que estes impactaram diretamente no desempenho das sessões, não é possível aferir se a tecnologia teve influencia positiva ou negativa entre sessões para estes indivíduos.

Em termos de autonomia, salvo algumas exceções, os resultados sinalizaram melhoria para maior parte da amostra em ambas as abordagens. O Grupo1, entre abordagens, só não registrou avanços para C4, que devido à problemas registrados na sessão 5 do tratamento convencional acabou apresentando índices de ajuda fora dos padrões apresentados nas outras sessões. No entanto, sabendo que C4 nesta sessão não teve o foco e o empenho esperado, devido a mudanças repentinas de humor não podemos afirmar que a fase de tratamento convencional foi ineficaz para trabalhar a independência do garoto.

No Grupo 2 a melhoria não foi evidente para C7 que registrou comportamento fora do padrão na sessão 4 do tratamento convencional. A discrepância apresentada dessa vez não foi ocasionada por mudanças de humor ou crises de “birra”, como evidenciados na descrição da variável anterior, pareceu ser déficit no entendimento ou até mesmo perca de foco na execução da atividade, visto que a sessão seguinte registrou uma queda brusca nos índices. Considerando que não houve interferência de fatores externos durante a sessão 4, neste caso os resultados gerais indicam que não houve assimilação da proposta de algumas atividades, nem melhoria na independência de C7 entre atividades do modelo convencional. Apesar de não ter registrado grandes oscilações entre sessões os resultados na tecnologia foram bem parecidos aos resultados da abordagem convencional.

Relativo ao nível de usabilidade nas duas abordagens, os resultados sinalizam em ambos os grupos melhoria para a maioria dos integrantes. A exceção no Grupo 1 foi C4, que devido aos problemas mencionados anteriormente, apresentou uma discrepância nos tempos totais para as duas últimas sessões do tratamento convencional. Cabe ressaltar, que a tecnologia sendo o objeto do estudo apresentou reduções entre sessões para todas as crianças deste mesmo grupo.

No Grupo 2 apenas C8, na fase de tratamento com a tecnologia, apresentou aumento entre sessões, motivado por uma negativa dada pelo profissional, que não deixou a criança executar jogos instalados no mesmo tablet utilizado para o estudo, C8 apresentou traços de irritação, relutando em executar as atividades da sequência. Isso impactou diretamente no desempenho da criança e resultou em índices de tempo elevado para esta abordagem. Do ponto de vista geral, as sessões realizadas apontaram avanços para maioria da amostra participante do estudo. O processo de execução sequencial e repetitivo das atividades possibilitou o desenvolvimento e melhoria de habilidades até então não dominadas pela amostra. Percebeu-se ao fim das sessões que boa parte da amostra foi capaz de responder as atividades de maneira mais consciente e rápida, dando indícios de

que melhoraram seu nível de compreensão para as habilidades trabalhadas, havendo também entendimento das exigências apresentadas em cada atividade e sessão.

Foi nítido o ganho apresentado, atividades que antes foram executadas com total apoio profissional, sem nenhum tipo de discriminação e método seletivo por parte das crianças, ao fim das sessões passaram a serem concluídas, em muitos casos, com total autonomia, independência e segurança.

O nível de usabilidade, e expertise na manipulação dos elementos e interação da criança com as funcionalidades da interface também foram melhorados consideravelmente, principalmente com o uso da tecnologia. Acredita-se que o nível de entendimento aumentado, além dos mecanismos de auto correção desenvolvidos, juntamente com o design das atividades e elementos, que replicaram toda a dinâmica e propostas inseridas na abordagem TEACCH tenham beneficiado positivamente no desempenho das crianças.

Na comparação dos grupos, os resultados sinalizaram para o Grupo 1 as maiores reduções entre abordagens e sessões. Considerando que neste grupo o processo interventivo foi iniciado com o tratamento baseado na tecnologia é possível que as habilidades trabalhadas com maior efetividade na tecnologia tenham influenciado positivamente na prática das mesmas habilidades na abordagem convencional. No entanto, existe a possibilidade do nível cognitivo do autista ter influenciado no seu desempenho entre sessões e fases, visto que a amostra do Grupo 1 foi formada por autistas em fase de aquisição para habilidades do Nível 4 TEACCH. Apenas testes mais específicos podem indicar qual fator teve mais influência no desempenho da amostra do Grupo 1.

Apesar de não podermos afirmar que houve aprendizado ao fim das sessões, podemos considerar que em condições normais, livre de distrações ou outros fatores externos, o uso da tecnologia pode impactar positivamente na cognição de pessoas com autismo. Essa melhora mesmo que não seja a nível intelectual pode ser evidente em termos de motricidade fina, motivação, empenho, ou até mesmo no foco, independência dentre outras características, que são desejáveis para o processo de aprendizado em muitos contextos. É importante frisar que é preciso respeitar o ritmo de cada autista e entender que a rotina quando bem trabalhada pode gerar resultados animadores a médio e longo prazo.

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