A comunicação entre professores não indígenas e crianças Tentehar, é pulsante conflito no currículo escolar da EI. Neste sentido, observei que na PE1 todas as professoras eram indígenas e apesar de algumas crianças já falarem a língua portuguesa, os docentes se comunicavam com os alunos na língua materna.
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A expressão representação do oficial é utilizada por DAVIS; GATTI (1993). B
Em razão de terem uma linguagem em comum, gerando maior afinidade e interação entre alunos-professores e aluno-aluno, talvez tenha propiciado maior receptividade dos alunos em relação a uma estranha: eu.
Neste sentido, lembro que na PE2 a interação era maior entre os próprios alunos, pois os professores não-indígenas apenas conheciam algumas palavras isoladas, insuficiente para manutenção de um diálogo entre discente - docente. Com exceção de uma professora, que, por ser casada a mais de 15 anos com um índio desta etnia, conhecia um pouco mais da língua materna, assim, interagia com seus alunos com facilidade, por exemplo: solicitava que as crianças falassem, na língua materna, o nome de animais que viam na comunidade, e, desta forma, contextualizando a temática com a realidade do aluno, favorecia o processo de ensino e aprendizagem.
Situação diferente da vivenciada pela P2, minha entrevistada, que é auxiliada, em sala de Maternal, por um professor bilíngue; mas esta situação, como ela mesma frisou, lhe traz muita angústia pela falta de comunicação entre ela e seus alunos como também pela relação didática conflituosa com o intérprete, chegando ao ponto de acreditar que alguns alunos não a valorizam como educadora, mas contemporiza: Talvez porque eles acham que não precisam mesmo e acham
também que não precisam escrever... (P2).
No caso da PE1, a atuação do professor bilíngue também acontecia como uma espécie de intérprete, em que de acordo com o conteúdo ministrado na aula, este traduzia para os alunos, proporcionando o diálogo entre os alunos e professor não indígena.
As crianças de três anos, aquelas que realmente são da comunidade, só falam a língua materna. Tanto é que é um desafio para a professora que não domina a língua, que ai vem, blá, blá, blá... o que é que estão querendo dizer, o que é que estão querendo falar, e, muitas vezes, aquela professora que não sabe, que não entende, não domina a língua, ela fica ali, aprisionada sem saber, o que ela deve fazer (P1).
Por esta fala, principalmente no final não domina a língua, ela fica ali,
aprisionada, percebo o quanto o professor-intérprete bilíngue compreende a
situação, quando faz analogia entre não saber/poder comunicar com uma prisão. Agora no que se refere ao aspecto técnico-legal, considero que a presença do professor bilíngue em situações como a descrita realmente possa se configurar
como elemento facilitador da interação entre professor não bilíngue e aluno indígena.
Porém, analisando a situação de forma crítica, é evidente que a conjuntura política em que é inserido este profissional no Município de Grajaú – MA19, atuando no mínimo em quatro pré-escolas ao mesmo tempo (com carga horária de 20h semanais) e considerando que a distância entre as pré-escolas a serem atendidas é grande - sem contar os meios de transportes precários e quando relativamente próximas, são de difícil acesso- posso afirmar que o atendimento do professor- intérprete bilíngue fica prejudicado, daí concluo que este profissional não resolve a tensão gerada pelo pouco diálogo em situação de fronteira étnica cotidiana do professor-aluno da EI Tentehar. Dada toda a situação apresentada, os próprios professores da PE2 decidiram que era melhor que o professor bilíngue concentrasse sua atuação na turma de Maternal, por entenderem que crianças de três anos de idade têm maior dificuldade neste intercâmbio linguístico. Neste contexto, cito Melatti (2007) que argumenta que as crianças indígenas que chegam à escola e ainda não aprenderam o português, ao se deparar com um professor que fala somente essa língua, terão aproveitamento cognitivo quase nulo.
No que concerne à comunicação na sala de aula das pré-escolas indígenas Tentehar, destaco o caso do professor bilíngue, de acordo com as observações in
loco e entrevistas realizadas, cuja atuação se assemelhava à de um intérprete, e é
desta forma que o nomeio nesta dissertação, todavia, sua real função na EI é ambígua e contraditória, tanto pelas generalizações a respeito de suas atribuições profissionais quanto pelas condições de trabalho. A esse respeito cito o anexo II do Edital nº 01/2012, do Processo Seletivo Público Simplificado da Prefeitura Municipal de Grajaú - MA, que apresenta a descrição sintética das atribuições do professor da educação indígena bilíngue no item 6, p.16: Ministrar aula na língua materna (tupi-
guarani), visando manter um equilíbrio, para que a língua oficial do país não seja imposta, mais que haja espaço para que a língua mãe não seja extinta. Portanto, o
que está exposto no edital seria o perfil desejado ao professor bilíngue, porém, devido à forte presença de professores não indígenas na EI e poucos professores bilíngues que atendam este nova demanda do edital/2013, este profissional na ativa
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De acordo com o Edital nº 01/2012 do Processo Seletivo Público Simplificado da Prefeitura Municipal de Grajaú MA para provimento de cargo de professor para EI e Ensino Fundamental, o professor bilíngue tem que atuar por região, perfazendo em média quatro pré-escolas.
acaba exercendo a função de intérprete-tradutor, muito embora considere que sua presença tenha melhorado, visivelmente, a interação entre professor não indígena e as crianças Tentehar.