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Chapitre 5 – L’affirmation de la médecine thermale

5.1 Prendre les eaux dans l’Europe du XVIII e siècle

Na presente seção, propomo-nos a esboçar um modelo que facilite a compreensão das implicações epistemológicas da mediação, levando em conta que a incipiência de nosso protomodelo não abarcava a dimensão e a complexidade inerentes ao exercício da mediação educomunicativa. Assim, alguns elementos deverão ser acrescentados às formulações originais — como os conceitos de mediância e mediatividade aqui propostos — e outros melhor desenvolvidos — como a questão do objeto na mediação. O que buscamos, com tais acréscimos, é uma contribuição efetiva para o entendimento e contextualização da MTE na Educomunicação.

Esse modelo complexo a que nos referimos será desenvolvido a partir da assimilação de elementos dos modelos comunicativos e educacionais que analisamos até aqui, na esperança de compor e fortalecer os conceitos-parâmetros que utilizaremos para avaliar projetos de MTE.

Para não nos apartarmos das aquisições teóricas e conceituais expressas no final do capítulo anterior e na primeira parte do presente, listaremos alguns pressupostos de base sobre a mediação. Em seu conjunto, eles são constatações — mas também inferências — que pudemos abstrair da análise etimológica e da aproximação de idéias entre os autores do campo da Comunicação e os educadores da corrente sociointeracionista e, principalmente, da obra de Vigotsky:

I. a mediação educomunicativa é um fenômeno de natureza estritamente cultural ou, se preferirmos, sociocultural (Serrano, Martín-Barbero). Essa concepção de cultura integrada (ou imbricada) no plano social origina-se, em grande parte, dos estudos marxistas. Ao que tudo indica, a conceituação de cultura em Vigotsky257 revela-se bem próxima daquela estabelecida pelos

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COLE assinala que “(…) a idéia básica que pode ser retrospectivamente traçada até a antigüidade e que forma a base de boa parte da teorização antropológica, é a noção de que os seres humanos vivem em um ambiente transformado pelos artefatos das gerações anteriores, estendendo-se até o início das espécies. A função básica desses artefatos é coordenar os seres humanos com o mundo físico e uns com os outros. Em conseqüência, os seres humanos habitam um ‘mundo duplo’, ao mesmo tempo ‘natural’ e ‘artificial’. A cultura nesse sentido deve ser considerada o único meio da existência humana” (COLE, 1996: 87).

comunicólogos258 pois, numa mesma tentativa de “abandonar o positivismo sem cair no reducionismo funcionalista, ele apresenta sua psicologia como sócio- histórico-cultural” (BLANCK, 1996: 42);

II. a mediação — como assinalado anteriormente, ao apresentarmos nosso protomodelo — é um processo dinâmico (não um “estado”), isto é, implica na interação ativa dos elementos que nela se relacionam. Nesse sentido, reforçamos que mediador é todo aquele que participa do processo mediatório, variando o grau de protagonismo que cada um exerce na condução do processo259;

III. essa participação ativa, por sua vez, implica e apóia-se na existência de quatro pré-condições inter-relacionadas, as quais podem se manifestar com maior ou menor intensidade260, clareza261 e completude262. São elas:

a. intencionalidade, isto é, a presença de um propósito ou deliberação definido a priori, sem a qual o processo mediatório perde seu sentido;

b. consciência, colocada no sentido de “percepção” mais ou menos precisa das causas e conseqüências do processo;

c. consensualidade, identificada com a concordância (anuência) em relação ao propósito e às condições envolvidas no processo;

d. simetria, entendida como a relativa igualdade ou equivalência de “poder” para dirigir ou influenciar o processo da mediação;

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Provavelmente por influência comum do pensamento histórico-dialético.marxista. 259

Para aclarar melhor esse aspecto propomos, ainda neste capítulo, as noções de Mediatividade e

Mediância.

