“Não é possível realizar um sonho que não seja seu” (Maxwell, 2009, p. 32).
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Se a fase da concepção e planeamento foi difícil, a realização do que estava planeado e orientado não foi nada fácil, mas penso ter conseguido realizar bem a transição da teoria para a prática e fazer com que os grandes favorecidos fossem os meus alunos, uma vez que tenho a noção que ficaram a saber o que pretendi ensinar e mais do que isso, transmiti-lhes o gosto pela procura e prazer do desporto.
Ao longo do ano lectivo tive de dar resposta a situações imprevisíveis que foram aparecendo, resposta esta que teve de ser coerente e consequente com o trabalho que tinha vindo a desenvolver na turma. Considero que me adaptei bem a estas situações, pois a situações menos boas para mim (agir perante uma situação que não estava planeada ou não era previsível), consegui ultrapassá-las de forma positiva. Um bom exemplo disto é ter de responder perante uma turma inteira a um conjunto de perguntas para as quais não tive formação de base, isto é, quando realizei as aulas de dança, a turma colocava-me perguntas com um grau de dificuldade considerável e com o pouco que eu sabia sobre a modalidade (tive aulas para dar a modalidade, assisti a uma acção de formação, pesquisei na internet e em vários livros) tive de responder de forma segura e objectiva. Nesta modalidade ultrapassei a inibição pessoal, algumas dificuldades ao nível da coordenação e principalmente as expectativas pessoais.
Para o clima e a relação dentro da sala de aula funcionar, é preciso que as regras e as rotinas estejam afinadas e bem patentes durante o funcionamento de todas as aulas, assim sendo, tornaram-se mais fáceis as tarefas de gestão, organização e instrução. Antes de tudo, tinha de ser eu a respeitar essas situações impostas por mim mesmo. Penso que isso fez uma grande diferença, pois os alunos aperceberam-se aos poucos que se eu cumpria o que dizia, também eles tinham de cumprir o que estava estabelecido. Só assim pude levar a turma a “bom porto”, e confirmar no final de tudo que a relação processo produto foi atingida da melhor maneira de acordo com os objectivos.
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O professor reflexivo, de acordo com Shön (1992) para além de encorajar, reconhecer e de dar valor à confusão dos seus alunos, tem também que fazer parte das suas obrigações, encorajar e dar valor à sua própria confusão, pois só quem ficar confuso e com incerteza sobre as coisas é que pode aprender – “è impossível aprender sem ficar confuso” (Shön, 1992, p. 85). Correspondente ao que diz o mesmo autor, “o grande inimigo da confusão é a resposta que se assume como verdade única” (Shön, 1992, p. 85).
Assim, o professor tem de aprender a ouvir os alunos e aprender a fazer da escola um lugar no qual seja possível ouvi-los, só assim a aula de Educação Física poderá constituir-se num ambiente de ensino e aprendizagem significativo, tanto para o professor como para os alunos (Basei, 2008).
Sendo assim, sempre tive em conta, durante todo este processo de ensino, que o resultado final dos alunos não dependia só deles. Sabendo que o que transmitia ia estar de acordo com o que iria mais tarde avaliar, não podia ficar sem reflectir sobre todo o processo de ensino e nem sem me preocupar com o evoluir constante dos alunos. Querendo com isto dizer que não é verdade que “se eles não aprendem o problema é deles”. Não foi assim que procedi nesta fase. Durante todo o tempo reflecti e sempre com a finalidade de conseguir que os alunos soubessem mais sobre o que se estava a trabalhar. Aliás, muitas vezes reflecti sobre a minha reflexão, quero com isto dizer que estou de acordo com Luckesi (2005), quando refere que sem um investimento efectivo e constante no processo de ensino e aprendizagem, estaria ainda à espera de um produto que os alunos não alcançavam, (chego agora à conclusão que por vezes ler muitas vezes a mesma reflexão escrita leva-nos a modificar coisas que realmente ainda iam continuar mal. Assim sendo, penso que esta foi uma grande virtude da minha parte: “reflectir sobre o reflectido”).
