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Child Welfare Proceedings

P ROGRAMMES V IOLATE SECTION 15 E QUALITY R IGHTS

Os participantes do mercado de ações podem ser classificados em duas categorias: os investidores e os profissionais. Os investidores em ações são instituições financeiras (corretoras, bancos, fundações, fundos de pensão, companhias seguradoras), empresas públicas e privadas e pessoa física. Os investidores institucionais nacionais e estrangeiros e as empresas são responsáveis por mais de 80% do volume de compra e venda no mercado acionário (dados da BM&FBovespa). Os profissionais são indivíduos vinculados às instituições financeiras como os operadores de mesa, os analistas de mercado, os gerentes de investimento, entre outros.

As bolsas de valores têm como regra que as relações entre os participantes se deem sob a forma de concorrência entre ofertas de compra e venda, ou seja, nenhum dos participantes pode ter controle sobre a formação dos preços, assim não é permitido o estabelecimento de parcerias para esse fim entre as instituições financeiras que participam do mercado acionário. No entanto, há, informalmente entre os profissionais do mercado, relações de troca recíproca, “[...] um sistema de trocas interessadas e que têm como objeto informações, indicações, privilégios, e como objetivo, o estabelecimento de laços e compromissos a longo prazo [...]” (MÜLLER, 2006, p.64). Assim, por sua natureza não concorrencial a prática da troca recíproca está em desacordo com os princípios formais que regem o funcionamento do mercado de ações. No entanto, as instituições financeiras têm interesse e podem ser beneficiadas por essa rede de trocas mantida informalmente por seus funcionários.

Os operadores de mesa são os profissionais que trabalham nas mesas de operação das corretoras de valores executando as ordens de compra e venda de ações para seus clientes. Esses profissionais podem ter conhecimento imediato sobre o que se passa no mercado através de conversas com seus colegas e através de seus computadores que, conectados diretamente à bolsa, fornecem os valores das ofertas que estão sendo feitas a cada momento. Quando os investidores ligam para a corretora querendo negociar ações, eles são atendidos por esses profissionais que ocupam uma posição de intermediários entre os primeiros e a bolsa de valores. Alguns operadores tentam negociar ações para si próprios antes de executar operações para grandes investidores, cujo volume de ações e de dinheiro envolvido acaba alterando as cotações. Além disso, “Os operadores de mesa que armam ou têm acesso a estas operações podem repartir a informação com seus colegas e clientes.” (MÜLLER, 2006,

p.119). Assim, sua grande fonte de informações reside, portanto, nos contatos que eles estabelecem com os outros operadores de mesa, da sua e de outras corretoras, os quais têm um caráter eminentemente pessoal.

Os analistas de mercado são profissionais que trabalham em instituições financeiras analisando informações do mercado financeiro. Os setores de informação subsidiam as análises e os prognósticos produzidos por esses profissionais para orientar as decisões dos investidores e dos gerentes de investimentos.

Assim é que, através da influência que exercem sobre a atuação de profissionais que administram grandes volumes de capital, os analistas podem afetar diretamente a dinâmica do mercado. Por isso, segundo os próprios analistas, a forma mais efetiva de se prever as tendências nas bolsas é saber o que estão pensando seus colegas, o que eles fazem através de contatos telefônicos que ocupam grande parte de seu tempo de trabalho. É por isso, também, que eles não deixam de frequentar as reuniões de sua associação, a ABAMEC, onde as empresas divulgam informações sobre suas perspectivas futuras, mesmo quando já conhecem de antemão o que vai ser dito ali. O motivo para isso é o fato de que estas reuniões tornam-se ótimas ocasiões para manter contato com seus colegas de profissão, nas quais eles podem estabelecer e reforçar relações que deverão reverter em trocas de informações (ou, quem sabe, em indicações para um emprego melhor) (MÜLLER, 2006, p.117-118).

