Conception d’un système semi-supervisé d’aide au diagnostic pour la classification des images médicales
2. Système CADx proposé
2.1. Bases des images médicales
2.1.2. RIM-ONE (An Open Retinal Image Database for Optic Nerve Evaluation) :
O contrato de comunicação entre o Le Monde e seus leitores prevê que a primeira página traga uma análise dos acontecimentos atuais, não apenas a informação dos fatos do dia. Como o jornal sai ao meio dia, o compromisso do jornal em suas chamadas é o de apresentar uma contextualização dos assuntos do momento, dos quais o jornal pressupõe que o leitor já conheça os dados principais.
Poucas vezes o jornal dá uma informação factual, como, por exemplo, resultados de eleições ou jogos. Sua perspectiva é de, já na primeira página, analisar os acontecimentos.
No dia 3 de fevereiro de 2009, por exemplo, numa chamada para matéria sobre os jogos mundiais de inverno, não aparecem os resultados:
FIGURA 54 - Foto chamada, jogos de inverno Fonte: Le Monde, 03 fev. 2009, p. 1.
Vejamos o exemplo em que o fato é subentendido. Espera-se que o leitor saiba das eleições em Israel. O jornal analisa e opina sobre a possível vitória de um candidato, considerado pelo Le Monde como ultranacionalista, de direita e racista:
Un parti ultranationaliste israélien perce dans le sondages
Est-ce une conséquence de la guerre contre le Hamas ou la traduction d'un courant radical de droite au sein de la société israélienne ? Toujours est-il qu'un nom est sur toutes les lèvres à moins d'une semaine du scrutin du 10 février: celui d'Avigdor Lieberman. A tel point que, selon les sondages, son parti, Israel Beitenou (“Israël, notre maison”), pourrait devenir la troisième formation de l'État juif, devançant les travaillistes. “Si cela continue, ce sera la plus grosse surprise des élections”, prédit Rafti Smith, directeur de l'institut de sondages du même nom. Fort de seulement trois députés en 2005, puis onze lors de la dernière législature, Israel Beitenou pourrait conquérir au moins seize sièges et devenir un allié exigeant du Likoud en cas de victoire de Benyamin Nétanyahou, le favori de cette consultation.
A 51 ans, cet ultranationaliste est devenu, par ses accents racistes, ses positions radicales et son franc-parler, une sorte de nouveau “tsar”. D'origine moldave, le visage rond cerné par un collier de barbe poivre et sel impeccablement taillé, celui que l'on surnommait “Raspoutine” à l'époque où il était le chef de cabinet du premier ministre Benyamin Nétanyahou, entre 1996 et 1997, a ensuite créé sa propre formation en cultivant la communauté d'origine russe, forte de plus d'un million de personnes.
Emigré à l'âge de 20 ans, cet ancien videur de boîte de nuit à la carrure imposante s'est fait le champion des solutions radicales et des formules à
l'emporte-pièce. (Le Monde, 07/02/09).73
Também a charge publicada na primeira página, apesar de tratar de assuntos do momento, exige um conhecimento prévio do leitor. Por exemplo, a charge do dia 07 de fevereiro de 2009 apresenta o presidente do Novo Partido Anticapitalista e seus ideais contra o poder, bem como o presidente da França, e seu amor pelo poder. No fundo os dois são parecidos, são um pouco semelhantes, pois ambos querem o poder, cada um a seu modo74:
FIGURA 55 - Charge, amigos políticos Fonte: Le Monde, 07 fev. 2009, p. 1.
73 Nossa tradução: Um partido ultranacionalista israelita sobe nas pesquisas
Será este um resultado da guerra contra o Hamas ou a tradução de uma corrente de direita radical na sociedade israelita? Ainda assim, um nome está na boca de todo mundo, pelo menos, a uma semana das eleições em 10 de fevereiro: o de Avigdor Lieberman. Tanto assim que, de acordo com as pesquisas, seu partido, o Israel Beioteinu (“Israel Nosso Lar”), poderia se tornar o terceiro do Estado judeu, atrás do partido trabalhista. “Se isso continuar, vai ser a maior surpresa das eleições”, previu Rafti Smith, diretor do instituto de pesquisa de mesmo nome. Com apenas três membros, em 2005, onze anos depois da última legislatura, Israel Beiteinu poderia ganhar, pelo menos, seis cadeiras e se tornar um aliado exigente do Likud, no caso de vitória de Binyamin Netanyahu, o favorito da consulta.
