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C. POURSUIVRE LES INVESTISSEMENTS DANS LES RÉSEAUX

3. Les investissements dans les réseaux de distribution

Junto as feições da caricatura do homem nordestino, expressada por Luiz Gonzaga, por meio do seu vestuário, outro aspecto que auxiliou o artista a se tornar um símbolo das festas juninas foram as letras de suas músicas que, frequentemente, faz alusão à vida das pessoas que moram no sertão nordestino. A maioria das canções retrata os sofrimentos dos sertanejos com a escassez das chuvas e a fome. Até hoje, a música Asa Branca32 é concelebrada por retratar as

dificuldades de viver em uma terra com poucos recursos econômicos e hídricos.

32 A música Asa Branca é de autoria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, foi composta no dia 3 de março de

1947. O título da música refere-se a uma ave columbidae (refere-se a uma família de aves onde os pombos estão inseridos), existentes na América do sul e no Brasil em toda sua extensão. A asa branca possui penas brancas em todo comprimento de suas asas, caracterizando assim seu nome.

As bandas que se apresentaram no arraial de Santa Cruz – PB, tinham em seus repertórios poucos forrós no estilo a Luiz Gonzaga, apenas, algumas delas tocavam os sucessos do rei do baião, esporadicamente, no final de suas apresentações. O repertório das bandas davam preferências as músicas de forró que eram mais tocada, nas rádios naquele período. Contudo, as músicas do rei do baião e as que faziam sucessos, nos anos 80 e 90, como o forró das antigas, eram as que mais me animavam, e que faziam as pessoas dançarem em par.

De modo geral, os festejos juninos de Santa Cruz – PB, no ano de 2016, possibilitou- me conhecer símbolos que antes eu não dava tanta atenção. Percebendo a ausência de alguns desses símbolos, meu corpo junino começou a produzir estímulos, causando inquietações que eu só poderia respondê-las vivenciando as festas no ano posterior, em 2017. Dessa vez, as festas aconteceram nos dias 22, 23 e 24 de junho.

Como a gestão política da minha cidade mudou, pressenti que novos elementos simbólicos iam ser instituídos nos festejos do decorrente ano. Então, assim, decidi investir novamente o meu olhar nos festejos de rua, porém, dessa vez, apreciando apenas os fenômenos simbólicos que não foram contemplados em 2016.

Como eu estava procurando explorar brechas existentes para que meu corpo junino vivenciasse e descobrisse mais sobre o mundo junino, além de participar das festas de rua da minha cidade, acompanhei alguns costumes realizados por famílias, no período junino, e durante seis meses ensaiei com o grupo de quadrilha CIA Junina Luar de Alexandria – RN. Nessa condição, tive a oportunidade de saber mais sobre essa dança que é um folguedo típico do São João, bem como de acompanhar as comemorações festivas de outras cidades.

Por mais que eu tenha vivenciado as festas de São João no ano anterior, foi indispensável o início de nossas discussões abordando as mudanças que ocorreram na parte decorativa do local que, certamente, refletiu no significado simbólico das festas para aquele ano. Em geral, tais mudanças na decoração deixou o espaço do evento esteticamente mais bonito, quando comparado ao ano de 2016. A valorização e o investimento na estética do evento contribuíram para que a festa ganhasse um tom de modernidade, em que a simbologia do caráter rural, bucólico, antigo e sertanejo fosse minimizada, pelo menos na parte que dava acesso a entrada do arraial.

Foto 7. Entrada do arraial nos festejos juninos em Santa Cruz – PB, 2017 Fonte: Arquivo do pesquisador

A entrada do local, que antes era formada por um frontispício de casas feitas com pedaços de madeiras, cedeu espaço para uma fachada colorida com retratações de casas de designer arquitetônico mais moderno, mas que ainda retratam as fachadas de casas típicas das pequenas cidades do interior do Nordeste. No meio da fachada cenográfica, se destacava uma capela que ganhou destaque por possuir em seus contornos luzes branca de LED33, como

observada na foto 7.

O novo formato da entrada, que destacou a capela, deixou explícito que a organização do evento queria evidenciar o lado mais religioso da festa. Contudo, o formato da fachada não permitia que quem estivesse na parte exterior do evento visse o que estava acontecendo no interior. Isso permitiu para que o festeiro investisse um olhar voltado ao mistério, de possíveis inquietações, de pensar sobre o que está acontecendo na parte interna do local da festa.

Acredito que a figura da igreja representada pela capela exprime a fé e a religiosidade das pessoas nordestinas que creem nos santos juninos, inclusive os que moram naquele município. A sua disposição no centro da estrutura cenográfica da suposta vila, pode ser interpretado como uma tentativa de reafirmar o São João, apesar de seu sentido polissêmico, como também uma festa de cunho religioso, com o propósito central de aumentar a devoção das pessoas aos santos cultuados nos dias 13, 24 e 28 de Junho.

33 Diodo emissor de Luz.

Chevalier (1990, p. 500) aponta que a igreja simboliza “[...] o microcosmo e a alma humana”. Pelo descrito, entendemos que o pensamento do autor quer enfatizar a ligação que as pessoas possuem com a igreja, no sentido que a mesma se configura como um espaço sagrado, onde podemos buscar por Deus e os santos, para refletir sobre nossos pecados, angústias e dores e procurar discernimentos para sabermos, por meio da divindade, enfrentar e suportar os problemas da vida, a igreja é um socorro espiritual.

Para representar mais ainda que aquele local era realmente o espaço do forró, antes da fachada de entrada, os organizadores do evento expuseram sobre um monumento, as estátuas de três supostos músicos. As estátuas de cor única, em salmão, feitas em cimento, caracterizavam os homens nordestinos, vestidos com roupas iguais às de Luiz Gonzaga. Além disso, cada uma das estatuas possuía instrumentos34 musicais, que são utilizados no tradicional forró pé-de-serra, como observa-se na foto 8.

Foto 8. Estátuas dos músicos forrozeiros sobre monumento

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