A caracterização – número total de respostas obtidas na amostra, proporção81 e margem de erro para um intervalo de confiança a 95,0% – das variáveis independentes relativas ao ambiente sociocultural (tabela 2) – tolerância a outros comportamentos fraudulentos (TOCF), perceção da prevalência da fraude no seguro automóvel (PPFSA) e perceção da tolerância das pessoas das relações do consumidor à fraude no seguro automóvel (PTPRCFSA) – encontra- se resumida nas tabelas 12 e 13.
Os resultados apresentados na tabela 12 revelam que os atos fraudulentos mais toleráveis para os inquiridos são, por ordem decrescente, os referentes aos seguintes itens: (i) 1 “Realizar cópias ou downloads (por exemplo, descarregar da internet) não autorizadas de música ou livros.” (58,7% ± 7,02); (ii) 13 “Copiar software de um computador ou usar software não autorizado.” (49,7% ± 7,05); (iii) 8 “Vender e/ou comprar bens e/ou serviços, sem pagar os respetivos impostos (por exemplo, o IVA).” (34,0% ± 6,62); e (iv) 9 “Modificar favoravelmente o seu curriculum para mais facilmente obter um emprego.” (29,8% ± 6,37). Por outro lado, as práticas fraudulentas menos toleráveis para os respondentes, por ordem crescente, são: (i) 3 “Usar o cartão de crédito de outra pessoa, encontrado num local público.” (0,0% ± 0,00); (ii) 5 “Beber uma lata de refrigerante, num supermercado, sem a pagar.” (3,0% ± 2,39); e (iii) 11 “Trocar a etiqueta de preço de um produto por outra etiqueta de valor mais baixo.” (4,0% ± 2,72).
81 A proporção indicada refere-se às respostas positivas. Conforme procedimento anterior ponto 2.2.1. (parte II),
recorremos à dicotomização dos itens das variáveis, medidos numa escala de Likert de 5 pontos, onde os pontos 1 e 2 representam intolerância e os pontos 3, 4 e 5 significam tolerância.
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Tabela 12: Características da tolerância a outros comportamentos fraudulentos (TOCF) (N=201)
n*** Tolerância**
Itens n*** % M.E.*
1. Realizar cópias ou downloads (por exemplo, descarregar da internet)
não autorizadas de música ou livros. 192 111 58,7 7,02
2. Omitir alguns rendimentos na declaração de IRS ou na Segurança
Social. 191 30 15,5 5,09
3. Usar o cartão de crédito de outra pessoa, encontrado num local
público. 195 0 0,0 0,00
4. Ocultar informação sobre a sua situação financeira, quando está a
pedir um empréstimo bancário. 194 24 12,3 4,61
5. Beber uma lata de refrigerante, num supermercado, sem a pagar. 191 6 3,0 2,39
6. Apropriar-se do dinheiro existente na carteira de outra pessoa,
encontrada num local público. 189 12 6,1 3,36
7. Não declarar alguns dos seus rendimentos no IRS a fim de diminuir
os impostos, que de outra forma teria de pagar. 175 41 20,8 5,67
8. Vender e/ou comprar bens e/ou serviços, sem pagar os respetivos
impostos (por exemplo, o IVA). 188 67 34,0 6,62
9. Modificar favoravelmente o seu curriculum para mais facilmente
obter um emprego. 191 59 29,8 6,37
10. Devolver um produto danificado à loja que o vendeu, quando o
dano é da sua responsabilidade. 184 32 16,0 5,08
11. Trocar a etiqueta de preço de um produto por outra etiqueta de
valor mais baixo. 188 8 4,0 2,72
12. Comprar um livro, fotocopiá-lo e depois devolvê-lo antes do prazo
de devolução expirar. 190 37 18,7 5,43
13. Copiar software de um computador ou usar software não
autorizado. 192 96 49,7 7,05
Nota: * M.E. (Margem de Erro) para um intervalo de confiança a 95%.
** Os valores calculados resultam da dicotomização dos itens da variável, medidos numa escala de Likert de 5
pontos, onde os pontos 1 e 2 significam intolerância e os pontos 3, 4 e 5 significam tolerância.