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“Característica do que é intenso; força, vigor” (HOUAISS, 2007). 261

“Qualidade do que é inteligível” [desambigüidade] (HOUAISS, 2007). 262

IV. além de dinâmico, o processo da mediação é cíclico, isto é, ele não apenas “comporta”, mas alimenta-se do feedback como um apoio ao esforço de mediação. Essa realimentação manifesta-se de forma comunicativa, reorientando o trabalho do mediador de acordo com a necessidade do contexto;

V. podemos considerar a existência de um quadro mínimo de elementos constituintes (ou estruturais) do processo mediatório, a saber:

a. os agentes mediadores, que são sempre, em maior ou menor grau,

protagonistas da mediação — isto é, demonstram poder de condução

—, o que acarreta a inexistência de sujeitos totalmente mediados, ou seja, sem voz ativa no processo. O protomodelo pode ter dado uma impressão simplista do processo de mediação, fazendo entender que A e C equivaleriam a “indivíduos” entre os quais B faria a mediação. Entenda-se, no entanto, que o esforço de mediação que é dispendido por B (ATENÇÃO: a letra representa uma posição relativa na estrutura da mediação, não um ente individual específico) vai ao sentido de aumentar o coeficiente comunicativo263 entre um objeto de mediação — C, por exemplo — e o outro pólo da mediação, representado por A264;

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Esse conceito, já referido em nota de rodapé no capítulo I, é, segundo TAVARES JR.: “O conceito de ‘coeficiente comunicativo’ diz respeito à intensidade quantitativa e qualitativa das diferentes formas de expressão e comunicação tanto entre indivíduos como entre um centro emissor e uma grande audiência. Trata- se de responder à seguinte pergunta: De que forma e quanto os indivíduos e os grupos estão se comunicando? Leva em conta não apenas a quantidade de emissão de mensagens, mas também a complexidade tanto da própria mensagem como do processo criado na relação emissor-receptor. Trata-se de transformar relações burocráticas, pragmáticas e frias em ‘trocas’ ricas, profundas, educativas e envolventes” (TAVARES JR., 2007: 73). Esta síntese do autor tem por base as colocações de Martín-Barbero e Ismar de O. Soares.

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Talvez haja a necessidade de se estabelecer — o que evitamos claramente até aqui — uma distinção nominal de papéis entre o mediador ativo, que concentra o protagonismo, e o outro mediador, parceiro ou coadjuvante. Dada a relação de poder implícita, em maior ou menor grau, nesses conceitos, preferimos deixar esta lacuna por preencher.

b. o objeto da mediação, que acrescentamos a nosso modelo com base no conceito de objeto cultural265. Nesse sentido, a escola geralmente entende que o objeto de mediação seja o conjunto dos saberes constituídos, enquanto os meios consideram que ele seja a informação. Em algum ponto do caminho entre uma visão e outra, a Educomunicação define (caso a caso) ou definirá (epistemologicamente, como conceito) seu próprio objeto;

c. os objetivos da mediação, já que o processo mediatório não se encerra nele próprio, têm que ser orientados para conduzir da necessidade aos resultados. Não podemos negar a dificuldade que existe em se manter, numa perspectiva que valoriza o protagonismo do sujeito, a noção usual de objetivo como item formal de um projeto de ação (ainda que educomunicativa). Por ora, apontamos como apoio a noção expressa por BOUTINET, para quem “Os objetivos não são mais que o centro do dispositivo, mas apenas um de seus elementos, elemento regulador da ação a ser empreendida, elemento certamente importante, porém com a condição de ser recolocado no contexto que lhe dá pertinência” (BOUTINET, 2002: 192);

d. os fluxos mediatórios, linhas imaginárias que indicam o sentido, a intensidade e a direcionalidade da mediação. Ainda que representem uma ação imaginária, entendemos que podem ser uma abstração útil para avaliar parâmetros, como o coeficiente comunicativo e o protagonismo envolvidos na mediação educomunicativa;

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De acordo com DUARTE: “Um objeto cultural, seja ele um objeto material, como por exemplo um utensílio doméstico, seja ele um objeto não material, como uma palavra, tem uma função social, tem um significado socialmente estabelecido, ou seja, deve ser empregado de uma determinada maneira (o fato de que o objeto cultural tenha, muitas vezes, mais de uma função não altera a regra de que sua existência está necessariamente ligada à prática social. O processo de objetivação é, portanto, o processo de produção e reprodução da cultura humana (cultura material e não-material)” (DUARTE, 2005: 33). De acordo com o mesmo autor, “objetivação” é um conceito marxista aportado por Leontiev ao sociointeracionismo.

e. o espaço da mediação, o meio por excelência, não só como um lugar imaginário do tipo “neutro”, mas o ambiente em toda a sua especificidade, permeável ao fluxo constante de interações. A Educomunicação adotou, em seus pressupostos, o conceito de “ecossistema comunicativo-educativo”, o qual pode ser entendido como um espaço de mediação reconhecível e estruturado;

f. os resultados da mediação, que são referenciados nos objetivos e expectativas (motivações, necessidades) pré-estabelecidos pelos mediadores na forma de concretização de seus objetivos previamente acordados. Como assinalado anteriormente, a ação busca a sinergia.

