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Relation entre flexion du basicrâne, orientation et morphologie de la face

E.3 Application des méthodes de confirmation

E.3.1 Relation entre la face et le basicrâne

E.3.1.2 Relation entre flexion du basicrâne, orientation et morphologie de la face

O período compreendido entre 1959 e 1975 foi administrado pela Dra. Ivanilda Bruno Osório, formada em Enfermagem pela Escola São Vicente de Paulo e pós-graduada em Administração e Pedagogia Aplicada a Enfermagem. Aposentou-se pela Universidade Federal do Ceará no ano de 1984, sendo readmitida pela SAMEAC nesse mesmo ano, onde permaneceu até 1992.

FIGURA 1 - Dra. Ivanilda Bruno Osório durante o XXXII Congresso Brasileiro de Enfermagem.

Fonte: (OSÓRIO, 2007, p.110) Entrevista concedida em 22/10/2011

Era 1959, e o Hospital das Clínicas iniciava as suas atividades de tratamento aos pacientes que procuravam os serviços ambulatoriais e que muitas vezes resultavam em internação. Profissionais de enfermagem são convidados a participar deste processo.

Três enfermeiras foram convidadas para trabalhar no Hospital, porém não haviam recursos para pagarem seus salários, então os diretores retiravam da verba da construção para pagá-las.

Situação como esta, traz a lembrança o tempo do Brasil Império, entre 1822 e 1889 onde o Imperador tinha o poder para delegar o desempenho de funções públicas. O exercício de cargos

existia apenas sob a modalidade “em confiança”. Sendo assim, caberia apenas ao Imperador admitir

ou exonerar funcionários públicos de acordo com sua conveniência. Em 1934, após a Revolução Constitucionalista que levou Getúlio Vargas a realizar o Golpe do Estado Novo, a Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil foi novamente promulgada. Seu artigo 170, 2°, estabelecia o processo imparcial para a nomeação de funcionários públicos. Neste momento surgiu o concurso público no ordenamento jurídico brasileiro. Em 1967, a sexta Constituição do Brasil, elaborada por

Ivanilda Osório

juristas “de confiança” do regime militar, validou a obrigatoriedade do concurso público para o

ingresso em todos os cargos, exceto para os cargos em comissão (cargos de confiança) – norma mantida pela atual Constituição. (MELLO, 1990).

É constatado entre a década de 30 até a de 60, certa inércia do ponto de vista da gestão pública. Movimentos importantes ocorreram no campo econômico, por exemplo, o período de Juscelino Kubitschek, mas para o estudo da gestão pública não houve novidades. (PIMENTA,1998, p. 184).

Os profissionais precisavam ser pagos, receber os seus sálarios, porém, não havia dinheiro do governo direcionado para este fim. Foi então necessário distribuir parte da verba destinada a construção, para remunerar os profissionais, já que o novo hospital para funcionar adequadamente, dependeria da atuação dos mesmos.

O diretor do Hospital era o Dr. Waldemar de Alcântara. As equipes foram se formando, à medida que os serviços eram implantados. Os primeiros foram, Histologia e Dermatologia. Nasceu o Isolamento, que passou a ser unidade de doenças infecto contagiosas, e o bloco do ambulatório geral. As enfermeiras eram dependentes dos médicos.

Foi construído um centro cirurgico e enfermarias de cirurgia adulta e de pediatria. Cada médico assumia uma enfermaria, por exemplo, a de clinica cirurgica era do dr. Haroldo e Paulo Machado. Mais tarde disciplinas que funcionavam na Santa Casa, vieram para o Hospital, novos professores, novos médicos para operar.

Com o crescimento dos serviços prestados, além do aumento de alunos de medicina chegando, a equipe de enfermagem também foi aumentando e, consequentemente, a necessidade da administração dos cuidados aos pacientes.

Fui a primeira pessoa a ser admitida, primeira a implantar o serviço. Havia uma sala de reuniões e a enfermagem participava semanalmente. Eu me posicionava, aguentava muito (pausa). Os diretores eram médicos, nunca a enfermagem. E tinha uma administradora que ajudava os médicos, não era da enfermagem, mas supervisionava o serviço de todos e passava para os diretores (pausa). Havia certa consideração, mas primeiro a pessoa tinha que ter coragem para enfrentar. Eles queriam mandar em tudo (pausa), mas a enfermagem mostrava (pausa) e eles não conseguiam, e quando eu escolhia as chefias, pegava as mais determinadas, mas sabe (levanta as sombrancelha ) neste meio existem as que dizem amém a todo mundo.

Os médicos pediam cafezinho, e eu os mandava irem até a copa que era mais adiante, mas tinha as que os serviam. Os equipamentos quebravam, e no outro dia não estava pronto. Suspendia a cirurgia. O pessoal da manutenção não assumia e quem pagava era a enfermagem (levanta as sombrancelhas).

