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Sélection d’indicateurs adaptés: quelques suggestions

PARTIE II : PROFIL ENVIRONNEMENTAL DU PRODUIT MICROELECTRONIQUE

Chapitre 7 : Sélection d’indicateurs pour l’industrie microélectronique

2. Impacts environnementaux des composants microélectroniques

3.2 Sélection d’indicateurs adaptés: quelques suggestions

A comunidade científica da teoria das organizações, em geral, e do empreendedorismo, em particular, foi abalada em 1977 pela publicação do artigo “A ecologia populacional das organizações” (The population ecology of organizations), por Hannan e Freeman, que afirmava que os estudiosos das organizações atribuiam demasiada ênfase à capacidade das organizações para se adaptarem ao meio. Em concordância com estes

autores, as organizações detêm elevados níveis de inércia, que dificultam a adaptação das organizações às mudanças do meio. Abordar o comportamento das organizações em termos de selecção, e não tanto de adaptação, é, do ponto de vista dos autores, mais adequado.

A teoria ecológica procura compreender a distribuição das organizações no ambiente e as limitações que se impõem às estruturas organizacionais em função das condições ambientais (Hannan & Freeman, 1989). Esta preocupação está na base da questão central que move a investigação neste campo de estudo: perceber porque existem tantos tipos de organizações. Baseando-se na analogia com a biologia, a teoria ecológica assenta no paradigma da selecção natural, considerando que o desempenho e, em última instância a sobrevivência das organizações, é determinada pelas características do ambiente em que estas estão inseridas (Aldrich & Wiedenmayer, 1993). É o ambiente que selecciona as organizações, seleccionando as organizações mais adaptadas, não sendo as estratégias adoptadas pelos gestores determinantes para o sucesso das organizações (e.g. Greenfield & Strickon, 1986).

Neste sentido, é o ambiente que determina as características das populações de organizações: as variações nas formas organizacionais que são adaptativas são seleccionadas; as formas organizacionais que não são adaptativas não são seleccionadas. São vários os estudos que apoiam a teoria da ecologia populacional. A título de exemplo, Nielsen e Hannan (1977) demonstraram que as características do ambiente, como o número de alunos, foram responsáveis pelo crescimento das instituições académicas estudadas. Delacroix e Carroll (1983), utilizando informação desde o século XIX, evidenciaram que a performance da indústria de jornais na Argentina e Irlanda era afectada pelas forças ambientais, especialmente pela turbulência política. Num outro estudo, Shane e Kolvereid (1995), comparando o desempenho de start-ups no Reino

Unido, na Nova Zelândia e na Noruega, concluiram que este dependia das condições ambientais percebidas pelos empreendedores, em termos da riqueza, da hostilidade, da volatilidade e da complexidade do mercado onde estas empresas estavam inseridas.

A teoria ecológica está centrada ao nível da análise macro-ambiental, procurando compreender a distribuição das organizações ao longo das diferentes condições ambientais e de que forma as condições ambientais limitam a estrutura das organizações. Embora a selecção também possa envolver efeitos individuais, esta teoria preocupa-se com as variações que ocorrem em relação às características morfológicas de uma população ou de um conjunto de populações (Freeman, 1982). Elegendo a “população” como o seu objecto de análise, a teoria ecológica, e parafraseando os seus principais impulsionadores (Hannan & Freeman, 1977), debruça-se sobre o nascimento, a sobrevivência e a morte das organizações de uma mesma população. Usando métodos estatísticos, os investigadores procuram examinar os nascimentos e as mortes das organizações, assim como as formas organizacionais dentro de uma mesma população, ao longo do tempo (Hannan & Freeman, 1989).

Neste sentido, a teoria ecológica pode ser encarada como um bom enquadramento para estudar as jovens empresas. Esta constatação assume uma importância ainda maior quando os dados indicam que as condições iniciais durante a fundação tendem a influenciar a organização ao longo de todo o seu ciclo de vida (Freeman, 1982). Acresce ainda, que a teoria ecológica pode revelar-se útil para o estudo do empreendedorismo ao trazer alguma luz sobre as condições ambientais que favorecem a criação e o desenvolvimento das organizações empreendedoras. Uma temática que tem sido muito pouco explorada pela abordagem psicológica do empreendedorismo (e.g. Aldrich, 1990).

Da análise da literatura ressaltam duas importantes contribuições da teoria ecológica para o campo do empreendedorismo: a identificação das condições ambientais facilitadoras da criação de novas empresas e as condições responsáveis pela morte das empresas recém-criadas. Estudos recentes (e.g. Aldrich, 1990) indicam que as condições ambientais que facilitam a emergência de novas organizações podem ser agrupadas em três: intra-população, inter-população e institucional. O nascimento de novas empresas está dependente do número de nascimentos e de mortes numa mesma população, mostrando-se a relação entre estas variáveis curvilínea. O aumento do número de empresas recém-formadas ou que falham tende a incentivar a criação de novas empresas até um valor a partir do qual estes números se revela desencorajador de novos empreendimentos (e.g. Delacroix & Carroll, 1983).

Também a densidade, em termos do número de empresas que existe dentro de uma população, influencia a taxa de formação de novas empresas, tanto positiva, como negativamente. O crescente aumento do número de empresas recém-criadas tende a desafiar as empresas já instaladas e a promover as redes sociais, contribuindo para o aumento da legitimidade das novas entidades organizacionais (Aldrich, 1990). O aumento da densidade populacional pode, de igual modo, influenciar negativamente o nascimento de novas organizações, ao promover a competição inter-empresarial pelo acesso aos recursos (e.g. conhecimento, recursos humanos, clientes) essenciais à plena actividade das empresas (Hannan & Freeman, 1987).

