A remoção da parte marrom dos dançantes e da roupa da noiva sempre ocasionava um impacto no público. Pelo que entendi, a suposta troca de roupa foi uma forma dos mamulengos se alinharem para se fazerem presente à festa de casamento entre Pedro e a noiva, que seria a próxima cena. Em consonância ao nosso pensamento, Cortinhas (2010, p. 34), em sua produção acadêmica de conclusão de mestrado, destaca que “no teatro, a troca de roupa abre o jogo para o ator ser outro sem deixar de ser o mesmo, para poder viver um “significante flutuante” onde o sentido vai sendo composto com o decorrer da ação”.
Quando a noiva retirou a parte superior do figurino, foi perceptível à reação do público e da própria dançante. No instante do casamento, a coreografia cessava. Todos os dançantes se viravam para a cena, onde o personagem do padre, posto sobre uma escada em formato de um minipalco e com um altar a sua frente, perguntava aos simbólicos noivos se eles queriam se casar. Meio desconfiado e confuso, o padre, mesmo sabendo que não estava fazendo seu dever corretamente, por casar um humano com uma boneca, após um sim desesperado do noivo, abençoou a união.
O casamento foi o momento da apresentação da quadrilha que deixou sobressair à parte sagrada da dança. Considerado como um ato que unifica duas pessoas na presença de Deus, Chevalier (1990) afirma que essa cerimônia está entre os ritos de sacralização da vida. O autor complementa dizendo que em um sentido místico, o casamento significa a união de Cristo com a sua igreja, de Deus com seu povo, da alma com seu Deus.
Outro elemento que simboliza o sagrado é o altar. Esse altar que, além de ser simbolizado por Chevalier (1990) como um catalisador do sagrado, é o local mais alto em que se realiza uma cerimônia, onde convergem todos os gestos litúrgicos. De acordo com o exposto, percebemos que existe uma relação do significado do altar imposto por Chevalier (1990) com o casamento dos noivos que dançaram a quadrilha junina, pois, na hora que foi acontecer à cena do casamento, o altar estava no ponto mais alto e todos se viraram para assistir à cerimônia religiosa.
Após o casamento, os dançantes realizavam mais três coreografias e a quadrilha CIA
Junina Luar acabava. Dentre as músicas utilizadas, destacamos a última, que era bem parecida
com a que deu início a apresentação. Esta canção convidava os espectadores para assistir ao espetáculo, só que deixava uma mensagem de despedida. A cena final da quadrilha deu-se com o fim do encanto que a estrela colocou, a mamulenga deixava de ter vida e passava a ser novamente um ser inanimado.
Notoriamente, o objetivo nesta sessão da pesquisa era de apontar alguns elementos simbólicos e estéticos da quadrilha junina, por meio da minha experiência, enquanto dançante da quadrilha Junina Luar. Embora, para muitos, a estética só esteja presente na arte por meio dos elementos visuais, no essência de que possam ser tocados e sentidos. Nessa perspectiva, nos apropriamos dos pensamentos de Merleau-Ponty para pensar uma estética além desse senso puro da arte, mas a uma estética resultante das nossas experiências corpóreas.
Merleau-Ponty (2011), ao refletir sobre a estética da arte apontou que a pintura colocada à frente de nós, ou seja, do nosso corpo, pode provocar uma sensibilização da estética corporal, através da percepção que redimensiona nosso entendimento acerca do inacabamento das coisas. Assim, Nóbrega (2008b, p. 143) reflete que “a obra de arte está colocada como campo de possibilidades para a experiência do sensível, não como pensamento de ver ou de sentir, mas como reflexão corporal”.
Nesse sentido, entende-se a quadrilha Junina Luar como um elemento da arte, assim como a pintura, que nos oportuniza essa sensibilidade estética a partir dos elementos simbólicos que estão imbricados nessa manifestação cultural, a qual meu corpo junino se pôs a vivenciá- la. O logos estético exprime o universo da corporeidade, da sensibilidade, dos afetos, do ser humano em movimento no mundo, imerso na cultura e na história, criando e recriando, comunicando-se e expressando-se (NOBREGA, 2008b, p. 143).
