4.4 Programmes autonomes
5.1.2 S´emantique op´erationnelle
Como referido, para recolha dos dados foram realizadas entrevistas semi- estruturadas em PME do sector da CC do Norte de Portugal. Contudo, o primeiro passo no sentido da realização das entrevistas consistiu na elaboração de um guião (ver Anexo 2), o qual serviu para uniformizar os temas a abordar com cada entrevistado. O guião foi cuidadosamente elaborado, por forma a garantir a recolha de dados que permitam retirar conclusões e implicações dos impactos da CPE nas PME do sector.
As referidas sessões de entrevista tiveram a duração de cerca de hora e foram gravadas e transcritas integralmente com o intuito de facilitar a sua análise e interpretação. Com efeito, as entrevistas semi-estruturadas seguiram a estrutura pré- determinada pelo orientador e o investigador da presente investigação tendo em conta
52 os objectivos da investigação, com o suporte de um guião de entrevista constituído por perguntas abertas e fechadas. Estas serviam o intuito de, por um lado, proporcionar liberdade ao entrevistado para manifestar as suas percepções e reflexões acerca do tema auscultando a sua opinião sobre os impactos percebidos do advento da CPE. Por outro lado, no caso das perguntas fechadas, para dirigir o entrevistado para um determinado enquadramento específico, nomeadamente no que concerne a perguntas de âmbito mais quantitativo, ligadas ao reconhecimento de factos relacionados com aspectos económicos e organizacionais produzidos pelo advento da CPE.
No decorrer das entrevistas foi estabelecida uma ordem rígida na colocação das questões tendo, contudo, a aplicação das mesmas ou o seu aprofundar ocorrido de forma adaptada ao decorrer da entrevista por forma a salvaguardar alguma flexibilidade para a introdução de novas questões consideradas pertinentes. Para Ruquoy, este tipo de entrevista “não é inteiramente aberta nem encaminhada por um grande número de perguntas – guias, relativamente abertas, a propósito das quais é imperativo receber uma informação da parte do entrevistado (...) ” (Ruquoy, 1997).
Após uma breve introdução e enquadramento à investigação e análise do projecto proposto juntamente com os entrevistados, foram colocadas as questões e encetado o diálogo. Findas as entrevistas foram colocados numa matriz comparativa os dados obtidos e analisado o seu conteúdo de acordo com a metodologia o que permitiu a elaboração de um trabalho rigoroso no sentido da busca de homogeneidade de percepções na amostra apesar da notória percepção de algumas diferentes leituras efectuadas de uma mesma realidade.
Pode concluir-se que a utilização do método de entrevista semi-estruturada foi profícuo, não só pela profundidade que permitiu mas também pela flexibilidade e pela interpretação que proporcionou. Não se pode, no entanto, sonegar ou negligenciar as suas limitações que se prendem com a exigência na devida preparação do entrevistador, com o intuito de evitar erros, lapsos ou insipiência na conversação. Mais ainda, requer atenção especial para a busca da “espontaneidade do entrevistado e numa total neutralidade do investigador”. (Quivy e Campenhoudt, 2003). Isto porque o discurso do entrevistado poderá contaminar-se pela relação que estabelece com o entrevistador, algo que não deve ser negligenciado por este último e o facto do entrevistado poder inibir-se nas suas respostas com a eventual pretensão de agradar ao entrevistador se este perceber
53 o seu posicionamento. Torna-se, desta forma, necessário ter em consideração que estamos a receber o “retrato” que o informante tem do seu mundo, cabendo ao investigador avaliar o grau de correspondência de suas afirmações com “a realidade objectiva, ou factual” (Haguette, 1995).
Já foi referido que o processo de amostragem, foi estabelecido em congruência com os objectivos da investigação na medida em que as organizações seleccionadas bem como os colaboradores entrevistados são representativos do sector o que representa uma clara tentativa de contrariar qualquer vício de selecção que poderia eventualmente surgir. Pode-se afirmar que o processo se baseou numa amostragem não probabilística e intencional, o que se traduz na tentativa de seleccionar um subgrupo da população que, com base na informação disponível, possa ser visto com representativo do universo em análise.
De extrema importância referir que a identidade dos entrevistados foi protegida e procedeu-se à categorização dos entrevistados atribuindo-lhes a letra “E” (de entrevistado) e um número (1 a 9, dado que se referem a 9 entrevistas no total) que não reflecte a ordem das PME selecionadas apresentadas na Figura 8. Os entrevistados abordados possuem as seguintes funções: 4 directores comerciais, 3 responsáveis comerciais e 1 técnico-especialista do departamento comercial. Sendo estes utilizadores ou colaboradores-chave nas organizações onde se inserem, previu-se que a informação recolhida seria a mais fidedigna e assertiva possível.
Importa também referir que as entrevistas decorreram num ambiente descontraído mas profissional nas salas de reuniões e gabinetes dos colaboradores nas sedes das empresas referidas. Relativamente à interacção entre o investigador e os entrevistados estas surgiram de forma afável e profissional e que os entrevistados, na sua grande generalidade, afirmavam o que diziam, o que pensavam, o que crêem e percepcionam sem qualquer enviesamento advindo de qualquer condicionalismo até porque foi assegurada e garantida confidencialidade e anonimato.
A estrutura do guião das entrevistas foi desenhada por forma a alcançar os objectivos propostos e estruturado em função dos mesmos. Desta forma, o guião conteve um número de perguntas reduzido, redigidas de forma simples e orientadas à constituição de uma ferramenta ágil e eficaz na capacidade de recolher a informação
54 pretendida e explorar devidamente o tema. Foram colocadas quinze perguntas, que se podem tipificar da seguinte forma:
1. Questões 1, 2 e 5 serviam para apurar os impactos positivos e mais-valias percebidas na competitividade das empresas e integração das pessoas na sociedade digital induzidas pela implementação da CPE;
2. Questões 11, 12, 13 e 14 para aferir os impactos positivos de natureza económico-financeira induzidos pelo novo sistema de contratação, nomeadamente, o nível de vantagens financeiras que o novo sistema proporcionou e o tipo de utilização que efectuam no âmbito da CPE e das plataformas electrónicas;
3. Questões 3, 4 e 9 serviam para apurar os impactos ao nível de política comercial e alterações percebidas nos modelos de marketing com a introdução das plataformas na contratação pública, bem como avaliar a percepção de impactos na transparência dos processos;
4. Questões 7 e 15 para perceber o investimento tecnológico provocado pela CPE, as mudanças ou adaptações organizacionais e o esforço de formação que a CPE provocou;
5. Questão 6 servia para apurar as dificuldades na implementação da CPE;
6. Questão 10 para aferir das propostas de melhoria nos sistemas ligados à CPE bem como as funcionalidades que poderiam representar incremento de valor nas plataformas electrónicas, como forma de colmatação de dificuldades de adopção da CPE;
7. Questão 8 para perceber se a plataforma que as empresas utilizam para efectuar subcontratações é a mesma que mais utilizam para realizar contratos públicos, por forma a perceber se a CPE provocou a modernização da cadeia de fornecimento dos fornecedores do Estado, através de efeito contágio.
Em suma, pode afirmar-se que a eleição desta metodologia surge não apenas pela ambição de auscultação da opinião dessas organizações sobre os mesmos impactos da CPE mas surge, essencialmente, com o objectivo de enriquecer o conhecimento que existe sobre este tema, numa altura em que esta investigação se apresenta como
55 necessária. Desta forma, as organizações entrevistadas referiram-se livremente e sem condicionalismos aos principais impactos da CPE com base na sua avaliação e experiência.