A Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL) é conhecida como uma empresa competitiva e inovadora, sendo referência no mercado nacional e internacional. Tem forte presença no imaginário brasileiro, pois, durante muito tempo, deteve o monopólio das telecomunicações no país.
A Empresa é fruto de um dos primeiros esforços do governo para estruturar e controlar o setor de telecomunicações no Brasil, sendo concebida a partir da aprovação do Código Brasileiro de Comunicações (CBT) em 1962, através da lei nº 4.117, onde previa a criação de uma companhia pública responsável pela operação dos serviços internacionais e de longa distância. No entanto, só veio a ser criada em 1965 em pleno regime militar (EMBRATEL, 2005a).
Em 1967 passou a integrar o Ministério das Comunicações (Minicom), instituído naquele ano e, em 1972, foi transformada em sociedade de economia
mista, tornando-se uma subsidiária da Telecomunicações Brasileiras S. A. (TELEBRÁS).
A Telebrás atuava como holding de um sistema destinado, entre outras atividades, a coordenar todo o desenvolvimento das telecomunicações no país, sobretudo dos serviços locais, até então caóticos e carentes de investimentos muito mais significativos em relação aos necessários na infra-estrutura de longa distância. A Telebrás veio, portanto, preencher essa lacuna, com a flexibilidade de uma organização empresarial privada, que pudesse implementar a política geral de telecomunicações estabelecida pelo Ministério das Comunicações. A primeira grande tarefa da Telebrás foi a incorporação das operadoras locais e, desta ação, resultou o sistema Telebrás (STB), constituído de 22 subsidiárias e 4 associadas (TELEBRASIL, 2004).
A Embratel tinha abrangência nacional, sendo responsável pela comunicação de voz, isto é, a telefonia de longa distância nacional e internacional, e pela comunicação de dados. Na prática, significava que a Embratel tinha o domínio do mercado das grandes empresas nacionais e multinacionais, enquanto suas concessionárias locais eram responsáveis pela telefonia local e atendimento de conexão da central até a residência do cliente.
Entre os anos de 1974 e 1977, o sistema de telecomunicações passou dos 2,5 milhões de telefones em serviço, para 4,5 milhões. O número de telefones públicos evoluiu de apenas 13.000 para 31.000 telefones em funcionamento. Em 1974, o Brasil dispunha de 39.000 canais de voz instalados. Esse número, ao final de 1977, chegou perto de 115.000, o que corresponde a um crescimento de quase três vezes (EMBRATEL, 1998).
O período de 1978 a 1981 assistiu à crise do petróleo mundial e como fruto da instabilidade externa, a Telebrás precisou limitar investimentos, cortar encomendas e rever as metas de expansão programadas. Nessa época o Brasil importava 75% do que consumia. Apesar da indústria de telecomunicações sofrer com os cortes de investimentos do governo federal, a Embratel conseguiu avançar inaugurando uma central de telex, o transdata (serviço de dados), tudo financiado em metade pela própria empresa (TELEBRASIL, 2004).
A recessão econômica de 1982/83 deixou o país com 37 mil desempregados. Mesmo com a inflação no patamar dos 100%, a politização crescente dos cargos gerenciais e o achatamento salarial, o sistema Telebrás atingiu um quadro de 100 mil funcionários. Preocupada com o quadro estabelecido, e a perda de pessoas pela corrosão salarial, a Telebrás tentou sensibilizar o setor, realizando diversos seminários para discutir a importância dos recursos humanos e evitar a saída dos profissionais pela corrosão salarial (TELEBRASIL, 2004).
O ano de 1985 marcou o fim do regime militar e início do governo Sarney. Essa fase foi marcada pela estagnação do crescimento da Telebrás, gerando escassez de novas linhas, degradação da qualidade das comunicações, e planos de expansão onerosos com prazos dilatados. Nos 20 anos de governo militar, a Embratel teve como prioridade interligar todas as capitais brasileiras com seus troncos, chegando ao desempenho de 40% das comunicações de dados nacionais (TELEBRASIL, 2004).
No entanto, foi a partir de 1990, com o contexto mundial marcado pela globalização dos mercados, o Brasil decidiu abrir sua economia ao mundo. O plano de estabilização do governo propunha uma reordenação estratégica do Estado na economia, transferindo à iniciativa privada, atividades até então exploradas pelo setor público, entre as quais os serviços de telecomunicações.