Aos 51 anos, este ultranacionalista tornou-se, por suas posições racistas, suas posições radicais e sua franqueza, uma espécie de novo “czar”. Originário da Moldávia, com um rosto redondo rodeado por uma franja de barba grisalha bem aparada, ele foi apelidado de “Rasputin” no momento em que foi chefe de gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, entre 1996 e 1997, em seguida criou sua própria formação na crescente comunidade de origem russa, com mais de um milhão de pessoas.
Emigrante aos 20 anos, este ex-segurança de discoteca, com estatura forte, tornou-se símbolo de soluções radicais e de fórmulas de destruição.
74
Nossa tradução: O clube dos malandrinhos. (Nas camisetas): Fazer tudo para não ter o poder. Fazer tudo para manter o poder.
Vejamos um exemplo de chamada mais factual, do Le Monde, 01/02/0975:
FIGURA 56 - Chamada informativa do Le Monde
Fonte: Le Monde, 01 fev. 2009, p. 1.
Nesta chamada sobre as manifestações na Turquia, não há nenhum tipo de análise, apenas o relato de um acontecimento. De qualquer maneira, Le Monde dá espaço para os que discordam de Israel.
Outro tema que tem um tratamento mais factual é o lançamento de filmes, como o exemplo do dia 7 de fevereiro, sobre o retorno do ator Mickey Rourke,76
como vemos no exemplo a seguir:
FIGURA 57 - Foto chamada, lançamento de filme Fonte: Le Monde, 07 fev. 2009, p. 1.
Como sabemos, a finalidade informativa pode vir acompanhada de um texto interpretativo, opinativo ou didático. A primeira página do Le Monde tem esses quatro gêneros de chamadas jornalísticas. São 71 chamadas mais exclusivamente
75 Nossa tradução: Acesso de raiva de Erdogan em Davos fez dele um herói. Turquia - Em Davos, o primeiro ministro turco mostrou seu desagrado em relação aos propósitos israelenses de Shimon Peres, antes de deixar a tribuna. A população veio em multidões aclamá-lo em seu retorno a Istambul. p. 6.
76
informativas, 59 chamadas mais interpretativas, 25 com enfoque opinativo e apenas uma com viés didático. No GRAF. 3 vemos essa distribuição.
GRÁFICO 3 - Gêneros informativos do Le Monde
Fonte: elaborado pela autora, 2011.
Nosso único exemplo de chamada um pouco mais didática é a do dia 8 de fevereiro de 2009, no suplemento dinheiro77:
FIGURA 58 - Ilustração chamada para caderno Argent
Fonte: Le Monde, 08 fev. 2009, p. 1.
As chamadas mais opinativas são relacionadas às charges, às chamadas para editorial e a alguns temas, como a política. Por exemplo, dia 04 de fevereiro de 2009 vemos uma crítica ao presidente e ao primeiro ministro franceses78:
77
Le Monde Argent. Seu banco e os outros 78
Nossa tradução: Os sindicatos exigem uma mudança de rumo. Sarkozy e Fillon recusam este fato. O chefe de Estado intervém dia 5 de fevereiro para tentar responder às criticas.
FIGURA 59 - Chamada opinativa do Le Monde Fonte: Le Monde, 04 fev. 2009, p. 1.
Quanto ao gênero interpretativo, podemos exemplificá-lo com uma chamada do dia 13 de fevereiro de 2009, sobre a crise da educação na França, quando o jornal aponta os problemas a serem enfrentados79:
FIGURA 60 - Chamada interpretativa do Le Monde Fonte: Le Monde, 13 fev. 2009, p. 1.
Outra finalidade da primeira página é fazer o leitor perceber qual a hierarquia das notícias apresentadas, ou seja, quais as notícias mais importantes do dia. Essa hierarquia é conseguida com a posição das chamadas e o tamanho da fonte da manchete. Lembramos que, quanto mais alta e à direita, mais importante é a manchete. No entanto, o Le Monde é bastante equilibrado e, mesmo tendo uma manchete principal, consegue destacar assuntos com cores e distribuição mais horizontal da página. Vejamos o exemplo do dia 11 de fevereiro de 2009.
79 Nossa tradução: Enfraquecidos, vários ministros perdem o fôlego. Educação: Xavier Darcos e Valérie Pécresse estão numa má situação. Mediadores foram nomeados nos mais problemáticos dossiês.
FIGURA 61 - Primeira página do Le Monde Fonte: Le Monde, 07 fev. 2009, p. 1.