Os investidores estabelecem relações de confiança com as instituições e os profissionais que as representam frente ao mercado. A confiança se ancora na reputação da instituição e a sua eficiência em fazer com que eles ganhem dinheiro, no caso das corretoras; na fiscalização pelos órgãos competentes e na manutenção da credibilidade através do controle do funcionamento do mercado.

O desempenho econômico das empresas, a sua lucratividade, os dividendos distribuídos, o contexto social e econômico em que a empresa está inserida e a cotação de suas ações no mercado são parâmetros considerados pelos investidores nas suas avaliações. Na prática, entretanto, os investidores só têm conhecimento dessas variáveis de forma indireta, isto é, através das informações que são prestadas pelas próprias empresas. Por isso, uma das normas da bolsa de valores versa sobre a transparência na divulgação de informações pelas empresas de forma a homogeneizar o acesso às mesmas entre todos os participantes.

Mas apesar de vital, as informações não são igualmente acessíveis a todos eles. Os investidores pessoa física não integram diretamente nenhum dos circuitos por onde passam as informações, assim buscam obtê-las através de conversas informais e palpites com conhecidos e amigos ou através de contatos com os profissionais das corretoras das quais são clientes na tentativa de obter dicas, confirmar suas análises, avaliar as tendências de mercado, além de leitura de jornais. “Para os investidores que não acompanham de perto o dia-a-dia [sic] das bolsas, a imprensa pode ser a única fonte de informações sobre o que se passa no mercado

acionário” (MÜLLER, 2006, p.123). Os pequenos investidores praticamente não possuem canais diretos que lhes permitam obter informações a respeito das operações que definem a dinâmica das cotações, assim, quando tomam conhecimento de uma informação que pode alterar o valor das ações das empresas, o efeito sobre as cotações geralmente já aconteceu, além disso, devido à sua formalização e credibilidade perante o grande público, os meios de comunicação podem ser utilizados por profissionais e instituições de influência para desinformar, por isso, eles têm mais chances de perder dinheiro no mercado acionário.

Os jornalistas não acompanham diretamente o cotidiano do mercado, sua principal fonte de informação para produzir matérias sobre o mercado financeiro são os próprios profissionais do mercado.

Para realizarem seu trabalho, os jornalistas dependem da boa-vontade de seus informantes. Os profissionais do mercado, por seu turno, dependem da imagem pública que os jornalistas constroem a seu respeito e a respeito das instituições onde trabalham. Sendo assim, ambos os lados procuram cultivar boas relações, o que se dá através da troca de gentilezas e favores. Os profissionais do mercado o fazem mostrando-se pacientes com os jornalistas quando esses lhes telefonam em busca de avaliações, muitas vezes em horários em que o mercado se encontra em plena turbulência. Os jornalistas, por seu turno, retribuem auxiliando seus informantes a produzirem eventuais matérias sobre eles e suas instituições, ou publicando uma informação que, mesmo fidedigna, pode favorecer-lhes em função do momento de sua divulgação (MÜLLER, 2006, p.123).

Com o objetivo de manter uma boa imagem frente aos investidores, as empresas com ações na bolsa realizam apresentações para que os analistas de mercado as conheçam melhor, pois são estes profissionais que orientam os investimentos das instituições e dos investidores em geral. Além disso, para cumprir a função de canal de comunicação com o mercado, as empresas de capital aberto possuem o Departamento de Relações com Investidores. No entanto, os profissionais desse departamento podem usufruir de sua posição de fonte privilegiada de informações sobre as empresas onde trabalham passando informações em primeira mão para profissionais ou instituições do mercado com quem eles têm um bom relacionamento.

Dessa forma, há uma contradição entre os princípios formais da bolsa de valores e o código que rege as relações recíprocas praticadas no interior do mercado demonstrando uma comunidade com valores ambíguos. Pois, de um lado são obrigados a preservar os princípios do funcionamento do mercado cuja credibilidade têm interesse em preservar, mas, por outro, precisam participar das redes de relações de troca para obter um bom desempenho profissional e sucesso econômico.