Programme possible d’un séminaire de droit
A. SÉMINAIRE CENTRÉ SUR LES ASPECTS PÉNAUX
Com o propósito de apreendermos como se fez a prática cotidiana formativa das orientadoras de estudo de Recife, no contexto das formações recebidas do PNAIC10 e advindas da IES11, apresentaremos as nossas impressões acerca do que captamos nos quatro encontros observados, no que tange às estratégias formativas utilizadas e às possíveis contribuições para a prática cotidiana do professor alfabetizador.
Quadro 07 – Estratégias Formativas utilizadas pelas orientadoras de estudos de Recife com os professores alfabetizadores
Datas Estratégias formativas utilizadas
IV Encontro
31/08/2013
10. Retomada do encontro anterior; 11. Apresentação da pauta do encontro; 12. Socialização das vivências;
13. Estudo dirigido de texto; 14. Leitura compartilhada; 15. Exposição dialogada; 16. Leitura deleite; 17. Avaliação da formação. V Encontro 14/09/13
1. Leitura da pauta do encontro; 2. Exposição dialogada;
3. Atividade em grupo; 4. Leitura deleite;
5. Retorno da tarefa de casa; 6. Estudo de texto; 7. Apresentação de vídeo; 8. Tarefa de casa. VI Encontro 28/09/13 8. Acolhimento;
9. Retomada do encontro anterior; 10. Leitura deleite;
11. Leitura da pauta do encontro; 12. Atividade de estudo do texto; 13. Socialização das atividades;
10
Pacto nacional pela Alfabetização na Idade Certa - PNAIC
11
14. Tarefa de casa; 3. Avaliação da formação. X Encontro 07/12/13 6. Leitura deleite; 7. Exposição dialogada; 8. Leitura da pauta; 9. Socialização de atividade; 10. Leitura compartilhada; 11. Avaliação da formação. Leitura deleite
A leitura deleite foi uma das estratégias formativas que se repetiu nos quatro encontros de formação observados. Em três deles foram utilizados vídeos (IV Encontro – “Os fantásticos livros voadores, do Sr. Morris Lessmore”; V – “A menina da lanterna”; VI – a música de Toquinho, “Caderno”) e apresentações em slides com o texto de Luiz Fernando Veríssimo, “Papos” (VI Encontro) e “O frio pode ser quente?”, livro de Jandira Mansur (X Encontro).
“Os fantásticos livros voadores, do Sr. Lessmorre”, foi apreciado pelas professoras cursistas no IV encontro de formação que teve como tema a Ludicidade em sala de aula. O vídeo não tinha falas, apenas uma música de fundo. A orientadora de estudos mediou esse momento fazendo uma espécie de interpretação do vídeo para as professoras. Foi dessa forma que ela conseguiu despertar o interesse e a atenção do grupo durante a exibição do vídeo.
IV Encontro de Formação dos orientadores de estudo de Recife
Orientadora de estudos Lúcia – [...] Não tem fala realmente, mas a musicazinha é tudo. Olha aquele livro ali, veja o que vai acontecer. Todos apreensivos, o que é que tá acontecendo com o livro? Ele tá fazendo o quê, minha gente?
Professora- Restaurando!
Orientadora de estudos Lúcia - Restaurando, muito bem! Tão mandando ele ler, ó. Ó quando começa a ler o que é que acontece, vê? Ele lendo. Os batimentos cardíacos do livro, vê! (...). Olha ele lendo! O livro ficou consertado, ficou bom! Ganhou vida porque leu! Aí ele agora tá fazendo o quê? Tá sendo autor da história dele, ó. Resolveu escrever! Vejam só as pessoas estão em preto e branco, vejam. Recebe o livro (...). Olha ele já velhinho! Aí vocês sabem, né? O fim! Ele tá velhinho, chegou ao fim do livro! (...). Olha o que vai acontecer? (...). Essa é a parte que eu achei mais linda do filminho, vê? (...). Aquela mocinha, tá vendo? Ela agora escreveu a historinha dele... da vida (...). Chorando o livrinho! É o amigo dele, né? (...). Aí o
que é que acontece? É uma criança, né? Quer dizer, a vida se renova, né? É uma criancinha, olha aí! Olha ele ali e o livro dele. Ele... Ele esse filminho ganhou o (...). Eu posso mandar pra vocês, tá certo?