Se por um lado me preocupava com o processo, pois é através dele que chego aos resultados desejados, preocupava-me também com os resultados obtidos pelos alunos pois eles são o produto da minha acção enquanto professor.
Como nos afirma Luckesi (2005), necessitamos estar atentos aos processos, para que sejam consistentes ao nível da produção dos resultados
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que desejamos e ansiamos; e, necessitamos estar atentos ao produto como parâmetro para o dimensionamento e controlo das nossas acções. Os resultados não nascem espontaneamente; necessitam de acção consistente para serem produzidos. Ou investimos na nossa acção ou os resultados não chegam até nós. Mas, para que isso ocorra, necessitamos estar atentos aos resultados; na medida em que não basta agir de qualquer maneira, porém guiados pela configuração dos resultados definidos. Ainda segundo o mesmo autor, “um resultado é construído passo a passo”.
Para a realização deste Estágio Profissional tentei desenvolver uma proximidade física, pois só assim conseguiria evoluir e ganhar a confiança e controlo da turma. Durante este primeiro processo preocupei-me mais sobre ter a turma no meu campo de visão e circular pelo espaço de forma a verificar se tudo corria na normalidade. Estas estratégias foram decisivas para a evolução e rápido alcance do primeiro momento de observação do Estágio Profissional.
Como era de prever, algumas das estratégias foram difíceis de ultrapassar e chegar ao resultado desejado, outras, naturalmente estavam quase conseguidas, pela experiência de leccionação anterior. Mas mesmo as que estavam consolidadas, não foram menosprezadas, pois tinha a consciência que agora era uma turma diferente e que tinha de estar atento a isso.
Por falta de experiência ao nível da observação, por querer incidir sobre, ou corrigir aspectos muito específicos, e porque em algumas modalidades tinha ainda uma certa dificuldade em detectar as causas dos erros, de vez em quando a atenção dirigia-se para aspectos muito particulares ou para um aluno apenas, por exemplo, no atletismo. Procurei com o tempo ter mais atenção a esse pormenor e ter a capacidade de me abstrair de aspectos particulares e ter uma visão mais global da turma e do que se estava a passar.
Após superar este primeiro momento de observação sei agora que a turma esteve controlada e teve confiança em mim, no que fiz e disse, sabendo sempre que estes factores vão influenciar a minha forma de actuar na leccionação das aulas (numa vida futura).
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Após este primeiro momento de observação, comecei a debruçar-me mais sobre os tempos de aula e a melhor maneira para os rentabilizar, isto é, com vista ao segundo momento de observação, sem descurar o controlo da turma.
Este momento foi mais longo que o primeiro, contudo agora tenho a consciência que o tempo utilizado foi crucial para conseguir rentabilizar ao máximo o tempo de aprendizagem dos alunos, diminuir tempos de espera, de organização, de transição entre exercícios. Conseguir também estabelecer rotinas e elevar o ritmo da aula. A par desta situação, melhorei também a qualidade de instrução (feedbacks) e aumentei a motivação dos alunos. Fica a referência que a qualidade de feedbacks foi mais demorada e prolongou-se para o terceiro momento de observação.
Com o ano lectivo a decorrer, as coisas iam ficando bem encaminhadas e de acordo com o que era pedido na faculdade. Passando agora para o terceiro momento de observação, referencio que durante todas as aulas dadas por mim, e sobretudo no segundo momento de observação, a professora falava muito da qualidade de informação que nós dávamos aos alunos. Assim sendo esta terceira fase foi fácil de superar pois já vinha a exercita-la há bastante tempo. Em paralelo com as observações a que estive sujeito por parte da Orientadora, estabeleci em conjunto com os colegas do núcleo de Estágio Profissional e com a Professora Cooperante um calendário para a observação de aulas aos pares (colegas de Estágio) e a outros professores experientes. Estas observações contribuíram de forma decisiva para a consolidação das minhas estratégias de ensino pois como diz a teoria de Bandura (1977), aprendemos a observar os outros.
