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Une place importante de la dimension expressive du travail

Neste trabalho envolvemos concomitantemente análises estatísticas quantitativas e qualitativas. No primeiro caso, buscamos estabelecer as relações entre a variável dependente e as diversas variáveis independentes. No segundo, discutimos o papel do detalhe fonético característico da variação na emergência do fenômeno da palatalização das oclusivas alveolares na produção do PB e do ILE.

O principal tipo de análise estatística foi a análise de contingência no intuito de obter panoramas dos dados. As análises foram realizadas a partir de testes de chi-quadrado (χ²). Por motivos de concisão, evitamos apresentar durante os capítulos de análise e discussão dos dados tabelas com os totais de ocorrências encontradas com o cruzamento das variáveis. Optamos por apresentar tais valores sobrepostos aos diversos gráficos durante a discussão dos resultados. Neste estudo fizemos cruzamentos entre a variável dependente e diversas variáveis independentes, como, por exemplo, entre a variável dependente palatalização da oclusiva alveolar e a variável independente (1) Origem. Associado a cada teste de χ² apresentamos

uma medida de efeito do teste, denominada V de Cramer. O valor quando elevado ao quadrado indicou em termos percentuais a correlação entre as variáveis analisadas.

Quando os dados impossibilitaram a realização do χ² devido à violação de condições, o teste utilizado foi o de probabilidade exata de Fisher. O referido teste não apresentava um valor como o χ², contando apenas com um valor p. O teste V de Cramer pode ser calculado também neste caso.

Para possibilitar a análise da emergência da palatalização em cada indivíduo e palavra do estudo, criamos um Índice de Palatalização (IP). O índice constituiu-se da

contagem das ocorrências palatalizadas de cada oclusiva alveolar realizada por informante. Associamos um valor 0 (zero) para uma realização não-palatalizada, 1 (um) para uma realização palatalizada, e 2 (dois) para uma realização em que se observou a palatalização das oclusivas alveolares, em itens realizados com a elisão da oclusiva alveolar, comum nas palavras hóstia [ˈɔʃʃia] e plástico [ˈplaʃːkʊ]. A apresentação do IP foi realizada por meio de gráfico contendo os valores do referido índice, acompanhado de um envelope de mais um/menos um desvio-padrão da média do conjunto de dados. Indicamos dessa forma a variação do IP de um dado informante ou conjunto de informantes buscando evidenciar as possibilidades de variação do fenômeno de modo semelhante a um espaço fase (VAN GEERT; VAN DIJK, 2002). A Figura 21 apresentou dados do Experimento P2 dos informantes de Fortaleza-CE, ilustrando o Índice de Palatalização (IP).

Figura 21 – Índice de Palatalização do Experimento P2 dos informantes de Fortaleza-CE.

A linha sólida na Figura 21 indicou o IP dos informantes de Fortaleza-CE no Experimento P2 do estudo transversal. Observamos concomitantemente duas linhas pontilhadas, abaixo e acima da linha central sólida do IP. Elas indicaram respectivamente um desvio-padrão acima (Dpsup) e um desvio abaixo (Dpinf) do IP. Assim, o informante F6 (marcador vermelho), cujo IP foi 32, apresentou um envelope de desvio inferior de 30 e superior de 34. Podemos dizer, baseado na variação encontrada no grupo, que em cerca de 70% das vezes em que F6 realizasse o Experimento P2, seu IP estaria entre esses valores. O

20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7 F8 F9 M1 M2 M3 M4 M5 M6 M7 M8 M9 IP Informantes CE IP-CE Dpsup Dpinf

cálculo do IP permitiu avaliar o grau de variação do fenômeno da palatalização das oclusivas alveolares no PB e no ILE dos informantes.

Outros procedimentos estatísticos foram utilizados na análise dos dados de acordo com a necessidade. Citamos, por exemplo, os testes t de Student e a ANOVA de medidas repetidas (paramétricos), bem como os testes Wilcoxon, Mann-Whitney, Kruskal- Wallis e o Friedman (não-paramétricos), importantes na comparação estatística de médias de variáveis contínuas (FIELD, 2005). Adicionalmente realizamos testes de correlação de dados não-paramétricos, e o P de Spearman.

Os testes paramétricos deveriam preencher algumas condições para serem aplicados satisfatoriamente. Os dados deveriam advir de uma amostra de tamanho significativo e apresentar uma distribuição normal. Quando foi pertinente a comparação dos IPs dos informantes no PB e no ILE, fizemos uso do teste t de Student para amostras pareadas caso os testes de normalidade apontassem uma distribuição normal dos dados. Caso fosse necessária o mesmo tipo de comparação envolvendo diversos indivíduos, fizemos uso de uma ANOVA de medidas repetidas.

Por sua vez, os testes não-paramétricos Wilcoxon e o Friedman não apresentaram as restrições quanto à organização do conjunto de dados. Sendo assim, os testes foram utilizados quando da análise de dados não-normais. Para analisar médias de um mesmo indivíduo inter-línguas, a alternativa não-paramétrica ao teste t para amostras pareadas foi o teste Wilcoxon. No caso da comparação de médias de diversos indivíduos, a alternativa não- paramétrica à ANOVA de medidas repetidas foi o teste de Friedman.

