3.3 La communauté d’apprentissage
3.3.10 Dynamiques
3.3.10.1 La relation dialogique au cœur de la construction des savoirs
O desenvolvimento da profissionalização dos professores implica processo de racionalização de conhecimentos colocados em prática por meio de planejamento direcionado a determinado contexto social e econômico, porém não se restringe ao espaço da sala de aula; a profissionalização envolve disponibilidade, participação social e comprometimento com a promoção do aluno como cidadão e da universidade, como instituição com função social definida. Uma característica da profissionalização dos professores é a sua capacidade de reflexão e questionamento das práticas, assim como a autonomia para tomar decisões relativas às metodologias para a construção do conhecimento e o envolvimento com questões administrativas e de gestão da instituição.
Diante dos desafios enfrentados pelos cidadãos em nossa sociedade pautada por mudanças e transformações rápidas de toda a ordem, inclusive dos sistemas educacionais, é necessário que a profissionalização e o papel do professor também acompanhem este
processo. Para isto, uma das prioridades é que o professor passe do status de executante para o status de profissional33.
Neste sentido, o desenvolvimento da profissionalização do professor envolve capacidades de agir em situações complexas; refletir e optar por estratégias adequadas aos objetivos e à ética e analisar criticamente suas próprias ações e os resultados destas ações, além de aprender ao longo de toda a carreira por meio da auto-avaliação permanente e constante. Esta visão nos faz entender que a profissionalização do professor não se resume em aquisição de conhecimentos específicos e científicos, assim como uma lista ou outra que se possa elaborar sobre competências de um professor, não seria suficientes para explicar toda a função profissional dos professores, em processo de interação com alunos e comunidade em contextos diversos de numa sociedade multicultural como a atual. No entanto, convém ter presente, embora apenas como referência, algumas capacidades ou habilidades, para que se compreenda que o desenvolvimento da profissionalização dos professores não se efetiva somente pelo domínio de conhecimentos específicos de sua área de formação34, mas inclusive por outros esquemas relativos à análise das situações na diversidade, planejamento e avaliação e a decisão para fazer uso dos conhecimentos que possui, assim como assumir postura adequada a um educador e ter consciência de seu papel na educação e respeito ao outro, dominando suas emoções quando necessário e assumir atitude de colaboração e abertura a novos saberes e construções.
A concepção de profissional e de exemplos de profissionalismo, assim como o processo de profissionalização está, atualmente, vinculado à questão ética dos objetivos e estratégias educativas. Neste caso, a aplicação de regras e de técnicas dá lugar a construção individual a partir de conhecimentos adquiridos, mas construídos na própria situação, de forma independente e autônoma. Desta maneira, um professor profissional é um indivíduo autônomo com conhecimentos, habilidades e competências adquiridos e validados academicamente e também com conhecimentos adquiridos pela experiência como escreve Tardif (1999).
33 Conforme Perrenoud, Paguay, Altet e Charlier (2001), o professor profissional é considerado um prático que adquiriu pelo estudo e pela experiência a autonomia para organizar situações de ensino e ações intelectuais, com vistas aos objetivos propostos, considerada a complexidade da função e especificidade da realidade.
34 Conhecimentos científicos e culturais aprendidos e ensinados, conhecimentos relativos à metodologia e aos procedimentos didáticos.
48 Contudo, sendo estes conhecimentos construídos pela prática em contextos singulares e diversificados, quase únicos, colaboram para a construção da autonomia profissional, especialmente quando o professor é capaz de relatá-los e explicitá-los a outrem, ou seja, consiste no processo de desenvolvimento da profissionalização. Portanto, o processo de racionalização dos conhecimentos, quando resulta em práticas bem sucedidas e eficientes, colabora para o desenvolvimento da profissionalização, sendo o professor capaz de agir em situações diversificadas pelo uso de suas habilidades, competências e autonomia. Assim, o professor torna-se capaz de refletir e assumir riscos de uma situação de ensino, assim como conviver com a demanda e a complexidade do contexto nunca igual, relatar e justificar suas ações e práticas. Por isto, diz-se que uma das características da profissionalização do professor é responsabilidade e autonomia.
Pode-se dizer que uma das características da profissionalização é a capacidade do professor de articular o processo de ensino-aprendizagem em diversas situações de ensino. Sendo o ensino um processo intencional e interpessoal, é função do professor como agente do ensino proporcionar condições para que se efetive seu processo de aprendizagem. Neste sentido, pelo diálogo e pela comunicação, o professor, em sua profissionalização é capaz de fazer as intervenções necessárias em cada situação de ensino, definindo metodologia e controlando o processo de forma responsável. É o que coloca Altet (1994), quando escreve que uma das dificuldades do processo de ensinar é justamente por tratar-se de um processo que envolve relações e interações entre pessoas com saberes diferentes (FREIRE, 1994), podendo ser as informações previstas muitas vezes alteradas pela reação dos alunos e das vivências variadas que se apresentam e perpassam as relações com pessoas e com o meio.