Para uma melhor compreensão, Ronaldo Oleto (2006) diz-nos que a qualidade de informação precisa de algumas dimensões, tais como abrangência, acessibilidade, actualidade, confiabilidade, objectividade, precisão e validade. Nesta linha de pensamento, tinha de transmitir a matéria aos meus alunos para que eles a compreendessem. Para isso, por vezes tinha de esquecer os termos técnicos e específicos e utilizar uma linguagem corrente e de fácil acesso, pois como nos afirma o mesmo autor, é muito comum a falta de
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“conceitos claros que sustentem interpretações”, no entanto não descurei a sua transmissão.
Para o meu aperfeiçoamento enquanto realizador de um processo ensino aprendizagem, na qual resultou um produto para os alunos, tive uma grande ajuda da Professora Cooperante, Laura Lopes, pois foi ela que me deu orientou durante o ano lectivo em que estive envolvido e ajudou a gerir todas as situações presentes. Um líder tem de ser um orientador de processos e um colaborador para que as pessoas possam evoluir. Neste momento considero a Professora Cooperante uma excelente líder do meu processo, na qual me revejo futuramente a ajudar os outros da mesma maneira que ela me ajudou. Sendo assim as opiniões dela foram fundamentais para a condução das aulas e orientação das mesmas. Conjuntamente com as ideias dela, tinha muitas vezes as opiniões dos meus colegas estagiários, na medida em que eles assistiram a muitas aulas minhas e no fim conversávamos sobre o que de bem e mal se tinha passado. Penso que só com esta grande ajuda pude realizar todo este processo de uma forma bem conseguida.
Sendo assim, a observação de aulas revelou-se de uma importância vital, pois para além de permitir a constatação de erros dos vários elementos do núcleo, foi fundamental para o enriquecimento da competência pedagógica de cada um, porque através do confronto de ideias e de cuidadas reflexões, traçavam-se linhas futuras de actuação importantes para a correcta execução desta importante tarefa do professor.
Para que pudesse melhorar de dia para dia na minha actividade enquanto professor, realizei reflexões sobre tudo o que fiz e em que participei. Por outras palavras, controlava os objectivos estabelecidos no início do ano lectivo através de reflexões e resultados alcançados. Penso que só com uma reflexão cuidadosa do que se faz é que as pessoas podem evoluir e seguir um caminho para a especialidade, neste caso, Professor de Educação Física.
Durante todo este estágio, para a leccionação das aulas, regi-me pelas unidades didácticas realizadas por mim no início do estágio e que tiveram por base uma avaliação diagnóstica e visando desta forma, se necessário, a
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divisão da turma por níveis. Aliás foi uma dificuldade por mim difícil de superar esta separação da turma por graus.
No decorrer das aulas, diferenciei o ensino, colocando aos alunos sempre um estímulo acima do seu nível de execução, pois assim poderiam evoluir e aprender o que está a ser ensinado consoante as suas capacidades/dificuldades. Por vezes não consegui mesmo criar a diferença para todos os alunos e optei por propor exercícios tendo em conta o desempenho médio do grupo, pois só assim dava para dar motivação à maioria. Em simultâneo, desenvolvi o ensino individualizado para os alunos que se situavam nos extremos do desempenho da turma, aqueles com mais dificuldades e os mais aptos.
Para a abordagem dos divergentes conteúdos utilizei várias estratégias, tentando sempre ir ao encontro de todos os interesses e motivações dos alunos da turma. Tive sempre também a intenção de oferecer actividades multifacetadas. Para o ensino dos Jogos Desportivos Colectivos (JDC), utilizei diferentes estratégias. Sendo esta uma fase de experimentações, utilizei diferentes formas de abordar as modalidades, desde utilização de uma instrução directa, até utilizar uma estrutura de jogos para a compreensão e no terceiro período, decidi abordar as aulas com o modelo de educação desportiva de Siedentop (1987).