A enfermeira por mais de uma vez fala sobre dependência da enfermagem à profissionais de outras áreas, e sobre a necessidade de posicionamento, isto nos remete a própria história da profissão.

Do período colonial até a Proclamação da República, a Igreja católica constituía-se numa instituição incorporada ao Estado e dentre outras coisas, mantinha o monopólio do cuidado aos doentes e da administração dos hospitais, principalmente nas Santas Casas de Misericórdia, as quais enunciavam um discurso de cunho religioso-caritativo. Porém, a classe médica insatisfeita com esta situação, procurou apoio no movimento positivista, no que foi bem sucedida. Tanto que, a Igreja perdeu espaço no campo da saúde em virtude do médico assumir, sobretudo, cargos de direção e a prerrogativa de ser o responsável pela admissão e alta dos pacientes. (MAINWARING, 1989)

Em meados do século XVIII, os religiosos detinham o poder institucional, porém, no momento em que o hospital é concebido como um instrumento de cura e a distribuição do espaço torna-se um instrumento terapêutico, o médico passa a ser o principal responsável pela organização hospitalar e confia aos religiosos um papel determinado, mas subordinado. Em seguida, surge o profissional enfermeiro e o hospital com uma característica disciplinada, permitindo ao médico curar os doentes e controlar o cotidiano dos demais profissionais, além de determinar o tipo de comportamento esperado no espaço hospitalar. (PADILHA, 1997).

A assistência de enfermagem se resumia em dar o remédio na hora certa, cuidar do asseio, dar alimentação, fazer companhia e auxiliar o paciente na ocasião das necessidades e de um possível banho, limpar o quarto, dar destino aos dejetos dos pacientes e cuidar dos mortos, além de ser subsidiada pelo trabalho e pensamento médico. (LUNARD, 2004).

Além disto, pode ser lembrada a questão de ser a enfermagem uma profissão de mulheres em uma sociedade dominada pelos homens.

A história mostra que por vezes, enfermagem e medicina seguiram paralelas no desenvolvimento histórico e que a enfermagem esteve caracterizada dentro de um quadro de dependência/submissão, e que elementos de ordem social, política e institucional levaram esta

profissão a uma prática submissa. Na década de 60, iniciou-se uma grande busca no sentido de elaborar modelos conceituais e teorias de enfermagem, com o objetivo de descrever e caracterizar os componentes dos fenômenos que lhe são pertinentes, e cuja finalidade é explicar, elucidar e interpretar, ou seja, dizer o significado e o porquê dos fatos e suas relações. (GEOVANI, 2002).

A enfermeira Ivanilda, vivenciando a década de 60, onde a enfermagem buscava uma prática com bases científicas, no seu dia à dia, e sendo a sua preocupação o cuidar do paciente com qualidade, obedecia aos seus propósitos profissionais, consciente do seu dever. Não se via na condição de precisar ser submissa a profissionais de outras áreas e viver uma enfermagem sem autonomia no pensar e fazer.

Quando cheguei fui chefe só da cirurgia, não estava preocupada com o salário, mas fui orientada por uma colega para ganhar mais (pausa). Disse que iria me debruçar sobre este trabalho, número de auxiliares e número de enfermeiras.

Não é difícil perceber, pelas palavras da enfermeira que já acreditava ser obrigação pessoal contribuir para o crescimento e a renovação dos conhecimentos de sua área. Se fosse para ganhar mais, então deveria melhorar a qualidade do seu serviço.

A Dra. Ivanilda, teve sua formação profissional na Escola São Vicente de Paulo, a primeira escola de enfermagem em Fortaleza, sendo esta, uma instituição religiosa, regida por conceitos éticos e morais, rígidos, e assim pode-se compreender porque a enfermeira apresentava um perfil sério e comprometido com o trabalho e com o grupo que estava sob sua liderança .

Existia uma descentralização, cada especialidade é como se fosse um hospital. Cada uma tinha uma lavanderia, uma farmácia. Só a parte burocrática, da administração dos funcionários era centralizada (pausa) para admitir era do Hospital. Depois veio a Sala de Recuperação (SR) com dois leitos. As enfermarias foram sendo inauguradas aos poucos. A SR ficou pequena. Depois vieram os professores da clínica médica, da Santa Casa. Paulo Machado resolveu centralizar lavanderia, farmácia. Ficou melhor.

FIGURA 2 – Atendimento de enfermagem, nas clínicas médicas, em 1959.

Fonte: Arquivo do Setor de Recursos Humanos do Hospital Universitário Walter Cantídio.

O salário não era tão baixo, mas não havia segurança. Aí veio uma lei que enquadrou todos os funcionários e se tornaram federais.

A chefia de enfermagem estava mais estruturada. Pois no começo era dividida entre bloco cirúrgico e bloco das clínicas médicas, este tinha outra chefe, que era Eneida Rocha. Depois foi chefe geral, todos gostavam dela, acho que chegou até a divisão de enfermagem. Viajava muito e as colegas ficavam interinamente, inclusive eu, ficava com tudo.