Neste sentido, é o que escreve Tardif (1992) quando trata do ensino enquanto um processo interativo que pela sua especificidade não convém tratá-lo como uma transmissão de conteúdos, mas como um processo dinâmico, que envolve professor, aluno, conhecimentos e todas as evoluções e mudanças dos agentes envolvidos e do contexto. Sendo, portanto, quase impossível fazer uma previsão exata e sem riscos das situações, diante da incerteza do que poderá acontecer a partir da diversidade das vidas e da trajetória de cada um. Importa que seja o professor capaz de tomar decisões diante do imprevisto, analisá-lo, refletir e justificar os procedimentos e metodologia.
Embora termos como aperfeiçoamento, formação contínua, reciclagem e desenvolvimento profissional por vezes se confundam, neste estudo de tese, a concepção
adotada é de professor como um profissional do ensino exercido com autonomia, orientado para a mudança, aberto a novos saberes, com valorização do contexto e das particularidades do trabalho, conforme escreve Marcelo Garcia (1999).
Neste sentido, importa que o professor tenha conhecimento sobre o desenvolvimento organizacional do ambiente onde exerce seu trabalho, como a política que o fundamenta, a cultura, as metas e limitações da comunidade acadêmica, estrutura e gestão; que tenha conhecimentos relacionados ao ensino, como a estrutura da academia, as relações ali estabelecidas, a organização do trabalho pedagógico, como objetivos, procedimentos e avaliação e a estrutura do conhecimento propriamente dito, assumindo atitude de reflexão na ação e sobre a ação, conforme Schön (1992). Ainda esclareço que neste estudo, o significado de profissionalização de professores liga-se a concepções de autonomia e ética na elaboração de estratégias e organização do trabalho didático pelo próprio agente do processo, a partir de uma base de conhecimentos científicos e racionais. Pois, o que constitui a profissionalização são conhecimentos racionalizados, boas práticas adequadas à diversificadas situações.
A opção pelo termo desenvolvimento profissional dos professores deriva da concepção de professor como um profissional com autonomia sobre seu trabalho capaz de interagir em diferentes contextos assumindo atitude de abertura a novos saberes e detentor de postura crítica e reflexiva. Assim também o termo desenvolvimento apresenta-se como evolução e continuidade de formação ao longo da carreira, contrariando a idéia de tradicional do aperfeiçoamento ou reciclagem35 na profissão seja algo justaposto a formação inicial ou ao curso de graduação, mas um processo embasado na valorização das aprendizagens em contexto, de caráter organizacional na direção da mudança e da transformação social. Portanto, o desenvolvimento da profissionalização dos professores constitui-se em processo coletivo, envolvendo todo o contexto e todas as pessoas ou comunidade da academia, enquanto universidade. É algo que não afeta apenas o professor, mas todos aqueles que de uma forma ou de outra assumem responsabilidade pelo aperfeiçoamento e melhoria da educação superior36, uma vez que, o desenvolvimento profissional acontece e se faz notar no
35 Reciclagem definida como um dos aspectos do aperfeiçoamento constituído por treinos intensivos, em geral, quando se constata a falta de qualificação para determinada atividade, ou, lacuna na qualificação dos professores (Marcelo García, 1999).
36 Educação superior ou ensino superior são termos semelhantes no sentido de que ambos estão sendo usados para designar o ensino desenvolvido a nível do antes denominado terceiro grau oferecido por faculdades e universidades. Observa-se, porém, que a Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional (1996), quando classifica em níveis a educação brasileira, a denomina de Educação Superior.
50 contexto em que trabalham os professores. Poderia dizer também que o desenvolvimento da profissionalização dos professores caracteriza-se pela permanente busca de respostas às questões da ciência e do conhecimento; pela atitude de pesquisa e investigação, significando iniciativas próprias ou em grupo de transformar a prática, tendo em vista a melhoria do trabalho, o sucesso dos alunos e seu próprio. Aliás, em se tratando de ensino e aprendizagem ou mesmo educação não se pode tratar o sucesso dos alunos ou da universidade independente do sucesso dos professores, pois eles estão articulados e imbricados na práxis.
Considero, concordando com Marcelo García (1999), que algumas dimensões se fazem presentes ou podem nos dar a direção para a discussão do desenvolvimento da profissionalização, como: conhecimento pedagógico, significando atuação e aperfeiçoamento do ensino; conhecimento e compreensão de si mesmo, significando a imagem de si próprio; desenvolvimento cognitivo significando desenvolvimento de construção de conhecimentos metodologias; desenvolvimento teórico como a capacidade de reflexão sobre sua prática. Sob estas relações é que defendo a importância de se estudar a profissionalização dos professores universitários em articulação com a epistemologia da formação, envolvendo os aspectos do desenvolvimento da universidade, o ensino que os professores desenvolvem e da sua capacidade de inovação e mudança tanto dos professores como da instituição que constroem.
