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3.6 System Control
3.6.4 Repeat Counter
As matérias são construídas ao longo de dias e envolvem a participação de vários profissionais como o repórter cinematográfico, o repórter, o produtor – que organiza a pauta para que a equipe a produza de acordo com o enfoque pré-determinado –, o editor, o iluminador e outros. Após a coleta das imagens, gravação das entrevistas e da passagem, o repórter grava o texto em off, que será encaixado na imagem adequada. Feito isso, a fita bruta é enviada à equipe de edição (que pode ser o próprio repórter, ou o apresentador), que a transformará em produto final. É a edição que irá conferir valor estético ao produto final.
Recurso inseparável dos meios visuais, a edição tem como função básica selecionar e organizar as imagens, cortar o que está em excesso e unir áudio e imagem. No entanto, seu papel vai muito além dessa “colagem”. Entendemos que as rotinas produtivas contribuem para os jornalistas irem moldando no espelho do jornal e nas ilhas de edição os contornos do que é notícia. A edição é uma ferramenta importante para o meio televisivo. É de acordo com ela que o telespectador vai, ou não, ver determinados elementos dentro da matéria.
Conforme Pinto (1999, p. 33) a imagem deve ser considerada também como um discurso, pois nelas encontramos intertextualidade, enunciadores e dialogismo, tal como nos textos verbais. O mais comum é encontrarmos textos mistos que reúnem texto verbal e imagens, ou texto e sistemas sonoros (ruídos e sons musicais) ou os três. O cinegrafista é quem escolherá quais tipos de enquadramento fará. A partir disso, as imagens podem passar sensações ao espectador.
Os enquadramentos na hora da captação das imagens devem ser muito bem planejados, pois é deles que depende, em grande parte, o ritmo da reportagem. Descrevemos a seguir alguns planos de enquadramento em televisão baseados em nossos conhecimentos e nas definições do Dicionário de Linguagem Cinematográfica ([s/d], online).
Um enquadramento bastante utilizado em televisão é o zoom, que consiste em mostrar uma cena com maior ou menor nível de detalhes. O zoom cria a sensação de movimento, que faz o espectador ter uma impressão de deslocamento. É classificado em zoom in e zoom out: enquanto o primeiro aproxima o objeto do enquadramento, o segundo afasta.
São usados também os enquadramentos mais fechados, chamados de plano próximo, em que se enquadra a pessoa da metade do tórax para cima e que visam transportar ao espectador maior carga emocional, ou tensão, fazendo com que o telespectador se identifique com os atores do enunciado. Há também a panorâmica (ou pan), onde se tem uma visão
ampla de algum lugar. Há ainda os planos de enquadramento em ângulo alto, que é a imagem com a câmara focalizando a pessoa ou o objeto de cima para baixo; em ângulo baixo, com a câmara focalizando a pessoa ou o objeto de baixo para cima; em contra campo em que a filmagem é efetuada com a câmara na direção oposta à posição da tomada anterior; fora de campo : quando a ação acontece fora do foco da câmara; plano americano : quando se enquadra a personagem da altura dos joelhos para cima; o plano de detalhe : que mostra apenas um detalhe, como os olhos do entrevistado; plano médio: que mostra uma pessoa enquadrada da cintura para cima; primeiro plano : enquadrar pessoas ou objetos que estão mais próximos à câmara, à frente dos demais elementos que compõem o quadro; travelling : quando a câmera está em movimento acompanhando, por exemplo, o andar dos atores da reportagem, na mesma velocidade; plano grua : em que a câmera fica montada num tipo de guindaste especial de filmagens (chamado grua) e permite, por exemplo, passar de um plano geral a um plano detalhe; plano subjetivo: onde a câmara substitui o olhar de um dos protagonistas da ação dando a entender que a câmera é o próprio olho da personagem; plano geral: que mostra uma área de ação relativamente ampla; plano de conjunto: que mostra um plano um pouco mais fechado do que o plano geral. Os dois últimos são bastante utilizados em nosso objeto de estudo para mostrar as plantações, as fazendas, as criações de animais etc.
Editar é selecionar o que irá ao ar e o que ficará de fora. A edição irá interferir na escolha do tempo e na duração de cada plano de filmagem e como cada plano será substituído pelo outro, o que determina como será transmitido o conteúdo selecionado.
[...] quando um entrevistado tem uma fala longa, pode se inserir o chamado contra-plano. O público vê o entrevistado de frente, depois de lado e de frente novamente. Não houve mudança no tempo cronológico, mas alterou- se, via ato de edição, o sentido de tempo de percepção dessa entrevista: o efeito obtido pela inserção do contraplano é de fragmentação do plano de expressão, o que da uma sensação de aceleração, de que a cena está passando mais rapidamente em relação a uma outra sem o recurso. Esse efeito de expressão resulta no que é mais conhecido como “tempo psicológico”(BRASIL, [s/d], online).
Além de toda harmonia que deve existir na produção do texto para o meio televisivo, ainda conta-se com efeitos sonoros para “dar vida” a algum elemento ou personagem da matéria. A música e os efeitos sonoros também são parte importante na hora de editar um material de vídeo. Com esses efeitos o editor pode provocar suspense, tristeza, alegria e outras sensações no telespectador. No caso do Caminhos da Roça, a música de fundo que entra na abertura do programa é um toque de viola coberto com imagens paradas (fotos) de
agricultores, de aves e das plantações. Após a abertura pode-se ouvir o som de pássaros cantando, de cachoeiras, de porcos com seus filhotes, de porteira abrindo, do motor do trator, do mugido do gado, e outros sons típicos do campo. Tudo isso coberto com imagens que muda de edição para edição. Nas matérias não há habitualmente uso de trilha ou efeitos.
Não existe acaso na montagem; todos os elementos constitutivos de um plano, enquadrado a partir da intenção do diretor, são passíveis de uma leitura ideológica pelo espectador, e serão reforçados, ou não, pela relação criada pelo corte (LEONE; MOURÃO, 1993, p. 57).
Como público, somos levados pelas decisões que os jornalistas e os editores tomam sobre o conteúdo e a edição dos programas. Os programas televisivos são construídos de forma coletiva e as possibilidades de interpretação abertas pela edição são muitas e, a partir delas, desenvolveram-se convenções e contravenções sobre o dizer.