EXPERIMENTALE ET ANALYTIQUE
II. 1.4.1 - Perte en fer et en soufre dans la capsule en or
Durante a conclusão do estudo, tive a oportunidade de realizar um Grupo Focal (GF) 2 para apresentar e problematizar os resultados aos participantes da pesquisa com o objetivo de iniciar o processo de construção coletiva de intervenções para a orientação de alta hospitalar para os RNs pré-termo. Segue algumas notas.
Foram convidados todos os participantes da pesquisa para o encontro que ocorreu nas dependências da FCMS, que teve uma duração de aproximadamente 2h30min, fui a coordenadora do GF e a orientadora da pesquisa foi a observadora. Participaram 02 enfermeiras e 06 técnicas de enfermagem.
Após o contrato grupal, iniciamos o grupo com a apresentação dos resultados como tema disparador para as discussões.
As participantes teceram comentários sobre o fato de não saberem o que cada um da equipe tem realizado sobre a orientação de alta e que foi muito gratificante saber que há uma prática que vem sendo realizada no cotidiano da UTIN.
Chamaram a atenção sobre o número expressivo de médicos respondentes. Dentre os resultados que foram discutidos os aspectos dificultadores do processo de orientação, reafirmaram que o RN que permanece internado por pouco tempo, não permite um tempo adequada para a realização das orientações.
Em relação às dúvidas das mães dos recém nascidos pré-termos, relataram que a mãe sempre questiona sobre sequelas futuras, porém, elas consideram isso uma limitação, pois não tem como prever qual será o prognóstico e evolução do RN.
2
O grupo focal (GF), genericamente, pode ser definido como uma forma de entrevistas com grupos que se baseia na comunicação e na interação entre os participantes da pesquisa para gerar dados.
Sobre a questão de iniciar as ações educativas na admissão do RN, elas discordam da literatura, uma vez que a admissão do RN e os primeiros dias de internação do RN são muito traumáticos para a família.
Atualmente, as orientações de alta estão mais voltadas para assuntos como encaminhamentos, consultas e vacinas.
Quanto as sugestões para melhorar as orientações de alta hospitalar do RNPT, foi discutida a necessidade de uniformizar as orientações, ou seja, que os membros da equipe orientem a mãe de maneira semelhante, para que não haja conflitos de informações, pois sempre ouvem das mães: “...mas a outra falou dessa maneira”.
Referente ao uso material de didático nas orientações/ações educativas, como apostilas, folders e bonecos para demonstração, as participantes sugeriram que aquisição desses itens otimizaria as ações educativas no serviço.
O grupo sugeriu a implantação de um canal de apoio para as mães (telefone ou via internet) para as dúvidas pós alta e também a criação de grupos de apoio para a família do RN pré-termo hospitalizado em UTIN, sendo que esse grupo deve formado por diversos profissionais que atuam na promoção e incentivo ao aleitamento materno e tenham capacidade técnica e disponibilidade para atender a mãe com dúvidas e dificuldades para amamentar.
Durante o encontro ficou evidente em diversas falas, a necessidade de orientações, reciclagem, treinamentos específicos sobre as orientações que devem ser abordadas durante o processo e planejamento da alta hospitalar do RN para a equipe. As participantes não se sentem preparadas, esperam por aprimoramento e educação continuada para a equipe multiprofissional. A expectativa é que esse aprimoramento seja realizado em forma de rodas de conversa e elaboração de pequenos teatros voltados para a prática profissional.
Identificaram esse encontro como potencializador e sugerem que seria muito importante prosseguir com as discussões, num ambiente fora do local de trabalho (UTIN) com os demais membros da equipe sobre os passos da assistência e caminhos para a melhor maneira de orientar as famílias.
A aquisição de materiais educativos que possam ser entregues às mães também foi enfatizada pelo grupo.
A proposta desse grupo foi iniciar pela construção de maneira coletiva, de um check list para nortear as ações educativas de orientação para a alta hospitalar.
As discussões do grupo validam os resultados encontrados e permitirá um envolvimento dos participantes no processo de mudança. Acredita-se que os demais profissionais que não participaram tiveram dificuldades pelo horário, dada a característica da UTIN, nesse sentido, a opção é realizar outros grupos com esses profissionais de forma que haja uma maior adesão e que seja multiprofissional.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com esse estudo tivemos uma amostra do perfil sócio demográfico da equipe multiprofissional da UTIN do HSL. Houve adesão de 36 profissionais, com predomínio do sexo feminino e idade entre 31 á 40 anos. As orientações de alta são realizadas por toda equipe multiprofissional. Quanto ao momento em que se realiza essas orientações a maioria dos participantes respondeu que ocorre durante a hospitalização e no dia da alta.
