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Um dos três eixos do PTE prende-se com a formação que assenta no pressuposto da realização de um percurso de aquisição e operacionalização progressiva das competências digitais.

Neste âmbito, começámos por inquirir os professores sobre a forma como tinham adquirido os conhecimentos em relação às TIC. Podemos verificar que os adquiriram através de autoformação e através das ações de formação promovidas pelo ME. O apoio de colegas e amigos é também referido por 45,1% dos professores.

De forma isolada, apresenta-se 0,9% da amostra, que corresponde a um professor que sem qualquer tipo de conhecimentos no âmbito das TIC.

Tabela 17 - Aquisição de conhecimentos no âmbito das TIC

Como adquiriu os seus conhecimentos em relação às TIC ? Sim

N %

Não tenho conhecimentos 1 0,9

Autoformação 77 68,1

Apoio de amigos ou colegas 51 45,1 Ações de formação ligadas ao Ministério da Educação 71 62,8

Quando questionados sobre se consideram a sua formação suficiente para utilizar as TIC como ferramentas funcionais no seu contexto profissional, 59,3% dos professores consideram que sim.

Dos 113 professores que constituem a nossa amostra, 77% que corresponde a 87 professores já possuem certificação de competências TIC - nível 1. Esta certificação só foi atribuída a 61,9% (70 professores) após a frequência de ações de formação.

Pretendeu-se saber ainda se os professores que frequentaram as ações de formação, alteraram de alguma forma a sua conduta em relação aos meios informáticos. 27,9 % (12 dos 43 professores) responderam que não.

Quadro 7 - Formação / Certificação / Conduta

Não Sim

N % N %

Considera a formação que possui suficiente para utilizar as T.I.C. como

ferramentas funcionais no seu contexto profissional? 46 40,7 67 59,3 Tem a certificação em competências T.I.C. Nível 1? 26 23 87 77 Frequentou ações de formação no âmbito da certificação de

competências nível 1? 70 61,9 43 38,1

A ação de formação de nível 1 frequentada alterou a sua conduta em

relação aos meios informáticos? (N=43) 12 27,9 31 72,1

A vontade de aprender mais foi apontada por 81,4% dos professores, como a principal razão para terem frequentado as ações de formação. A necessidade de formação, por não reunirem requisitos, foi apresentada como justificação por 34,9%

dos professores. Indicação da direção da escola para o fazer, foi o motivo apontado por menos professores, 16,7% que corresponde a 7 professores dos 42.

Quadro 8 - Razão da frequência das ações de formação nível 1

Indique a razão que a(o) levou a frequentar essas ações? (N=42)

Não Sim

N % N %

Necessidade de formação para poder pedir o certificado de Nível 1 28 65,1 15 34,9

Vontade de aprender mais 8 18,6 35 81,4

Indicação da direção da escola para o fazer 35 83,3 7 16,7

Para os 70 professores que não frequentaram qualquer ação de formação do nível 1, 57,1% justificaram com o facto de já possuírem as 50 horas obrigatórias, enquanto que 21,4 % desses mesmos professores não tiveram oportunidade de o fazer por razões pessoais ou institucionais.

Quadro 9 - Razões para não ter frequentado ações de formação nível 1

No caso de não ter frequentado ações de formação no âmbito da certificação de competências nível 1, indique a razão: (N=70)

Não Sim

N % N %

Já possuía 50 horas de formação e pude pedir o certificado 30 42,9 40 57,1 Não necessito de formação e posso avançar para a formação de nível 2 57 81,4 13 18,6 Domino os conteúdos da formação nível 1 60 85,7 10 14,3 Não tive oportunidade para o fazer, na minha escola/agrupamento não foi

disponibilizada 60 85,7 10 14,3

No que diz respeito às ações de formação do nível 2, 27,4 % dos professores diz já ter frequentado.

Quadro 10 – Frequência de ações de formação nível 2

Não Sim

N % N %

Frequentou ações de formação no âmbito da certificação de competências

nível 2? 82 72,6 31 27,4

A esses professores foi-lhe perguntado se com essas ações de formação alteraram a sua conduta em relação aos meios disponíveis na escola, e 64,5% (20 dos 31 professores) reconhece que sim.

Quadro 11 - Alteração de conduta por parte de quem fez formação nível 2

Não Sim

N % N %

Se respondeu sim à questão anterior, considera que a (as) acções de formação de nível 2 frequentada (s) alterou (aram) a sua conduta em relação aos meios disponíveis na escola? (N=31)

11 35,5 20 64,5

Tal como se disse quando se apresentou o PTE, pretende-se atingir cerca de 30% do universo de docentes nas ações consideradas prioritárias no âmbito das metas do PTE. Estamos com um ano e meio de atraso em relação à data anunciada e aos objetivos traçados. Agravando a situação, o programa está parado e a aguardar luz verde por parte do ministério.

