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Route Optimization Extension for SPMIPv6

Chapter 4 - On the Route Optimization & Movement Detection in SPMIPv6

1. Route Optimization Extension for SPMIPv6

O ambiente da aula foi um espaço de construção elaborado na instituição de ensino profissional com permissão para que os alunos construíssem objetos nele.

Figura 17: Ambiente da aula de script e textura observada

Professor inicia a aula com um avatar em forma humana e, depois, a altera para a forma de um pássaro.

A regra de contrato didático da turma coloca que apenas o professor deve utilizar o

chat de voz, enquanto as “falas” dos alunos devem ser apenas com o chat escrito. Portanto,

todos devem manter seus mecanismos de fala desligados. A princípio, o que parece uma regra autoritária e arbitrária, que limita a prática do ensino e aprendizagem, de fato apresenta-se como uma necessidade inerente ao ambiente por dificuldades técnicas dos ambientes de rede. Num ambiente compartilhado por 23 pessoas, muitos com chat de voz ligado, escutam-se desde os barulhos dos ambientes onde cada computador está localizado até muitas reclamações dos participantes sobre o nível do som de alguns avatares.

O curso foi distribuído em 20 horas, às segundas-feiras das 18horas às 20horas; para a presente pesquisa, analisei uma aula.

Durante o curso, o avatar do pesquisador foi apresentado aos demais componentes, entretanto, manteve-se afastado observando as seções fora da área do sandbox (espaço compartilhado pelos participantes).

A pesquisadora foi, portanto, observadora na pesquisa e os dados foram coletados por meio da filmagem da tela do seu computador.

Todos os alunos possuem os artefatos computacionais para o uso de voz no computador, no entanto, por regra do contrato pedagógico eles ficam, em geral, desligados. O professor fala e os alunos usam o chat escrito.

O encontro durou 1hora e 45 minutos, filmados por meio do software Catch 3D, um shareware de captura de vídeo, gerando vídeos de, no máximo, 15 minutos. Por meio da

filmagem da observação do encontro foram catalogadas 300 interações.

4 Análise de Conteúdo

Nesta tese, analisamos as interações por meio da análise de conteúdos, que, segundo Bardin,

...é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, através de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferir conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens (1977, p. 31).

A análise de conteúdo surge num contexto de análise da comunicação com o objetivo de trazer uma garantia mais quantitativa à análise qualitativa que era feita na análise da comunicação. Busca-se evitar que os resultados obtidos na análise da comunicação sejam fruto da subjetividade; nesse sentido, a análise de conteúdo baseia-se em um conjunto de normas que buscam garantir maior objetividade na análise. O conteúdo da comunicação é analisado a partir de regras para inclusão ou exclusão do próprio conteúdo assim como das categorias, e nesse sentido busca uma maior sistematização da análise. Ao trazer para a análise da comunicação aspectos da análise quantitativa e estatística têm-se características que permitam a inferência. Em síntese, a análise de conteúdo busca dar à análise da comunicação uma metodologia com características próprias: objetividade, sistematização e inferência (RICHARDSON, 1999, p. 223).

A análise de conteúdo pode ser feita com uma dimensão única ou com múltiplas dimensões, na qual a dimensão é a variável ou o aspecto ao qual se deseja analisar, no qual, em geral, parte-se da construção teórica da pesquisa. No caso desta tese, buscou-se analisar a lateralidade das interações, o tipo de interação, meta da interação no contexto da atividade docente, o uso de cada um dos meios de comunicação. E, por conseguinte, partimos para uma análise com múltiplas dimensões. A análise destas dimensões teve um caráter de análise teórica, no qual as categorias montadas partiram das categorias teóricas discutidas na literatura. E após uma pré-analise dos dados, outras categorias foram montadas. Cada um dos meios de comunicação passou a ser uma dimensão analisada.

Seguindo as técnicas da análise de conteúdos, as categorias foram organizadas de forma a diferenciar as interações numa mesma dimensão e agrupá-las por analogia. Garantindo que em cada categoria se reunissem os grupos de interações segundo um critério,

de forma a não haver interseções entre categorias de uma mesma dimensão.

Na análise de conteúdo, um dos passos importantes é a definição da unidade de análise, elemento da comunicação que vai ser considerado como unidade na contagem, o que possibilita uma construção quantitativa de análise. Em nossa tese, as unidades foram tomadas como as interações identificadas. Nesse sentido, uma análise prévia dos vídeos serviu para identificar as interações dos encontros. As interações foram identificadas a partir da explicitação da meta da atividade do ponto de vista da prática docente. Foi garantido que do ponto de vista da atividade docente, cada interação identificada tivesse uma única meta. Essas passaram a ser as unidades de análise de nossa pesquisa.

Nesse sentido nossa categorização fornece, por condensação, uma representação simplificada dos dados brutos, dados esses que são inicialmente em cada estudo descritos, e as unidades de análise identificadas durante a descrição. A partir da reorganização dos dados brutos, buscamos índices que nos permitissem tirar conclusões.

Além dessas categorias teóricas, outras dimensões foram identificadas a partir da análise dos dados num processo de criação de uma malha, no qual as categorias vão sendo criadas a partir dos dados. Elas se referiram aos obstáculos apresentados para a interação e os processos vicários de interação.

Após a análise prévia e identificação das interações, elaborou-se a categorização das unidades de analise utilizando o software Nvivo8.

5 Categorização e construção teórica das categorias

A montagem teórica das categorias em conjunto com a identificação e refinamento destas - a partir da análise dos dados - nos levaram a uma árvore de dimensões e categorias. Esta árvore foi criada levando em consideração que ela deveria ser produzida a partir das investigações do contexto onde os motivos, os objetivos e as condições de sua realização aconteceram.

Abordamos nessa categorização os três níveis de interação que nos fala Lemos (2004a): i. As interações relacionadas aos elementos da interface (a plataforma e o ambiente); ll. As interações relacionadas aos objetos; lll. E as relacionadas às mudanças de conteúdos e às interações sociais.

Na construção teórica das categorias, algumas dimensões foram analisadas a fim de categorizar as interações:

- Lateralidade (unilateral, bilateral, multilateral);

- Metas (gestão, mediações didáticas, mediações pedagógicas, etc;); - Meios (chat escrito, chat de voz, deixas simbólicas do avatar, etc;); - Vicárias (os sujeitos interagem observando as interações dos outros); - Obstáculos (promovem as modificações das metas).

A análise do 1º estudo tomou como categoria a grade montada teoricamente. Inicialmente, o encontro foi analisado para identificar os episódios de interação ocorridos. Alguns episódios passaram a constituir interações com metas próprias e puderam alterar não só o seu objetivo, mas as ações da regência e, até mesmo, afetaram a consecução do objetivo da interação, buscamos dar o corte na identificação das interações, de modo a ter interação com uma única meta. Cada interação passou a se constituir como unidade de análise.

Após o levantamento dessas interações, uma análise por categoria, para identificar os tipos, as metas, os meios, a lateralidade da interação, os obstáculos, as interações vicárias, no qual também foi utilizado o NVIVO8 (QRS International, 2009), software de auxílio à análise de comunicação que dá suporte à análise estatística, foi realizada. Essa classificação permitiu já um primeiro refinamento da grade de categorias, que foi então utilizada e refinada novamente no 2º Estudo.

Iniciamos o processo de análise de cada estudo por uma descrição do encontro no qual apontamos (ver em anexo), de forma cronológica, as interações observadas. Somente depois analisamos as interações a partir das variáveis e categorias previamente traçadas. A catalogação das interações focou a atividade docente, incluindo também interações dos alunos que intervinham nesta atividade.