B. Autres textes 1 T EXTES ANONYMES
II. Articles et ouvrages critiques
3. A PROPOS DU THEATRE DU M OYEN Â GE
Esse solo encontra-se em posição de topo em vestígios de superfície antigas, provavelmente a Sul Americana ou a Velhas (KING, 1956). A vegetação moderna corresponde a uma floresta tropical úmida de transição com o cerrado. Apresenta apresenta textura argilosa, pH em água entre 4,2 no topo e 5,5 na base da trincheira (Tabela 5.7).
Tabela 5.7 - Características do solo e resultados da contagem de Fitólitos nas amostras. pH Relação
Molecular Horiz. Prof. Cor Argila CO COT Ds (H2O)
Cm Munsell ---g. kg-1--- t. m-3 (1:2,5) Ki Kr A 0-10 5YR 3/2 454,6 43,9 46,9 0,83 4,2 nd nd A2 10-60 5YR 2,5/2 498,4 35,2 45,6 0,83 4,7 nd nd A3 60-85 5YR 2,5/3 566,2 33,6 33,4 0,90 5,0 1,36 1,17 AB 85-120 5YR 2,5/2 539,6 22,7 29,4 0,96 5,0 nd nd BA 120-140 5YR 4/4 597,3 16,7 18,7 1,08 4,9 nd nd Bw 140-170 5YR 4/4 623,5 9,7 12,5 1,06 5,5 nd nd Bw2 170-210+ 5YR 5/8 649,7 7,0 9,3 1,00 5,3 1,54 1,30 nd: não determinada
Os maiores valores de CO 43,9 g kg-1 e 35,2 g kg-1 foram encontrados nos horizontes A (0-10 cm) e A2 (10-60 cm), respectivamente, e a média para todos os horizontes coletados é de 24, 12 g kg-1 (DP + 13,91).O maior teor de COT, 83,82 g kg-1, é observado no topo do A2, entre 20 e 30 cm de profundidade (Tabela 5.7). Abaixo de 40 cm o teor de COT diminui progressivamente. A mineralogia caulínita deste solo é definida pelos valores de Ki e Kr que variam, do topo para a base da trincheira, de 1,36 a 1,53 e 1,17 a 1,30, respectivamente. Os principais morfotipos identificados e contados estão ilustrados nas Figuras 5.15, 5.16 e 5.17.
A porcentagem de fitólitos diminui em profundidade, paralelamente ao aumento da quantidade de fitólitos tafonomizados (Tabela 5.8).
Os dados de quantificação dos fitólitos foram submetidos a análise de agrupamentos (Figura 5.18) e análise de componentes principais (Figura 5.19) que resultaram, assim como nos demais solos estudados, na formação de três grandes grupos (Zonas Fitolíticas), que coincidem com a divisão do solum por horizontes pedológicos, tal como
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antes definidos por afinidades morfológicas (cor, textura, estrutura, porosidade, etc.). (Apêndice A).
Figura 5.15 - Fotomicrografia de Morfotipos de fitólitos de Poaceae encontrados no horizonte A húmico do Latossolo Vermelho-Amarelo (Machado, MG). As fotos foram tomadas com aumento de 400x com microscópio óptico. a,b) bilobates; c) bilobate - Chusquea cf. Montti et al. ( no prelo); d) rondel; e) bulliforme ; f,g) elongat;
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Tabela 5.8 - Abundância de diferentes morfotipos de fitólitos na assembléia do solo (em porcentagem do total de fitólitos classificados).
Angiosperma Gimnosperma In d et er m in ad o . Ta fo n o m iz ad o * Monocotiledoneas Dicotiledoneae (árvores e arbustos)
Poaceae Arecaceae Araucariaceae
Palmeiras Araucaria P an ic o id ea e P o o id ea e C h lo ri d o id ea e C yl in d ri c El o n ga te B u lli fo rm Tr ic h o m e C la va te H ai r Globular
Echinate Globular Papila Irregular
Crater shaped F1 12 10 0 2 15 38 2 0 0 5 12 1 0 0 3 10 F2 4 10 2 2 21 23 0 5 3 24 3 1 1 2 1 8 F3 4 11 6 3 18 24 0 2 5 18 3 1 2 2 3 18 F4 4 10 1 0 16 20 0 4 2 41 0 1 0 0 1 5 F5 5 19 5 1 18 25 0 5 1 15 1 1 2 1 2 2 F6 5 16 4 1 17 26 0 4 0 17 5 0 3 0 1 2 F7 6 16 12 0 20 32 0 5 0 3 3 2 0 0 0 3 F8 4 18 7 0 19 35 0 7 2 3 2 0 0 0 2 5 F9 1 10 12 0 11 45 0 2 5 8 5 0 0 0 0 7 F10 2 21 5 0 14 41 0 8 1 2 2 1 0 0 2 4 F11 5 12 5 0 20 38 0 0 3 7 9 0 0 0 0 12
* A % de fitólitos tafonomizados não entra na soma dos fitólitos classificados.
