3.3 La communauté d’apprentissage
3.3.10 Dynamiques
3.3.10.2 La communication au cœur de la co-construction
relevante de reflexão e ainda um desafio acadêmico, pois apesar da considerável literatura, a subjetividade da questão e a especificidade e singularidade das sociedades, especialmente nos países em desenvolvimento como o Brasil, questões como o multiculturalismo e a desigualdade social precisam ser encaradas com seriedade e trabalhadas pelas instituições educativas em todos os níveis da educação.
No Brasil, especialmente a partir da década de setenta, a escola passou a ser alvo de muitas críticas em relação ao papel da reprodução da estrutura de classes, época também em que se iniciaram estudos sobre a prática docente e a escola como um todo, haja vista o
aumento dos índices de exclusão escolar e social. A escola passa neste momento histórico, a ser estudada nos seus aspectos e fatores internos, como a prática pedagógica dos professores e os mecanismos que a permeiam.
Como referência histórica, para lembrar que o tema já vem sendo discutido, destaca- se os estudos de Mello (1982), que coloca a competência técnica do professor como um meio de concretizar a dimensão política da educação escolar. Além do conhecimento dos conteúdos, a competência técnica do professor implica também compreender as relações que acontecem no interior das instituições, e perceber-se sujeito da organização do trabalho pedagógico para vislumbrar as conseqüências sociais de sua prática.
Em Libâneo (2000) encontramos duas linhas para analisar as propostas que circulam no meio educativo: os estudos que analisam externamente a escola e o ensino; e os estudos de natureza pedagógica ou estrutural, que analisam a escola pelo viés da psicologia em seus aspectos internos. Como uma terceira proposta, conforme o autor, estaria presente a análise dos fatores externos à escola e sua relação aos aspectos ou ações internas, a exemplo do processo de ensino.
Inicialmente, os estudos voltavam-se para a verificação das falhas do processo de ensino, no intuito de proporcionar alternativas à formação do professor, como o responsável pelo fracasso do processo de aprendizagem. Em paralelo surgem movimentos no meio acadêmico, para formação de professores segundo as novas características econômicas e sociais que emergem na atualidade: “praticamente todas as reformas educativas dos anos 80 em vários países destacam medidas relacionadas com a formação e profissionalização dos professores para ao atendimento de novas exigências geradas pela reorganização da produção” (LIBÂNEO, 2000, p. 83). Considera-se necessário que o professor constitua-se como um profissional que pense a sua própria prática e a relacione ao contexto e conceba o conhecimento com historicamente construído.
As relações sociais, que se estabelecem no interior da escola, são vistas como meios ou determinantes do processo de ensino/aprendizagem e formação do aluno. “Ressaltando práticas de convivência entre professores e alunos, especialmente entre os próprios alunos e a atenção aos problemas sociais que se passam fora da escola” (LIBÂNEO, 2000, p.24). A forma de relacionar-se dentro da escola e assumir postura democrática, consciente dos problemas sociais como a desigualdade e a exclusão social, poderão desenvolver ou propiciar a criação de situações facilitadoras do processo de conhecimento. Processo de conhecimento,
54 neste caso, não necessariamente vinculado a conhecimentos formais ou conteúdos ou aqueles que a humanidade acumulou e validou, mas, sobretudo, os conhecimentos organizados a partir de critérios que priorizam referências e fatores sociais ou culturais.
Desta forma, a atenção das investigações volta-se para a relação entre currículo, estrutura de classes, cultura e poder e para as discussões sobre contribuições do currículo, se para a reprodução das desigualdades sociais ou libertação de grupos e classes oprimidas.
Libâneo (2000, p.25) afirma que: “o currículo nesse sentido, não tem a ver com a organização de matérias, mas a um terreno de luta e contestação”. O currículo, nesse caso, não é visto como transmissão de cultura por meio de matérias ou disciplinas na continuidade social e cultural, mas como processo de produção política de cultura, partindo da idéia de que cada grupo social ou classe tem saberes expressos na maneira de agir, sentir e de conceber o mundo.
