No período estudado, o Banco Itaú adquiriu as operações de vários bancos no Brasil e no exterior e, em 03/11/2008, divulgou sua associação com o Banco Unibanco tirando, assim, o posto do Banco do Brasil de maior banco brasileiro. Em 25/05/2009, o código da ação do Itaú mudou de ITAU4 para ITUB4 por conta de sua unificação com o Unibanco. O Itaú emitiu 13 comunicados prestando esclarecimentos sobre 11 boatos. Os boatos a respeito de aquisições foram 54,54% do total e cada um dos outros boatos tinha um assunto diferente: exposição ao mercado de crédito imobiliário de maior risco (subprime), decisão judicial contra a empresa, operações com derivativos, alienação de controle acionário de empresa controlada e venda de ativos. O boato de que o Itaú teria realizado operações de crédito no
mercado de subprime apareceu duas vezes no segundo semestre de 2007, assim foram 12 ocorrências de boatos no período delimitado pela pesquisa (Gráfico 11).
Gráfico 11: Ocorrências de boatos sobre o Itaú por ano
Fonte: Baseado nos comunicados coletados no sítio da BM&FBovespa (2013).
Em 2007, os assuntos mais abordados pelos boatos sobre o banco foram as aquisições de outras instituições financeiras e a suposta exposição do Itaú ao mercado de subprime. Os investidores da ação preferencial do Itaú confrontaram-se com boatos e esclarecimentos em 11 pregões neste ano, no entanto o preço da ação apresentou oscilação superior a 3% (positiva ou negativa) em apenas 3 pregões. As ações do banco oscilaram bastante em 15 e 17 de agosto e 11 de outubro devido a boatos sobre o impacto da crise do setor imobiliário americano na saúde financeira do Itaú e seus esclarecimentos (Gráfico 12).
Gráfico 12: Variações de +/- 3% na cotação da ITAU4 devido aos boatos e esclarecimentos
Fonte: Elaboração própria (2013).
Houve apenas 2 boatos em 2008, um sobre uma suposta aquisição de outro banco e outro a respeito da desconfiança de que o banco teria perdas com operações de derivativos de câmbio. Neste ano, o preço da ação enfrentou boatos e esclarecimentos em cinco pregões e oscilou mais de 3% (positiva ou negativamente) em três. Um boato de uma decisão judicial
6 2 2 0 2 2007 2008 2009 2010 2011 -4,47 3,41 -3,78 -4,35 10,58 -6,18 15-ago-07 17-ago-07 11-out-07 2-jan-08 30-out-08 6-nov-08
condenando o banco a pagar R$ 4,5 bilhões em 2007 foi esclarecido em 2 de janeiro de 2008, mas as explicações da companhia afirmando que o valor não chegaria a R$ 1 milhão não foi suficiente para evitar que o preço caísse 4,35%. Em 30 de outubro, surgiu o boato da suposta exposição do banco a operações com risco de variação cambial. Foi uma desconfiança negativa sobre banco, mas o preço da ação disparou 10,58%, assim, o impacto maior no preço deste dia foi da divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2008 no dia anterior e provavelmente, mais ainda, um provável vazamento do fechamento do contrato de associação entre o Itaú e o Unibanco criando uma das maiores instituições financeiras do mundo. Essa afirmação é corroborada pelas altas significativas que também aconteceram nos dias 28 e 29. A questão dos derivativos pesou no preço da ação somente em 6 de novembro quando a empresa respondeu ao boato explicando a situação das operações. A angústia dos investidores, que temiam perder, adquiriu uma proporção exagerada contribuindo para o surgimento de um movimento de pânico (KAPFERER, 1993).
Em 2009, houve 2 boatos sobre aquisição de participação acionária em instituições financeiras. Os boatos e suas respostas foram divulgados em 4 diferentes pregões, porém não causaram variação superior a 3%. No ano seguinte, não circularam boatos sobre o banco e, em 2011, houve um sobre venda de participação em outra empresa e outro sobre aquisição de operações no Brasil de um banco estrangeiro.
6.4.1 Itaú – Boatos do Ano de 2007
No dia 18 de junho, foram publicadas informações de que poderia haver uma venda de participação acionária na Redecard que alteraria o seu controle. O Itaú respondeu no dia seguinte que não existia tratativa de venda da participação acionária na Redecard, com exceção da oferta global, e que o controle da Redecard seria preservado. No dia 15 de agosto, as ações do Itaú caíram 4,47%, por causa da desconfiança dos investidores de que o banco seria impactado pela crise do setor imobiliário americano. O resultado dessa dúvida “[...] foi entendido por alguns analistas como um efeito manada de venda de papéis de bancos em todo o mundo” (VALOR ONLINE, 2007). No dia seguinte após o encerramento do pregão, o Banco Itaú emitiu um comunicado informando que não possuía exposição ao mercado de crédito imobiliário classificado como subprime (de maior risco) e nem a títulos atrelados a estas operações, conhecidos como CDOs (Collateralized Credit Obligation). A negação do banco surtiu efeito no pregão do dia seguinte fazendo o preço das ações subirem 3,41%.