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Figura 5.16 - Fotomicrografia de fitólitos encontrados no horizonte A húmico do Latossolo Vermelho- Amarelo (Machado, MG). As fotos foram tomadas com aumento de 400x com microscópio óptico. Morfotipos de Arecaceae (palmeiras) a, b) globular echinate; Morfotipos de Araucariaceae c, d) crater shaped; Morfotipos Dicotiledoneae e, f) globular , g,h) irregular shaped;
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Figura 5.17 - Fotomicrografia de corpos silicosos e pólen encontrados no horizonte A húmico do Latossolo Vermelho-Amarelo (Machado, MG). As fotos foram tomadas com aumento de 400x com microscópio óptico.
Figura 5.18 - Análise de Agrupamento Hierárquico –Método Ward para assembléia de fitólitos do perfil de Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico húmico (Machado, MG).
A PCA explicou a definição desses agrupamentos utilizando as quatro primeiras componentes. A PCA-Eixo 1 (33,23% da variância) foi definida pelas variáveis bulliforme, Dicoticoledoneae, Chloridoideae e Pooideae (campo positivo) e Palmeira e Araucaria (campo negativo). Essa componente diferencia as condições de temperatura expressadas pelo significado ecológico dos fitólitos que a definem (Figura 5.20).
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A) B)
Figura 5.19 - Análise de componentes principais da assembléia de fitólitos de um Latossolo Vermelho- Amarelo Distrófico húmico (Machado, MG). (A) Plano de elipses e dispersão de pontos de cada zona fitolítica. Pontos como códigos de cada amostra. (B) Gráfico de autovetores das variáveis. PCR: Regressão das Componente Principais
A PCA-Eixo 2 (27% da variância) foi definida pelas variáveis Dicotiledôneas e Panicoideae (campo positivo) e Cloridoideae e Pooideae (campo negativo). Ela permite distinguir as condições de umidade mésicas das xéricas. A PCA-Eixo3 (13,76% da variância) foi formada por Panicoideae, Pooideae e elongate (campo positivo) e Palmeira e Dicotiledôneas (campo negativo). A PCA-Eixo 4 (10,63% da variância ) é definida por Araucaria, Dicotiledôneas e Chloridoideae (campo positivo) e Palmeira e Pooideae (campo negativo). Foi adotado o modelo da PCA- Eixo 1 pela PCA-Eixo2. As Zonas Fitolíticas ficam assim caracterizadas (Figura 5.20):
A Zona I subdivide-se em:
- Zona Ia (~10.000 anos AP- ~5.000 anos AP): nessa zona foram agrupados os horizontes BA, A3 e o topo do A2 (110-70 cm). O material do solo tem cor bruno- avermelhada escura (5YR - 2,5/2), textura argilosa (Tabela 5.7) e grande quantidade de pedotúbulos verticais que se interdigitam entre a faixa de transição entre os horizontes AB e BA. Os fragmentos de carvão são encontrados em abundância por toda essa faixa. A assembléia de fitólitos apresentou predomínio de morfotipos de Poaceae que representam, em média, 83% da soma dos fitólitos identificados (Tabela 5.8). Os
169 morfotipos de dicotiledôneas (Dicotiledoneae) e de palmeiras (Arecaceae) variaram, respectivamente, entre 2%-12% e 8%-12%. Os valores determinados pelos Iph, IC, D/P são >45%, <30 (19% na base) e 0,19-0,03, respectivamente (Figura 21). Foram encontrados carvões a 110 cm datados em 10.320±120 anos AP (Pleistoceno/Holoceno Inferior). No intervalo entre 120 e 70 cm os resultados de δ13C indicaram um pequeno empobrecimento isotópico progressivo de -23,22 ‰ para -24,25‰ (Apêndice F). Na base, esses valores podem estar relacionados ao fracionamento da MOS ou à existência de uma vegetação local composta, predominantemente, por plantas C3 a partir de ~10.320±120 anos AP (Figura 5.21).