Portanto, a quadrilha Junina Luar foi um palco que nos ofereceu essa experiência estética para repensar um novo sentido sobre a dança, cultura e tradição, da arte e do corpo.
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Essa experiência estética expandiu meu olhar além da realidade, transcendendo a minha visão sobre o que é a festa de São João e a quadrilha junina, percebendo que esses fenômenos, assim como o corpo e arte são polissêmicos e indecifráveis, deixando aberturas para que quando expusemos ou os experimentemos, sempre sejam repensados.
Os mistérios e a magia que estão contidos no São João, refletem no ato de dançar a quadrilha, associada à força de vontade, faz com que seja despertado um amor inexplicável por aquilo tudo. Dançar na quadrilha Junina Luar me fez entender o que é o amor pelo mundo junino, me fez ser uma mistura de mamulengo e homem, me fez perceber as variedades de movimentos que aprendi e utilizei nas coreografias, me dotou de sentido estético, de sociabilidade, de cultura e de sentimento, me renovou, me transformou. Concluo essa experiência com uma frase que representou muito para mim: “todos nós temos o sonho de fazer parte de um grupo de pessoas, onde todos nos acolham bem e isso eu encontrei na JL48, para mim, dançar quadrilha vai ser sempre a melhor coisa que eu possa fazer” (BRINCANTE 11, Entrevista, 2017).
Durante esse capítulo da pesquisa, foi possível perceber o quanto os símbolos e a estética estão presentes nas festas de São João, inclusive na quadrilha junina. Apesar de existir inúmeros elementos simbólicos, nesse tipo de festividade, buscamos interpretar, em nossa visão, aqueles que são mais pertinentes, ou seja, os que estão mais impregnados no imaginário daqueles que celebram as festas de junho e suas danças. Assim, de agora em diante, retomaremos algumas compreensões sobre como esse corpo junino, que viveu as festas de São João e quadrilha junina, significou esses elementos simbólicos. Na ocasião buscaremos traçar reflexões e contribuições para o conhecimento do campo da Educação Física. SEGUE O CAMINHO DA ROÇA...49
48 Sigla que significa Junina Luar.
49 Os puxadores das quadrilhas matutas quando falam segue o caminho, os outros dançantes da quadrilha vão atrás
dos noivos.
CONTRIBUIÇÕES PARA A
EDUCAÇÃO FÍSICA
CAPÍTULO III
A TRAMA DO UNIVERSO JUNINO:
CONTRIBUIÇÕES SIMBÓLICAS E
ESTÉTICAS PARA PENSAR A
EDUCAÇÃO FÍSICA
O corpo que imerge nas festas juninas, deixa impresso em seu interior marcas da cultura,
história e tradição de um determinado lugar. Então, pensar nesse corpo junino para a
Educação Física é compreendê-lo num sentido estesiológico, um corpo que é dotado de
saberes.
Nadiel Cavalcante de Sousa
Já que a pesquisa fenomenológica oportuniza expor as nossas experiências, iniciamos este momento apontando alguns acontecimentos que decorram na elaboração desta pesquisa. Durante o seu processo de criação algumas perguntas me foram feitas pelas pessoas que estiveram envolvidas, ou mesmo por aqueles a quem eu sempre compartilhava o seu andamento. Muitos dos questionamentos, voltados para mim, eram revestidos de dúvidas sobre o quanto à Educação Física tinha a ver com a festa de São João, a quadrilha junina e os elementos simbólicos, presentes durante essa festividade.
Confesso que quando escutava esses tipos de questionamentos descritos acima, ligeiramente, fazia diligência em explicar, pelo menos, superficialmente, os inúmeros entrelaçamentos que o tema pesquisado possui com a Educação Física.
Ressalta-se que muitos ainda, entendem a Educação Física como um campo de pesquisa que apenas quantifica resultados, focando mais seus interesses acadêmicos somente em estudos voltados aos corpos fitness e/ou atléticos. Com isso, é possível afirmar que a grande parte dos seus profissionais possui uma visão reduzida da Educação Física, ou seja, a tem como um campo de conhecimento que problematiza, prioritariamente, os corpos em uma perspectiva mecanicista, menosprezando-se do mesmo enquanto condição de experiências, de sensibilidade e como possuidor de conhecimentos.