Percebemos, na “UNE” acima, duas manchetes principais, quatro outras distribuídas ao seu lado, uma delas com fundo rosa. Duas chamadas logo abaixo do logotipo do jornal e toda a parte inferior bem equilibrada. Além disso, o jornal traz na primeira página, para as chamadas mais relevantes, o texto inicial da matéria que está no interior do jornal. Assim, o leitor pode conhecer o tom e a profundidade que serão dados ao tema. Este é o padrão observado no nosso corpus, que dá ao leitor um sentido de hierarquia: de cima para baixo e da esquerda para a direita. Esse padrão mantém sempre duas manchetes em destaque principal, sem fotos.
Na primeira página, o jornal apresenta as chamadas da atualidade que considera mais relevantes, e tenta mostrar um mosaico dos cadernos internos e dos temas da edição. No domingo, a chamada vai para os assuntos de Week-end
(programação de cinema, Le Monde Argent e Télé Visions: na terça, para Le Monde
Economie; na sexta, Le Monde des Livres. O jornal apresenta também alguns
destaques da edição do dia seguinte e os temas dos dossiês. Ele traz, todos os dias, uma charge relacionada aos acontecimentos do momento, nem sempre referentes aos fatos noticiados na primeira página.
A finalidade da primeira página do Le Monde é manter o leitor informado dos acontecimentos do momento, mantê-lo ciente da hierarquia proposta pelo jornal e oferecer ao máximo uma interpretação e uma opinião sobre os fatos atuais. Podemos considerar que o jornal é mais interpretativo e opinativo em suas chamadas de primeira página, escolhendo assuntos da atualidade, mas não preso a factualidades.
Quisemos mostrar, neste capítulo, como os jornais se comportam, no que diz respeito à primeira página ou à “UNE”, quando submetidos a uma análise que leve em conta as noções da Semiolinguística de finalidade.
Os dois jornais tentam fazer com que o leitor compreenda rapidamente a hierarquia dos acontecimentos colocados na sua primeira página. A diagramação, o tamanho das matérias, as cores e, no caso da Folha, o tamanho das fotos fazem com que o leitor perceba o que é mais importante em cada edição.
A Folha é mais informativa, às vezes tornando-se óbvia ao noticiar assuntos
já amplamente divulgados e não partir para a análise e contextualização que se esperaria de um jornal de referência de seu porte.
O jornal Le Monde, por outro lado, exige que seus leitores tenham conhecimento prévio para compreenderem as notícias e as charges. Raramente este jornal apresenta uma notícia puramente informativa, sem viés interpretativo. Como podemos observar, o jornal francês prefere as análises e críticas mais contextualizadas.
A Folha utiliza a primeira página também como espaço de prestação de
serviço, com informações sobre a temperatura e o fim do horário de verão em alguns dos estados brasileiros, por exemplo.
Vamos ver, no próximo capítulo, como os dois jornais constroem suas estratégias de legitimidade, credibilidade e captação e se elas são distintas também em cada veículo.
5 ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO: LEGITIMIDADE, CREDIBILIDADE E CAPTAÇÃO
A primeira estratégia que vamos discutir neste capítulo é a de legitimidade, que é predeterminada e não-negociável. Ela é dada ao sujeito, a partir da posição que ele ocupa nas diferentes redes de práticas sociais. Assim, o jornal e seus leitores compartilham uma legitimidade dada a priori, que estabelece a legitimidade do veículo de estar apto a captar as informações e transmiti-las a seu público leitor. Esta legitimidade resulta da constatação de uma adequação entre um ato de fala, uma situação e a posição social de seu autor. Geralmente ela é explicitada com a publicação do nome da empresa de comunicação, dos diretores do jornal, dos editores e dos repórteres, dos fotógrafos, etc.
A segunda estratégia do discurso, a credibilidade, de acordo com Charaudeau (1995, p. 1-13), é uma estratégia que vai sendo adquirida ao longo do processo de trocas linguageiras, em que há uma confiança de que os interlocutores falam a verdade. Para Charaudeau (2006a, p. 45-50), as provas de veracidade de uma informação, num dado discurso, são da ordem do imaginário, baseadas nas representações de um grupo social. Portanto, os meios discursivos empregados devem tender a provar a autenticidade, ou a verossimilhança, dos fatos e o valor das explicações dadas, para aquele grupo social.
A terceira estratégia do discurso é a de captação, que faz uso mais frequente
do pathos, da emoção. Conforme Charaudeau (1995, p. 1-13), a estratégia de
captação consiste em tocar o afeto do auditório, em provocar nele certo estado emocional que seja favorável a uma visada de influência do sujeito falante. Segundo Charaudeau (2006a), a instância midiática precisa procurar emocionar seu público, mobilizar sua afetividade, a fim de desencadear o interesse e a paixão pela informação e pelo veículo. Em nosso corpus buscaremos evidências dessas estratégias de comunicação.