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A maior parte da investigação sobre preferência de parceiros envolve participantes, classificando uma lista de atributos para um só tipo de «outro» relacional, ou um namorado ou um cônjuge. Em poucos estudos, no entanto, as preferências foram examinadas para parceiros em dois ou mais tipos de relações românticas/sexuais.

A similitude de interesses nas actividades partilhadas e capacidades também facilita a escolha de parceiros (Clark e Drewry, 1985). Verifica- -se uma mudança com a idade: a similitude na idade, raça e origem étnico-cultural, atributos físicos e preferências de actividades diminui de intensidade (Furman e Berman, 1984; Ladd et al., 1997) enquanto que a similitude de gostos, interesses e atitudes se torna mais relevante.

Os adolescentes esperam apoio tangível, assistência material e instru- mental dos amigos (Bukowski e Hoza, 1989; Hartup, 1989). As crianças consideram níveis de partilha e ajuda entre amigos (Bukowski et al., 1999). Os adolescentes parecem mais dispostos a partilhar com os ami- gos do que com os não amigos (Jones e Dembo, 1989).

6.1. Importância dos atributos intrínsecos e externos

Parece que os atributos intrínsecos (honestidade, confiança, bondade) são relativamente mais importantes para o compromisso, relação a longo prazo, enquanto que os atributos externos (aparência física) são relativamente mais importantes para uma relação a curto prazo, sexual (e.g., Regan, 1998; Regan et al., 1998). Sprecher e Matts (1989) fazem a distinção entre três tipos de relações amorosas: parceiro marital (românticas/sexuais), parceiro de namoro e parceiro sexual casual. A maioria das características são consideradas como mais desejáveis (ou necessárias) para um namorado ou cônjuge do que para um parceiro sexual casual, com excepção da aparência física, que é considerada mais desejável num parceiro sexual casual.

Sprecher e Matts (1989) compararam também os três tipos de relações românticas/sexuais, no que diz respeito a dois outros atributos – paixão sexual e experiência sexual anterior. A maioria dos homens e das mulhe- res dizem ter relações sexuais casuais a fim de satisfazerem, de forma explícita, objectivos sexuais. Para ambos os géneros, os atributos rela- cionados com a sexualidade são mais desejáveis e necessários num par- ceiro sexual casual do que nos parceiros dos outros tipos de relações (Regan et al., 1998).

Os seus estudos fornecem uma perspectiva mais abrangente acerca das preferências de parceiros, ao explorar os atributos que os homens e as mulheres desejavam (e a importância por eles colocada nas suas prefe- rências) em cinco tipos de parceiros de relações: cônjuge, namorado, parceiro sexual casual, amigo do mesmo sexo e amigo do sexo oposto (Sprecher, 1999).

Russell et al., (1980) fizeram um estudo com estudantes universitários onde seleccionaram, a partir de uma lista extensa de características, as seis qualidades por eles preferidas num melhor amigo íntimo do mesmo sexo e as seis qualidades preferidas num parceiro amoroso do sexo oposto, chegando à conclusão que as características descobertas para os dois tipos de parceiros se sobrepunham de forma considerável para

ambos tanto nos homens como nas mulheres e incluíam atributos intrín- secos como «comunicativo», «aberto/honesto», «digno de confiança» e «sensível/caloroso».

A maioria das investigações acerca da preferência de parceiros pedia para identificar os traços ou características que os participantes prefe- riam num parceiro para um tipo específico de relação, tipicamente o casamento ou namoro. O enfoque tem sido limitado a relações român- ticas ou de natureza sexual.

Para todos estes tipos de relações, calor e bondade, expressividade e abertura e sentido de humor foram considerados como os atributos mais desejáveis que um parceiro possa ter. Os participantes deram muita importância a esses traços: sentiram que era muito importante ter um parceiro com o nível desejável de características.

Assim, as características associadas às interdependências intrínsecas (calor e bondade) eram mais desejáveis do que as características tradi- cionalmente classificadas como uma vantagem reprodutiva (atracção física, saúde) ou associadas a interdependências extrínsecas (Hatfield e Rapson, 1993). Estes resultados são consistentes com os de outros investigadores na área da selecção de parceiro amoroso (e.g., Hatfield e Sprecher, 1986; Regan, 1998) e demonstram também a importância de tais características intrínsecas para a selecção da amizade íntima com o amigo do mesmo sexo. Os atributos intrínsecos que reflectem uma capacidade e a motivação para dar apoio social e emocional – como calor e expressividade – podem ser fundamentais para o estabeleci- mento e a manutenção de todas as relações interpessoais.

Em relação às preferências pelo parceiro amoroso em relação ao amigo, ambos os sexos esperavam mais dos seus parceiros românticos e sexuais do que dos amigos. Os participantes preferiram que os seus namorados, cônjuges e parceiros sexuais casuais tivessem mais atribu- tos extrínsecos (aqueles ligados ao estatuto social e aparência física) do que os seus amigos do mesmo sexo e do sexo oposto. No entanto, os parceiros desejavam que os seus parceiros românticos/sexuais tivessem resultados mais altos nos traços e características intrínsecos (humor, expressividade, calor) do que os seus amigos. Isto mostra o valor dife- rencial colocado em relação aos dois tipos de intimidade na sociedade contemporânea.

Os laços do par romântico são assumidos como tendo a prioridade sobre todas as outras relações a dois possíveis, com a excepção para os laços

entre pais e filhos. Como resultado, as pessoas podem vir a esperar mais dos parceiros românticos do que dos amigos e preocuparem-se sobre se o parceiro romântico tem ou não os atributos desejáveis.