Recorreu-se a uma escala com cinco níveis de resposta- Escala de Likert, para conhecer a opinião dos professores sobre as ações de formação frequentadas no âmbito das TIC. Na grande maioria, os professores consideram que transmitem ensinamentos úteis à prática pedagógica (59,3%), têm Bons Formadores (46%), Conciliam Teoria com Prática (53,1%) e as mesmas Apresentam Sugestões de Utilização dos conhecimentos em sala de aula (54,9%).

Quadro 12 - Ações de formação / conteúdos / formadores

Para cada uma das afirmações seguintes, relativas às ações de formação no âmbito das T.I.C., assinale a sua opinião:

NR Discordo

Totalmente Discordo Sem opinião Concordo

Concordo Totalmente N % N % N % N % N % N % Limitam-se ao funcionamento técnico de equipamentos e programas 25 22,1 4 3,5 41 36,3 9 8 31 27,4 3 2,7 Apresentam sugestões de utilização dos conhecimentos em sala de aula 22 19,5 3 2,7 7 6,2 9 8 62 54,9 10 8,8 Têm um carácter meramente teórico 24 21,2 11 9,7 53 46,9 15 13,3 8 7,1 2 1,8 Têm um carácter meramente prático 26 23 6 5,3 46 40,7 13 11,5 21 18,6 1 0,9

Conciliam teoria e prática 25 22,1 2 1,8 5 4,4 9 8 60 53,1 12 10,6 Servem apenas para empregar

formadores 24 21,2 21 18,6 41 36,3 20 17,7 7 6,2

Têm bons formadores 22 19,5 1 0,9 4 3,5 26 23 52 46 8 7,1

Têm maus formadores 28 24,8 15 13,3 33 29,2 29 25,7 8 7,1 Transmitem ensinamentos

úteis à prática pedagógica 22 19,5 3 2,7 2 1,8 7 6,2 67 59,3 12 10,6 Transmitem ensinamentos

inúteis à prática pedagógica 24 21,2 20 17,7 45 39,8 10 8,8 12 10,6 2 1,8 Não têm em conta o nível de

conhecimento dos formandos 21 18,6 4 3,5 29 25,7 19 16,8 36 31,9 4 3,5 Têm em atenção o nível de

Quisemos perceber, através de uma pergunta aberta, o que tinham os professores introduzido nas suas aulas por influência das ações de formação frequentadas. Aproximadamente metade dos professores não respondeu – sugere- nos que nada estarão a fazer de diferente. Dos restantes, apresentaram como alteração na sua conduta, a maior utilização de apresentações eletrónicas, a pesquisa e exploração de recursos existentes na internet, o visionamento de filmes e a utilização do quadro interativo. Sobre este último, alguns professores acusam que a sua utilização não é maior, porque a produção de recursos é morosa e não justifica a sua eficácia.

Por último, pediu-se opinião sobre que mudanças deveriam ser feitas, visando uma melhor integração das TIC no ensino. Mais de metade dos professores inquiridos sugere um reforço nas ações de formação de âmbito disciplinar bem como sobre software específico para as diferentes disciplinas. A permanente operacionalidade do equipamento e o apoio de um técnico na escola que pudesse auxiliar os professores, são igualmente apresentadas como sugestões por mais de metade dos professores.

Quadro 13 - Sugestões para melhorar a integração das TIC em sala de aula

Pensando nas T.I.C. ao serviço do ensino e aprendizagem, o que considera necessário para uma melhor integração das mesmas nas suas aulas?

Não Sim

N % N %

Nada precisa de ser alterado 112 99,1 1 0,9

Mais ações de formação de âmbito generalista 75 66,4 38 33,6 Mais ações de formação de âmbito disciplinar 43 38,1 70 61,9 Ações de formação que prevejam a planificação de aulas utilizando o computador 64 56,6 49 43,4 Mais software específico para a disciplina 53 46,9 60 53,1 Apoio de um técnico na escola que pudesse auxiliar o professor nas suas dificuldades 56 49,6 57 50,4 O material esteja sempre ligado e operacional 47 41,6 66 58,4

Conclusão

Foi nossa intenção estudar as implicações do PTE nas escolas de Bragança, que por questões temporais, o restringimos a duas escolas, mantendo como preocupação incluir os diferentes níveis de ensino.

Os dados foram recolhidos através de um questionário aplicado a todos os professores e de uma entrevista aplicada somente ao coordenador PTE de cada escola / agrupamento.

Foram distribuídos 229 questionários, dos quais apenas se conseguiram recolher 113, o que corresponde a um retorno de 49%. A percentagem de retorno dos questionário é tanto maior, quanto maior é a nossa ligação ao meio em análise e este foi um dos obstáculos sentidos. Demora e fraco retorno, muito em especial nas escolas com as quais não estabelecemos ligação direta com a população em estudo ou com a qual não possuímos qualquer ligação.

