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Applications to the groups of homotopy self-equivalences of spaces

1. Introduction

1.4 Applications to the groups of homotopy self-equivalences of spaces

A definição do método de pesquisa orienta o pesquisador na sua busca por respostas ou soluções a algum problema que o tenha inquietado. Consiste na elaboração de um planejamento que o direcione na investigação, na definição do caminho a ser seguido e dos mapas que deverão ser analisados para não se desviar por caminhos indevidos.

A investigação é apaixonante e, por isso, pode inebriar o pesquisador que corre o risco de perder-se ou desviar-se do rigor científico trazendo prejuízos na conclusão de sua pesquisa. Isso acontece, porque é difícil manter distanciamento das crenças, sentimentos, maneira de ser ou agir que tende a influenciar no momento da interpretação dos dados. Sobre essa questão Durkheim (2007) define que:

É preciso, portanto, que o sociólogo, tanto no momento em que determina o objeto de suas pesquisas, como no curso de suas demonstrações, proíba-se resolutamente o emprego daqueles conceitos que se formaram fora da ciência e por necessidades que nada têm de científico. [...] Apaixonamo-nos, com efeito, por nossas crenças políticas e religiosas, por nossas práticas morais muito mais do que pelas coisas do mundo físico; em consequência esse caráter passional transmite-se à maneira como concebemos e como nos explicamos as primeiras. (DURKHEIM, 2007, p. 32-33).

A relação dialética entre o pesquisador e seu objeto de pesquisa é uma das características que os métodos em ciências sociais apresentam, sendo essa relação de grande valia aos resultados. A definição da arquitetura da investigação vai permitir o equilíbrio entre a cientificidade e a subjetividade do conhecimento do sujeito-pesquisador de maneira que a pesquisa não sofra interferências além do aceitável.

Gonçalves (1995) define que um método não é autônomo e que ele está ligado ao sujeito do conhecimento que o utiliza para concretizar sua investigação e escreve que:

As etapas que este sujeito organiza para chegar ao objeto constituem o método, que será adequado, na medida em que permite ao sujeito uma aproximação do objeto para captá-lo em sua realidade. O método está, assim, intimamente vinculado à intencionalidade do sujeito cognoscente; a um objeto, que é o alvo dessa intenção e que possui por sua vez uma opacidade que o investigador busca desvelar; e à

relação entre sujeito e objeto, que não se reduz a uma relação linear, preenchida por etapas que se constituiriam no próprio método, mas é uma relação de mútua dependência ontológica, pois não podemos pensar em um sujeito sem um objeto, nem em um objeto sem um sujeito. (GONÇALVES,1995, p. 368).

Nesta perspectiva, esta pesquisa possui abordagem qualitativa e quantitativa, que não são excludentes, nem incompatíveis ao contrário, podem ser complementares (MINAYO, 2009); (PINTO; GUAZZELLI, 2008).

estes dois tipos de abordagem e os dados delas advindos não são incompatíveis. Entre elas há uma oposição complementar que, quando trabalhada teórica e praticamente, produz riqueza de informações, aprofundamento e maior fidedignidade interpretativa. (MINAYO, 2009, p. 22).

Em relação aos procedimentos, a pesquisa é bibliográfica, documental e de estudo de caso. A revisão bibliográfica, segundo Santos (2009, p.130) é de grande importância na fase inicial da pesquisa para mapear o “estado da questão”, bem como, para a delimitação do tema. Com relação à pesquisa documental a autora define que é “uma das técnicas mais antigas da história do pensamento humano, tendo atualmente importante desenvolvimento pela digitalização e ampliação do acesso on-line”. (SANTOS, 2009, p. 131).

O estudo de caso é um tipo de pesquisa que busca se aprofundar em determinado tema de uma instituição específica De acordo com YIN (2001), “representa uma maneira de se investigar um tópico empírico seguindo-se um conjunto de procedimentos pré-especificados”. (YIN, 2001, p.35).

Ainda, de acordo com Yin (2001), ao adotar este tipo de estudo, o pesquisador deve ter algumas habilidades, e, dentre elas, cita-se: “ [...] ser capaz de fazer boas perguntas – e interpretar as respostas; [...] ser uma boa ouvinte e não ser enganada por suas próprias ideologias e preconceitos; [...] deve ter noção clara das questões que estão sendo estudadas [...]”. (YIN, 2001, p.81).

O estudo de caso foi realizado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Campus de Cascavel, que contabilizou, no recorte temporal estabelecido para esta pesquisa, qual seja, 2012 a 2016, o total de 1.652 alunos evadidos de seus cursos de graduação. Este montante foi identificado a partir do quantitativo de registros de situações de matrícula, junto ao Sistema de Controle

Acadêmico (Academus)4, sendo o total de 1.149 lançamentos de “cancelado por

abandono” e o total de 503 lançamentos na situação “cancelado”.

