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L’ESPACE OASIEN :

B. RICHESSES ET CONFLITS

O tipo de estudo a investigar, depende das necessidades específicas de cada um e o objeto da natureza. Optámos por uma abordagem qualitativa, visto que este método permite recolher e refletir os aspetos enraizados, os hábitos quotidianos dos sujeitos ou grupos em análise, de modo a sustentar, e fundamentar a observação, a respetiva inferência ou interpretação dos seus comportamentos. Recorrendo a um modelo de investigação exploratória, que permitiu manusear um grande conjunto de dados provenientes das entrevistas, das escalas de questionários, dos diários de campo e dos relatórios de campo. Bogdan & Biklen (1994) identificam alguns aspetos essenciais, nomeadamente quanto ao carácter descritivo e prático dos estudos qualitativos. Devido à questão de partida desta investigação e à aproximação diária com a prática em ASC, este estudo utilizou técnicas e instrumentos:de:recolha:de:dados:distintos:escalas:de:questionários:(‘Escala:de:Qualidade:de: vida’:de:Flanagan:‘Escala:de:Satisfação:para:a:Vida’:de:Dinner):entrevistas:semiestruturadas: e em grupo, observações naturais e participantes, observação documental e análise de conteúdo. Os dados, nesta situação, são obtidos sob a forma de transcrição de entrevistas semiestruturadas, análise dos resultados das escalas, análise dos relatórios de campo (anotações), das fotografias e outros tipos de documentação dos centros de dia (triangulação).

Pretendemos que o estudo promovesse a participação dos idosos como coautores ou atores das atividades de intervenção e que os conduzisse a mudanças significativas de atitude dos idosos e responsáveis das instituições, valorizando a importância da animação no quotidiano dos centros de dia. Deste ponto de vista, optámos pela metodologia qualitativa da investigação participativa. Esta apresenta-se como uma perspetiva alternativa em investigação social, que integra investigação – educação/animação – ação. Para além disso, relaciona-se diretamente com o aprender a aprender, envolvendo a efetiva participação das pessoas idosas dos cinco centros de dia, em todas as fases do processo de investigação.

Pretendemos, pois aprofundar os conhecimentos de animação (socioeducativa, sociocultural e sociocomunitária) e da gerontologia (social), conhecer melhor a intervenção do animador nos idosos frequentadores de centros de dia, que a animação proporciona satisfação e qualidade de vida, com atividades diversificadas e ajustadas às necessidades dos idosos, de modo a perceber que tipos de (inter) ações são possíveis de realizar naqueles estabelecimentos.

É importante realçar que o animador é uma peça fundamental para os idosos, visto eles perderem algumas faculdades que devem ser compensadas com atividades de estimulação e de interesse do mesmo, (educativo, cultural e físico), para que os idosos possam mantê-las ativas, durante o período em que usufruem de atividades nos Centros de Dia. O Animador é, sem dúvida, o agente direto da animação sociocultural (ASC), que consciencializa a população a participar de uma forma ativa e criativa, estimulando as pessoas e os grupos para o seu autodesenvolvimento, através da ativação de todas as suas faculdades criativas e intelectuais que podem resolver os seus problemas reais e coletivos. Na verdade, o animador domina uma série de técnicas criativas de grupo – o turbilhão de ideias, analogias, metamorfoses, leitura recreativa de imagens, entre muitas outras protagonistas a participar e a interagir. Mesmo tendo surgido como uma nova profissão na área da educação não formal, ligado à Pedagogia Social, a ASC, continua a ter um espaço muito restrito de atuação em Portugal, quer na área gerontológica educacional, quer na gerontologia social (Martins, 2013: 226-232), já que o animador:sociocultural:é:um:“ator‟ da sua própria formação, um mediador e facilitador de processos de comunicação, agente de socialização, veiculador de cultura e de comportamentos humanos.

Assim, formulamos as seguintes perguntas de investigação, que nos nortearam no processo de investigação:

Perg.1- Quais as características que apresentam os idosos e os responsáveis/dirigentes e diretoras técnicas dos cinco centros de dia de estudo (E1, E2, LA, LO, PR), em relação às variáveis sociodemográficas, de identificação?

Trata-se de caracterizar os idosos da amostra global (N=68) e dos responsáveis/dirigentes (n1=5) e diretoras técnicas dos centros (n2=5), através das variáveis de identificação e/ou sociodemográficas (sexo, idade, estado civil, anos que frequenta o centro, moradia, convivência, habilitações literárias, profissão/ocupação profissional, valor da pensão/subsídio, dependência ou independência), constantes na primeira parte das entrevistas exploratórias – Pré-Teste (idosos, responsáveis e técnicas), nas escalas de questionário EQVF e ESV aplicados aos idosos.