Professora- Oba!
Orientadora de estudos Lúcia - No e-mail, que é... Vai no e-mail, é curtinho o filme...grandão mesmo é que não vai, né? De jeito nenhum, né?
Professora- Aí vai com som, né?
Orientadora de estudos Lúcia - Como? Professora- Vai com o som?
(...).
Orientadora de estudos Lúcia - Esse som assim... agora tem que botar pra amplificar, entendeu? O som é esse, agora. Quem tá aqui pertinho, ó, escuta que é uma beleza! Mas longe? Agora o bom que dá pra gente entender a história em si e não tem fala, né? Agora a música é bonita. Música é bonita! (...). Eu achei lindo... Né não? “O livro da vida nos ensina a virar as páginas”... Quer dizer, é a gente que vai ter que saber lidar com os acontecimentos e ir passando. Aquilo ali passou, findou! Volta, (...) esse filminho mostra isso, né? Você só vai compreender já no finalzinho quando ele morre, né isso?
A leitura deleite acima descrita aconteceu na segunda etapa da formação, ou seja, logo após o intervalo para o almoço. Assim como em momentos anteriores, a sala estava organizada com as cadeiras em círculos, de modo que todos pudessem se ver. Com as luzes apagadas, foi iniciada a exibição do vídeo para as professoras. Todo esse ambiente estava bem aconchegante, de modo que algumas professoras chegaram a cochilar durante o vídeo. Percebendo isso, a orientadora, foi comentando cada parte do vídeo, a fim de despertar no grupo o interesse pelo que estava sendo exposto.
Por outro lado, a forma como a orientadora de estudo conduziu a leitura não favoreceu o trabalho de construção de sentidos pela turma, já que, os professores foram envolvidos pelas considerações e interpretações elaboradas por Lúcia, sobre o texto lido, de modo que a leitura deleite ao invés de ser um momento reservado a apreciação, ao prazer, a interação, se configurou como a escuta de uma obra lida por outrem, sem que houvesse a efetiva participação e um trabalho de atribuição de significados e sentidos dos professores alfabetizadores que, nesse caso, assumiram o papel de simples expectador.
Outro dado que nos chamou a atenção foi o uso excessivo, pela orientadora de estudo Lúcia, de palavras no diminutivo. Entendemos que tal postura não corresponde
ou não se encontra adequada ao contexto em questão, pois a relação orientador de estudo - professor alfabetizador se insere num campo de profissionalização docente que deve ser vivenciado de forma diferenciada da relação professor - educando e não infantilizada.
A Leitura deleite do V Encontro da formação continuada de professores alfabetizadores do PNAIC também foi exibida em vídeo, foi feita a leitura do livro “Menina da lanterna” e aconteceu também na parte da tarde.
V Encontro de Formação continuada dos orientadores de estudo de Recife
Orientadora de estudos Paula - nosso texto deleite da tarde. Vocês acompanham com a leitura.
Todas ficam em silêncio assistindo ao vídeo.
Orientadora de estudos Paula – e aí, alguém já conhecia? Professora – não.
Professora – bem poético, né? E a mensagem, eu acho que é a mensagem que a gente mais precisa inserir na nossa vida e na vida dos nossos alunos, né? De compartilhar nossa luz, cada um de nós tem a sua importância, as suas qualidades e é preciso aprender com essas qualidades e com os defeitos também.
Professora - ela queria acender a lanterna não só pra ela, mas expandir a luz. (...)