Em 13/9, as ações preferenciais do Itaú subiram 2,19% impulsionadas pelo boato de que o banco teria feito proposta de R$ 2 bilhões para comprar 50% do BMG. Em comunicado apresentado após o pregão, o banco negou que estivesse em negociação para concretizar essa aquisição. Em 11/10, o Itaú prestou esclarecimentos em complemento ao comunicado apresentado em 16 de agosto sobre as suspeitas de impactos do setor imobiliário americano na saúde financeira do banco. As ações fecharam em baixa de 3,78% neste dia.
No dia 26/12, o preço da ação subiu 2,18% devido ao boato de que o banco anunciaria a compra da área de private banking (voltada a clientes de alta renda) do banco espanhol BBVA, localizada em Miami, por US$ 1 bilhão. Após o pregão, o Itaú enviou dois comunicados informando que estava analisando a suposta aquisição e que, se concretizada, não chegaria a US$ 100 milhões. No dia 28/12, foi publicado que o banco teria sido condenado a pagar R$ 4,5 bilhões. Após o fechamento do pregão, a companhia esclareceu que o referido processo encontrava-se em posição favorável ao banco e que, segundo seus advogados, o valor questionado seria inferior a R$ 1 milhão. O preço caiu no pregão do dia 28 de dezembro e no pregão seguinte 2,67% e 4,35%, respectivamente.
6.4.2 Itaú – Boatos do Ano de 2008
No dia 1/09, o Itaú negou que tivesse feito proposta para aquisição do Banco BonSucesso. A notícia sobre a possível aquisição de um dos bancos líderes do mercado de crédito consignado por R$ 1 bilhão foi publicada na Revista Veja. No ano passado especulou- se que o Itaú compraria o Banco BMG que também atua na área de crédito consignado. No dia 30/10, foi publicado que mais de 300 clientes do Itaú tinham operações com derivativos de câmbio. Três dias antes, o banco havia informado que apenas 96 clientes fizeram esse tipo de operação. Em resposta à notícia, o banco comunicou que as operações dos outros clientes não foram divulgadas como fato relevante por serem opções de compra tradicionais cujos valores eram inexpressivos e constavam nas demonstrações contábeis. Nesta época, as cotações estavam oscilando muito devido às incertezas e à provável influência da crise internacional no banco, como também em outras empresas listadas na bolsa. Além disso, como já foi mencionado, houve enormes perdas financeiras por parte de algumas empresas brasileiras por causa da utilização de derivativos de câmbio neste ano de 2008. Desse modo, era justificável a preocupação dos investidores com prováveis perdas que outras companhias expostas a esses produtos poderiam ter.
6.4.3 Itaú – Boatos do Ano de 2009
No dia 20/02, surgiu o boato de que o banco Citibank colocaria à venda a sua participação na Redecard e esse negócio interessaria ao Itaú. O preço das ações do banco caiu 2,9% neste dia. O Citibank foi um dos bancos mais atingidos pela crise financeira nos Estados Unidos, assim a especulação de que ele se desfaria dos ativos para mitigar as perdas com o crédito imobiliário americano ganhou credibilidade no mercado. No dia 25, o Itaú esclareceu que assinou no dia 20 de fevereiro de 2009 um memorando de entendimento com o Citibank e os outros controladores da Redecard no qual este banco foi autorizado a vender sua participação na Redecard por meio de uma oferta pública de distribuição secundária de ações. Neste acordo, também, o Citibank concedeu aos acionistas controladores a opção de adquirir privadamente do Citibank as ações da Redecard pelo preço da oferta pública. Esta opção poderia ser exercida até o dia anterior à data de precificação das ações. Assim, o Itaú confirmou que o Citibank queria vender suas ações na Redecard, mas não deixou claro se teria interesse no negócio.
Em 3/03, foi divulgado que o Itaú havia adquirido 40% do Banamex pertencente ao Citibank. No dia seguinte após o pregão, o Itaú negou que tivesse comprado ou que estivesse em negociações para tal. Mais um boato de venda de ativos do Citi cuja saúde financeira vinha se deteriorando com a crise. Por outro lado, o Itaú vinha crescendo e se tornou a maior instituição financeira do Brasil com a fusão com o Unibanco no ano anterior. Assim, explica- se o motivo pelo qual o Itaú vinha sendo cogitado a adquirir os ativos de outros bancos.
6.4.4 Itaú – Boatos do Ano de 2011
No dia 14/04, surgiu o boato de que o Itaú queria vender sua participação na CR2 Empreendimentos Imobiliários. O banco respondeu no dia seguinte que a participação nesta empresa não representava um investimento estratégico e afirmou que tinha interesse em estudar propostas para alienar tal participação, mas negou que tivesse recebido qualquer tipo de proposta. No dia 7/10, foi publicado pela Revista Exame que, segundo fontes de dentro do banco, o Itaú compraria parte da operação do HSBC no Brasil. O negócio fazia sentido, pois o Itaú havia adquirido parte de operações do HSBC no Chile. No entanto, no dia 13/10 após o pregão, o Itaú informou que a notícia não tinha nenhum fundamento.