Os tópicos descritos acima representam o primeiro esboço de um modelo em construção e não de um esquema pronto e acabado. Consideramos, porém, que servem já como base para a edificação de uma modelo objetivo mais próximo — ainda que por analogia — das aplicações que a Educomunicação encontra nos contextos que a acolhem

Uma vez que evitamos a tarefa de mapear um quadro político dentro da relação mediatória, assumimos, em troca, a proposta de definir novos parâmetros para conceituar a matriz do protagonismo exercido pelos mediadores. Assim, julgamos oportuno apresentar os termos que desenvolvemos com base na idéia de modalidades de ação mediadora, aos quais preferimos chamar de (1) Mediância e (2) Mediatividade.

Vamos ao seu detalhamento:

Levando em conta que a mediação é uma ação executada por agentes bem definidos, seu exercício pode ser observado e qualificado à luz do maior ou menor grau de iniciativa das partes envolvidas266. Essa prerrogativa — que na prática, no mais das vezes, é já fornecida por instituições organizadoras267 — define o papel e os limites da atuação mediadora.

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O qual, por sua vez, denota geralmente uma co-relação com o grau de consciência maior ou menor do mediador a respeito do processo (objetivos, objeto, espaço, etc.).

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O que não impede, eventualmente, que seja subvertida — não necessariamente por um viés depreciativo — pelos envolvidos no processo.

Posto isso, denominamos mediatividade à capacidade do agente para influenciar e conduzir o processo da mediação, enquanto chamamos mediância à atitude coadjuvante ou de “menor proatividade268” do mediador.

A escolha por mediatividade não se baseia em grandes rebuscamentos lingüísticos: apenas pretende asseverar o caráter de atividade já inferido no sufixo ação da própria palavra mediação.

Já a construção mediância é uma derivação simples (adjetivação e nova substantivação) do substantivo mediante269. Há uma indicação na etimologia do italiano (idioma em que o termo “mediante” ocorre com a mesma grafia e sentido que no português) sobre a existência do termo mediãns como origem de mediantis (BATTISTI & ALESSIO, 1952: 2402).

É importante esclarecer que esses conceitos não constituem um par de opostos perfeito, isto é, não podem ser considerados antônimos, caso contrário, só precisaríamos de um dos conceitos, pois a ausência (ou negatividade) da qualidade a ele associada poderia ser expressa em termos de grau — maior ou menor. Essa não é nossa intenção, por isso, frisamos que a mediatividade equivaleria, na Comunicação, à ação do emissor e a

mediância à do receptor. Já no campo da Educação, a analogia fica por conta da relação

Professor/Educador (mediativo) e Aluno/Aprendiz (mediante).

Assim, acreditamos que fica evidenciado o grau de complexidade das relações envolvidas, que não caberiam em parâmetros simples como “mais ativo”, “menos ativo”, “com poder de decisão” ou “sem poder de decisão” e similares, uma vez que os protagonistas em situações reais apresentam um leque de possibilidades muito maior do que os papéis a eles destinados pela convenção do senso comum.

Por outro lado, é quase desnecessário assinalar que nenhum dos dois termos consta no léxico português-brasileiro.

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O adjetivo “Proativo” figura no léxico como “que visa antecipar futuros problemas, necessidades ou mudanças; antecipatório” (HOUAISS, 2007). No jargão coloquial da metodologia de projetos e, por contaminação extensiva, proatividade é entendida, muitas vezes, como “iniciativa” em um grau elevado. 269

Registrado no léxico como adjetivo e proposição sem perder o sentido de “função de intermediário” (HOUAISS, 2007). A título de curiosidade, no jargão da Música — nossa influência assumida —, o termo (no feminino: “a mediante”) denomina a nota que numa escala musical define se o modo é menor ou maior.

Em relação a tudo o que colocamos até aqui e para transcendermos o nível do raciocínio espacial básico — exatamente aquele empregado na composição do protomodelo —, recorreremos a outro modelo analógico, ao qual chamaremos de “Metáfora da

Orquestra”.