Antes de iniciar a exibição do vídeo “A menina da lanterna”, a orientadora de estudos Paula entregou às professoras um pequeno papel que continha o refrão da música para que as alfabetizadoras cantassem. A orientadora fez o seguinte comentário: “lembra que Lúcia passou pra gente cantar A menina da lanterna? Então eu reproduzi, vou recortar aqui a musicazinha”. Ela retomou a formação recebida pela IES para justificar sua prática formativa.
No VI Encontro, a estratégia formativa da leitura deleite foi utilizada pela manhã no início da formação e à tarde após o almoço. Na parte da manhã, antes de começar a leitura deleite, a orientadora de estudos Paula diz ao grupo que houve uma mudança na pauta do encontro, pois essa leitura seria realizada à tarde, mas passaram para a parte da manhã para não ter o risco das professoras relaxarem muito e cochilarem. Depois disso, as orientadoras de estudos entregaram a letra da música para que as alfabetizadoras acompanhassem o vídeo cantando.
Na parte da tarde, na volta do intervalo para o almoço, as professoras tiveram como leitura deleite o texto de Luiz Fernando Veríssimo, “Papos”. Com a sala organizada em círculo, as professoras assistiram à leitura realizada pela orientadora de estudos Lúcia que leu o texto em slide e, ao final, perguntou se gostaram. Depois disso, ela voltou ao slide da pauta para situar as professoras sobre a próxima atividade.
No X Encontro de formação continuada dos professores alfabetizadores do PNAIC, a leitura deleite foi a mesma da formação recebida pela orientadora Lúcia. Antes de iniciar, ela fez uma solicitação à turma: “Eu queria pedir uma coisa: pra gente agilizar o que puder de manhã, porque Paula não vai ficar de tarde, então, o que não precise de computação, a gente faz na parte da tarde, tá certo?”. Em seguida, iniciou a leitura deleite nos slides:
X Encontro de Formação continuada dos orientadores de estudo de Recife
Orientadora Lúcia – vamos começar? Hoje é “O frio pode ser quente?”. É a leitura deleite. O frio pode ser quente? Jandira Mansur
Orientadora Lúcia:
As coisas têm muitos jeitos de ser. Depende do jeito da gente ver.
Por que será que numa noite a lua é tão pequena e fininha?
E outra noite ela fica tão redonda e gordinha, pra depois ficar de novo daquele jeito estrelinha? Depende do quê?
Depende do dia que a gente vê. (Isso aqui é bom pra trabalhar com crianças, porque tem rima, traz as dúvidas, num é? A leitura de imagens).
Quem já se queimou num pedaço de gelo e sentiu muito frio depois de um banho quente, (né verdade, a gente não pode se queimar mesmo?). Não pode se espantar do frio poder queimar e o quente também esfriar.
Uma árvore é tão grande se a gente olha lá para cima. (Se a gente tá embaixo, a gente olha lá pra cima, mas ao contrário, em cima de um prédio). Mas do alto de uma montanha, ela parece tão pequenina. (Olha um pontinho, né assim?)
O domingo é tão curto, os outros dias duram tanto, nas horas eles são iguais, a diferença deve estar naquilo que a gente faz.
O amanhã de ontem é hoje, o hoje é o ontem de amanhã; (essa é que é boa pra trabalhar com o aluno, deixar isso assim, anotado num cartaz e aí a gente vai trabalhar as palavras, o sentido).
Dá até para perguntar se o amanhã nunca chega, e também para pensar hoje, ontem, amanhã depende do quê, (o que é que depende?). Depende do jeito que você vê.
Como será que pode uma colher cheia de doce parecer tão pouquinho que não dá nem pra sentir? (Uma colher cheia de doce, vamos ver a outra).
E cheia de remédio ficar tanto que não dá nem pra engolir? (Depende do que tem dentro da colher, né isso?)