Assim, iniciou-se o processo de ruptura com o modelo monopolista, implementando-se o Programa Nacional de Desestatização (PND), ou melhor, dando início ao Programa Brasileiro de Privatização, que tinha como objetivo solucionar o problema financeiro do setor público e dar competitividade à economia brasileira (EMBRATEL, 1998).
Em 1996 a Embratel iniciou um amplo processo de reestruturação interna, preparando-se para a privatização, competição e conquista de novos mercados. Dentre os programas inseridos na reestruturação, destacaram-se: a) o programa de redesenho dos processos-chaves; b) o Programa Embratel de Qualidade, com base nos critérios do Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ); c) o Programa de Desligamento Incentivado (PDI); e d) o Programa Embratel Atende Você, destinado,
essencialmente, a motivar e mobilizar o pessoal a se tornar um agente de mudança de foco (EMBRATEL, 1998).
O programa de reestruturação preparou o conjunto das áreas para novas atividades estratégicas. Motivação das equipes, redução de custos e de pendências de ativação foram providências destinadas a atender às metas da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), de qualidade e universalização de serviços; manutenção e conquista de clientes. (EMBRATEL, 1998).
O ano de 1997 marcou o início do processo de privatização do setor de telecomunicações, quando foram licitadas concessões de telefonia móvel celular – Banda B. Em 1998 ocorreu a privatização do sistema Telebrás, rendendo aos cofres públicos R$ 22 bilhões, onde o governo federal dividiu a telefonia fixa em 3 áreas de concessão, a longa distância em uma só operadora, e a telefonia móvel banda A se repartiu em 10 áreas (EMBRATEL, 2002a).
Assim a Embratel acabou sendo vendida para a MCI, empresa de telecomunicações americana, pelo montante de R$ 2,65 milhões. No primeiro semestre de 1999, a MCI foi comprada pela WorldCom, também americana, passando a denominar-se MCI-WorldCom. Apesar de privatizada, a Embratel manteve uma direção independente de sua controladora, com 49% da receita de comunicação de dados do país, e uma receita da ordem de R$ 3,61 bilhões na primeira metade de 2002 (EMBRATEL, 2000).
A privatização produziu uma mudança no modelo de gestão da Embratel, passando a implementar a transformação da cultura técnica para uma cultura de negócio, aguçando sua visão comercial e abraçando o desafio de concentrar, ainda mais, seus produtos no cliente, empresas e usuários (ÉBOLI, 2004).
Oliva (2003) salienta que as empresas privatizadas, ao se soltarem das amarras governamentais passam a conviver com um cenário caracterizado pela concorrência; as influências políticas não mais existem, as operações são desburocratizadas, o desempenho das lideranças ganha maior visibilidade, e os processos de trabalho, as estruturas organizacionais e as funções são redesenhados.
Palassi (2005) ao realizar estudo sobre os aspectos psicossociais da privatização estabelece que nessas organizações privatizadas se estabelece um novo contrato psicológico caracterizado pela perda de segurança, maior cobrança por resultados, maior carga de trabalho e de responsabilidades. Instaura-se uma cultura de multifuncionalidade, valorização do desempenho pessoal e abertura de comunicação vertical.
Nesse período, a Embratel priorizou sua linha de trabalho na instalação de mais de mil telefones de uso público via satélite em todo o país, expandiu a rota de fibra óptica que interliga as capitais brasileiras e a infra-estrutura de cabos submarinos, através de parcerias com outros países. Em 2001 conquistou o direito de explorar a telefonia local ao antecipar as metas de universalização propostas pela Anatel (TELEBRASIL,2004).
Em 2004 seu controle acionário passou para um segundo controlador, o grupo mexicano Telmex, do empresário Carlos Slim, que detém 90% do mercado mexicano e presença na Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Estados Unidos.
Portanto, com 40 anos de história, a Embratel define-se como empresa múltipla, oferecendo soluções de telecomunicações ao todo mercado brasileiro, residencial e empresarial. As soluções incluem telefonia fixa local de longa distância nacional e internacional, transmissão de dados, vídeo e internet, além de assegurar atendimento em qualquer ponto do território nacional via satélite. A Embratel é líder de mercado em receitas nas ligações de longa distância, nacional e internacional (EMBRATEL,2005b)
A Embratel pertence à Embratel Participações S.A. (EMBRAPAR), holding do Grupo Telmex, e tem como subsidiárias (EMBRATEL, 2005b):
1) BrasilCenter - empresa criada em 1998, com o fim de fornecer serviços