Pretendeu-se com as questões número 3, 4 e 9 aferir quais os impactos percebidos ao nível das políticas de marketing e à eventual atribuição de superior importância ao comércio electrónico uma vez que a área comercial do sector público passou a realizar-se via plataforma. Pretendeu-se ainda perceber se este facto, provocou impactos positivos no favorecimento da realização de contratos públicos de forma mais transparente e livre de vícios. Tentou-se também aferir se as plataformas e a centralização de oportunidades de negócio, aumentou a propensão para abordagem a diferentes tipos de mercados que não o mercado principal das empresas (Construção Civil e obras públicas)
Tavares (2010) tentou perceber no seu estudo se a introdução de plataformas abona no sentido do “favorecimento de uma mais livre e justa concorrência”, no entanto, apenas 35% dos seus inquiridos referiram que o novo sistema possuía um
64 impacto positivo neste sector contra 62% de entidades que referiram não existir uma clara melhoria na transparência de processos.
Relativamente a alterações nos modelos de marketing, dadas as alterações de processo nos clientes do sector público, tentou-se perceber se as plataformas representam um agente de marketing disruptivo. Aqui surgiram opiniões divergentes. Apesar de reconhecido o potencial de rompimento com antigos paradigmas de mercado que as plataformas possuem, não houve unanimidade em afirmar que o novo sistema provocou alterações significativas na postura de mercado, na estratégia das empresas ou abordagem a diferentes tipos de mercado devido à centralização de oportunidades de diversos sectores (diferentes da actividade principal das empresas). As respostas obtidas sugerem que as plataformas possuem potencial de abordagem a diferentes mercados. Este potencial estimulou, em alguns casos, a abordagem a outros mercados que não o mercado principal mas, de forma geral, ainda não provocou impactos disruptivos na estratégia de marketing da totalidade das empresas inquiridas, pelo que estas se mantiveram, generalizadamente, no mesmo sector de actividade.
“Em termos de mercados mantemo-nos no público e não alteramos. Em termos de publicidade da própria empresa propriamente dita também não obtivemos grandes impactos. (…) em termos de empresa ligada à construção como disse há pouco, o tipo de obras a que concorremos já era este, continua este e há-de continuar este (…) acredito que (relativamente a empresas de outros sectores) tiveram hipóteses de largar o leque de clientes.”. (E1)
“Nunca houve propriamente a utilização das plataformas como meio de marketing, de publicidade, abordagem de obras, segmentação de montantes. Pode perfeitamente ser utilizada dessa forma mas, no nosso caso, especifico não. (…) Mantivemos exactamente o mesmo tipo de actividade.”. (E4)
“As plataformas permitem esta facilidade: apresentam uma listagem com concursos, escolhemos e decidimos concorrer. Não temos que entrar num carro e nos deslocar aos locais. (…) E depois com o momento actual e de escassez de trabalho faz
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com as empresas tenham que apostar noutros mercados e tipo de obras que até aqui não pensavam fazer (…) na contratação pública mantivemos com o mesmo objectivo e mesmo mercado de actuação”. (E5)
“ (…) à distância de um clique temos acesso a vários PPA, pedidos de proposta que sem a plataforma não saberíamos que existiam, (…) o que pode despertar uma outra orientação no mercado ou o interesse em áreas de negócio que habitualmente eram desconhecidas ou que nem sabíamos que existiam (…) Neste caso a estratégia da empresa manteve-se no sector de actividade em que estava. A plataforma deu-nos oportunidade de conhecer novos mercados mas esta não foi uma aposta da empresa uma vez que mantivemos a nossa estratégia”. (E2)
“A actividade da empresa manteve-se a mesma, não temos utilizado a plataforma para abordar outro tipo de mercados.”. (E7)
Contudo, para além destas respostas, vários inquiridos referiram que as plataformas constituem um elemento de marketing disruptivo, incorporado na estratégia comercial da empresa. Por este facto, dois dos inquiridos referiram ainda que a incorporação das plataformas alterou significativamente a estratégia de marketing das organizações na medida em que foram criadas novas organizações e/ou departamentos específicos para abordagem a novos mercados, diferentes da actividade principal da empresa.
“a plataforma não é considerada apenas como um elemento de trabalho. Possibilita-nos também ter conhecimento de outros negócios que poderiam estar menos visíveis porque por exemplo não explorarmos em profundidade determinado mercado geográfico e com a plataforma as coisas tornaram-se mais fáceis e mais acessíveis.”
(E9)
“há outras empresas que criamos e que começaram a utilizar plataformas noutros mercados.” (E3)
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”a plataforma ajudou na abordagem a outros clientes através de uma outra empresa do grupo criada para o efeito”. (E6)
Relativamente aos impactos positivos na transparência dos processos (um dos objectivos primordiais da CE com a introdução das directivas comunitárias), apesar de surgiram algumas opiniões quanto ao tímido impacto da CPE na transparência dos processos, foi referido de uma forma globalizada que a CPE provoca aumento na transparência dos contratos públicos, por oposição anterior método da contratação em papel.
“ (…) contribuiu para a transparência a lobbies. Isto porque anteriormente na
forma tradicional acho que havia menos transparência e clientelismo. No fundo penso que neste novo método acho que estes factores existem menos, a CPE torna tudo muito mais claro e transparente”. (E6)
“ (…) sem dúvida alguma porque o facto de a informação estar disponível para todos em plataforma faz com que não haja uma contratação sempre aos mesmos. Toda a gente pode concorrer, toda a gente pode estar no mercado. Depois depende de cada empresa fazer o seu trabalho o melhor que sabe a nível de preço, ao nível de valias técnicas (…) A transparência para mim é algo que faltava na antiga contratação em papel”. (E2)
“De uma forma geral sim, porque claramente está tudo mais registado, tudo mais aberto a toda a gente ver o que os outros estão a fazer, o que os outros estão a colocar”. (E3)
“(…) trouxe impactos positivos nas áreas de transparência a lobbies porque com o acesso de todas as pessoas ao mesmo tempo a todas as informações, eliminaram- se algumas desconfianças que havia em determinados mercados e a plataforma ajudou a clarificar também esses mercados”. (E9)
Desta forma, pode concluir-se que é reconhecido que as plataformas são um agente de marketing disruptivo e proporcionam conteúdo valioso para a estratégia
67 comercial das empresas. Porém, de uma forma geral, este conteúdo não está ainda a ser devida e generalizadamente capitalizado com a sua incorporação na postura comercial, salvo algumas excepções. Por este facto, grande parte das empresas inquiridas mantiveram a mesma abordagem comercial, com maior transparência e democratização no acesso à informação nos contratos públicos, induzidas pelas plataformas.