O pouco pode ser muito, o quente pode ser frio. (Isso é tão importante a gente trabalhar, porque tudo é relativo né?)
Será que tudo está no meio e não existe só o bonito ou só o feio? O comprido pode ser curto, o fino pode ser redondo.
Parece mesmo que no fim o bom pode ser ruim, e, neste caso, por que não o ruim pode ser bom?
O doce virar amargo, o fino ficar redondo. Curto e comprido.
Bom e ruim. Vazio e cheio.
Bonito e feio (também trabalha os antônimos, né?). São jeitos das coisas ser.
Depende do jeito da gente ver.
Ver de um jeito agora e de outro jeito depois, ou melhor ainda, Ver na mesma hora os dois.
Orientadora de estudos Lúcia – o frio num pode ser quente? Eu acho que lá nas caixinhas das escolas deve ter chegado, né?
Professora – tem.
Sabemos que a leitura deleite pode contribuir muito para o processo de construção do leitor, inclusive, esse é um de seus objetivos precípuos. Ela favorece também o acesso aos mais variados gêneros textuais e, dependendo da situação, pode ser utilizada com diferentes propósitos, como, por exemplo, para introduzir um tema que posteriormente deverá ser estudado, promover a reflexão nos encontros formativos acerca do trabalho em sala de aula com os conhecimentos apreendidos.
Todos esses objetivos foram contemplados nos quatro encontros de formação dos quais participamos. Destacamos também que a leitura deleite faz parte dos dispositivos metodológicos adotados pelo PNAIC para que, através deles, os princípios
teóricos e metodológicos defendidos pelo Pacto fossem mobilizados, discutidos, apreendidos e, principalmente, resignificados em seu contexto escolar.
Na cena acima descrita, interpretamos que a leitura deleite realizada pela orientadora de estudos Lúcia teve a intenção de provocar o pensamento reflexivo nas professoras desde o título do texto, já que é um questionamento, articulando aos conhecimentos sobre a apropriação do Sistema de Escrita Alfabética (SEA). No entanto, a função da leitura naquele momento se destinava para o deleite e não para promover a reflexão dos professores em relação ao ensino da língua materna, isso poderia ser realizado posteriormente.
Atividades em grupo
Subjacente a esta estratégia formativa escolhida pelas orientadoras de estudo para a formação com as professoras alfabetizadoras, está a proposta do Pacto em desenvolver no professor o exercício da cooperação, a troca de experiências, a reflexão sobre a sua prática, compartilhar e conhecer boas práticas, a construção individual e coletiva do saber, dentre outras aprendizagens que são favorecidas com estratégias formativas que integram um grupo e que podem ser negligenciadas quando estes já têm afinidades que possam impedir trocas de novos conhecimentos. Para que isso não acontecesse, a formação dos grupos que realizariam as atividades propostas nos encontros se deu a partir da realização, quase sempre, de algumas dinâmicas.
No IV encontro de formação continuada entre orientadores de estudos e professores alfabetizadores do município de Recife foi trabalhada a unidade 3 (currículo na alfabetização: concepções e princípios) e iniciada a unidade 4 (Ludicidade). Após a finalização da unidade 3, a orientadora de estudos Lúcia solicitou à turma que se organizassem em círculo. Para esse momento utilizou-se da “dinâmica do baú” para introduzir o tema da unidade 4.
Orientadora de estudos Lúcia - Olha aqui o baú. Meu baú. O baú que eu fiz e não quer abrir. Professora – Ei, Lúcia, eu já tô imaginando outubro a gente aqui. Venham chegando pra festa! Isso aqui é pra fazer a cabra cega, certo? Olha que coisinha linda, mimosa! São Francisco entrou na roda tocando seu violão, pam, pam... Todo mundo agora vai fazer um círculo aí ao redor e, por favor, fechando a boca e os olhos. A gente vai fazer um círculo...