Perg. 2 – Qual a opinião que fazem os 68 idosos, dos cinco centros de dia em estudo, sobre a satisfação com a vida e a qualidade de vida que levam?

Trata-se de analisar os dados estatísticos (avaliação) das perguntas da EQVF (15 itens, agrupados em 5 fatores/dimensões) e da ESV (5 itens, agrupados num só fator, com um item complementar:sobre:o:que:entende:por:‘qualidade:de:vida’:e:respetivas:correlações:entre:os: fatores estabelecidos. O objetivo é saber estatisticamente qual é a ideia:que:têm:de:‘qualidade: de vida naquelas dimensões da escala, assim como da sua satisfação perante a vida que levaram e levam.

Perg.3 - Promover nos idosos frequentadores dos centros de dia do concelho de Castelo Branco (E1, E2, LA, LO, PR) atividades estruturadas de animação (lúdicas, artísticas, socioculturais, cognitivas, desenvolvimento pessoal e social, etc.) nos seus tempos de ócio, através de um Programa de Intervenção em Animação Sociocultural – PIAS. Esta pergunta será averiguada (triangulação) pela valorização que os idosos fizeram do PIAS (participação, execução das tarefas, fichas de autoavaliação e debate de discussão – entrevistas em grupo), do que afirmaram os responsáveis/dirigentes e técnicas (entrevistas Pós-PIAS) sobre a eficácia do programa e do impacto nos idosos e, ainda pelos registos observacionais e notas de campo. Pretendemos que os idosos frequentadores dos centros de dia do concelho de Castelo Branco se sintam ocupados, alegres e satisfeitos (motivação) ao realizarem as atividades diversificadas do PIAS, gerando-lhe momentos de prazer, ocupando-lhes os seus tempos livres (terapia) e promovendo-lhes satisfação pessoal e em grupo.

Perg. 4 - Que fatores sociais, de comunicação, de relações pessoais e de convivência provocaram o Programa de Intervenção em Animação Sociocultural - PIAS nos idosos dos centros de dia (E1, E2, LA, LO, PR), do concelho de Castelo Branco?

Perg. 5 -A animação sociocultural e/ou socioeducativa nos centros de dia para idosos (E1, E2, LA, LO, PR) promove-lhes momentos de satisfação, participação e contribui para a sua qualidade de vida no seu processo de envelhecimento.

Estas duas perguntas vêm no seguimento da Perg. 3 e serão interpretadas na base dos dados provenientes das entrevistas exploratórias e Pós-PIAS, nas observações e na aplicação e avaliação do programa PIAS. Sabemos que a animação está inserida no âmbito da educação ao longo da vida, incluindo a animação em idosos e/ou da terceira idade (animação gerontológica), na perspetiva da educação social especializada para com esses coletivos, na pretensão: do:‘aprender:a:aprender:ao: longo: da:vida’:O:idoso:em:situação:ativa:continua:a: aprender a aprender, por isso, deve realizar atividades (educação não formal) de interesse que melhore os seus mecanismos de sociabilidade, de comunicação e de socialização (relações pessoais). Pretendemos demonstrar que a animação não é só ocupação de tempos livres e de lazer, mas sim de formação ou de educação ativa e participativa, promovendo a participação e a autonomia do indivíduo idoso. A ideia pretendida é demonstrar a importância da animação nas instituições para idosos, especialmente os centros de dia, de forma continuada, convertendo os seus utentes mais ativos, interessados, participantes e com melhor autoestima e autonomia.

Trata-se de compreender a importância, para a prática da ASC, da utilização de uma metodologia de investigação-ação (participativa) no projeto de intervenção PIAS, a qual pretendeu implementar hábitos e medidas de intervenção de animação dos idosos e possibilitar-lhe uma melhor satisfação. O PIAS dinamizou os idosos, frequentadores dos centros de dia, ao pô-los mais ativos, mais ocupados, aprendendo algo novo, desenvolvendo- lhes a comunicação, a motricidade (fina e grossa) e estabelecendo-lhes mais satisfação e qualidade de vida no seu dia-a-dia. A partir do programa de atividades promoveu-se a autoestima, o aprume pessoal, a participação e a convivência entre os idosos naqueles os centros de dia.