De antemão, queremos deixar claro não estamos desmerecendo os saberes e as outras vertentes que a Educação Física possui, até porque, temos convicção que nosso campo tem várias bifurcações para o conhecimento e atuação, estamos tecendo reflexões para compreender o corpo que vai além dos aspectos motores e físicos. O corpo que falamos é um corpo pensante, revestido de experiências, ideias, sentidos e conhecimentos.
De acordo com o exposto, creio que nós, profissionais da área precisamos refletir e realizar pesquisas que provoquem ponderações e conscientizem a tais profissionais a enxergarem outros caminhos de investigação, precisamente, aqueles que se atente a pensar o ser humano como um todo, como um ser corpóreo, que busca os significados das coisas na essência do seu interior e nas suas relações experimentais com os outros e com o mundo. E porque também, não dizer no mundo junino?
Contudo, é possível afirmar que não é de hoje que vemos os ajuizamentos sobre o corpo mecanicista, ou seja, parecido como o que acabamos de destacar. Percebe-se que ao longo do tempo, impregnou-se na história da Educação Física o protagonismo do corpo nesse modelo, destacando o como aquele que apenas produz quantitativamente, ficando, dessa forma, em segundo plano ou quase invisível, o corpo sensível e que se renova a cada experiência.
Colaborando com nosso pensamento, em sua pesquisa de doutoramento, Mendes (2007), realizou uma investigação sobre as concepções de corpo e fez um levantamento por meio dos artigos publicados na Revista Brasileira de Ciências do Esporte (RBCE), destacando que até meados dos anos 80, as compreensões que preponderavam era a de corpo, enquanto uma máquina energética. A pesquisadora enfatizou que, apesar de alguns estudos estarem voltados aos públicos, como: universitários, escolares e gestantes, o simbolismo mais apresentado, nesse período, foi o do corpo atlético.
O que nos chama a atenção, em tudo isso, é que depois de quase quatro décadas, as concepções sobre o corpo ainda são fortemente especuladas sobre essa ótica maquinista e atlética, apontada por Mendes (2007). Assim, a compreensão dessa tendência corporal, fortemente influenciada pelos padrões dos belos, corpos divulgados pelos meios de comunicação digital, haja vista que, o grande número de acessos desses meios é o resultado da facilidade em possuí-los, por serem de preços baixos, pela praticidade e a comodidade em seu manuseio.
Adentrando nesse assunto, sabemos que as máquinas tecnológicas digitais, por meio de suas imagens, colaboram para uma forte exposição do corpo humano, infelizmente, deixando nessa exposição sobressair às características de um corpo belo e produtivo. É de se admirar com a numerosa existência de páginas da Web e de canais do Youtube, que visam lucrar com marcas famosas, a partir da exposição dos corpos perfeitos das pessoas que manipulam os conteúdos do mundo digital, assim como os youturbes e blogueiros, que são chamados de influenciadores digitais.
Essa realidade de virtualização corpórea provoca nos corpos reais, os quais estão em lado opostos das telas, um maior fluxo de consumo de produtos, expostos pelos corpos influenciadores. Assim, Nóbrega (2010, p. 23) diz que:
Uma nova cultura de consumo se estabelece a partir da imagem do corpo bonito, sexualmente disponível e associado ao henodismo, ao lazer e à exibição, enfatizando a importância da aparência e do visual. Essas imagens de corpo são divulgados pelos meios de comunicação de massa e mídia eletrônica, exigindo toda uma rotina de exercícios, dietas, cosméticos, terapias, entre outras preocupações com a imagem e a autoexpressão, uma exposição sem limites ao corpo (corpo-outdoor).
A rapidez e a quantidade de pessoas atingidas pelas mensagens expostas pelos corpos virtuais, afeta não só o mundo da cultura consumista, mas também o da arte e, principalmente,
da Educação Física, no último caso, elevando ainda mais a valorização do corpo como uma máquina que, nesse caso, é programado a fazer tarefas repetitivas, tentando, por exemplo, imitar treinos criados e utilizados pelos influenciadores digitais. É interessante destacar que o corpo, mesmo sendo prezado como algo maquinista, de acordo com os princípios do treinamento, o ato de não levar em consideração a individualidade do sujeito pode acarretar danos irreparáveis a saúde daqueles que não seguem tais princípios.
