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Key Features

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Figure 1-1. Evolution of the TMS320 Family

1.3 Key Features

Em 2003, Gerárd Fourez publicou uma pesquisa na qual, entre outras coisas, fez uma revisão crítica sobre os principais problemas enfrentados pelo ensino de ciência na atualidade. Entre os responsáveis por esses problemas Fourez (2003) aponta: os dirigentes da economia e indústria, os cidadãos, os pais, os professores de ciências e os alunos.

Para Fourez (2003) os dirigentes da economia e indústrias lamentam a crise das profissões científicas, no entanto, publicitariamente pouco estimulam o interesse pela profissão. Os cidadãos ou sociedade valorizam os frutos da ciência, mas demostram pouco interesse em compreender os processos e se engajar em debates impregnados de questões científicas como a eutanásia, a política energética, dependência química, entre outros. Quando perguntado aos cidadãos quais são os grandes avanços recentes da ciência, a resposta gira em torno de técnicas médicas e da informática, conhecimentos classificados mais como tecnológicos do que científicos.

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A responsabilidade dos pais envolve mais a preocupação com o futuro emprego de seus filhos e por isso pouco estimulam a carreira científica. Já os professores, além dos problemas pertencentes à profissão de um modo geral, ainda possuem a limitação na sua formação para expor e seduzir os alunos sobre a importância de realizar pesquisas. Muitos têm uma visão limitada sobre a questão sendo mais técnicos de ciência do que orientadores da busca de um problema e do desenvolvimento de um método para a busca de uma resposta ou solução (FOUREZ, 2003).

O desinteresse dos alunos é o principal problema. Os alunos declararam ter ―a impressão de que se quer obrigá-los a ver o mundo com os olhos de cientistas. Enquanto o que teria sentido para eles seria um ensino de Ciências que ajudassem a compreender o mundo deles‖, em outras palavras ―os jovens prefeririam cursos de ciências que não fossem centrados sobre os interesses de outros (comunidade cientifica ou indústria), mas sobre os deles próprios‖. (FOUREZ, 2003, p. 110), Tal postura deixa claro que os jovens de hoje precisam ser motivados, já que estudar a ciência pela ciência não é suficiente. A instabilidade profissional é outra questão que pesa na hora da escolha da carreira.

É importante salientar que embora Fourez tenha feito este estudo com estudantes da Bélgica, país bastante diferenciado do Brasil no aspecto socioeconômico, também aqui se verifica um grande desinteresse pela aprendizagem científica entre os alunos.

Em 2013, uma pesquisa comparou o nível de conhecimento científico de alunos no Brasil e na Itália e revelou um panorama preocupante sobre o ensino das teorias científicas. O levantamento indicou que a precária formação científica dos estudantes de ensino médio do país os leva a recorrer a sua bagagem cultural e religiosa para explicar a evolução dos seres vivos e a origem da espécie humana, algo que não se observa entre os italianos, que recebem uma educação científica mais sólida. (MARQUES, 2015).

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Na Itália, um país de forte tradição católica, concepções de mundo científicas e religiosas coexistem no repertório dos estudantes e só eventualmente entram em conflito com alguns exemplos de alunos que rejeitam a abordagem científica sobre a origem dos seres humanos e das demais espécies. (MARQUES, 2015).

Estudos sobre os aspectos socioculturais que influenciam a aceitação/rejeição das teorias evolutivas têm elencado informações preciosas sobre a postura discente. Segundo Oliveira (2015, p. 7), ―as visões de mundo dos estudantes, oriundas de suas interações sociais e culturais, podem influenciar a aprendizagem, as atitudes e os valores atribuídos à ciência‖. Na pesquisa realizada por Oliveira (2015) foram analisadas as relações entre as respostas e as seguintes variáveis: sexo, idade, região do país em que residem, aspectos socioeconômicos, religiosos e atitudes com relação à ciência. Constatou-se que quanto maior o número de livros que possuem em casa e a escolaridade materna, melhor o desempenho nas questões sobre a teoria da evolução. Há, também, a influência da religião, mas o tipo de credo faz bastante diferença.

De acordo com a pesquisa realizada por Oliveira (2015), na afirmação, ―A espécie humana descende de outra espécie primata‖, os jovens católicos assinalaram com maior frequência a opção ―verdadeiro‖ (47,6%), o que significa que quase a metade dos jovens que se declararam católicos rejeitam o criacionismo. Eles são seguidos pelos sem religião (47,4%) e os de outras religiões (35,5%). Quem mais rejeitou a afirmação foram os evangélicos pentecostais e os evangélicos tradicionais (31,5% e 25,4% de opção ―verdadeiro‖, respectivamente) que também apresentaram a maior frequência na opção ―falso‖, com 48,1%. ―Os resultados indicam que, entre alguns jovens que não reconhecem a mudança dos seres vivos ao longo do tempo, percebe- se com maior intensidade a religião como um importante componente na sua visão de mundo‖. (MARQUES, 2015, p. 43).

Como dito na introdução deste trabalho, a demanda pelo conhecimento que envolve conflito entre ciência e religião relacionado ao ensino/aprendizado

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não se esgotou e dificilmente irá se esgotar. Por essa questão, esta pesquisa tem o intuito de verificar se o conflito entre crença religiosa e ciência tem uma relação com desempenho no processo da aprendizagem de estudantes quanto ao conhecimento científico sobre a origem da vida. O próximo capítulo apresentará as principais pesquisas e ideias que irão referenciar os resultados do presente estudo.

55 3 CONCEITOS NORTEADORES DA PESQUISA

Os conhecimentos científicos sobre a origem do universo, da vida e as teorias evolutivas são historicamente considerados como temas conflitantes entre ciência e crença por não estarem de acordo com os escritos religiosos. (DORVILLÉ, 2010). Atualmente o ensino das religiões de matrizes africanas, incentivada pela Lei 10.639/03 e as questões de gênero também são consideradas conflitantes devido o preconceito de alguns representantes religiosos.

A partir de um levantamento bibliográfico inicial sobre

ensino/aprendizagem de temas que envolvem ciência e religião em revistas científicas como a Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, Investigações no Ensino de Ciências, Revista Ensaio Pesquisa em Educação e Ciências, consultadas através do Scientific Eletronic Library Online, como também em dissertações e teses, observou-se que a maioria dos estudos aborda o tema ―Teorias Evolutivas‖ e que muitas dessas pesquisas foram realizadas numa perspectiva qualitativa ou quantitativa, relacionadas à aceitação/rejeição de teorias biológicas entre protestantes, católicos e sem religião. Por esta razão, a atual pesquisa estendeu o número dos grupos estudados em Ateus, Ex-religiosos, Católicos, Protestantes, Espíritas e Adeptos de Religiões Afro-brasileiras. Não houve a presença de estudantes de religiões orientais e indígenas entre os participantes.

Este capítulo traz subsídios qualiquantitativos sobre a postura de jovens sobre temas que envolvem conflito entre ciência e crença, como também informações sobre desempenho/aprendizagem.

Para isso serão apresentadas pesquisas sobre a aceitação e rejeição de teorias científicas relacionadas às crenças estudantis, incluindo estudos que apresentam a visão de mundo que os alunos têm sobre ciência e religião, sendo conhecimentos distintos ou complementares. Em seguida, a opinião de alguns pesquisadores sobre o conflito entre ciência e crença e uma discussão

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sobre a importância do crer para aprender. Por fim, serão discutidas questões sobre desempenho e aprendizagem, avaliações e a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel.

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