Orientadora de estudos Lúcia - A gente vai fazer um círculo... Certo? Todo mundo aqui ao redor, por favor! Por gentileza! Não, ninguém vai entrar aqui não, de olho fechado não! Gente é
pra ficar aí... Vejam, observem primeiro sem fechar os olhos!... Tudo aqui tá com assim aquele mimo, aquele carinho pra essa turma, porque eu sei que a turma é maravilhosa! Entendeu? Então esse momento aqui é um momento assim, né? De comunhão, né? Fim de trabalho, mas a gente tá trabalhando a questão da ludicidade. Vocês vão olhar, vão fechar os olhinhos, fazer um círculo mesmo, dar a mãozinha, ficar assim um juntinho do outro. Vamos só mentalizar uma música de (...) perto da gente, infelizmente não tá com o som. É... Visualizem na mente, todos com os olhinhos fechados, músicas de criança tocando e de olhinho fechado, a boca fechada que eu não me preocupo. Vocês vão apenas sentir um cheirinho, certo? (A orientadora vai passando um vidro de perfume no nariz dos professores alfabetizadores). Aí, depois a gente conversa, certo? Agora silêncio! Respirando normal, respirando e sente. (...) Continue cheirando! Pronto, então abram o olhinho e façam assim... Escolha um brinquedo que lhe atraia, que chamou sua atenção.
(Depois que a orientadora passou o perfume, pediu que os professores abrissem os olhos e pegassem um brinquedo do baú que lhe trouxesse uma recordação da infância).
Orientadora de estudos Lúcia - Já vou começar. Tem mais brinquedo, quem não pegou? Todo mundo pegou? Quem jogou pião? Pronto, aí fiquem aí segurando que eu vou tirar. De você eu tiro, vou! Olha a foto! Ainda vou tirar a foto do grupo. Olha aí, saiu! Tá ótimo! Tá ótimo, aí agora, minha gente, pensem... Pensem em uma palavra, sério! Começando de Martinha agora, uma palavra. Sobresua infância...
P13- Saudade.
Orientadora de estudos Lúcia - Saudade!
Orientadora de estudos Lúcia - Pode repetir viu gente, têm muita gente... P10- Feliz.
Orientadora de estudos Lúcia - Vá ser feliz! P09 - Alegria.
P02 – Recordação. P22- Nostalgia.
Orientadora de estudos Lúcia - Nostalgia! P12- Gostava muito de rua...
Orientadora de estudos Lúcia - Moleca! Moleca! P12 - Moleca.
P05- Saudade. Fantasia. (...)
Orientadora de estudos Lúcia - Agora... Agora, pensando assim o que é que a gente pode trazer disso aqui, disso... Desse momento... Cada bibelôzinho, cada enfeitizinho, cada coisa. Esse cheiro que vocês sentiram é cheiro de quê? Eu comprei o perfume pensando em vocês
sentirem o cheirinho de bebê. Porque Ana lá botou pra gente um algodão de bebezinho... Com perfumezinho de infância, Johnson’s, alguma coisa. Isso aqui é nesse momento que é pra gente reviver e pensar na nossa infância, quem não teve tá em tempo de ter e também deixar os nossos alunos. Tá certo? Aí, por exemplo, uma atividade dessas a gente pode aproveitar e botar num quadro: bola de gude, texto a bola de gude. Pega uma casinha, uma mesinha bota mesa (...) a gente pode fazer um textinho coletivo, aqui, agora a gente não faria não um texto coletivo maravilhoso? Fazia ou não fazia? Vê se a gente... A gente é adulto, né? Nós somos adultas, mas os meninos fazem porque eles têm criatividade. Eles soltam mesmo! (...).
Nessa atividade, como podemos notar, a orientadora de estudo Lúcia fez de sua linguagem infantilizada uma prática constante. Ao descrevermos a cena acima, presenciamos a recorrência de palavras no grau diminutivo, como se ela estivesse tratando com crianças e não com profissionais da educação, professores.