Os diferentes níveis de características de exclusividade das relações românticas em relação às amizades podem também explicar o padrão de preferência dos participantes. As pessoas podem ser menos exigen- tes em relação a características de um potencial amigo porque a norma das características de exclusividade das relações românticas não se aplica geralmente à amizade (Davis e Oathout, 1987). Como as normas sociais ditam que os indivíduos podem ter muitos amigos ao mesmo tempo mas só um parceiro romântico, as pessoas sentem-se menos preocupadas se um amigo em particular tem ou não o conjunto de traços ideais.

Os adolescentes de ambos os sexos dão importância às características intrínsecas como calor e bondade, expressividade e abertura e humor nos três tipos de parceiros (amigo, namorado e parceiro sexual casual). Os adolescentes avaliam o parceiro sexual casual como um potencial companheiro a longo prazo (Sprecher e Regan, 2002). Muitos adultos subscrevem a noção de que os encontros sexuais casuais podem evoluir para compromissos ou relações mais românticas (Regan e Dreyer, 1999). Nas relações de intimidade os adolescentes preferem níveis mais altos de atracção física e experiência sexual anterior num parceiro sexual casual do que no namorado (Sprecher, 1999). Este resultado está de acordo com investigação sobre a selecção de um companheiro, o que sugere que os parceiros sexuais casuais são avaliados primeiramente nas dimensões relacionadas com a aparência externa e sexualidade (Regan et al., 1998). Os adolescentes sentem menos importância em obter os níveis desejáveis dos vários atributos de personalidade intrín- secos (inteligência, calor e bondade) e características de estatuto social (potencial de ganhar dinheiro) num parceiro sexual casual do que num namorado ou futuro cônjuge. Estes resultados sugerem que o tipo de relação em consideração pode afectar os critérios actuais. As pessoas podem desejar idealmente obter os mesmos níveis altos de traços num parceiro sexual casual que têm num namorado ou cônjuge, mas ao mesmo tempo podem ficar satisfeitos com menos traços destes numa relação casual.

6.2. As relações com o sexo oposto

As relações de intimidade com o sexo oposto são os meios por excelên- cia para aprender acerca do outro sexo e para estabelecer as bases para as interacções com o outro sexo na idade adulta. Ter um amigo do sexo oposto parece estar associado a auto-percepções positivas (Bukowski

et al., 1993). Existem elos com auto-percepções de competência (Darling

e Steinberg, 1993) mas os elos específicos variam segundo o género e a medida. Os rapazes que funcionam melhor socialmente podem exprimir um interesse normativo etário, em ter uma amiga no início da adoles- cência, mas a experiência real de namoro pode levar a uma diminuição de confiança e auto-estima, enquanto se debatem com o novo papel social. Um envolvimento sexual precoce parece estar associado a des- vios e insatisfação com a vida (Neeman et al., 1995). Assim, parece que as experiências sexuais podem ser um benefício misto: preocupação relacionada com aspectos ligados à promoção da saúde.

Não é possível tirar inferências causais acerca desses elos. Algumas correlações podem reflectir factores de selecção: alguns estudos suge- rem que relações sexuais que ocorrem cedo estão associadas a compor- tamento desviante, mas não alimentam mais desvios (Crockett et al., 1984). Algumas das associações podem reflectir um processo de tran- sição. Os contextos mistos podem causar stresse ou podem ser esti- mulantes. Estes sentimentos e efeitos podem mudar com o tempo: os contextos podem causar menos stresse ou serem menos estimulantes, à medida que os adolescentes se tornam mais experientes (Diamond

et al., 1999). Se as correlações reflectem esses efeitos de transição,

podemos esperar que os adolescentes que passam mais tarde por estas experiências terão as mesmas respostas nessa altura. É possível, por outro lado, que as primeiras experiências românticas possam ter efeitos duradouros que levem os adolescentes a seguir diferentes trajectórias daqueles que começam mais tarde.

São necessários estudos longitudinais. Pouco se sabe acerca do impacte a longo prazo destas relações e as transformações que sofrem. As transformações ocorrerão nas relações com o sexo oposto, ao longo da adolescência e início da idade adulta. É menos óbvio, se as experiên- cias nas relações com o sexo oposto no início e meio da adolescência afectam as relações subsequentes. É importante determinar os elos entre estas relações e outras que ocorrem mais tarde com parceiros românticos, amigos e colegas de escola.

É importante distinguir entre tempo e trajectória das experiências (Furman e Buhrmester, 1992). Alguns adolescentes entram no mundo

das relações de intimidade com o sexo oposto numa idade mais precoce ou a um ritmo mais rápido. As diferenças podem ser em função das diferenças no tempo de duração do seu desenvolvimento romântico, assim como diferenças nas trajectórias seguidas. As diferenças nas auto-percepções (Furman e Shaffer, 1999) podem reflectir o processo de transição para o namoro ou podem reflectir diferenças mais constantes. Algumas das diferenças observadas podem reflectir diferenças na linha de tempo social.

Vários autores examinaram os múltiplos caminhos ligados às relações de pares com o sexo oposto. Bukowski et al., (1999) referem que os ami- gos do sexo oposto podem servir como um sistema paralelo, ou como um sistema de apoio aos amigos do mesmo sexo. Alguns adolescentes podem envolver-se em relações com o sexo oposto porque são geral- mente hábeis socialmente e são populares juntos dos seus pares do mesmo sexo e do sexo oposto. Alternativamente, os adolescentes que são impopulares junto dos seus pares do mesmo sexo podem preferir estabelecer relações de intimidade com os pares do sexo oposto para preencher as lacunas sociais deixadas pelo facto de serem rejeitados pelos pares do mesmo sexo.

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