Figura 5. 21 - Variação vertical dos valores δ13C Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico húmico- Machado (MG)
- Zona Ib (~5.000 anos AP - ~2.000/1.000 anos AP(?): corresponde aos
subhorizontes A3 e a base do A2 (70-40 cm). Nessa zona foram identificadas cores mais escuras e grande quantidade de fragmentos de carvão. A atividade biológica é intensa e são comuns os pedotúbulos e galerias preenchidas com material mais claro, provavelmente do horizonte Bw.
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Figura 5.22 - Distribuição da Assembléia de fitólitos (Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico húmico – Machado , MG). Índices Fitolíticos: D/P = Relação dicotiledôneas (globular) por Poaceae (Pooideae, Cloridoideae, Panicoideae, trichomes e bulliforms) (Alexandre et al., 1997b); Iph (%) = Índice de Aridez (DIESTER-HAAS; SCHRADER; THIEDE., 1973); b) Ic(%) = Índice Climático (Twiss, 1987)
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A subdivisão dessa zona pautou-se no aumento do morfotipo globular echinate (17% a 15%) produzido por Palmeira (Arecaceae), e no aparecimento dos primeiros morfotipos crater shaped (1%), produzidos por plantas da família Araucariaceae.
A assembléia de fitólitos apresentou predomínio de morfotipos de Poaceae (70%), sendo 4% de Panicoideae, 10% de Pooideae e 4% de Chloridoideae. Os morfotipos de Palmeiras e de Dicotiledoneae representaram 16% e 6%, respectivamente, da assembléia. Os fragmentos de carvão encontrados em profundidade semelhante por Silva e Vidal Torrado (1999), em um solo localizado a poucos metros do P3, foram datados como do Holoceno médio (~5.330±50 anos AP (Holoceno Médio) e corroboram os estudos que indicaram fases mais secas neste período com maior freqüência de incêndios (GOUVEIA; PESSENDA, 2000). Os valores dos índices calculados nesta zona (Figura 5.21), Iph 47-48%, IC 28-34% e D/P 0,01-0,1 e o valor δ13C -23,43‰, mais empobrecido no topo, corresponde a uma vegetação com mistura de plantas C3 e C4, com predomínio de plantas C3 (GOUVEIA et al., 1999, 2002; PESSENDA et al., 1996b; 1998a), provavelmente associada a um clima mais úmido do que o anterior (Figura 5.21). Na base, os valores δ13C mais empobrecidos podem estar relacionados ao fracionamento da MOS ou à existência de uma vegetação local composta, predominantemente, por plantas C3 a partir de ~10.320±120 anos AP
- Zona II (~6000 - ~3600±40 anos AP): corresponde ao subhorizonte A2 (40-10
cm). A cor e a textura são semelhantes aquelas da zona subjacente, porém apresenta estrutura ligeiramente mais grumosa. A assembléia de fitólitos demonstrou a redução dos morfotipos produzidos por Poaceae, sendo a soma das Pooideae, Cloridoideae e Panicoideae somente 17% da assembléia (Tabela 5.8).
Nesta zona destacou-se a ocorrência um sinal mais forte da presença de morfotipos de araucária na composição da vegetação desse período, atingido 2% da assembléia indicando um período muito úmido. O morfotipo de Arecaceae aumenta para 27,5% da soma de fitólitos classificados. Os valores dos índices calculados para esta zona (Figura 5.21), Iph <20% (exceto a 40-30 cm, com valor de 56,87%), IC <30% e D/P <0,1 e o valor δ13C -23,01‰ indicam predomínio de vegetação arbórea (BARBONI et al., 1999). Entre 40 e 20 cm os valores δ13C são mais empobrecidos,
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sugerindo o estabelecimento progressivo de uma formação florestada, provavelmente associada a um clima mais úmido. Foram encontrados muitos esqueletos de diatomáceas (não classificados e não quantificados), grãos de pólen (não classificados) e esporos de samambaias/xaxins que indicam um ambiente úmido. A linha e os fragmentos de carvões encontrados na parte superior dessa zona podem refletir a atividade antrópica no período colonial (SILVA; VIDAL TORRADO, 1999).
