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A região Centro-Oeste vem se destacando pelas alterações na estrutura produtiva, pela expansão das áreas trabalhadas e, ainda, pelo nível tecnológico apresentado. Com base nos dados em Áreas Mínimas Comparáveis3, é possível avaliar algumas variáveis do setor agrícola nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, a partir dos anos 704.

A Figura 1 mostra a evolução da mão-de-obra contratada (trabalhadores permanentes e eventuais, convertidos em equivalente de pessoas adultas – homens e mulheres maiores de 14 anos), nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás5.

A mão-de-obra contratada no Centro-Oeste teve aumento substancial em todos os estados, no período de 1970 a 1995. No período de 1985 a 1995, houve quedas acentuadas na contratação de trabalhadores eventuais nos Estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, fato que pode ser explicado pela expansão de atividades que empregam de maneira mais estável, como as criações animais (bovinos, aves e suínos). Pode-se ainda imaginar um efeito de mensuração do Censo 1995/96, como citado por HELFAND e BRUNSTEIN (2000), embora tenham mostrado que, no Centro-Oeste, tais efeitos seriam pequenos se comparados com as demais regiões do país. Basicamente, o efeito seria causado pela mudança no período de coleta das informações, que ocorreu numa época em que os produtores poderiam não estar produzindo, ou estarem ausentes, deixando de ser contados nas estatísticas censitárias. De qualquer modo, o número de trabalhadores permanentes triplicou em Mato Grosso do Sul e Goiás, e mais que sextuplicou em Mato Grosso, no período de 1970 a 1995.

3 Utiliza-se a Área Mínima Comparável como artifício metodológico para comparar dados censitários em

diferentes períodos, sem sofrer de problemas oriundos das diferentes estruturas municipais, de 1970 a 1995. Os dados estaduais são obtidos de dados básicos municipais do IBGE.

4 Aqui, considera-se Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como se estivessem legalmente divididos a partir

de 1970, e Goiás separado de Tocantins, sem o Distrito Federal.

5 As quantidades de homens e mulheres maiores de 14 anos receberam ponderação igual a um, e menores

- 20,000 40,000 60,000 80,000 100,000 120,000 MS MT GO MS MT GO

Trabalhador permanente Trabalhador eventual

pessoas adultas 1970 1975 1980 1985 1995

Fonte: Tabela 1A do Apêndice A.

Figura 1 - Evolução da mão-de-obra contratada nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, de 1970 a 1995.

A mão-de-obra familiar apresentou comportamento diferente da contratada. Observa-se, na Figura 2, que o Estado de Mato Grosso do Sul sempre apresentou decréscimo nessa mão-de-obra, em parte, pela migração para o Norte do país, mas também pelas alterações na pecuária extensiva de corte, poupadora de mão-de-obra, e ainda pelo êxodo rural. Mato Grosso e Goiás apresentaram crescimento na mão-de-obra familiar, que acompanhou o ritmo de aumento na produção de lavouras, e o decréscimo no último censo pode estar relacionado com as alterações, que visam maior produtividade com técnicas intensivas em máquinas e equipamentos.

- 50,000 100,000 150,000 200,000 250,000 300,000 350,000 MS MT GO Estados Pessoas adultas 1970 1975 1980 1985 1995

Fonte: Tabela 2A do Apêndice A.

Figura 2 - Evolução da mão-de-obra familiar nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, de 1970 a 1995.

Na Figura 3, observa-se a evolução da quantidade de tratores nos estados do Centro-Oeste, no período de 1970 a 1995, medida em unidades de potência. O estoque foi sempre crescente, num ritmo muito mais rápido no período até 1980, em face aos incentivos governamentais via crédito barato, e claramente evidenciados os vieses mensurados por SANTOS (1986), com intenso uso de máquinas agrícolas no processo de modernização do setor. O Estado de Mato Grosso apresentou grande intensificação no último período, o que reflete as alterações estruturais e o uso de variedades de sementes mais adequadas ao clima da região, com a adoção dos “pacotes tecnológicos” e da mecanização.

Quanto à área total de terra utilizada, o Estado de Mato Grosso apresentou expressivo crescimento nos últimos 15 anos, enquanto Mato Grosso do Sul e Goiás tiveram apenas modesto crescimento (Figura 4). Observam-se grandes extensões com pastagens, embora a área de lavouras tenha tido aumento significativo (Figura 5).

- 500,000 1,000,000 1,500,000 2,000,000 2,500,000 3,000,000 3,500,000 MS MT GO Estados unidades C.V. 1970 1975 1980 1985 1995

Fonte: Tabela 3A do Apêndice A.

Figura 3 - Evolução do número de tratores nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, em cavalos-vapor, de 1970 a 1995.

- 10,000,000 20,000,000 30,000,000 40,000,000 50,000,000 60,000,000 MS MT GO* Estados Hectares 1970 1975 1980 1985 1995

Fonte: Tabela 4A do Apêndice A.

Figura 4 - Evolução da área total de terra utilizada nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, em hectares, de 1970 a 1995.

- 5.000.000 10.000.000 15.000.000 20.000.000 25.000.000 MS MT GO MS MT GO

Área de pastagem Área de lavoura

Hectares 1970 1975 1980 1985 1995

Fonte: Tabela 5A do Apêndice A.

Figura 5 - Área total de lavouras e pastagens nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, em hectares, de 1970 a 1995.

O aumento nas áreas de pastagens foi, em grande parte, acompanhado por expressivo aumento na quantidade de bovinos, como pode ser observado na Figura 6.

Considerando-se as Figuras 5 e 6, observa-se que, principalmente no Mato Grosso do Sul, a taxa de ocupação (em unidades-animal por área de pastagens) aumentou, visto que a área quase não se alterou no período de 1970 a 1995.

Um fato a ser observado atentamente é o acentuado crescimento da agricultura mato-grossense, dado o grande crescimento tanto na área de lavouras como na produção, com melhores rendimentos das principais lavouras, como mostrado na Figura 7. Todos os produtos tiveram ganhos nos rendimentos nos três estados, com destaque para o milho, que quase dobrou o rendimento.

- 2,000,000 4,000,000 6,000,000 8,000,000 10,000,000 12,000,000 14,000,000 16,000,000 MS MT GO Estados Unidades-animais (U.A.) 1970 1975 1980 1985 1995

Fonte: Tabela 6A do Apêndice A.

Figura 6 - Rebanho bovino nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, em unidades-animais, de 1970 a 1995. 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 MS MT GO MS MT GO 1985 1995-1996 Anos e Estados Kg/ha Algodão Arroz Feijão (1a. Safra) Milho Soja em grão

Fonte: Tabela 7A do Apêndice A.

Figura 7 - Rendimento das principais lavouras nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás, em kg/ha, 1985-1995/1996.

Nos três estados, encontram-se áreas de concentração em determinadas atividades, com tecnologias semelhantes. Tal fato sugere a existência de algum tipo de ligação entre os municípios, seja por meio de estradas, seja por meio de redes de informações ou por características geoclimáticas. Assim sendo, é possível enfocar o problema desta pesquisa e sua importância.