Quanto a estratégia mais utilizada é o diálogo e a demonstração e as orientações são realizadas de maneira individual pelos profissionais. Alguns profissionais também utilizam a escrita na realização dessas orientações.
O recurso mais utilizado é a carteira de vacinação do recém-nascido, pois não há recursos disponíveis.
Em relação aos temas mais abordados nas orientações de alta estão relacionados ao Aleitamento Materno, cuidados de higiene, vacinação e seguimento ambulatorial.
A presença da mãe na unidade foi considerada um importante fator no favorecimento das orientações de alta e aprendizagem.
As potencialidades identificadas são: a presença da mãe durante a hospitalização, o comprometimento materno e o aprimoramento dos profissionais e as dificuldades apontadas foram a necessidade de materiais educativos e a resistência da mãe em participar do cuidado.
A maior parte da equipe acredita que as mães saem preparadas para o cuidado com o RN no domicilio e estes também estão satisfeitos com as orientações que realizam.
Constatamos com esse estudo que as orientações são realizadas de maneira mecanizada dentro do processo de trabalho, são segmentadas e não há consenso entre os profissionais quanto ao tema, conteúdo, estratégia e avaliação. Embora a educação está incorporada no cotidiano das atividades dentro da UTIN, esta se reproduz dentro de uma tarefa do serviço, sem a problematização daqueles que a fazem e para aqueles que a recebem. Isto é reflexo da necessidade de adequações no processo de trabalho no sentido de ter a valorização do processo educativo, pois, sem esse todo o investimento de recursos pode não ter seu resultado esperado. Há
que incorporar integração entre os profissionais, preparo para essa atividade, disponibilizar recursos para essas práticas.
Ficou evidente a necessidade de capacitações e treinamentos para e equipe, para que esse se sinta mais preparados e confiantes na realização das orientações. Muito foi citado sobre a necessidade de materiais educativos de apoio para as orientações e também para ser entregue as mães, porém, ficou mais evidente após as reuniões que primeiro é necessária uma intervenção a respeito da educação em saúde, através de capacitações acerca da importância dessas ações educativas para a orientação da mãe/família do RNPT.
Apesar das dificuldades os profissionais demonstram interesse e realizam as orientações, nesse contexto, como seguimento desse estudo, pretendo realizar ações utilizando a metodologia problematizadora e construir coletivamente instrumentos que auxiliem no processo de aprendizagem e educação materna para o cuidado domiciliar do RNPT.
O ato de problematizar é uma proposta no processo de ensino-aprendizagem que diz respeito à vida, à dignidade, à cidadania e à humanização e está pautado no pensamento de Paulo Freire, o qual se insere numa concepção crítica e dialética que permite, por meio da práxis, desvendar a realidade para assim transformá-la130.
O método da problematização é uma possibilidade de sensibilização do indivíduo sobre seus comportamentos em saúde e nas suas relações com o serviço131. Esse método possibilita não só desvelar a realidade, mas também transformá-la em ação prática; é uma alternativa pedagógica que permite trabalhar, essencialmente, a construção de conhecimentos a partir da vivência de experiências significativas130.
A aplicação da problematização como metodologia de trabalho possibilita a interação entre os profissionais e o facilitador, oportunizando a construção ou a reconstrução de conceitos e o compartilhar de experiências e vivências. Os participantes são instigados a refletir sobre sua atuação profissional e a incorporação de percepções reformuladas ao cotidiano profissional 132.
A saúde encontra-se diante do desafio de sensibilizar o trabalhador com o intuito de transformar a realidade de modo individual e coletivo, superando as intervenções que colocam no centro do processo pedagógico apenas a implicação técnica do aprendizado132.
Há um reconhecimento internacional da necessidade de mudança na educação de profissionais de saúde frente à inadequação do aparelho formador em responder às demandas sociais. As instituições têm sido estimuladas a transformarem-se na direção de um ensino que, dentre outros atributos, valorize a equidade e a qualidade da assistência e a eficiência e relevância do trabalho em saúde. O processo de mudança da educação traz inúmeros desafios, entre os quais romper com estruturas cristalizadas e modelos de ensino tradicional e formar profissionais de saúde com competências que lhes permitam recuperar a dimensão essencial do cuidado: a relação entre humanos133.
Este estudo contemplou a equipe multiprofissional e trouxe contribuições importantes para o tema a medida que revelou uma prática essencial para a continuidade do cuidado do RNPT no domicílio, sendo necessário levar em consideração o conhecimento prévio da mãe/família para as ações educativas, nesse sentido, esse estudo deixa uma lacuna a ser preenchida.
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