No confronto com a realidade concreta de ensino, encarei a relação com os alunos como uma competição, porquanto tinha necessidade de dar resposta às suas necessidades e, simultaneamente, às minhas expectativas para que pudesse ganhar vantagem. Para vencer a competição, tive de conhecer os alunos, pelo que os agrupei em duas categorias competitivas. Assim, o ensino secundário por serem os mais velhos e mais experientes denominei-os de categoria absoluta, a categoria competitiva mais alta da modalidade, seguindo- se o 2º ciclo, que cataloguei de categoria C.
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3.3.3.1. Categoria absoluta, a turma do ensino
secundário
A turma do ensino secundário foi o meu palco de jogo durante todo o ano letivo, cumprindo-se assim na categoria absoluta, por serem alunos mais velhos, mais experientes e pertencentes ao último ciclo de estudos. Num total de 30 alunos, 13 raparigas e 17 rapazes, com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos, acompanharam-me desde o período de incerteza até à adaptação, finalizando na mudança, sendo em parte responsáveis pelo sucesso da minha intervenção.
Uma vez que a reunião do conselho de turma apenas teve lugar a meio do primeiro período, o primeiro contacto com os alunos foi como bater no volante pela primeira vez. Desconhecia de onde vinham, o que gostavam e o que esperavam e foi através das fichas de identificação do aluno, entregues na 2ª aula, que comecei a dar os primeiros toques de sustentação, numa tática muito defensiva.
Pertencentes ao 10º ano do curso com Planos Próprios de Animação e Gestão Desportiva continham, no geral, bases desportivas bastantes superiores aos alunos dos restantes cursos, possuindo uma predisposição inicial para a prática acima da média. Grande parte dos alunos praticava desporto federado, designadamente basquetebol, andebol, taekwondo, karaté e futebol, que era a modalidade mais praticada com um total de 11 atletas. Todavia, dentro de uma realidade meramente desportiva, existiam também alunos com dificuldades acentuadas em termos de coordenação e execução prática das habilidades, pelo que o nível elementar pareceu-me ser o mais adequado em termos do perfil geral da turma.
Uma vez que a maior parte dos alunos praticavam desporto, e lecionando aulas num curso onde a prática desportiva é constante, foi essencial aferir as patologias que pudessem impedir ou influenciar a lecionação. Face às informações que forneceram, constatei que a maior parte dos alunos tinha um histórico de lesões preenchido, mas nenhuma era atual, não afetando o planeamento e a intervenção.
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No momento de iniciar a intervenção propriamente dita, e apenas com uma imagem superficial dos rostos e a lembrança de alguns nomes que tinham ficado guardados do primeiro contacto, estava receosa de como se comportariam em termos mais formais. Partilhávamos uma paixão, o desporto, e agora do outro lado, enquanto professora, adivinhava exatamente o que eles estavam a sentir. As expectativas que pairavam eram partilhadas por mim. Desconhecendo o colégio, as disciplinas e os professores, estavam apenas a assimilar toda a informação que conseguiam.
Foi na primeira reunião do conselho de turma que fiquei com uma ideia mais clara dos alunos. Ao analisar as fichas de identificação que tinham preenchido e ao preparar uma apresentação para os restantes professores, comecei a desvendar as formas particulares de agir e pensar dos alunos e a associar todos os dados. Partilhar opiniões com os outros professores da turma foi essencial no delinear das estratégias iniciais. Quatro discentes eram apontados como desestabilizadores, um com necessidades educativas especiais e outra com problemas afetivos, o que explicava a procura constante de carinho. Gradualmente, comecei a melhorar a minha postura defensiva e com base nestas ilações preparava as minhas jogadas de forma pensada, organizando os grupos de trabalho de acordo com estes fatores.
Com uma postura física boa e uma predisposição para aprender bastante positiva, o foco da intervenção passou rapidamente a ser a atitude e as relações dentro da turma. Os alunos tendiam a brincar demasiado e a competitividade excessiva, associada à vitória a todo o custo, não permitiam que a aprendizagem tomasse os contornos desejados. Ainda que ligados ao desporto, muitos alunos não geriam bem os sentimentos, o que se manifestava pelo desrespeito pelos árbitros, incapacidade de trabalhar em equipa, individualidade e falta de fairplay.
O nível da turma era bom, a condição física também, faltava aprimorar estas questões atitudinais, pelo que o planeamento e intervenção se basearam nestas dimensões. Apesar da boa relação que desenvolvemos,
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nem sempre foi fácil lidar com os alunos. Tive de elevar a voz, parar de falar para me fazer ouvir, explicar os exercícios repetidamente porque os alunos estavam desatentos, repreender e até zangar-me. Sabia que eles precisavam de uma professora amiga, próxima das suas necessidades e expectativas, mas ao mesmo tempo não queria transpor a linha ténue que separa o professor do aluno e a necessidade de a impor para conseguir o respeito de todos, fez com que a aproximação se desse de forma gradual.
O facto de lecionar a disciplina de PPD e não a habitual EF, exigiu que passasse muitas horas por semana na companhia destas “pestes”, conseguindo desenvolver uma relação muito positiva com eles, marcada por sorrisos, aprendizagens e um sem número de recordações que levarei comigo para a vida.
3.3.3.2. Categoria C, a turma do 2º ciclo
Cumprindo as diretrizes emanadas pelo Regulamento de Estágio Profissional, tive também a oportunidade de intervir junto de uma outra categoria competitiva, o 2º ciclo. Perante uma turma de 6º ano, constituída por 22 alunos, 13 rapazes e 9 raparigas, a modalidade abordada foi ginástica, seguindo o planeamento traçado pelo professor residente, e também diretor de turma, deste conjunto de alunos.
A disposição para a prática, contrariamente ao que esperava, era bastante satisfatória, bem como o comportamento. Contudo, o nível motor dos alunos era muito baixo e foi exatamente esta condição que se tornou um desafio para mim. A maior parte da turma não sabia realizar o rolamento à frente e quando lhes pedia para fazerem o avião, olhavam-me em tom de dúvida. O material era reduzido e o tempo também. Com dois turnos divididos entre a ginástica e outra atividade desportiva, restavam 15 minutos para a aprendizagem das habilidades motoras de raiz, o que não era de todo suficiente.
Foi ao trazer atividades fora do reportório motor dos alunos e ao privilegiar uma exercitação constante que os conheci de forma mais efetiva. Percebi que os alunos depositavam em mim grande confiança e foi através
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deste contacto mais próximo, ao ajudá-los a superar as dificuldades e a tentarem ir mais além, que me aproximei deles.
Dar aulas ao 6º ano foi a minha maior dor de cabeça. Pelo fraco desempenho motor que apresentavam, não sabia se conseguiria ajudá-los a melhorar. Sentia-me insuficiente e pequena nesta condição e a procura constante por algo diferente encontrava-se lado a lado com a minha realização pessoal e aprendizagem dos alunos. Gradualmente percebi que apesar da sua faixa etária, os alunos eram capazes de trabalhar de forma autónoma, em pequenos grupos, ajudando-se mutuamente. Esta organização permitia-me estar mais livre para ajudar os alunos com mais dificuldade, selando pela dinâmica da aula, comportamento da turma e aprendizagem, no sentido dos objetivos propostos.