*** Número total de respostas obtidas; alguns inquiridos não responderam a todas as questões.
Atendendo à classificação dos comportamentos fraudulentos – seguros e outros – em função do nível de tolerância (mais toleráveis a menos toleráveis), tendo em conta as tabelas 5 e 12, podemos concluir que:
1. As práticas fraudulentas nos seguros são menos toleradas do que outras práticas
fraudulentas, tais como: (i) “Realizar cópias ou downloads (por exemplo, descarregar da internet) não autorizadas de música ou livros.”; (ii) “Copiar software de um computador ou usar software não autorizado.”; (iii) “Vender e/ou comprar bens e/ou serviços, sem pagar os respetivos impostos (por exemplo, o IVA).”; e (iv) “Modificar favoravelmente o seu curriculum para mais facilmente obter um emprego.”;
2. Os atos fraudulentos oportunistas nos seguros têm níveis de tolerância semelhantes
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seus rendimentos no IRS a fim de diminuir os impostos, que de outra forma teria de pagar.”; e (ii) “Comprar um livro, fotocopiá-lo e depois devolvê-lo antes do prazo de devolução expirar.”;
3. Os comportamentos fraudulentos planeados nos seguros apresentam níveis de
tolerância residuais à semelhança de outros comportamentos fraudulentos, designadamente (i) “Beber uma lata de refrigerante, num supermercado, sem a pagar.” e (ii) “Trocar a etiqueta de preço de um produto por outra etiqueta de valor mais baixo.”.
Em relação à perceção da prevalência da fraude no seguro automóvel, partindo da análise da tabela 13, os dados revelam que
1. Os inquiridos percecionam que “Declarar que os danos antigos presentes no veículo
ocorreram durante o acidente, para que a seguradora os inclua na indemnização.” (74,0% ± 6,21) e “Sobrevalorizar o valor dos danos na participação de sinistro, para compensar o valor da franquia .…” (70,3% ± 6,42) correspondem aos comportamentos fraudulentos mais frequentes, por um lado, e, por outro, “Envolver-se numa rede organizada de médicos, advogados ou oficinas que apresentam falsas participações, para obter dinheiro das seguradoras.” (27,7% ± 6,47) e “Esconder a viatura e reportá-la como furtada, para receber a indemnização do seguro.” (27,8% ± 6,42) são os atos fraudulentos menos frequentes;
2. A amostra perceciona que a fraude oportunista é mais prevalente do que a fraude
planeada e mais de metade da mesma crê que a fraude oportunista é frequente.
No que diz respeito à perceção da tolerância das pessoas das relações do consumidor à fraude no seguro automóvel, analisando a tabela 13, os resultados mostram que os inquiridos percecionam que “Sobrevalorizar dos danos na participação de sinistro, para compensar o valor da franquia ….” (36,3% ± 6,78), “Aumentar um pouco o montante do custo do sinistro, para recuperar os prémios de seguro que pagou anteriormente.” (38,3% ± 6,86) e “Declarar que os danos antigos presentes no veículo ocorreram durante o acidente, para que a seguradora os inclua na indemnização.” (41,1% ± 6,96) são os comportamentos fraudulentos mais tolerados pelas pessoas das suas relações, por um lado, e, por outro, “Envolver-se numa rede organizada de médicos, advogados ou oficinas que apresentam falsas participações, para obter dinheiro das seguradoras.” (10,5% ± 4,34), “Submeter uma participação de sinistro por danos corporais de pessoa que não esteve envolvida no acidente.” e “Esconder a viatura e reportá-la como furtada, para receber a indemnização do seguro.” (11,5% ± 4,51) correspondem aos atos fraudulentos menos tolerados pelas pessoas das suas relações.
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Tabela 13: Características da perceção da prevalência da fraude no seguro automóvel (PPFSA) e da perceção da tolerância das pessoas das relações do consumidor à fraude no seguro automóvel (PTPRCFSA) (N=201)
Variáveis independentes PPFSA PTPRCFSA
n*** Frequência** n*** Tolerância**
Itens n*** % M.E.* n*** % M.E.*
1.Omitir … mais baixo. 192 123 64,1 6,79 193 62 32,1 6,59
2. Subscrever … danos. 191 123 64,4 6,79 191 59 30,9 6,55 3. Sobrevalorizar … seguro). 195 137 70,3 6,42 193 70 36,3 6,78 4. Aumentar … anteriormente. 194 128 66,0 6,67 193 74 38,3 6,86 5. Deturpar … apólice. 191 127 66,5 6,69 193 63 32,6 6,62 6. Criar … sinistro. 189 106 56,1 7,08 193 51 26,4 6,22 7. Indicar … baixos. 175 94 53,7 7,39 182 60 33,0 6,83 8. Indicar … anos. 188 97 51,6 7,14 189 56 29,6 6,51 9. Omitir … solicitada. 191 118 61,8 6,89 190 56 29,5 6,48 10. Subestimar … ano. 184 115 62,5 7,00 187 68 36,4 6,89 11. Exagerar … seguro. 188 119 63,3 6,89 191 65 34,0 6,72 12. Exagerar … furto. 190 129 67,9 6,64 191 68 35,6 6,79 13. Declarar … indemnização. 192 142 74,0 6,21 192 79 41,1 6,96 14. Descrever … responsabilidade. 191 129 67,5 6,64 190 52 27,4 6,34 15. Esconder … seguro. 187 52 27,8 6,42 192 22 11,5 4,51 16. Prolongar … elevada. 189 99 52,4 7,12 192 46 24,0 6,04 17. Apresentar … elevada. 189 97 51,3 7,13 191 47 24,6 6,11 18. Apresentar …elevada. 3 187 112 59,9 7,02 191 51 26,7 6,27 19. Submeter … acidente. 3 188 57 30,3 6,57 191 20 10,5 4,34 20. Envolver-se … seguradoras. 184 51 27,7 6,47 191 20 10,5 4,34
Nota: * M.E. (Margem de Erro) para um intervalo de confiança a 95%.
