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Kapitel 2 Explizierung und Implizierung in der Übersetzungswissenschaft

2.2 Entwicklung und Begrenzung

2.2.2 Korpusbasierter Ansatz

Para a avaliação do modelo de acompanhamento de enfermagem optamos pela entrevista não estruturada. A entrevista é uma técnica de recolha de dados poderoso, pois permite ao investigador obter respostas que dificilmente obteria através dos questionários. Para além disso, permite que a qualquer momento o inquiridor peça ao inquirido para clarificar alguma questão que não tenha ficado devidamente esclarecida. É criada entre ambos uma interação que não é possível ser criada nos estudos quantitativos (Silverman, 2000, como citado em Coutinho, 2018).

Patton (2002) definiu três tipos de entrevista, da menos estruturada à mais estruturada, sendo o tipo de entrevista escolhida por nós a não estruturada. “A entrevista não-estruturada é aquela em que é deixado ao entrevistado decidir-se pela forma de construir a resposta” (Mattos, 2005).

Apesar de se dar oportunidade para o entrevistado exprimir de forma clara os aspetos que considerou mais importantes o enfermeiro trabalhar desde o diagnóstico até aos três meses, por vezes houve necessidade de reorientar um pouco o discurso para obtermos uma informação mais rica. Segundo Quivy e Campenhoudt (2008) o entrevistado pode ser convidado a desenvolver mais a sua ideia e a prosseguir a conversação.

A entrevista é um modo particular de comunicação verbal, que se estabelece entre o investigador e os participantes com o objetivo de colher dados relativos às questões de investigação formuladas ” (Fortin, 2009).

 Entre o diagnóstico da sua doença e os três meses após o tratamento inicial realizado, que aspetos considerou essenciais que o enfermeiro trabalhasse consigo?

O objetivo da avaliação do modelo de acompanhamento de enfermagem foi perceber se este modelo tinha aplicabilidade nestes doentes e se conduziria a melhorias na perceção da qualidade de vida destes doentes.

Como explicado anteriormente, o modelo foi elaborado tendo por base as vulnerabilidades identificadas pelos doentes, tendo sido definidas intervenções para cada foco de enfermagem. Uma vez que se trabalhou com cada doente as suas vulnerabilidades específicas, quis-se saber quais os aspetos que consideraram mais importante trabalhar ao longo dos vários momentos de acompanhamento.

As entrevistas foram realizadas durante a consulta de enfermagem, três meses após a cirurgia (M4). A entrevista foi realizada neste momento, por ser a última consulta de enfermagem de acompanhamento pós-cirúrgico, e por considerar-se que neste momento já tinham sido trabalhadas as vulnerabilidades anteriormente identificadas e era expectável que os participantes reunissem condições para responderem à questão colocada.

As entrevistas foram realizadas pelo investigador, tendo durado cada entrevista aproximadamente 20 minutos. As informações das seis entrevistas foram recolhidas através de gravação. Posteriormente, foram transcritas e organizadas em quadro, de acordo com a metodologia de Bardin (2008) de forma a facilitar a leitura (Anexo VI).

6. Tratamento e análise dos dados

Para a avaliação do modelo de acompanhamento de enfermagem procedeu-se à análise de

conteúdo. A análise de conteúdo tem como objetivo “compreender criticamente o sentido das

comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas” (Chizzotti, 2006, p. 98). Para Flick (2009), a análise de conteúdo, além de realizar a interpretação após a colheita dos dados, desenvolve-se por meio de técnicas mais ou menos refinadas.

A ideia chave da análise de conteúdo é a organização dos símbolos/palavras - unidades de registo - em categorias conceptuais. Essas categorias podem representar aspetos de uma teoria que se pretende testar (Coutinho, 2018; Streubert & Carpenter, 2013).

Após a organização em quadro, procedeu-se a uma leitura flutuante, que segundo Bardin (2008, p. 122) “consiste em estabelecer contacto com os documentos a analisar e em conhecer o texto, deixando-se invadir por impressões e orientações”.

À medida que o investigador foi colhendo os dados através da entrevista, observou os participantes e fez notas de campo. A partir desse momento iniciou-se a codificação, que, segundo Streubert & Carpenter (2013, p. 134) “implica o exame linha a linha dos dados para

identificar conceitos e concetualizar os padrões subjacentes”. Segundo Glaser (1978 como

citado em Streubert & Carpenter 2013) esta análise resulta em códigos teóricos que podem ser palavras ou frases tiradas diretamente dos dados.

