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Construction compositionnelle de la DRS de (6.11)

um período de reclusão e que geram ascensão hierárquica: são as chamadas Camarinhas. Não cabe aqui entrar mais detidamente em detalhes sobre esses rituais, mas em breves descrições e observações mais gerais que permitam entender a dinâmica hierárquica e os títulos (dispostos na Tabela 03). Esses rituais acarretam modificações sociais no terreiro para médium e seus guias (no caso de quem os incorpora), referentes ao status, às funções rituais e às crescentes 59 Diante do pai ou da mãe-de-santo, é o/a Responsável Espiritual a entidade que deverá respond- er, informar e, preferivelmente, resolver os problemas espirituais de seu/sua médium. É encarre- gado/a de trazer e levar mensagens entre nós e o mundo espiritual (e vice-versa). Particularmente,

responsabilidades nos ritos e perante os demais integrantes. Os praticantes de Almas e Angola explicam que o objetivo das Camarinhas é fortalecer espiritualmente os médiuns (sejam ogãs, cambones ou de incorporação). Ao fim de cada Camarinha, a pessoa ascende seu status na hierarquia do terreiro, em relação ao grupo de médiuns no qual desempenha suas funções – significa dizer que, além de uma hierarquia geral em que o pai ou a mãe-de-santo lidera, há ainda uma hierarquia particular entre médiuns que incorporam, entre ogãs e entre cambones. A hierarquia pode ser observada na ocupação do espaço físico de um terreiro: quanto mais se avança na hierarquia, o lugar a ser ocupado na

corrente mediúnica vai se aproximando do altar principal.

É nas Camarinhas que se obtém as chamadas Coroas – denominação que faz referência à parte do corpo para a qual esses rituais são destinados: a cabeça, ou ori, morada dos orixás. Os seis tipos de Camarinhas pelos quais passam os médiuns de incorporação correspondem às sete primeiras linhas da Tabela 02. Nota-se que as coroas são “apelidadas” indicando o ritual pelo qual o médium passou: assim, há as Coroa de Bori, Coroa de Babalorixá (Pai-de-Santo) ou de

Ialorixá (Mãe-de-Santo), e a Coroa de Tata para quem fez sua Coroa de Pai ou de

Mãe-de-Santo há 21 anos. A cada Camarinha, os colares usados pelos médiuns, bem como as roupas e adereços usados pelos entes espirituais, vão ganhando complexidade e ficando mais completos. É após fazer Coroa de Pai ou Mãe-de- Santo que se pode iniciar filhos-de-santo e abrir um terreiro próprio. Ogãs que passaram pela Camarinha de Pai-de-Santo passam a ser chamados Ogã Kolofé (ver Tabela 02). É a partir da Camarinha de Pai/Mãe-de-Santo que se começa a contar o tempo de feitura no santo, para então se proceder aos chamados Reforços. Há ainda as Camarinhas de Cura, rituais não muito comuns, com os quais procura- se atingir a cura de doenças graves através das forças espirituais (nesse caso, diz- se que a pessoa fez borí de cura).

As Camarinhas são considerados rituais especiais, não tanto porque não ocorrem com a mesma frequência das Sessões semanais, mas por serem mais longas, complexas e por precisarem do engajamento de todos os integrantes do terreiro em que são realizadas (é comum que médiuns de outros terreiros venham ajudar nos rituais de Camarinha). São rituais que demandam muito conhecimento e trabalho ao longo de uma semana (período de duração de uma Camarinha completa).

3.1. Demais rituais de Almas e Angola

São quatro os principais tipos de rituais na religião de Almas e Angola: o Batismo, as Sessões, as Festas e as Camarinhas. Segue uma breve descrição dos que ainda não foram abordados:

Batismo: uma espécie de “entrada oficial” para a religião, o Batismo é o primeiro ritual pelo qual passam todas as pessoas que integrarão a corrente de um terreiro de Almas e Angola, seja ogã, cambone ou médium de incorporação. O batismo é às vezes realizado em cachoeiras, mas mais comumente nos terreiros, inserido em algum momento de um ritual mais longo (uma Sessão ou Festa). Para o batismo, é preciso contar com um padrinho e uma madrinha, não necessariamente ligados à religião. Após batizada, a pessoa passa a ser considerada efetivamente filho/

a-de-santo do pai ou da mãe-de-santo que lavou sua cabeça, e ganha um fio de contas branco consagrado à Oxalá.

Sessões: são os rituais mais frequentes da religião. São rituais públicos (com exceção das Sessões de Desenvolvimento de alguns Centros, conforme veremos), na maioria das Casas feitos uma vez por semana. É nas sessões que os orixás vêm dançar incorporados, e que os espíritos de médiuns já desenvolvidos vêm trabalhar (isto é, dar consultas e disponibilizar seus conhecimentos e poderes). São organizadas em duas etapas: na primeira, chama-se um grupo de orixás, e após breve intervalo, começa a segunda etapa, em que são chamadas as entidades. As sessões são classificadas de acordo com a linha de entidade que será chamada naquela noite – há, portanto, as sessões de preto-velho, as sessões de caboclo, as sessões de bejada e as sessões de exu

e pombagira. Os orixás a serem invocados na primeira parte de cada uma dessas

sessões varia entre os terreiros, mas é comum que se “chame” nos seguintes padrões: Oxalá, Xangô, Nanã e Obaluaê na primeira parte das sessões de preto-velho; Ogum, Iansã, Oxum e Iemanjá antes de invocar os caboclos; o chamado Povo d’Água (as “mães” Oxum, Iansã e Iemanjá) antes das sessões de bejada; e apenas Ogum (às vezes acompanhado de Iansã), nas sessões de povo-de-rua. (Observa-se que nas sessões de povo-de-rua as cortinas do altar permanecem fechadas.)

Sessões de Desenvolvimento: há terreiros que fazem sessões destinadas exclusivamente ao desenvolvimento mediúnico dos médiuns. Podem ser total ou parcialmente fechadas ao público. Nelas, o foco é a aprendizagem dos mais novos, supervisionados pelos médiuns mais velhos. Mais do que nas sessões comuns, aqui as pessoas mais velhas podem abertamente corrigir e ensinar ogãs, cambones e médiuns de incorporação. Para este último grupo, ensina-se formas de se concentrar e se conectar com as vibrações espirituais, mas sobretudo a perder o medo de entregar-se aos transes.

Festas: há uma Festa para cada orixá e para cada linha de entidades, distribuídas num calendário anual. Esses rituais são marcados pela entrega (as oferendas) e pelo consumo de comidas e bebidas relacionados ao orixá ou aos espíritos em questão, e pela diferença espacial-temporal em relação às sessões comuns: podem ocorrer no período vespertino (como é comum nas Festas de bejadas); o terreiro é decorado e outros espaços podem ser abertos e estendidos ao público (como garagem, a cozinha-de-santo, etc.); podem ocorrer fora do terreiro (em cachoeiras e praias, por exemplo). As Festas também se distinguem das sessões semanais pela não obrigatoriedade das entidades trabalharem (ou seja, as entidades incorporadas não têm outro compromisso a não ser aproveitar a ocasião bebendo, comendo e dançando – suas consultas estão suspensas nos dias de Festa).