- Zona III – corresponde a vegetação atual (floresta mais aberta) e apresentou
valor δ13C de -23,01‰, característico de predomínio de planta C
3 (PESSENDA et al., 1996, 1998a). A assembléia de fitótilos apresentou aumento de Poaceae Panicoideae (12%), Pooideae (10%) e morfotipo Buliforme (38%) (Poaceae) em relação a zona anterior. Os valores obtidos para índices são Iph 0%, IC 16,06% e D/P 0,19 caracterizam a vegetação atual e a abertura da vegetação (Figura 5.21), provavelmente em decorrência da atividade antrópica, haja vista que esta área vem sendo explorada desde o período colonial brasileiro.
Discussão
A análise dos resultados sugere que o horizonte húmico desse solo se desenvolveu sob uma vegetação com mistura de plantas C3 e C4, com predomínio de plantas C3 (floresta) (PESSENDA et al., 1996, ALEXANDRE; MEUNIER, 1999; PESSENDA et al., 2004) desde o Holoceno inferior, associada a condições climáticas mais secas e/ou com curta estação seca. Na região de Salitre pequenas variações somente de umidade no Holoceno inferior e médio foram comprovadas por meio das associações de fitólitos de Poaceae (ALEXANDRE; MEUNIER, 1999) e os demais elementos da assembléia fitolíticas. Os índices encontrados nesses solos indicam condição semelhante as encontradas em regiões tropicais Africanas (ALEXANDRE et al., 1997b; BARBONI et al., 1999; BARBONI; BREMOND; BONNEFILLE, 2007) e no Brasil (ALEXANDRE; MEUNIER, 1999), indicativos de condições climáticas mesotérmica úmida, favoráveis ao desenvolvimento de uma vegetação com mistura de plantas C3 e C4, com predomínio de plantas C3.
A acumulação da matéria orgânica do horizonte húmico teria se iniciado por volta de ~10.500 anos AP (110-120 cm de profundidade) e apresenta característica que
173 indicam um momento de suave transição para uma condição de restrição hídrica na base e aumento significativo de umidade no topo (Zona IIb). Essa tendência pode ser respaldada pelo estudo realizado na região de Salitre por Ledru (1993), no qual a autora identificou dois períodos de expansão da vegetação de savana em detrimento das áreas de floresta, provavelmente associados a condições de clima seco entre 11.000- 10.000 e 6.000-4.500 anos AP. Essa primeira fase seca também foi identificada em outros locais das regiões Sul e Sudeste por Pessenda et al. (2004). Esses autores interpretaram que a região subtropical foi muito mais seca durante mudanças climáticas ocorridas no Pleistoceno Superior/Holoceno Inferior.
A presenças de muitos biotúbulos entre 90-120 cm com visível mescla de materiais, permite considerar a possibilidade de remonte e translocação de material ao longo do perfil, pela fauna do solo, conforme discutido no P30. Entretanto, considerando a avaliação das porcentagens encontradas para os morfotipos de dicotiledôneas, o enriquecimento natural de δ13C em profundidade (NADELHOFFER; FRY, 1988; BOUTTON, 1991) e aumento linear dos fitólitos com sinais de corrosão, considerou-se que não há indícios consistentes de perturbações na assembléia fitolítica. Assim, é possível inferir com maior segurança que a vegetação desta zona era composta por árvores, arbustos e Poaceae acima do nível indicado pela relação D/P, portanto em concordância com os dados de δ13C, que assinalou de uma vegetação local composta, predominantemente, por plantas C3 a partir de ~10.320±120 anos AP.
As primeiras indicações de alteração para condições mais úmidas foram observadas no topo da Zona I (50-60 cm) onde aparecem os primeiros fitólitos da família Araucariaceae (morfotipo crater shaped) que indica um incremento de umidade em relação às condições inferidas para base desta zona (110-120 cm).