O lançamento da situação “cancelado por abandono” ocorre, de acordo com os artigos 91 e 92, do Regimento Geral da instituição, quando o acadêmico:

I - É reprovado por exceder o número máximo de faltas permitidas em todas as disciplinas em que estiver matriculado no respectivo ano letivo, mesmo que tenha obtido aproveitamento de estudos no período; II - não requerer, nos prazos estabelecidos no calendário acadêmico: a) o trancamento de matrícula, na totalidade das disciplinas em que estiver matriculado; b) a renovação da matrícula a que está apto; c) a reabertura de matrícula ou a não renovação do trancamento, se permitido. (UNIOESTE, 2004, p.8).

O lançamento da situação “cancelado”, de acordo com o artigo 93, do Regimento Geral da instituição, ocorre quando o aluno solicita por meio de requerimento ou compulsoriamente quando:

a)o aluno não integralizar, no prazo máximo fixado, o currículo pleno do curso; b) houver abandono do curso por mais de um ano letivo; c) o aluno não confirmar a matrícula, nas datas previstas no calendário acadêmico; d) o não recebimento da guia de transferência da instituição de origem nos prazos previstos. (UNIOESTE, 2004, p.8).

Em ambas as situações, seja cancelado ou cancelado por abandono, fica caracterizada à evasão do curso.

Os dados necessários para o contato com os alunos evadidos foram fornecidos pela instituição por meio da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), que os extraiu de um relatório específico do Academus. Nesse relatório, constavam, também, dados dos evadidos com relação: à idade, ao gênero, ao curso, ao turno e ao e-mail. Para a elaboração do índice de evasão, utilizou-se dados constantes na página da instituição, disponíveis nos boletins anuais de dados estatísticos, bem como, dados fornecidos pelo NTI em 14-05-2019, no que tange ao quantitativo de alunos na situação cancelado e cancelado por abandono.

No que tange ao levantamento das causas da evasão discente, utilizou- se um questionário com questões de múltipla escolha e duas perguntas abertas.

4 O Sistema de Controle Acadêmico, cuja sigla é Academus, é um sistema de gestão acadêmica da Unioeste que gerencia desde o ingresso dos acadêmicos em cursos de graduação da UNIOESTE até a sua desvinculação da universidade.

Considerando que os dados de contato com os alunos evadidos não estavam atualizados, como e-mail e telefone, não foi possível o acesso a toda a população. Além deste fato, alguns evadidos podem não ter participado da pesquisa por falta de interesse, enquanto outros, por motivos sociais e/ou psicológicos, podem possuir algum receio em relatar a motivação da desistência. Assim, obteve-se o retorno de 224 discentes evadidos, que participaram respondendo ao questionário online5. É importante relatar, que antes de

responderem ao questionário, os discentes leram o TCLE6 e o assinaram, de

maneira digital, concordando em participar da pesquisa.

O questionário destinado aos alunos evadidos foi dividido em duas partes, sendo: a) dados para o perfil do evadido respondente; e b) causas da evasão. Com relação à formatação da segunda parte do questionário que tratou das causas de evasão, optou-se por disponibilizar ao discente um rol de possíveis causas. Essas possíveis causas foram identificadas por pesquisadores citados nessa pesquisa e foram utilizadas para que os ex-alunos indicassem quais causas influenciaram na decisão da evasão.

A escolha foi realizada a partir de uma escala Likert variando entre: nenhuma influência (0% de influência na decisão de desistir) e muita influência (100% de influência na decisão de desistir). Os intervalos entre pouca, alguma e bastante influência, foram escolhidos pelo evadido respondente para indicar que de alguma maneira aquela opção o influenciou na decisão. Preocupou-se, ainda, em deixar um espaço para que o ex-aluno relatasse, caso quisesse, sua experiência com a decisão em desistir do curso. Para tanto, a última pergunta do questionário foi: “Gostaria de fazer algum desabafo sobre sua experiência de evasão na Unioeste?”.

A tabulação dos resultados foi feita por meio de planilha Excel tendo-se o cuidado de espelhar o resultado por curso para, somente depois, realizar a totalização do Campus de Cascavel. Desta maneira, pôde-se analisar as possíveis diferenças de causas entre os diferentes cursos e Áreas do Conhecimento.

5 O questionário online utilizado para a pesquisa foi o Google Forms, disponível em https://www.google.com/forms, cujo link foi enviado no e-mail de cada um dos evadidos mediante o e-mail informado pela instituição.

Calculou-se, para cada causa, o impacto médio que é resultante da divisão do quantitativo de respondentes pelo resultado da multiplicação de pesos às alternativas: 1 – Nenhuma Influência, 2 – Pouca Influência, 3 – Alguma Influência, 4 – Bastante Influência, e 5 – Muita Influência.

Quadro 1 - Exemplificação do Cálculo do Impacto Médio das Causas de Evasão Discente INFLUÊNCIA NA EVASÃO Soma (a+b+c+d+e) (f) Total com Peso (g) Impacto Médio (g/f) Nenhuma

(a) Pouca (b) Alguma (c) Bastante (d) Muita (e) Peso 1 Peso 2 Peso 3 Peso 4 Peso 5

Causa X 223 0 1 0 0 224 226 1,01

Causa Y 224 0 0 0 0 224 224 1,00

Causa Z 0 0 50 100 74 224 920 4,11

Fonte: Elaborado pela autora.