Como podemos depreender, o teste t para amostras pareadas, o Wilcoxon, a ANOVA para medidas repetidas e o Friedman, foram utilizados em comparações envolvendo o PB e o ILE dentre grupos linguísticos. Nos momentos em que se fizeram necessários a comparação entre os grupos analisados, por exemplo a produção do ILE de informantes mossoroenses e fortalezenses, um novo conjunto de testes estatísticos foi utilizado já que a comparação passou a ser entre grupos linguísticos distintos.

O teste para a comparação de dados individuais passou a ser o teste t para amostras independentes, no caso de uma distribuição paramétrica dos dados, e o Mann- Whitney, no caso de dados não-paramétricos. Comparações envolvendo mais de dois indivíduos entre-grupos foram desenvolvidos com a ajuda de ANOVAs unidirecionais para dados paramétricos e do Kruskal-Wallis para dados não-paramétricos.

O P de Spearman foi utilizado na discussão dos dados do estudo longitudinal para identificar correlações entre a palatalização e o aumento do nível de proficiência linguística dos informantes, refletida na variável tempo.

O valor de significância estatística utilizado neste estudo para todos os testes supramencionados foi de p < 0,05.

Por sua vez, a análise qualitativa dos dados mostrou-se importante dado que as teorias fonológicas utilizadas como referencial teórico desta tese dão ênfase ao detalhe fonético (BYBEE, 2001; PIERREHUMBERT, 2001) e à variação (LARSEN-FREEMAN; CAMERON, 2008a). A apresentação e a discussão de dados através da análise oscilográfica e espectrográfica fez-se pertinente pois só assim pudemos tratar o fenômeno de palatalização das oclusivas alveolares no PB e no ILE na forma de um contínuo acústico, marcado pela gradiência em sua realização (SCOBBIE et al, 1996). Apresentamos a seguir o resumo deste capítulo.

3.9 Resumo

Sumarizamos as etapas metodológicas envolvidas na realização do estudo envolvendo a palatalização das oclusivas alveolares no PB e no ILE dos informantes. Primeiramente, apresentamos a justificativa quanto à pertinência de uma pesquisa de cunho transversal-longitudinal. Tal desenho metodológico foi importante tendo em vista o objetivo de retratar tanto o estado geral de realização do fenômeno, no estudo transversal, quanto o seu desenvolvimento ao longo do tempo, no estudo longitudinal. Os desenhos foram complementares, portanto.

Considerações acerca das duas regiões que constituíram o campo de pesquisa, Mossoró-RN e Fortaleza-CE, foram comentadas em sequência. Cada região foi caracterizada pela realização das oclusivas alveolares não-palatalizada ou palatalizada. Os informantes foram agrupados no que diz respeito à origem, ao sexo e ao nível de proficiência no ILE.

A seleção das palavras utilizadas na coleta de dados considerou, quando pertinente, a frequência de ocorrência, o contexto fonotático e a tonicidade silábica dos itens lexicais selecionados.

Esta pesquisa apresentou como variável dependente a palatalização da oclusiva alveolar. A depender do contexto de realização do fenômeno analisado, a variável em questão foi binária ou ternária. Tivemos como variáveis independentes no estudo transversal e longitudinal origem, sexo, indivíduo, palavra, frequência de ocorrência, nível de proficiência,

tonicidade silábica, contexto fonotático, vozeamento da oclusiva/tipo fonotático. A variável independente tempo de exposição ao ILE, quantificada no número da coleta de dados, foi relevante apenas ao estudo longitudinal.

Passamos então à discussão dos experimentos de coleta de dados utilizados. No que tange ao PB, optamos por realizar 2 Experimentos de coleta de dados: P1, cuja aplicação envolveu uma conversa sobre algumas figuras; e P2, que envolveu a leitura de diversas frases- veículo. Por sua vez, no ILE optamos pela realização de 3 Experimentos: I1, que envolveu a repetição de áudio distorcido associado a figuras; I2, que envolveu a leitura de diversas frases- veículo; e, finalmente, I3 envolveu um jogo da memória em sua aplicação.

Por fim, apresentamos os parâmetros de análise dos dados. No que concerne à análise acústica, apresentamos as características de cada som estudado, sua visualização nos gráficos de oscilograma e espectrograma e a apresentação do detalhe fonético observado no estudo, no que tange à produção dos ruídos fricativos. Discutimos então o material técnico utilizado, tanto no âmbito físico (microfone headset Shure, gravador digital Zoom H4n) quanto lógico (Audacity, Praat, SPSS). Terminamos a seção ao apresentar os procedimentos estatísticos, com ênfase nos testes de chi-quadrado e na utilização do Índice de Palatalização (IP). Outros testes estatísticos foram utilizados quando necessário. Apresentamos também a necessidade de fazer uma análise qualitativa dos dados, devido ao fato de assim podermos lidar com a gradiência e variação que encontramos na emergência da palatalização no PB e no ILE. Encerramos neste ponto o capítulo de metodologia da tese. Iniciamos no capítulo a seguir a análise e discussão dos dados relativos à coleta do estudo transversal.