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Kapitel 2 Explizierung und Implizierung in der Übersetzungswissenschaft

2.3 Suche nach einer theoretischen Basis

2.3.3 Relevanztheoretischer Ansatz

A doença é uma experiência dolorosa e geradora de desconforto na medida em que tem o potencial para afetar todas as dimensões da vida pessoal, desde os aspetos individuais aos sociais (Apóstolo et al. como citado em Silva, 2015).

A forma como cada doente passa pelo processo de transição pode ditar o sucesso da sua recuperação, pelo que o desenvolvimento de um modelo de acompanhamento para doentes com patologia oncológica da próstata torna-se fundamental para a ajuda no processo de transição saudável. As respostas obtidas revelaram que a intervenção do enfermeiro permitiu que o processo transacional decorresse de forma saudável.

O enfermeiro gestor de caso deve analisar individualmente as vulnerabilidades do doente com patologia oncológica da próstata que afetam a sua qualidade de vida e definir intervenções que procurem minimizar essas mesmas vulnerabilidades para, consequentemente, melhorar a QdV.

Ao longo do processo de acompanhamento é necessário avaliar o percurso do doente e a eficácia da nossa intervenção, de forma a proceder a reformulações do plano de cuidados, se necessário. Para isso foram criados indicadores, que permitem uma melhor e mais eficiente

monitorização. Indicadores são “medidas que podem ser usadas como guias orientadores na

monitorização, avaliação e promoção da qualidade dos cuidados de saúde” (Pereira, 2009, p. 54).

Foram trabalhados os seguintes indicadores de resultado: perceção da melhoria da qualidade de vida, melhor consciencialização da doença, melhor conhecimento sobre cirurgia e pós- operatório, autocontrolo da ansiedade, melhor gestão do regime terapêutico; autocuidado efetivo, regime de cuidado ao cateter urinário efetivo, adaptação efetiva, padrão de sono não comprometido; conforto presente, autoestima presente; satisfação do doente.

Segundo Pereira (2009, p. 54) os indicadores de resultado traduzem os ganhos sensíveis aos

cuidados de enfermagem e “procuram medir demonstrações dos efeitos da combinação de

fatores envolventes, da estrutura e processos nas condições do indivíduo”.

De referir que a implementação do modelo de acompanhamento de enfermagem obriga a uma disponibilidade total por parte das equipas e o tempo despendido pode tornar-se um aliado na fração da implementação dos modelos de gestão de casos. Como refere Mota (2018,

Ainda segundo a mesma autora (p. 232) o tempo assume extrema importância na condução

do estudo, mas” o tempo para o acompanhamento depende da disponibilidade do cliente e da

disponibilidade que o sistema de saúde permite ao enfermeiro ter”.

A disponibilidade para acompanhar os doentes tem de ser total e o tempo necessário para a aplicação deste modelo pode tornar-se um entrave. O tempo tornou-se uma questão chave para o sucesso deste modelo de acompanhamento. Contudo, é de referir que, todo o plano de triagem, intervenção e avaliação contínua terá impacte significativo nos resultados a longo prazo, nomeadamente na melhoria da qualidade de vida, a aproximação entre o utente/família ao profissional de referência (gestor de cuidados) e promoção da humanização das ações e garantia da unidade dos serviços prestados (Martins & Fernandes, 2010).

Vários estudos demonstram a importância da gestão de casos. No estudo de Freire (2013) a autora refere que a gestão de casos é uma mais-valia em pessoas vulneráveis e esta metodologia apresenta ganhos em saúde e promove a qualidade dos cuidados de saúde. No estudo de Mota (2018), a autora refere que o modelo de acompanhamento terá impacte nas taxas de mortalidade e morbilidade, assim com nos custos em saúde.

Asencio et al. (2008) referem que a gestão de casos evita problemas potenciais com a adoção de medidas preventivas, evita o uso desnecessário dos serviços de urgência e de outros serviços de saúde, reduz os efeitos adversos, aumenta a autonomia das pessoas e famílias e aumenta o contacto com os doentes e famílias. Ainda no estudo de Lopes (2012), o autor refere que a figura do enfermeiro gestor de casos é a melhor resposta às necessidades das pessoas usuárias daquele serviço.

Os resultados encontrados na literatura reforçam os resultados deste estudo, na medida em que a sua implementação teve impacto na qualidade de vida dos doentes a quem foi aplicado este modelo, como facilmente se pode constatar pelas entrevistas realizadas.