Penso que estas “experiências” foram uma mais-valia para mim, pois ganhei outras experiências e ideias diferentes sobre como trabalhar as modalidades. Acho que tirei partido de umas formas de ensinar e de outras e tentei sempre reduzir ao mínimo as suas desvantagens.
Este percurso de opções/decisões, levou-me a reflectir sobre qual o melhor modelo para o ensino dos JDC, tendo sido, esta dúvida, decisiva para a escolha de um tema a aprofundar no meu Relatório de Estágio.
Em todos os momentos do ano lectivo fiz com que houvesse sempre aprendizagem nas aulas, e nenhum aluno fosse excluído por dificuldades e que os mais aptos pudessem progredir. Ao mesmo tempo, construía aulas que fossem agradáveis, variadas, significativas na vida dos alunos, motivadoras e
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onde prevaleceram valores como a cooperação, respeito, responsabilidade, espírito de equipa e desejo da prática desportiva.
Durante o decorrer das aulas os alunos mostraram interesse e empenho na realização das tarefas. Contudo por vezes também mostraram alguma falta de “apetite” e empenho na realização dos exercícios. Quando acontecia uma situação destas, tentava motivá-los com alguma estratégia por mim adoptada no momento. Desde falar com eles sobre o que se passava, motivá-los com algumas chamadas de atenção sobre as atitudes, desde passando pelo motivar com a tipologia dos exercícios e mesmo com advertências sobre o seu menor desempenho naquela aula. De uma maneira geral, os alunos entenderam sempre o feedback dado como uma sugestão de melhoria do seu desempenho. Porém existiram situações em que os alunos não responderam da melhor forma ao meu pedido, sendo assim a solução que me restou foi lembrar-lhes que todas as atitudes seriam tidas em conta para a sua avaliação.
A ajuda da Professora Cooperante nestas situações foi muito importante pois com a experiência, foi capaz de me transmitir formas de solucionar determinados problemas que foram ocorrendo (por exemplo para a ginástica, tinha muitos alunos a não querer fazer o salto de cavalo, recusavam-se a experimentar os exercícios de base mais simples que lhes propunha. Resolvi esta situação com a ajuda da Professora Cooperante em que fiz um papel para eles assinarem a dizer que se renunciavam a executar. Na aula seguinte de saltos não tinha nenhum aluno a dizer que não fazia. “Para um grande problema, uma grande solução”.
Nesta fase da realização, as principais dificuldades surgiram ao nível dos desportos para quais não tive qualquer tipo de formação académica e que fazem parte do Programa da Educação Física para o Ensino Secundário e do projecto curricular de Educação Física da escola. Contudo, para colmatar essas dificuldades e poder corresponder às expectativas e necessidades dos alunos, frequentei uma acção de formação levada a cabo por colegas de estágio da escola secundária de Rodrigues de Freitas (danças sociais), consultei bibliografia específica, documentos e sites na Internet sobre as modalidades (danças sociais, desportos de raquetes e a bateria de testes
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fitnessgram). Desta forma encarei o Estágio Profissional com um maior conhecimento, preparação e confiança.
A modalidade que tive mais dificuldade foi dança, porém debrucei-me sobre esta modalidade como não fiz em nenhuma outra. Fiz uma acção de formação sobre o tema. Li, procurei e pedi ajuda a um dançarino da modalidade. No final deste esforço fiquei muito contente e satisfeito pois no final da leccionação da mesma a Professora Cooperante disse-me “Parabéns, valeu a pena o esforço, tudo correu muito bem”. Penso que estas palavras são mais importantes para mim do que o reconhecimento da leccionação em aulas que à partida tenho base para as ensinar. No fundo, foi o reconhecimento do esforço feito.
A realização ficou garantida por ter atingido os objectivos traçados para o ano lectivo, e por ter desenvolvido competências pedagógicas que me permitiram encarar com segurança o processo de ensino aprendizagem.