A dinâmica aconteceu da seguinte forma: no primeiro momento a orientadora pediu para que a sala fosse organizada em círculo. Acreditamos que esta forma de ocupar o espaço da sala de aula, estava relacionada à proposta da concepção de aprendizagem, da relação professor-aluno-conhecimento, da interação entre os pares, das trocas de experiências, de conhecer o outro, da valorização de diferentes experiências práticas.
A orientadora Lúcia construiu junto às professoras um ambiente fértil para introduzir o tema da Ludicidade, quando levou para formação brinquedos, cheiros, músicas, os tornando objeto de reflexão e de resgate de memória, das experiências na fase de infância das alfabetizadoras. A formação recebida da Universidade foi evidenciada durante a atividade, quando a orientadora Lúcia citou que também participou da mesma dinâmica com a sua formadora.
Como presente na situação descrita acima, as questões relacionadas à sala de aula foram tratadas de forma prática, a própria dinâmica foi sugerida pela orientadora como atividade a ser desenvolvida com os alunos em língua portuguesa no eixo de produção textual. Podemos constatar que, com uma mesma estratégia formativa, os professores alfabetizadores foram estimulados a refletir sobre os vários princípios que fundamentam a proposta de formação do professor alfabetizador do Pacto, como, por exemplo, a interação do grupo e valorização de experiências profissionais.
Socialização das tarefas de casa
Essa estratégia formativa funcionou como articulação entre os conhecimentos trabalhados nas formações e as práticas desenvolvidas na sala de aula. Identificamos a socialização das tarefas de casa nos encontros IV, V, VI. Para essa atividade, a orientadora sempre utilizou o slide: “A cena é sua professora”. Essa frase colocou a professora e sua atuação no centro das atenções, como sujeito da ação e foi com essa configuração que várias práticas foram socializadas. Esse momento permitiu que as professoras levassem aos encontros sua sala de aula, seu contexto escolar, seus alunos, suas dificuldades e suas práticas exitosas, numa perspectiva de formação onde “os professores colocam-se como sujeitos de uma experiência que se torna o alvo privilegiado da problematização nos grupos de formação, diferenciando-se de uma lógica transmissiva” (FREITAS, Apud FERREIRA, 2007, p.38).
Essa perspectiva de formação foi intensificada nos encontros por meio das diferentes estratégias formativas, destacamos a socialização das tarefas de casa como uma delas.
No IV Encontro com as professoras alfabetizadoras de Recife, a orientadora de estudos Lúcia iniciou a formação perguntando ao grupo quem fez a tarefa de casa. No quadro abaixo veremos como isso aconteceu:
IV Encontro de formação da orientadora de estudos com as professoras alfabetizadoras de Recife 31/08/13
Orientadora Lúcia: alguém trouxe alguma socialização da tarefinha de casa que queira falar? É agora o momento. (...) Vejam, é agora assim, esse momento de alguém apresentar, não quer dizer que todos têm que apresentar não. Venha, meu amor, chegue.
Professora alfabetizadora: (apresentando em slides) É... Eu fiz... Eu preparei nessas duas semanas, que eu realmente realizei com minha turma, né? Aí foi duas semanas e aí eu fui fotografando. Eu fiz um vídeo, licença! (...) Aí trabalhamos as letras móveis (...). Aí esse aqui foi em dupla, aí eu coloquei aqui. Aí aqui... (...) trabalhei com a letra do saci (...) nessa história. Aí você faz uma brincadeira (...). Aí eles pintaram, recortaram... Aqui trabalhamos com o dinheiro, o real...
Orientadora Lúcia: sim
Professora alfabetizadora: (...) Aqui os jogos do CEEL. Aí eu trabalhei com grupo. (...) mudando, feito a gente fez aqui. Foi mudando os exemplares. Expliquei três, aí eu fiz três