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CHAPITRE III MATERIEL ET METHODES

3.2. METHODES

3.2.6. Phase exploratoire

Os caminhos da intervenção começaram a ser traçados com a realização da pesquisa que promoveu, através de rodas de conversa, um debate reflexivo acerca das práticas pedagógicas vivenciadas no Campus Floresta do IF SERTÃO – PE, analisando-se em que medida tais práticas dialogam com as dinâmicas de integração e colaboração possibilitadas pelas diversas linguagens, na perspectiva da formação integral do sujeito. A intenção era que, das narrativas que se teceram na voz dos alunos e professores envolvidos na pesquisa, pudessem emergir significações que norteassem a proposta de intervenção, convergindo para processos educativos mais abertos e colaborativos.

Assim, a partir dos conhecimentos produzidos sobre a realidade do Campus Floresta, foi elaborada esta proposta de intervenção, com o propósito geral de fomentar a vivência de práticas pedagógicas colaborativas e integradoras no espaço do Campus Floresta, incorporando as diversas linguagens nos processos de produção, apropriação e compartilhamento de conhecimentos, na perspectiva da formação integral e emancipatória dos sujeitos aprendentes. Nesse sentido, faz-se necessário que caminhemos em busca dos seguintes objetivos específicos: a) potencializar a produção de conhecimentos de forma integrada e colaborativa, promovendo o protagonismo de alunos e professores nos processos de ensino e aprendizagem; b) explorar o potencial das diversas linguagens, principalmente as que são potencializadas pelas tecnologias digitais, na implementação de práticas docentes abertas e colaborativas; c) promover o compartilhamento de informações e conhecimentos, de forma integrada e colaborativa, com vistas à dinamização e diversificação dos espaços de ensinar e aprender.

Acrescentamos, ainda, a perspectiva de que essa proposta de trabalho se converta em possibilidade de formação continuada para os docentes, já que se vislumbra a sensibilização dos professores quanto a maneiras outras de ensinar e, por consequência, à ressignificação da própria ação pedagógica, numa dinâmica que envolva alunos e docentes em práticas mais autorais, livres, criativas e críticas. O propósito é, pois, criar dispositivos que propiciem aos docentes a construção de seus percursos formativos e a vivência de práticas que alinhem, no Campus Floresta, ciência, tecnologia, cultura e inovação com profissionalização, cidadania, mudança pessoal e transformação social.

6.1.1 Alguns princípios norteadores da proposta

As ações que integram este projeto serão norteadas pelos seguintes princípio: colaboração, interatividade e integração, valorização dos saberes experienciais, todos permeados pelas diversas linguagens que constituem as atividades humanas na contemporaneidade.

As práticas colaborativas devem ser tomadas como espaço de interatividade e de coautoria, de encontro da pluralidade de saberes e culturas. Incluímos aqui a necessidade de aliar a produção cultural, cada vez mais fluida e híbrida, com os processos educativos, de modo que a escola seja, para alunos e professores, mais um espaço dessa produção. De acordo com Pretto (2017, p. 51),

[...] cultura e educação precisam estar articuladas de forma muito intensa [...] Essas articulações precisam compreender a educação, a cultura, a ciência, a tecnologia, o digital, entre tantos outros campos e áreas, enquanto elementos históricos e que, como parte desses processos históricos, ora facilitam os processos, ora criam novos obstáculos quando empregados como elementos vivos para a sala de aula.

O desafio é, pois, transformar esses obstáculos em possibilidades, através de alternativas que rompam com a forma individualizada e fragmentada de ensinar e aprender, que ainda persiste no espaço da escola, explorando a colaboração e a interatividade como condição sine qua non para que os sujeitos exercitem a capacidade “de desvendar desafios e realidades, de questionar o que se sabe para refazer o saber, de criar horizontes próprios da informação” (DEMO, 2010, p. 224).

A interatividade, própria dos espaços coletivos de produção de conhecimentos, pressupõe a liberdade de expressão e criação, bem como o exercício da criticidade. Além disso, inclui a autonomia e a autoria, que são igualmente necessárias quando se pensa em educação na perspectiva da colaboração e do protagonismo, da formação integral e da emancipação humana.

A integração entre as várias áreas e disciplinas curriculares deve ser garantida no curso das ações do projeto, colocando alunos e professores em relações horizontais e dialógicas, de modo a romper com os formatos rígidos e hierárquicos que ainda norteiam as práticas pedagógicas. Nesse sentido, convém lembrar que

[...] cada sujeito tem subjetividade/saberes diferenciados; mas que, isolados, não podem transformar a escola, e, juntos, não perdem sua individualidade, mas ressignificam os seus saberes e subjetividades,

construindo novos caminhos mediados pelo coletivo (ALVES, 1998, p. 144).

Esses novos caminhos precisam incluir os saberes diferenciados que são produzidos pelos sujeitos nas suas múltiplas vivências, nas relações cotidianas que estabelecem com o outro, com o meio e com o próprio conhecimento, mediadas sobretudo pelas tecnologias digitais. Assim, contemplar os saberes experenciais nos processos formativos implica reconhecer que os sujeitos estão inseridos numa sociedade cada vez mais interconectada, na qual exercitam a capacidade de “criar, inovar, inventar, entre si e com outros, em espaços e tempos diversos, mantendo-se, ao mesmo tempo, ancorados no local e articulados com o global. Estes sujeitos sociais não estão mais limitados ao seu círculo escolar ou dos amigos presenciais” (BONILLA; PRETTO, 2015b, p. 502).

As diversas linguagens, prioritariamente as linguagens digitais, são consideradas como estruturantes das práticas colaborativas e dos modos diferentes de enunciar e de construir significados. Como “as tecnologias incrementam a capacidade humana para a produção de linguagem” (SANTAELLA, 2007, p. 195), é imprescindível que o potencial das tecnologias digitais seja incorporado ao contexto pedagógico, reconhecendo-as

como possibilitadoras de uma multiplicidade de visões de mundo, do rompimento com a noção de tempo e espaço, instaurando uma nova forma de ser e pensar na sociedade. Com isso, as nossas relações, o nosso modo de aprender e comunicar são transformados, possibilitando a construção coletiva do conhecimento (ALVES, 1998, p. 144).

Esse processo de construção coletiva de conhecimentos retira os sujeitos da condição de espectadores e os transporta para a posição de autores da própria aprendizagem, mediante participação ativa e colaboração. Para Couto (2014, p. 53), “Participar quer dizer se colocar como agente, narrar, publicar, falar e intercambiar uns com os outros, em público, mas quer dizer, sobremaneira, colaborar e aceitar colaboração, fazer em conjunto, encontrar soluções por meio de parcerias”.

Assim, com base nesses pressupostos, foram traçadas as metas e ações através das quais se almeja alcançar os objetivos propostos.

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