É na codificação que, segundo Bardin (2008), se transformam os dados de forma a permitir a representação das características pertinentes do conteúdo, através de recorte e classificação/agregação. O segmento de conteúdo mínimo é a unidade de registo que segundo Bardin (2008, p. 130) é “a unidade de significação a codificar, e corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade de base, visando a categorização e a contagem frequencial. A s registo pode ser de natureza e de dimensões muito variáveis”. À medida que o investigador continua a rever os dados vai comparar com os outros dados e com os códigos que já desenvolveu. Os dados que apresentam facetas semelhantes do mesmo conceito são agrupados, segundo Streubert & Carpenter ( 2013, p. 134), pela técnica da comparação constante que “(…) permite ao investigador agrupar dados em categorias semelhantes e desenvolver temas ou conceitos (…)”.

Foram definidas como unidades de registo as expressões significativas das entrevistas, pelo que foi realizada uma análise temática. Na interpretação dos dados é importante ter em consideração que as unidades de registo foram delimitadas com aspas (“) e que foram utilizadas reticências com parêntesis (…) para representar o corte da respetiva expressão. Por sua vez, o código (ED x) foi utilizado para identificar o questionário.

Após a definição das unidades de registo, procedeu-se à sua categorização (Anexo VI). Para Bardin (2008, p. 145) a categorização “é uma operação de classificação de elementos constitutivos, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o género (analogia), com os critérios previamente definidos”. Para Glaser (1992,1998 como citado em Streubert & Carpenter 2013, p. 136) “ a classificação capacita o investigador a desenvolver as hipóteses sobre os conceitos e ajuda a assegurar a parcimónia da teoria de fundo”.

Quando a principal preocupação do participante está clara e a teoria explica como essa preocupação é continuamente resolvida, atingiu-se a saturação teórica e o investigador pode escrever os resultados da investigação (Streubert & Carpenter, 2013, p. 136)(Anexo VIII).

7. Considerações éticas

De forma a cumprir todas as orientações éticas dos trabalhos de investigação foi pedida autorização ao Conselho de Administração e Comissão de Ética do hospital privado para a realização deste estudo, os o qual emitiu parecer favorável (Anexo IX).

Todos os instrumentos utilizados nesta fase do estudo obtiveram autorização dos respetivos autores (Anexo X).

Salienta-se o caráter voluntário da participação, tendo sido assinada declaração de consentimento livre e informado por cada participante (Anexo XI), pois o consentimento esclarecido significa que “o sujeito obteve a informação essencial, que conhece bem o conteúdo e que compreendeu bem a natureza do consentimento voluntário que dá” (Fortin, 2009, p. 121).

Foi dada sempre a oportunidade aos participantes de desistirem do estudo se esse fosse o seu desejo, o que nunca se verificou. Foi explicado a todos os participantes o objetivo do estudo, pelo que lhes foi fornecido um documento informativo (Anexo XII).

Foram acompanhados seis doentes ao longo do período de follow-up preconizado pela instituição, foi dada sempre resposta às necessidades dos doentes, sendo necessário, em alguns, a intervenção de profissionais mais adequados, tendo em conta o princípio da beneficência e da não maleficência.

Foi também explicado aos doentes, desde o início, que terminados os três meses de seguimento a investigador sairia de campo.

Nesta fase do estudo não foi possível a garantia do anonimato pela necessidade de articulação com os diferentes membros da equipa multidisciplinar, tendo em vista a garantia da qualidade dos cuidados. Face a isto, pode-se estar perante o chamado “princípio de duplo efeito”, através do qual é legítimo realizar ações do qual resulta um efeito bom (pretendido), a qualidade dos cuidados e, outro mau (tolerado), a não garantia do anonimato (Archer,

É importante salientar que a atuação do investigador principal decorreu enquanto enfermeira do contexto do estudo, pelo que o dever de sigilo está inerente ao exercício profissional dos enfermeiros, mas também é devida a partilha de informação com os profissionais inerentes ao cuidado da pessoa e família, tendo em vista a melhoria da qualidade da assistência e a continuidade dos cuidados.

8. Resultados

O modelo de acompanhamento foi elaborado tendo em conta a primeira parte do estudo

avaliação da QdVRS que permitiu identificar as dimensões da QdVRS que sofreram alterações ao longo dos quatro momentos de avaliação. Estas dimensões foram consideradas como vulnerabilidades dos doentes com cancro da próstata.

Foi desenhado um guião que permitiu mais facilmente acompanhar cada doente. Cada momento do guião corresponde às consultas de enfermagem. Cada momento é acompanhado por um quadro onde se encontram identificadas as atividades diagnósticas/vigilâncias e as respetivas intervenções de enfermagem.

O desenvolvimento deste guião (Anexo XIII) como já se referiu anteriormente, teve por base as dimensões com vulnerabilidade passíveis da intervenção da equipa de enfermagem, e foi utilizada a classificação internacional para a prática de enfermagem (2015) para determinar os focos e as intervenções de enfermagem.