Em termos inter-populacionais, destacam-se as relações que se estabelecem entre empresas, baseadas na competição – que promove a luta pelos recursos – no mutualismo ou na cooperação – que favorece o desenvolvimento da confiança entre as empresas envolvidas (e.g. Zucker, 1986). Dos factores institucionais, ressaltam as forças

políticas (e.g. Stinchcombe, 1965) ou a cultura, que influenciam a forma como os empreendedores interpretam o seu ambiente, em termos de oportunidades de negócio.

A teoria ecológica apresentou, de igual modo, uma importante contribuição para o estudo do empreendedorismo ao evidenciar que as organizações recém-formadas detêm uma maior propensão para morrer do que as organizações mais velhas, um fenómeno que ficou conhecido como a responsabilidade dos mais novos (liability of newness) (Stinchcombe, 1965). De entre os factores apontados para explicar este fenómeno, a falta de legitimidade externa tem sobressaído como um dos mais preponderantes.

Tal como demonstrado num estudo conduzido por Singh, Tucker e House (1986), as empresas recém-formadas não detêm uma rede de contactos suficientemente ampla que lhes confira poder no mercado, tal como as empresas que estão implementadas há mais tempo no mercado, o que lhes dificulta o acesso a determinados recursos. Aldrich e Fiol (1994) vão mais longe ao afirmar que o elevado risco do fracasso das start-ups se deve à baixa legitimidade cognitiva, relacionada com o conhecimento sobre a nova actividade e com o que é necessário efectuar para ser bem sucedido; e à baixa legitimidade sociopolítica, dado o baixo valor que os grupos de interesse, os líderes de opinião e o público em geral atribuem ao novo empreendimento.

Alguns autores, contudo, têm questionado a “responsabilidade dos mais novos”, defendendo que a relação entre a morte de empresas recém-formadas e a idade é curvilínea. Estudos reralizados mostram evidências que o risco do fracasso das empresas recém-criadas no período imediatamente a seguir à sua fundação é baixo, na medida em que estas conseguem sobreviver com base no stock de recursos que conseguiram angariar (e.g. capital de risco, empréstimos bancários). Neste sentido, as elevadas taxas de mortalidade de organizações empreendedoras ocorrem alguns anos após a sua fundação, um fenómeno que ficou descrito na literatura como

“responsabilidade dos adolescentes” (e.g. Fichman & Levinthal, 1991; Levinthal & Fichman, 1988). Perante as evidências empíricas que apoiam tanto a “responsabilidade dos mais novos” como a “responsabilidade dos adolescentes”, alguns autores avançaram que, a explicação para as elevadas taxas de mortalidade entre as organizações empreendedoras residia não tanto na idade da empresa, mas sim na inércia estrutural, que limitava a capacidade das organizações empreendedoras para responderem às mudanças do meio (e.g. Hannan e Freeman, 1977; Ingram, 1993).

Da discussão dos factores ambientais que são responsáveis pela morte das organizações empreendedoras ressaltam alguns planos de acção que as organizações podem adoptar por forma a evitar o fracasso prematuro. As organizações recém-formadas podem mobilizar esforços no sentido de estabelecer acções colaborativas, que facilitem a partilha de recursos, e que posteriormente podem evoluir para alianças estratégicas, consórcios ou associações (e.g. Aldrich & Fiol, 1994). As novas organizações podem, ainda, beneficiar da convergência das suas estruturas com formas organizacionais dominantes e inovadoras, mas já aceites socialmente (e.g. Anderson & Tushman, 1990). Em concordância com a teoria ecológica, a sobrevivência e o crescimento das organizações recém-criadas são determinadas pela selecção ambiental. As mudanças tecnológicas e demográficas vão gerando novas concentrações de recursos internos e de redes externas que dão origem aos designs organizacionais dominantes. São estes designs que vão sendo seleccionados pelo meio, como se tratando das formas organizacionais mais ajustadas. Os empreendedores até podem desenvolver e implementar estratégias, mas estas não determinam, directamente o desempenho da

organização. Os empreendedores são, eles próprios, seleccionados pelo ambiente.

Embora a teoria ecológica constitua um referêncial teórico interessante para analisar as taxas de nascimento e de morte das organizações recém-criadas, depara-se com várias

limitações que condicionam o seu poder explicativo e preditivo do empreendedorismo. Em primeiro lugar, esta situa-se ao nível de análise da população, preocupando-se com a sobrevivência de uma forma organizacional numa ou várias populações, e não com uma organização em particular. As predicções aplicam-se, assim, à população, e não à organização individual (e.g. Carroll & Khessina, 2005), o que limita a intervenção no campo do empreendedorismo. Em segundo, a teoria ecológica trata as organizações como caixas negras (e.g. Bygrave & Hofer, 1991), não contribuindo para o avanço do conhecimento sobre o modo de funcionamento e adaptação das organizações. Em terceiro, ao conceder menor importância à acção do empreendedor, esta teoria peca por ser demasiado determinista, considerando que ao empreendedor, apenas cabe a capacidade para criar o seu negócio no momento certo, i.e., quando as condições ambientais propícias estão reunidas (e.g. Rauch & Freese, 2000).