Com a implementação do modelo de acompanhamento que contemple as vulnerabilidades dos doentes com patologia oncológica da próstata (padrão evidenciado no estudo um- avaliação da QdVRS) é possível acompanhar, envolver, educar e intervir eficientemente nestes doentes, em conjunto com todos os elementos da equipa multidisciplinar, de forma a proporcionar uma melhor qualidade de vida.

Sendo o cancro da próstata e a sua incidência um tema da atualidade, acredita-se que a aplicação deste modelo nas instituições trará benefícios para os doentes, porque proporciona melhores cuidados transacionais, para os profissionais de saúde, porque direcionam as suas

intervenções para os problemas reais dos doentes para uma melhor prática de cuidados e para as instituições que, para além de terem doentes mais satisfeitos com os cuidados prestados e com uma melhor qualidade de vida, verão reduzidos os seus custos.

Desta forma, o esquema abaixo exposto surge como proposta para a implementação de um acompanhamento de enfermagem nas instituições de saúde onde os doentes com patologia oncológica da próstata sejam uma realidade. A verificação das suas vulnerabilidades, com posterior aplicação do modelo de acompanhamento, poderá permitir obter resultados cujo valor em saúde, paradigma em ascensão na atualidade, possa ser uma realidade. Segundo Porter (2014), o valor em saúde é definido como a relação entre os resultados que importam para os pacientes (desfechos clínicos) e o custo para atingir esses resultados. O valor em saúde deve ser uma meta predominante no sistema de saúde, porque é isso que, em última análise, é importante para os doentes e une os interesses de todos os utilizadores do sistema. O valor abrange muitos dos demais objetivos já adotados na assistência à saúde, como qualidade, segurança, centralização e contenção de custos, e os integra. Se o valor melhorar, doentes, pagadores, provedores e fornecedores podem beneficiar, e em simultâneo ser igualmente melhorada a sustentabilidade económica do sistema de saúde. Ao melhorar-se a qualidade de vida dos doentes com cancro da próstata com a implementação do modelo de acompanhamento de enfermagem contribui-se para a criação de valor em saúde que beneficiará, não só os doentes, mas também as instituições de saúde O modelo de acompanhamento permite criar um padrão de atuação e orientar os profissionais de enfermagem para uma prática mais sustentada, trabalhando com os doentes com patologia oncológica da próstata, as vulnerabilidades já conhecidas e antecipando os possíveis efeitos da doença oncológica.

Este modelo dará uma maior visibilidade à profissão de enfermagem, pois evidencia o trabalho diário das equipas de enfermagem para proporcionar aos doentes uma transição saudável, assim como permite aos enfermeiros uma melhoria da comunicação, da autonomia, do trabalho em equipa, da gestão partilhada, do fortalecimento do compromisso com a organização e a profissão, o que culmina no aumento da satisfação destes profissionais. No caso dos doentes, os benefícios destacam-se na promoção da saúde, do bem-estar, da prevenção de complicações e do aumento crescente da satisfação. Com o trabalho individualizado da equipa de enfermagem é possível proporcionar uma melhoria da qualidade de vida a estes doentes. Ao melhorar a qualidade de vida dos doentes, estes tornam-se socialmente ativos mais rapidamente, regressando de forma mais precoce às rotinas

V. CONCLUSÃO

Considera-se pertinente, neste momento, “tecer” algumas reflexões no que concerne aos resultados obtidos e a todo o percurso vivenciado, numa perspetiva crítico-reflexiva.

Apesar do número de doentes que sobreviveram ao cancro ter vindo a aumentar nos últimos anos, face ao desenvolvimento de intervenções terapêuticas e ao diagnóstico precoce, a doença oncológica provoca nos doentes e família um intenso sentimento psicológico, exigindo reorganização familiar e alteração de papéis. Importante referir que, para além de garantir a sobrevida dos doentes com doença oncológica, deve-se incrementar a QdV nessa sobrevida. Na patologia oncológica da próstata não é diferente. O impacto da confirmação da doença e os seus tratamentos têm associadas limitações físicas e funcionais que acarretam uma diminuição da qualidade de vida dos doentes.

A passagem do estado de saúde para o estado de doença exige aos doentes a adaptação às novas circunstâncias e à sua nova condição. Este processo de transição necessita da orientação da equipa multidisciplinar para que aconteça de forma saudável. E, como cada doente é uma pessoa, um ser individual e irrepetível, logo cada processo de transição deve ser, também, único.