Parto, pois do pressuposto que assim como a universidade colabora na formação e na profissionalização de seus professores, os professores também fazem a instituição que idealizam a partir de suas concepções, vivências, sucessos alcançados, experiências e trocas de saberes nos mais diversos âmbitos de suas vidas. Nesta visão, importa que as Instituições de Ensino Superior constituam-se em espaços de participação, com professores criativos, inovadores e investigadores a partir de suas classes e turmas de alunos; que tenham atitudes de colaboração com colegas e alunos e que estes alunos formem-se como cidadãos autônomos e críticos a exemplo de seus professores. Porém, concebo que todas estas proposições passam pela postura e prática de professores comprometidos com os valores e com a política filosófica da Universidade e da sociedade onde estão inseridos. Diria que os caminhos da universidade e os caminhos dos professores em sua profissionalização entrecruzam-se na busca do sucesso pessoal, social e profissional e institucional: “formação e mudança devem ser pensadas em conjunto” (ESCUDERO, 1992, p.57). Isto implica postura de coletividade e colaboração superando práticas individualistas.
Para isto, torna-se relevante prestar atenção nas questões de organização da instituição e de seu organograma no sentido de assumir com seriedade as relações de interação entre a universidade e a profissionalização dos professores, entendendo a universidade como um local de base para a qualidade do ensino, a qual poderá facilitar ou não os avanços. Comprometer-se com o desenvolvimento profissional dos professores significa mais do que atribuir obrigações ou atribuições aos professores, mas implica também dinâmica de organização, concepções de autoridade e participação; normas para incentivar as relações pessoais de colaboração e comprometimento; a comunicação entre as pessoas que ali trabalham; definição de papéis sociais e responsabilidades.
Entre as iniciativas institucionais adequadas ao desenvolvimento da profissionalização a sugestão incidiria, entre outras, na criação de lideranças internas que impulsionem a inovação e a mudança por parte de todos os setores da instituição; a criação de uma cultura de coletividade e colaboração entre todos; gestão democrática que incentive decisões por parte dos professores para que desenvolvam autonomia sobre o processo de ensino, organizando currículo, elaborando planos de ensino, refletindo e conduzindo a aprendizagem, e responsabilidade sobre o destino da instituição, participando da elaboração de projetos pedagógicos e de auto-avaliação institucional e de professores, pois conforme Gimeno Sacristán (2000): “o desenvolvimento profissional dos professores está até certo ponto prefigurada na política curricular” quando colaborou na tentativa de formar um novo modelo de profissional da educação analisando os processos mentais do professor no momento que planeja e faz a intervenção pedagógica e continua trabalhando na modernização da escola pela via da organização curricular. E diz mais: “estudos academicistas e construções teóricas, que não incorporem o contexto real no qual se configuram e desenvolvem, levam à incompreensão da própria realidade que se quer formar” (GIMENO SACRISTÁN, 2000, p. 107).
A partir da idéia de que o ensino é uma atividade prática, devendo ser concebido como tal e, portanto, envolvido por uma dimensão ética, o desenvolvimento profissional dos professores deve ser concebido como processo e como um conjunto de instrumentos que conduzem o professor a reflexão sobre sua prática contribuindo para que os professores produzam conhecimento e aprendam com suas próprias experiências. Logo, é possível que se analise as práticas imbricadas no desenvolvimento profissional por meio do estudo de suas biografias, autobiografias e entrevistas narrativas sobre si e sobre suas práticas. Isto significa
52 considerar o professor pessoa, o sujeito que aprende. Neste sentido, a reflexão consiste em importante estratégia para a formação e profissionalização por meio de alguns mecanismos que proporcionem o questionamento, análise e avaliação de suas práticas docentes, e possa desenvolver autoconsciência pessoal e profissional. Nesta linha de investigação, são importantes os estudos de Shulman (1992); Marcelo Garcia (1991); Schön (1991) e com entrevistas-narrativas Conelly e Clandinin (1990) para investigar as experiências dos próprios professores no mundo.
Quanto a formação e profissionalização do professor universitário poderia se pensar em programas para a iniciação na profissão da docência, principalmente para aqueles que além das atividades docentes e de investigação como aprendizes que devem também tomar conhecimento de toda a cultura e organização da instituição universitária, que nada mais é que uma organização humana com normas, cultura e rituais e hábitos localizados no espaço e no tempo.
Penso que o que caracteriza um professor bem sucedido considerando o desenvolvimento da profissionalização é a sua capacidade de refletir na ação e sobre sua ação e adaptar-se, com capacidade de domínio em situações novas. A sua capacidade de adaptação a situações novas, sua experiência, com capacidade de responder a demanda e a complexidade dos problemas, explicitar teoricamente sua prática e fundamentá-la.