Para McLaren (1977), o imperialismo cultural é o domínio ou poder exercido pelo grupo cultural dominante quando este tenta universalizar experiências e costumes por meio de normatização, vendo as diferenças de outros grupos como carências. É necessário o cuidado dos professores em analisar como os conteúdos e as práticas de sala de aula poderão beneficiar ou excluir determinados grupos. Quanto aos saberes e práticas dos professores, entende-se que é o próprio professor que os elabora e os refaz a partir de suas reflexões, desfraldando assim um processo de autoformação e aprendizado permanentes. Para isto, é necessário que o professor compreenda, entre outros aspectos, a origem e o processo de conhecimento do aluno.
Ao considerarmos, pois, o processo de profissionalização como construção permanente de saberes e práticas, é vital que o professor reconheça a importância dos conhecimentos das diferentes culturas: dos componentes curriculares, dos alunos e seus contextos, da cultura escolar e da cultura específica da escola na qual o professor trabalha, dos fins e metas da educação, do currículo e de políticas públicas educacionais e suas relações com os contextos históricos culturais em que foram geradas, e também de teorias pedagógicas em suas diferentes fundamentações teóricas e suas possibilidades e contribuições, na compreensão de práticas pedagógicas em processos educacionais de natureza micro e macro.
Sendo assim, o professor apropria-se de conhecimentos, que lhe permitem conhecer- se, conhecer e compreender o mundo e as possibilidades para transformar a sociedade. Isso significa adquirir poder via conhecimentos para ser capaz de fazer sua própria história e
cultura. Ao apropriar-se criticamente dos conhecimentos, poderá o professor tornar-se livre para fazer escolhas e tomar decisões, refazendo sua história e transformando sua vida.
O humano da sociedade multicultural precisa ter capacidade para ouvir, dar atenção e respeitar todas as diferenças. Para isto será necessário reconstruir o saber da escola e a formação do educador, pois seus papéis e funções não são cristalizados. Não há um dono dos saberes ou os detentores dos saberes, há seres humanos em constante processo de ensino interagindo com criatividade para aprender no mundo e com o mundo.
Os professores precisam prestar-se ao entendimento e promover habilidades de convivência e a solidariedade em tempos de competitividade e agressões. A escola e, principalmente a universidade, precisam preparar o cidadão para participar de uma sociedade planetária e intercultural. Giroux (1988, p.8), ao considerar a escola como “uma esfera pública que mantém associação indissolúvel com as questões de poder e democracia”, analisa-a como função política e intelectual dos professores. Há, nessa visão, uma conexão escola, sociedade, poder e ensino. O professor é chamado a conceber seu próprio trabalho, a participar da vida da escola, de sua organização e planejamento, a tomar decisões em conjunto com seus pares, assumindo sua função de intelectual transformador37
,possibilitando unidade entre concepção e
execução, criatividade e imaginação pessoal. Conforme Mizukami: (1996,p.63) :
Professores geram quadros referenciais ao longo de suas interações com pessoas e com aspectos das instituições nas quais trabalham, de forma que as novas concepções resultantes não são nem inteiramente determinadas pelo contexto nem inteiramente escolhidas por eles (MIZUKAMI, 1996, p.63).
Ao reelaborar referenciais, o docente ressignifica teorias, constrói sínteses e
conhecimentos, transformando a própria prática a partir de valores e crenças que foram sendo construídas e incorporadas ao seu fazer docente, muitas vezes validadas pela experiência.
37 Intelectual transformador é expressão usada por Giroux (1988) para designar o profissional capaz de inserir a educação e a escola na esfera política e colocá-la a serviço da luta, da reflexão e da crítica sobre as relações de poder, no intuito de vencer as injustiças, mudando a si, aos alunos e a sociedade.(p.32)
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2.4 - A PROFISSIONALIZAÇÃO E O FAZER-SE PROFESSOR: A ARTE DA