Aqui fica clara a divisão administrativa da enfermagem. Inicialmente a administração era por blocos, não havia uma diretora geral. A Dra. Ivanilda ficava com o bloco cirurgico e a Dra. Eneida no bloco das clínicas médicas. Quando a Dra. Eneida viajava, uma das enfermeiras a substituía. Em 1975, a Dra. Eneida Rocha assumiu todo a administração de enfermagem do hospital através de designação por Portaria da UFC.

No começo não havia programa de treinamento para os auxiliares, tinha que organizar a Unidade, mas fazia informalmente, por exemplo, as tricotomias erradas (pausa) esperava o plantão e falava sobre isto. Também nos reuníamos em uma sala e conversávamos sobre as reclamações dos cirurgiões. Já leu o capítulo do meu livro, “Sua majestade – o doutor cirurgião”

Valeu-me muito. As compressas que o cirurgião gastou muito”.

A Dra. Ivanilda faz menção ao seu livro Memórias de uma Enfermeira, onde conta a história de sua vida, e o capítulo mencionado narra um evento interessante: A enfermagem da sala cirúrgica avisou ao cirurgião, durante o procedimento, que estava faltando três compressas cirúrgicas. O mesmo mandou chamar a enfermeira e disse que ensinasse as suas auxiliares a contar. Ela que confiava em sua equipe, informou-lhe que iria registrar no prontuário do paciente. O cirurgião resolveu abrir o peritonio do paciente, e lá estavam as três compressas. (OSÓRIO, 2007).

A enfermeira, com criatividade e dedicação ao hospital e ao serviço de enfermagem, desenvolveu embalagens para manter esterilizado alguns materiais, dando segurança aos procedimentos. Desenvolveu ainda alguns produtos para trazer conforto ao paciente.

FIGURA 3 - Envelope de tecido para luvas

Fonte: (OSÓRIO, 2007, p.38)

As luvas naquela época, após o uso, eram lavadas, depois de secas, entalcadas e esterilizadas em estufas. Eram reprocessadas, enquanto permaneciam intactas. Esta criação tornou-se uma tecnologia inovadora.

FIGURA 4 – Colchão Perfurado

Fonte: (OSÓRIO, 2007, p.96).

Este colchão tinha como finalidade proporcionar ao paciente submetido à cirurgia de abaixamento endonal uma posição confortável no leito. Esta cirurgia exteriorizava uma parte do intestino grosso através do ânus.

FIGURA 5 - Sacos de papel para coletar os detritos e o pó do colchão, que eram removidos com auxilio de uma escova.

FIGURA 6 - Saco para descarte de cascos de ampolas, bolas de algodão, serrinhas e outros.

Fonte: (OSÓRIO, 2007, p.37) .

Fiz um curso de administração em São Paulo, fui enviada pelos médicos e havia uma ligação com a escola de lá. Fiz também um Curso de pedagogia Aplicada á Enfermagem e foi quando criei o Serviço de Educação Continuada (pausa) Os cursos que fiz me deu base.

Nesta época, o curso de administração no país estava sendo estruturado, e muitos estudantes e até os profissionais quando se formavam eram enviados para outros centros, como os Estados Unidos, para se aperfeiçoarem e até para defenderem suas teses. Pode-se pensar que a estratégia de enviar profissionais enfermeiras para capacitações e aperfeiçoamentos estaria relacionada com este modêlo.

Fazia as escalas de serviço. Havia rodizio nas clínicas cirúrgicas.

A distribuição do pessoal de enfermagem é tarefa complexa, dispende tempo e conhecimento sobre os funcionários, suas necessidades, características, dinâmica da Unidade e leis trabalhistas. Deve ser desenvolvida racionalmente para assegurar a assistência de enfermagem com qualidade. O tempo passou. Atualmente esta atribuição é da enfermeira chefe de cada unidade. Na época da Dra. Ivanilda, a gestora maior era a responsável de confeccionar as escalas, atribuição praticamente impossível nos dias atuais, tendo em vista a enfermagem do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará ( HUWC e MEAC), ser composta por mais de mil servidores.

Os funcionários são distribuidos nos turnos da manhã, tarde e noite durante o mês, contanto que todos trabalhem igualmente dentro de uma carga horária determinada. O modelo deve ser seguido, registrando nome do funcionário, códigos para identificar folgas, carga horária, e etc. Esta função deve ser também exercida de forma racional para assegurar que a assistência de enfermagem seja prestada da melhor maneira possível.

Para garantir um número satisfatório de funcionários durante 24 horas por dia, as folgas devem ser planejadas. Freqüentemente, a enfermeira-chefe é a responsável pela elaboração da escala mensal, podendo esta função ser delegada a outra pessoa da equipe. Porém, a enfermeira- chefe deverá supervisionar a elaboração da escala.