De certa forma, destacamos que a situação descrita anteriormente está preocupando renomeados grupos de pesquisadores da área, que investigam questões relacionadas aos rendimentos produzidos pelos corpos, pois, na maioria das vezes, os influenciadores digitais são pessoas que não possuem nenhum tipo de conhecimento científico e, que propõem a realização errônea de práticas corporais.
Por meio do que foi dito, ver-se costumeiramente o quão é crescente o número de reportagens que mostram pessoas com algum tipo de sequela produzida pela prática de atividades corporais, sem o acompanhamento do profissional da Educação Física. E, em consonância a isso, são também perceptíveis as postagens em forma de críticas dos pesquisadores que usam as mídias para atingir os influenciadores digitais, os quais criam exercícios mirabolantes, destorcendo, assim, os princípios básicos da anatomia e biomecânica do corpo. Nossa intenção ao afirmar isso, refere-se ao que os meios digitais, que estão fazendo com que as pessoas busquem informações sem saber se suas procedências possuem algum grau de cientificidade.
Sobre isto, solidarizamos com as críticas apontadas pelos pesquisadores que usam também desses mecanismos digitais para desmistificar o saber popular exposto pelos blogueiros
e youtubers. Por meio do nosso caráter de sensibilidade, cremos que em nossos corpos
acontecem reações químicas diferentes, os mesmos possuem estruturas, pensam e também agem de modo distinto, o que não certifica a mesma padronização dos exercícios físicos para as diversas pessoas.
As discussões realizadas sobre os corpos virtuais incumbiram lembrar que os corpos vistos pelas telas dos aparelhos eletrônicos são corpos reproduzidos por imagem, de modo que eles não são como aparentam, mas, que no mundo real apresentam imperfeiçoes que são imperceptíveis ao nosso olho, quando os observamos pelas telas digitais.
Fazendo algumas ponderações sobre os meios digitais, Nóbrega (2010, p. 24) traz em sua obra, um discurso sobre as influências dessas ferramentas nas culturas. A autora julga que tais recursos atravessam fronteiras on line, provocando a “[...] desterritorialização das coisas,
das ideias, das pessoas, gerando uma cultura globalizada”. Para a filósofa, esta perda de entorno gera a desculturalização, a perda da identidade e das referências. E, ao finalizar seu ponto de vista, complementa apontando que a instantaneidade da informação globalizada e das telecomunicações ao mesmo tempo em que aproxima os lugares e possibilita acesso imediato aos acontecimentos, é sempre uma realidade virtual que não pode substituir a materialidade e a afetividade do entorno e do encontro.
Nóbrega (2010) chama a nossa atenção para que não nos prendemos tanto ao mundo virtual, pois, a proximidade das pessoas por meio dessas ferramentas não promove o contato direto dos seus corpos e das suas experiências pelo mundo. O argumento edificado pela a autora, nos deu subsídios para começar a tecer algumas reflexões sobre o corpo, desprendendo um pouco do imaterialismo virtual, da sua visão como apenas um objeto mecânico/perfeito que instiga o consumismo pela procura exacerbada, visando mantê-lo em padrões físicos e de beleza, assim como são notados, na maioria das vezes, pelos veículos de comunicação digital. Nesse sentido, Nóbrega (2010) deixa explícito o quão é importante que nossos corpos vivenciem as experiências que são oportunizadas pelo mundo e destaca:
O enigma do corpo e do mundo, do pensamento e da ação produz novas significações, novas interrogações, novas informações, novas excitações, novas situações que continuam a se produzir cada vez que olhamos o quadro e somos afetados por ele. Nesse movimento, o paradoxo do corpo não cessará de produzir outro, o do mundo; uma vez que o mundo é feito do mesmo estofo do corpo (NOBREGA, 2010, p. 132).
É nessa perspectiva, da sua relação com o mundo e suas experiências, evidenciadas por Nóbrega (2010), que o corpo também deve ser pensado na Educação Física. Embasados por esses pensamentos, destacamos que é impossível não reconhecer a quantidade de conhecimentos adquiridos, quando passamos por experiências corporais – e, porque não considerar as experiências corporais vividas no mundo junino? Para a autora, nosso corpo possui saberes, e esses são imbricados em nós, devido à sensibilidade adquirida por meio das nossas vivências corpóreas. Portanto, nossos corpos aprendem a cada dia, e isso instiga diversos modos de como olhar, compreender e interpretar as coisas que estão em nossa volta, em nosso mundo, inclusive na festa de São João.