** Os valores calculados resultam da dicotomização dos itens das variáveis, medidos numa escala de Likert de 5
pontos, onde os pontos 1 e 2 significam infrequência ou intolerância e os pontos 3, 4 e 5 significam frequência ou tolerância.
*** Número total de respostas obtidas; alguns inquiridos não responderam a todas as questões.
Tendo em conta a apreciação à tabela 14, constatamos que, de um modo geral, por um lado, os comportamentos fraudulentos mais tolerados pelos inquiridos são igualmente percecionados por estes como mais frequentes e mais tolerados pelas pessoas das suas relações e, por outro lado, os menos tolerados são percecionados, de igual modo, como menos frequentes e menos tolerados pelas pessoas das suas relações. Mais, os dados evidenciam que a tolerância a comportamentos fraudulentos apresenta maior número de respostas quando os inquiridos são questionados sobre a perceção quem têm dos outros do que quando questionados sobre as próprias atitudes. Importa, ainda, referir que as frequências obtidas sobre a perceção da prevalência da fraude oportunista, identificadas na tabela 1 (ponto 1.1.
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parte II.), são semelhantes aos resultados obtidos nos estudos da CAIF (1997, 2008), os quais mostram que mais de metade da amostra considera que os comportamentos oportunistas fraudulentos são frequentes e comuns.
Tabela 14: Características da tolerância à fraude no seguro automóvel (TFSA), da perceção da prevalência da fraude no seguro automóvel (PPFSA) e da perceção da tolerância das pessoas das relações do consumidor à fraude no seguro automóvel (PTPRCFSA) (N=201)
Variáveis TolerânciaTFSA ** PPFSA PTPRCFSA
Frequência** Tolerância**
Itens n*** % M.E.* n*** % M.E.* n*** % M.E.*
1.Omitir … mais baixo. 22 11,1 4,38 123 64,1 6,79 62 32,1 6,59
2. Subscrever … danos. 35 17,6 5,29 123 64,4 6,79 59 30,9 6,55 3. Sobrevalorizar … seguro). 46 23,4 5,91 137 70,3 6,42 70 36,3 6,78 4. Aumentar … anteriormente. 45 22,6 5,81 128 66,0 6,67 74 38,3 6,86 5. Deturpar … apólice. 35 17,7 5,31 127 66,5 6,69 63 32,6 6,62 6. Criar … sinistro. 23 11,6 4,44 106 56,1 7,08 51 26,4 6,22 7. Indicar … baixos. 38 20,8 5,88 94 53,7 7,39 60 33,0 6,83 8. Indicar … anos. 35 17,5 5,27 97 51,6 7,14 56 29,6 6,51 9. Omitir … solicitada. 23 11,7 4,48 118 61,8 6,89 56 29,5 6,48 10. Subestimar … ano. 45 23,3 5,97 115 62,5 7,00 68 36,4 6,89 11. Exagerar … seguro. 35 17,9 5,36 119 63,3 6,89 65 34,0 6,72 12. Exagerar … furto. 44 22,3 5,82 129 67,9 6,64 68 35,6 6,79 13. Declarar … indemnização. 49 24,9 6,04 142 74,0 6,21 79 41,1 6,96 14. Descrever … responsabilidade. 21 10,6 4,27 129 67,5 6,64 52 27,4 6,34 15. Esconder … seguro. 3 1,5 1,69 52 27,8 6,42 22 11,5 4,51 16. Prolongar … elevada. 20 10,1 4,20 99 52,4 7,12 46 24,0 6,04 17. Apresentar … elevada. 18 9,0 3,99 97 51,3 7,13 47 24,6 6,11 18. Apresentar …elevada. 3 21 10,6 4,27 112 59,9 7,02 51 26,7 6,27 19. Submeter … acidente. 3 4 2,0 1,95 57 30,3 6,57 20 10,5 4,34 20. Envolver-se … seguradoras. 3 1,5 1,69 51 27,7 6,47 20 10,5 4,34
Nota: * M.E. (Margem de Erro) para um intervalo de confiança a 95%.
** Os valores calculados resultam da dicotomização dos itens das variáveis, medidos numa escala de Likert de 5
pontos, onde os pontos 1 e 2 significam intolerância ou infrequência e os pontos 3, 4 e 5 significam tolerância ou frequência.
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