A culture of prevention and resilience?
7.8 On rigour in science The extent to which the risk information
Vimos que os sintagmas WH D-linked mostram pelo menos uma característica diferente dos sintagmas WH não-D-linked, já que interrogativas WH múltiplas com todos os sintagmas WH movidos em sintaxe visível não são gramaticais em PB, a menos que os sintagmas WH sejam D-linked. Em outras palavras, interrogativas com sintagmas WH D-linked movidos para o início da sentença no mínimo se tornam mais aceitáveis.
Acrescente-se a isso que o Efeito de Superioridade desaparece em interrogativas com sintagmas WH D-linked, mesmo quando um dos sintagmas é o sujeito da sentença. Apesar de termos mostrado que Superioridade pode ser violada com sintagmas WH
não-D-linked não-sujeitos, isso não acaba com o contraste entre D-linked e não-D- linked, já que WH sujeito só viola Superioridade se for D-linked. Adicionalmente,
interrogativas WH múltiplas, que são agramaticais com dois adjuntos WH, passam a marginais se eles forem D-linked.
Estes fatos parecem nos indicar que sintagmas WH D-linked devem ser tratados de maneira diferente dos sintagmas WH não-D-linked, o que confirma a intuição de Pesetsky (1987), de que os fenômenos que envolvem D-linked não são os mesmos que envolvem não-D-linked.
Entretanto, as situações envolvendo D-linking parecem ser ainda um tanto obscuras para a sintaxe, como nota Pesetsky (2000), já que parecem envolver questões semântico-discursivas. Por outro lado, deveríamos poder responder, a partir da sintaxe, o que é que um sintagma D-linked pode fazer com a estrutura das perguntas, de tal modo que faz o Efeito de Superioridade desaparecer.
Em primero lugar, é preciso saber o que pode significar o fato de que somente sintagmas WH D-linked podem ser movidos para o início da sentença, mesmo que marginalmente. Em segundo lugar, é preciso explicar por que há diferença entre sintagmas WH D-linked e não D-linked com função de sujeitos. Note-se que nenhum
dos quadros teóricos parece apresentar respostas ‘diretas’ a estas duas perguntas. Por outro lado, se a hipótese de Bošković (1998) está correta, o fato de poder deslocar o sintagma WH à esquerda pode estar ligado à questão de sintagmas WH D-linked serem mais específicos, já que são ligados ao discurso. Essa sugestão, contudo, precisa ser investigada.
4.5 Resumo do capítulo
Neste capítulo, procuramos mostrar como se comportam as interrogativas WH múltiplas do PB em relação a fenômenos como Efeito de Superioridade e o comportamento dos sintagmas WH D-linked / não-D-linked. A partir do estudo de tais fenômenos, pudemos notar que, quando há em uma estrutura violação de Superioridade, talvez estejamos às voltas com um tipo de movimento que não é o movimento WH propriamente dito (isto é, não se trata de movimento do sintagma WH para Spec CP, a fim de checar o traço forte de C ou de satisfazer o Critério WH).
O que poderia indicar que tal movimento é de outra natureza é o fato de que interrogativas que violam Superioridade podem receber resposta de par único. Isto porque a possibilidade de respostas de par único depende da possibilidade de não mover os sintagmas WH para Spec CP, conforme Bošković (1998).
Vimos também que o PB parece apresentar evidências de não movimento WH em LF, já que, entre outras coisas, sintagma WH in situ de interrogativas WH in situ simples35 violam Subjacência em LF, supondo que Subjacência deve ser obedecida neste nível.
Além disso, vimos que a abordagem minimalista consegue apresentar possíveis soluções para os fenômenos envolvendo estruturas WH múltiplas se contar com a proposta de Bošković (1998). A partir da análise deste autor para o servo-croata, é possível pensar que as estruturas WH múltiplas em PB que violam MLC não apresentam movimento WH de fato, mas outro tipo de movimento que, por ter a propriedade de Atrair todos os F, não apresenta problemas em relação a MLC, já que qualquer ordem em que os elementos são atraídos é a mais econômica, pois o mesmo número de nós será cruzado para satisfazer Atrair todos os F.
Por outro lado, o sistema de Critérios enfrenta vários problemas em relação a essas estruturas. Em primeiro lugar, mostramos que a análise de Rizzi (1996) explica apenas o movimento WH de um dos sintagmas WH. Vimos que é possível imaginar que o segundo sintagma WH passa por movimento em LF a fim marcar escopo, mas esta análise então teria que abordar o problema de o PB apresentar evidências de não movimento WH em LF. Além disso, parece que o sistema de Critérios não consegue descrever adequadamente os fenômenos envolvendo estruturas múltiplas do PB, como, por exemplo, todos os sintagmas WH ficarem in situ ou todos se moverem para frente só se são D-linked. Ademais, o sistema de Critérios não consegue captar a distinção D-
linked/não-D-linked.
Apesar de o quadro minimalista se apresentar mais adequado para descrever e talvez mesmo explicar os fenômenos das interrogativas WH múltiplas eleitos nesta tese, algumas questões ainda ficaram sem resposta. A primeira delas, que será retomada no próximo capítulo, é por que os sintagmas WH adverbiais não são bons in situ em estruturas múltiplas. A segunda diz respeito aos sintagmas WH D-linked e pode ser desmembrada em duas outras questões:
(a) por que somente sintagmas WH D-linked podem ser movidos para o início da sentença, mesmo que marginalmente?
(b) por que interrogativas múltiplas com sintagmas WH sujeito não-D-linked não violam Superioridade?
Finalmente, mais uma questão a ser levantada é o fato de haver Efeito de Superioridade entre dois objetos em inglês mas não haver entre objetos do PB.
5.1 Considerações iniciais
Dando continuidade ao estudo das interrogativas WH, neste capítulo abordaremos as interrogativas simples com WH in situ. Este tipo de pergunta WH levanta questões importantes para a teoria gerativa, uma vez que é preciso dar conta, entre outras coisas, da marcação de escopo dos sintagmas WH in situ.
O capítulo está organizado da seguinte maneira: na seção 5.2 discutimos o estatuto destas interrogativas em PB. Na seção 5.3 abordamos as teorias que procuram explicar o fenômeno WH in situ. A seção 5.4 traz um resumo crítico das análises apresentadas na seção anterior. Na seção 5.5 discutimos um análise para as interrogativas WH in situ do PB. Finalmente, a seção 5.6 traz um resumo do que foi visto sobre WH in situ em interrogativas WH simples.