Diante do contexto, Larrosa (2002), em seu estudo Notas sobre a experiência e o saber
da experiência, expõe algumas considerações sobre as suas experiências corporais e, por meio
algo como uma superfície sensível, que aquilo que acontece afeta de algum modo, produz alguns afetos, inscreve algumas marcas, deixa alguns vestígios, alguns efeitos.
Pelo que foi apontado acima, acentua-se que existe uma relação entre os pensamentos de Larrose e Nóbrega, pois, de acordo com os discursos realizados nos estudos dos dois autores, conclui-se que as experiências que vivemos são responsáveis por resultar na ampliação de nossos saberes. Apoiamo-nos em Costa (2016, p. 56), para esclarecer que “esse saber da experiência é um singular, particular, subjetivo, relativo, pessoal. É um saber que não está isolado do indivíduo encarnado, experienciado, um sujeito que responde aos questionamentos do mundo”.
Em contraponto, vale destacar que os saberes do corpo na perspectiva do racionalismo moderno são vistos como fragmentados, assim como afirma Nóbrega (2010). De antemão, queremos deixar explícito que o pensamento da autora não está centrado em desvalorizar os princípios da racionalidade científica, nem o modo como eles enxergam o corpo para a realização de seus discursos e pesquisas. Em suas investigações, a autora procura saber desse modelo científico uma justificava e explicação para os fenômenos que acontecem em nosso interior, já que a perspectiva racionalista não leva isso em consideração para a produção do conhecimento. Entretanto, a autora afirma que nossa interioridade pode gerar uma comunicação sensível e estesiológica que produz uma gama de saberes.
Essa condição de porosidade, complexidade e inacabamento do nosso corpo, nos faz refletir sobre a dificuldade em descrever todos os saberes adquiridos por meio de nossas experiências, já que os mesmos também não são quantificáveis; são tantas experiências e saberes que o corpo vai adquirindo com os outros e com o mundo que nunca poderemos os quantificar, assim, afirmando o princípio fenomenológico do corpo e do mundo como vias inacabadas para as nossas experiências e construção de saberes.
Constatamos que isso não é visto como um empecilho para a área filosófica da Educação Física, mas se constitui como um desafio. Porém, a Educação Física se apropria dos estudos do filósofo contemporâneo, Merleau-Ponty, para nos auxiliar no modo de como investigar e compreender o corpo, sem excluir os sentidos e os sentimentos adquiridos durante nossas experiências. Nóbrega (2003, p. 02), uma das mais importantes representantes e estudiosas das pesquisas realizadas pelo filósofo, no Brasil, afirma que: “Considero Merleau-Ponty um pensador central para compreender a filosofia do século XX e particularmente para compreender os estudos do corpo e sua relação com a ciência, com a arte e com a educação física”.
O reconhecimento como uma das maiores pesquisadoras, a dedicação e o debruço de Nóbrega para compreender e repassar para a área da Educação Física, os pensamentos sobre o corpo, instituídos por Merleau-Ponty, são percebidos por Melo (2016 apud NÓBREGA, 2016, p. 10) quando ele depõe:
[...] a considero uma das mais fiéis intérpretes de Merleau-Ponty no Brasil, uma vez que, ao examinarmos sua produção intelectual, não encontramos vestígio de “traição” no tocante a sua opção teórica por Merleau-Ponty, bem como não se constata incoerência entre o pensar e o agir, principalmente na vida profissional. Afirmo, sem a menor sombra de dúvidas, que Petrucia é visceralmente merleau-pontiana.
É, sem dúvidas, que o surgimento dos estudos de Merleau-Ponty foi um passo muito importante para o campo da Educação Física e para o aumento na elaboração de estudos que buscam compreender o corpo em um sentido estesiológico. Porém, no início, ao mesmo tempo em que a sua filosofia sobre o corpo começou a ser investigada, cresceu-se, por outro lado, de