O interesse deste estudo para a prática da Enfermagem fundamenta-se principalmente pela necessidade de identificar as vulnerabilidades dos doentes com patologia oncológica da próstata e acompanhá-los no seu percurso de doença, proporcionando um melhor cuidado transacional e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida e por outro lado, permitindo às equipas de enfermagem uma prestação de cuidados direcionada para o doente, e às instituições de saúde uma redução nos custos, evitando idas recorrentes dos doentes aos seus serviços.

Para a Enfermagem, enquanto profissão e ciência socialmente estabelecidas e dignificadas, neste campo de intervenção é importantíssimo. Com este estudo, quisemos desenvolver um modelo de acompanhamento que direcionasse os cuidados para os doentes com patologia oncológica da próstata, mas que ao mesmo tempo guiasse as equipas. Este estudo pode ainda servir como suporte teórico e prático para a organização de novas intervenções de Enfermagem dentro deste campo, ou reformular e ajustar as que já existem.

para direcionar a prática clínica centrada no doente. Uma intervenção direcionada para os domínios mais afetados poderá contribuir para uma melhoria contínua da qualidade de vida dos doentes.

A metodologia utilizada permitiu a identificação de fatores que dificilmente seriam atingíveis através de outras estratégias de recolha de dados longitudinais que monitorizem a QdVRS destes doentes.

A construção do objeto de estudo, ou seja, o desenvolvimento de um modelo de acompanhamento de enfermagem para doentes com cancro da próstata, foi de difícil materialização, não deixando, no entanto, o caminho vazio de ideias, perceções e conceitos. A problemática intrínseca a tal estudo foi do nosso maior gosto pessoal e profissional, o que poderá ter estado no impulso e motivação constantes. A pesquisa bibliográfica tornou-se um refúgio interessante e enriquecedor que possibilitou conhecer em profundidade aspetos por nós, até então, desconhecidos ou pouco desenvolvidos.

O modelo de acompanhamento de enfermagem elaborado, teve por base as vulnerabilidades dos doentes com patologia oncológica da próstata identificados no estudo um. A dor, função emocional, função social, fadiga, náuseas e vómitos, distúrbio do sono, apetite diminuído, obstipação e diarreia, impacto financeiro, atividade sexual e os sintomas urinários foram as vulnerabilidades identificadas.

Considera-se que o modelo criado tem aplicabilidade em doentes com patologia oncológica da próstata, pois, quando testado em doentes com as mesmas características (padrão

semelhante de vulnerabilidades), permitiu verificar que “educação para a saúde,

autoconfiança e atitude” são os aspetos que mais marcam estes doentes. Aspetos estes que

estão relacionados, entre outros, com o papel do enfermeiro gestor de casos.

Para além de se considerar que o modelo tem aplicabilidade nos doentes com patologia oncológica da próstata pelos motivos acima elencados, pode-se concluir que se melhorou a qualidade de vida destes doentes, uma vez que se trabalharam as vulnerabilidades presentes neste tipo de patologia e porque permitiu que o processo de transição decorresse de forma saudável.

Este estudo apresenta algumas limitações, nomeadamente no que diz respeito ao tamanho da amostra. De facto, com uma amostra maior poder-se-ia, eventualmente, obter respostas mais marcadas em alguns domínios da qualidade de vida. Por outro lado, a recolha de dados

revelou-se complexa devido à extensão dos questionários e às dinâmicas das instituições o que levou à perda de alguns doentes aptos para participarem.

No entanto, as escalas de medida utilizadas revelaram serem ferramentas adequadas para o aprofundamento do fenómeno em estudo, embora, dada a dinâmica dos hospitais, seria importante o desenvolvimento de ferramentas mais simples, que exigissem menos tempo e recursos para monitorizar continuamente a QdVRS, não apenas nestes momentos, mas ao longo do processo de acompanhamento do doente oncológico.

Os enfermeiros constituem um grupo técnico extremamente importante para a tomada de decisão em Saúde, sendo-lhes dada a oportunidade de refletirem e organizarem, em conjunto com outros técnicos, cuidados que possam melhorar a acessibilidade à informação, a excelência dos cuidados, ajustados aos vários tipos e necessidades dos utilizadores dos serviços de saúde. Desta forma este trabalho deixa algumas sugestões edificantes e eventualmente promissoras. Uma vez que se demonstrou a aplicabilidade deste modelo de acompanhamento de enfermagem a estes doentes propõem-se dar continuidade a este estudo testando a aplicabilidade do mesmo em outras instituições de saúde. Por outro lado, a reprodutibilidade deste modelo noutros contextos, poderá ser um meio formativo para outros enfermeiros, potenciando a investigação como dinâmica da disciplina de enfermagem, assim como as bases da própria profissão.