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4.6 Optimisation multiobjectif par essaims particulaires basée sur la Clas-

4.7.1 Problèmes tests

(...) Eu notei que a gente dá muito a resposta pronta para eles (alunos), né?33

A Professora Maria Ângela, assim como Nelma, formou-se em Letras pela UFMG. Ela começou a lecionar há cinco anos, numa escola particular, em que ainda atua. Na mesma época, efetivou-se no Município, na escola em que foi realizada a observação (E3).

Com respeito a seu aprendizado de LI, Maria Ângela também freqüentou cursos livres de idiomas, anteriores à graduação em Letras e relata experiência internacional com o aprendizado do idioma, por meio de um curso de curta duração na Inglaterra, assim como a Professora Nelma. Em relação ao curso de graduação, Maria Ângela afirma ter convivido com professores que a estimulavam a aprender. Segundo ela, com exceção dos primeiros períodos no curso superior, em que apresentava-se muito tímida e engajava-se pouco em atividades orais, houve oportunidades para o desenvolvimento amplo da proficiência na LI.

Maria Ângela não mencionou espontaneamente, em seus relatos, nenhuma informação relativa à aprendizagem do ser professor de LI na graduação, tão pouco Nelma ou Patrícia o fizeram. Por isso, ela afirma que, no começo do exercício da profissão, precisou participar de um curso particular com uma professora doutora na área de Lingüística Aplicada, com quem teria tido contato com o Ensino de Inglês para

33 Fala da Profa. Maria Ângela acerca da análise das aulas, feita pela pesquisadora, em que os modos de

Fins Específicos, na habilidade leitura. Com efeito, Maria Ângela utiliza essa abordagem de leitura de textos em suas aulas.

O cenário de atuação da professora Maria Ângela, segundo ela relata e conforme pude também observar, oferece boas condições de trabalho. Ao contrário das professoras Nelma e Patrícia, a Professora Maria Ângela declara ter respaldo de seus superiores para realizar suas ações na sala de aula. Além de disso, a E3 dispõe de ampla estrutura física e material para apoiar a atividade docente. Ademais, diferentemente das professoras Nelma e Patrícia, a professora Maria Ângela assevera poder contar com a contribuição dos alunos para o ensino da LI. Para ela, esse é um fator recompensador e facilitador de seu trabalho.

As aulas de Maria Ângela são quase sempre voltadas para o trabalho com textos autênticos e outros retirados de provas de vestibulares. Ela, em geral, traça um roteiro para a compreensão dos textos em inglês e os discute, em português, com a turma. Os alunos usam os dicionários disponíveis na biblioteca, que são trazidos para a sala. Observei poucas atividades em que a compreensão ou a produção oral fossem desenvolvidas, pois o foco das aulas era, de fato, o ensino de leitura e vocabulário. Na única aula em que registrei uma atividade que envolvia oralidade, ela foi motivada, segundo Maria Ângela, pelas aulas de Metodologia do EDUCONLE

Das três professoras pesquisadas, Maria Ângela é aquela que mantém o piso conversacional por mais tempo. É também a menos interrompida pelos alunos, que trabalham quase sempre em grupos. Segundo ela, isso é reflexo do ambiente institucional da escola, no qual o controle disciplinar é rígido. Durante sua fala, quase

sempre de explicação ou instrução, costuma fazer perguntas facilitadoras aos alunos, quase sempre de múltipla escolha, ou previamente respondias, algumas vezes, por ela própria.

Conclusão do capítulo

Neste capítulo, apresentei, inicialmente, as bases etnográficas que fundam o estudo. Além disso, discuti os paradigmas êmico e ético (etic) de pesquisa. Procurei, também, demonstrar que a intenção de desenvolver um trabalho de conteúdo êmico, em que a perspectiva dos participantes é o ponto de partida, é inerente aos estudos qualitativos. No entanto, diferentemente do que propôs Dell Hymes (1972), defendi a necessidade de aproximar os participantes da pesquisa da análise e da interpretação dos dados coletados. Neste estudo, isso significou que as professoras participantes, durante as sessões colaborativas, tiveram acesso à análise preliminar das observações participantes realizadas em suas salas de aula. Essa prática de trabalho tornou os dados inicias, ao mesmo tempo, elementos éticos (etic) e êmicos de pesquisa, pois permitiu seu escrutínio pelas próprias participantes, que puderam sugerir novos modos para sua interpretação.

Posteriormente, apresentei as noções da AD que basearam a análise e a interpretação dos dados orais, bem como propus o construto tensão colaborativa, que orientou a realização das sessões colaborativas da etapa 1 da pesquisa e foi também utilizado como categoria de análise discursiva dessas sessões. Em seguida, apresentei os instrumentos de coleta de dados das etapas 1 e 2 do estudo e demonstrei seu significado para o trabalho. Então, descrevi os cenários da pesquisa, apresentando o EDUCONLE e

as quatro escolas pesquisadas. Apontei e discuti, ainda, as condições institucionais e macro-sociais que circundavam o trabalho das professoras em seus respectivos contextos de ensino e os reflexos delas na práxis. Assim, diferentemente do que habitualmente podia-se prever, na E4 (escola particular), por exemplo, as condições de trabalho eram, segundo a professora, bastante adversas, ao contrário de E3 (escola municipal), referência nacional de ensino de qualidade34. Finalmente, apresentei os perfis das participantes, com base nos instrumentos de cunho etnográfico de pesquisa e assinalei, entre outros aspectos, sua disposição voluntária em participar deste estudo para melhorar, segundo elas mesmas, a ação docente, atenuando os problemas do cotidiano escolar.

34 Esses indicativos foram divulgados pelo MEC (c.f. http://portal.mec.gov.br, acesso em 12/02/05) e