Conforme demonstrado no Quadro 1, se o impacto médio for “1,00” significa que a causa não teve nenhuma influência na decisão do aluno evadido. A causa passará a ter alguma influência na decisão pela evasão a partir do impacto médio de “1,01”. No exemplo, 223 evadidos respondentes apontam que a causa “x” não teve nenhuma influência em sua decisão pela evasão. No entanto, um evadido respondente informa que a mesma causa “x” teve alguma influência em sua decisão.

Assim, calculou-se o impacto médio para cada causa de acordo com o curso para somente depois os aglutinar no somatório da instituição, foco deste estudo de caso. Seguindo essa metodologia, no item 5.2, os quadros apresentam o somatório da instituição, porém, nas análises, quando se mostrou pertinente, fez-se inserções de comentários referindo-se ao curso com maior ou menor influência em cada causa.

O instrumento de pesquisa adotado para compreender a percepção sobre a evasão por parte dos coordenadores de curso de graduação e gestores-chave, foi uma entrevista semiestruturada. Os gestores-chave, delimitados para esta pesquisa, são: Reitor, Pró-Reitora de Graduação, Assessora de Assistência Estudantil da Unioeste, Diretor Geral do Campus de Cascavel e Assessora

Pedagógica7 do Campus de Cascavel. A escolha por estes gestores foi feita em

função da responsabilidade que lhes é atribuída, estatutariamente e por meio de definições emanadas do Conselho Superior da Instituição, envolvendo ações administrativas e pedagógicas no que concernem políticas de acesso e permanência dos alunos de graduação.

Para o tratamento dos dados da entrevista, aplicou-se a análise de conteúdo visando ao melhor entendimento na comunicação entre pesquisador e pesquisados.

A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens. (BARDIN, 2011, p. 48).

No contexto desta pesquisa, o fenômeno denominado “evasão” é entendido como a saída do aluno do curso em que se encontrava matriculado antes de concluí-lo, ou seja, alunos evadidos são aqueles cujos registros da Unioeste indicam situações de cancelado ou cancelado por abandono.

Para a pesquisa documental foram consultados os regulamentos da instituição que continham, de alguma maneira. políticas de permanência, o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), o Plano Diretor e o Relatório Final da Avaliação Institucional do último ciclo avaliativo.

Esquematicamente, os capítulos desta tese seguem a seguinte organização: capítulo I: Introdução, contendo o memorial da pesquisadora, o tema e o problema de pesquisa, a justificativa, os objetivos e a metodologia utilizada.

No capítulo II, buscou-se resgatar a história da implantação do ensino superior no Brasil, em especial, da Universidade, revisitando o caráter elitista de sua origem, bem como, a interferência do Estado no seu funcionamento e sua interação com a sociedade. Neste capítulo, apresentou-se, também, as políticas públicas existentes no Brasil que abraçam a causa da permanência e democratização da universidade.

No capítulo III, procurou-se revisar e evidenciar autores que pesquisaram e publicaram estudos sobre a cultura e sua relação com a produção e reprodução social. Para isso, buscou-se identificar como e em que proporção a cultura do individual e coletiva, em especial a familiar, interfere na educação de nível superior, em sentido de incluir ou excluir o discente do meio universitário em função de seu nível cultural ou social. Neste capítulo, tratamos, também, sobre a evasão, discorrendo sobre suas causas e consequências sociais de acordo com a bibliografia consultada, considerando que a evasão é decorrente de algum tipo de exclusão. Consta também o estado da arte, ou seja, relato dos estudos já realizados em universidades brasileiras sobre o tema.

No capítulo IV, consta a caracterização da Unioeste, locus deste estudo de caso, contando sobre sua origem e as dificuldades que a comunidade passou para convencer o Governo do Estado do Paraná sobre a importância da Universidade Pública no desenvolvimento da região Oeste do Paraná. No capítulo relata-se sobre as políticas de permanência adotadas pela instituição e sua inserção no Programa Nacional de Assistência Estudantil para as instituições de educação superior públicas estaduais (PNAEST). Destaca-se, ainda, o que consta no planejamento estratégico da Unioeste sobre evasão discente.

O capítulo V é composto pela apresentação dos dados coletados e devidamente tratados resultando nas análises e entendimentos de acordo com a teoria abordada na Tese, que envolve o perfil dos estudantes evadidos, as causas de evasão conforme informações dos evadidos respondentes e a percepção dos coordenadores de curso e gestores-chave sobre o fenômeno da evasão do Campus de Cascavel, Unioeste.

E, por fim, no tópico final, o capítulo VI, são apresentadas as considerações finais sobre os achados da pesquisa, aprendizados e apontamentos para investigações futuras.

2 CONTEXTUALIZANDO A UNIVERSIDADE NO BRASIL DESDE SUA