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Prerequisites on linear algebraic groups and arithmetic groups

Os primeiros professores do Brasil foram os padres Jesuítas, por meio da Companhia de Jesus. A missão deles era a “cristianização do indígena e o programa convencional de formação do clero e da elite dominante” (TEIXEIRA, 2005, p.134). Os Jesuítas trabalharam graus específicos da educação direcionados a seguimentos da sociedade. De acordo com Romanelli (2003) era organizado da seguinte maneira:

[...] educação elementar para a população índia e branca em geral (salvo as mulheres), educação média para os homens da classe dominante, parte da qual continuou nos colégios preparando-se para o ingresso na classe sacerdotal, e educação superior religiosa só para esta última. A arte da população escolar que não seguia carreira eclesiástica encaminhava-se para a Europa, a fim de completar os estudos, principalmente na Universidade de Coimbra, de onde deviam voltar os letrados. (ROMANELLI, 2003. p. 35).

Os padres jesuítas fundaram na Bahia, em 1550, a primeira instituição de ensino do Brasil. Sendo que no ano de 1553 instituiu-se o curso de Humanidade e, em 1572, os cursos de Artes e Teologia. Foram criados por eles dezessete colégios destinados a estudantes internos e externos, ou seja, para aqueles que queriam e para aqueles que não queriam seguir o sacerdócio. Portanto, os Colégios não tinham como objetivo exclusivo a formação do clero. Além dos sacerdotes, frequentavam os Colégios os filhos de funcionários públicos, de senhores de engenho, de criadores de gado e de artesãos.

O Colégio do Rio de Janeiro instituiu o curso de Filosofia em 1638. O Colégio de Olinda iniciou cursos superiores em 1687. Em 1678 funda-se o Colégio de Recife, cujos cursos superiores iniciaram em 1721. O Colégio do Maranhão iniciou a oferta de cursos superiores em 1688 e o do Pará em 1695.

O Estado de São Paulo também possuía Colégios Jesuítas e cursos superiores nos períodos citados sendo que, o ultimo curso superior criado por eles, antes de serem expulsos do Brasil, foi no Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte em 1750. (CUNHA, 2007).

Ofertava-se quatro graus de ensino: a) curso elementar – que consistia em ler, escrever, contar e o ensino religioso; b) curso de humanidades – que durava dois anos e, nesta fase, ensinava-se em latim a Gramática, a Retórica e Humanidades; c) curso de Artes, também chamado de curso de Ciências Naturais ou Filosofia – tinha duração de três anos e ensinava-se lógica, física, matemática, d) ética e metafísica; curso de Teologia – quatro anos de duração e conferia o grau de doutor (TEIXEIRA, 2005).

Embora, o ensino ofertado pelos Jesuítas na colônia fosse idêntico ao de Portugal, de Évora, era necessário que os alunos da colônia repetissem o curso em Portugal e, ainda, passassem por exames de equivalência (CUNHA, 2007). Nas tentativas de reconhecimento do curso de Artes da colônia uma das justificativas utilizadas pela Coroa, para negar os pedidos, foi de que os brancos da Bahia não queriam que seus filhos estudassem com os moços pardos.

Não havia, pois, na Colônia estudos superiores universitários, a não ser para o clero regular ou secular [...] para os que não se destinavam ao sacerdócio, mas a outras carreiras, abria-se, nesse ponto de bifurcação, o único, longo e penoso caminho que levava às universidades ultramarinas, à de Coimbra [...] e à de Montpellier [...]. (AZEVEDO, 1971, p. 532).

Portanto, os jovens que concluíam seus estudos nos colégios Jesuítas e decidissem continuar estudando, deveriam deslocar-se à Europa, em especial, a Universidade de Coimbra. Percebe-se, claramente, que já naquela época havia elitismo e preconceito com raças e classes sociais com relação à educação.

A Espanha, diferentemente de Portugal, investiu no ensino superior de suas Colônias, talvez porque já no século XV, a Espanha contasse com oito universidades renomadas na Europa, enquanto Portugal tivesse apenas uma. Segundo Fernandes (1984, p.32) “a tradição portuguesa foi uma das mais pobres em termos de dinâmica da civilização”.

O Brasil constitui uma exceção na América Latina: enquanto a Espanha espalhou universidades pelas suas colônias – eram 26 ou 27 ao tempo da independência –, Portugal, fora dos colégios reais dos jesuítas, nos

deixou limitados às universidades da Metrópole: Coimbra e Évora. (TEIXEIRA, 1999, p. 29).

Desta maneira, os portugueses nascidos no Brasil, como eram reconhecidos no tempo do Brasil Colônia, após completarem seus estudos em colégios Jesuítas se deslocavam a Portugal para estudar na Universidade de Coimbra. Naquela época os cursos oferecidos eram: Teologia, Direito Canônico, Direito Civil, Medicina, Filosofia, Ciências Físicas e Naturais. Notadamente, esses alunos eram filhos da elite e faziam parte da classe social burguesa. (TEIXEIRA, 2005).

Somente no ano de 1689, por meio de uma carta régia, o Estado reconhece o estatuto civil dos Colégios Jesuítas e, desta maneira, os estudantes formados em Filosofia podiam ingressar nos cursos da Universidade de Coimbra sem precisar de novos cursos complementares ou exames de equivalência. (TEIXEIRA, 2005).

Os Jesuítas foram expulsos do Brasil no ano de 1759 por meio da reforma Pombalina8. Pombal cria na Colônia a figura do Diretor Geral dos Estudos que

seria o responsável pela gestão da educação e da fiscalização da ação dos professores e o material didático a ser utilizado por eles. O ensino continuava a servir os filhos da elite. (TEIXEIRA, 2005).

As consequências das mudanças na organização educacional jesuítico e a implantação de um novo projeto educacional, foram bastante prejudiciais ao Brasil. Em especial ao ensino superior, pois, somente em 1776, criou-se novas instituições de ensino superior. No novo sistema de ensino o curso superior completo tinha duração mínima de sete anos, no mínimo, para ser concluído. Os discentes passavam por exames anuais, perante bancas de professores, onde não era permitida à participação do professor da matéria e a nota da avaliação ocorria por voto secreto. (CUNHA, 2007, p. 55).

8 “A política pombalina consistiu num conjunto de medidas que visavam criar condições para que ocorresse em Portugal a industrialização que se processava na Inglaterra, de modo que se pudesse dispor dos requisitos econômicos para a quebra da situação de subordinação. Era em suma, uma tentativa de superar a dominação, tornando-se igual ao dominador, assimilando aquilo que lhe dava força para dominar: o poderio econômico” (CUNHA, 2007, P. 42). Por meio do Alvará Régio de 28 de junho de 1759, o Marquês de Pombal, eliminava as escolas jesuíticas e as substituía pelas aulas régias ou avulsas de Latim, Grego, Filosofia e Retórica. Resumidamente a expulsão dos Jesuítas ocorreu porque não comungavam com a reforma pombalina, em especial, no que dizia respeito aos índios e sua integração no setor dominante da produção.