Barboni et al. (1999) encontraram valores para o índice D/P relativamente baixos, semelhantes aos encontrados em Machado (MG), para as áreas de estepe arbustiva (0.1), vegetação da planície de inundação (0.2) e floresta riparia (0.7) na Etiópia (África). Alexandre e Meunier (1999c) encontraram valores entre 1 e 1.3 para a relação D/P em profundidade semelhante em um Latossolo em Salitre (Minas Gerais) e interpretaram como uma vegetação aberta com árvores e arbustos que teria
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predominado entre 4350+540 e 3060+210 anos AP. Essas idades são compatíveis com a encontrada para a Zona I nesse estudo e por Silva e Vidal Torrado (1999).
Na Zona II a assembléia de fitólitos e a ocorrência de esporos de samambaias(Dicksonia Sellowiana) e de esqueletos silicificados de diatomáceas,
corrobora a hipótese de aumento de umidade. Considerando a presença significativa do morfotipo crater shaped, produzido por plantas da família das Araucariaceae, é possível inferir que o clima tenha se tornado mais úmido no período representado por esta zona (Holoceno médio-superior), pois a Araucária necessita de muita umidade (mínimo de 1.400 mm de precipitação media anual) sem estação seca marcada (BEHLING, 1997b). Segundo esse mesmo autor, a presença de palmeiras, família das Arecaceae, indicaria que não houve uma diminuição muito brusca da temperatura, pois estas plantas são adaptadas às condições climáticas sem geada ou sem a influência significativa destas. Esse resultado corrobora estudos anteriores que reconhecem a ocorrência de uma fase úmida no Brasil Central durante o Holoceno Superior (SCHEEL-YBERT et al., 2003) com formação de floresta e estabelecimento de condições climáticas semelhantes a atual (De OLIVEIRA, 1992; LEDRU, 1993; BEHLING, 1995; PESSENDA et al., 1996; 1998; 2004; SCHEEL-YBERT et al., 2003).
A expansão da Araucária na região Sul e em algumas áreas da região Sudeste do Brasil teria ocorrido durante o Holoceno Inferior sob condições de clima frio e úmido (LEDRU,1993 e BEHLING, 1997a,b). No Holoceno Superior, que parece ser o caso de Machado, teria ocorrido outra fase de expansão dessa floresta, porém sob condições de clima úmido e ligeiramente mais quente que a anterior (LEDRU et al., 1994; PESSENDA et al., 2004).
A concentração de fragmentos de carvão, pode ser atribuída a presença de uma vegetação mais densa composta plantas lenhosas, mais capazes de produzir carvão. Esses carvões, segundo Silva e Vidal Torrado (1999), podem ter participação no processo de melanização, incorporação e estabilização da matéria orgânica no horizonte húmico desse solos.
A assembléia de fitólitos da Zona III está em concordância com a vegetação atual que corresponde à transição entre Floresta Tropical Subperenifólia e Cerrado (BRASIL, 1983; SILVA; VIDAL TORRADO, 1999) com presença de espécies como Casearia
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sylvestris Sw., Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr., típicas da vegetação de cerrado. São encontrados fragmentos de carvão e fitólitos de coloração ligeiramente mais bruna em abundância, o que poderia indicar ocorrência de incêndio (PARR, 2006). Fragmentos de carvões datados indicam idade moderna. Para Silva e Vidal Torrado (1999) os últimos incêndios ocorreram no período colonial do Brasil, época das primeiras ocupações da área.
Ainda que a distribuição das assembléias de fitólitos no solo represente a assinatura da vegetação local, desenvolvida ao longo do tempo, é possível que nessas camadas superiores haja uma contribuição de material coluvial devido a posição do perfil na média alta vertente em situação favorável ao aporte de material removido a montante.
Em geral, os resultados indicam que:
- A matéria orgânica acumulada no horizonte húmico nesse perfil deriva de formações vegetais formadas predominantemente por plantas C3.
- A base do horizonte húmico (Pleistoceno/Holoceno Inferior) teria se desenvolvido sob uma floresta mais aberta, que teria evoluído para uma floresta mais densa com Araucária em sua composição, ao longo do Holoceno superior, cujos remanescentes de
Araucária angustifólia persistem até hoje na região, sobretudo nos fundos de vales.
5.2.2.4 Interpretação da composição e distribuição das assembléias de fitólitos e