Os dados foram lançados numa base de dados elaborada para este efeito no SPSS e nela se fez todo o tratamento estatístico. O tratamento gráfico foi feito no Excel e no Word.

Em simultâneo com a análise dos resultados, que se construiu a partir das informações recolhidas nos questionários, foram dadas respostas às questões de investigação, evitando assim a duplicação de apresentação de resultados. Nesta análise, teve-se sempre presente os objetivos implícitos no PTE.

Com os dados recolhidos, registamos uma maioria da amostra feminina, o que vai de encontro ao que culturalmente é associado à profissão de professor. A sua média de idades situa-se nos 40 anos e a do tempo de serviço nos 23.

Na nossa amostra estão representados praticamente todos os grupos disciplinares, pertencendo 75% dos professores ao quadro de escola.

O PTE é considerado como bom ou excelente pela maioria dos professores, apesar de se constatar algum desconhecimento no que diz respeito a vários dos projetos associados. Assumem que diferentes projetos foram implementados na escola, como é o caso do vvoip ou academias tic, quando ainda nenhuma escola os possui.

Um bom apetrechamento informático é inequivocamente importante e neste momento ele já existe nas escolas. Estes dados são interessantes e encorajadores e confirmam as pretensões do PTE, apesar de, como sabemos, ter não significa usar ou usar da melhor maneira.

A plena integração das TIC nos processos de aprendizagem em todas as áreas disciplinares constituirá um potente fator de inovação pedagógica, proporcionando novas modalidades de trabalho na escola. No entanto, a cultura interativa que os alunos adquirem fora da escola não tem correspondência na vida escolar, nem as suas competências são aproveitadas para potenciar o ―sucesso‖ educativo.

Os dados do estudo dão-nos a indicação de que 83,2% dos professores usam o computador diariamente para criar e obter conteúdos para uso pessoal, valor

significativamente superior quando comparado com a criação e a obtenção de conteúdos para uso em sala de aula – 65,5%. Apesar destes valores, 89,4% dos professores assumem integrar as TIC como recurso nas suas aulas.

O programa e-professor implicou um incremento pessoal de 40,7% nos recursos tecnológicos dos professores envolvidos no estudo.

Dos professores que assumiram integrar as TIC em sala de aula, a maioria fá- lo através da pesquisa de conteúdos na internet, seguindo-se o uso do correio eletrónico. Contrariamente, o uso de plataforma moodle e a utilização de webquests são os recursos menos utilizados. Sugere-nos considerar que será mais fácil aceder a conteúdos produzidos por outros que a produção dos nossos próprios conteúdos, disponibilizando-os pelo menos aos nossos alunos através de plataformas.

Um pouco menos de metade dos professores assume que não utiliza os recursos para quadro interativo. Estando a totalidade do equipamento já colocado e instalado nas escolas e cumulativamente um valor próximo dos 30% da totalidade dos professores ter frequentado ações de formação – nível 2, essa prática não estar ainda generalizada abala de certa forma os objetivos do PTE.

Sobre o supracitado, referem os docentes que a sua utilização não é maior, porque a produção de recursos é morosa e não justifica a sua eficácia.

A cobertura do acesso à internet em qualquer zona da escola é referida pela grande maioria dos professores, mas é simultaneamente apontada como o principal problema - acesso lento e muitas vezes inexistente.

Apesar de alguns dos professores referir que alterou a sua conduta em sala de aula, recomenda-se que face ao equipamento existente se deve investir mais na

formação, tanto mais que aproximadamente 50% dos professores da amostra concorda que essa utilização já se refletiu positivamente em termos de motivação, autonomia, cooperação, aquisição de competência e necessariamente se refletiu nos resultados escolares.

Um dos principais bloqueios a remover é a falta de conhecimentos do corpo docente, um problema sério cuja gravidade aumenta de forma exponencial conforme as TIC vão aumentando a importância na configuração da nossa vida social e dos nossos hábitos quotidianos.

―Para habilitar o professor a assumir este novo papel, é indispensável que a formação inicial e a formação contínua lhes confira um verdadeiro domínio destes novos instrumentos pedagógicos‖ (MSI, 1997,p. 42)

Recomendações finais

Os professores, quase sem exceção, manifestam vontade e necessidade de formação, mais ou menos distribuídas por todas as aplicações informáticas e com grande incidência na formação específica da sua área disciplinar. No entanto, um dos problemas que gera desconforto aos docentes, prende-se com o facto de os computadores e toda a tecnologia serem disponibilizados a alunos e professores em simultâneo. Enquanto os jovens experimentam naturalmente, os adultos parecem recear. Esta simultaneidade, aliada à diferente forma de abordagem, parece jogar em desfavor dos professores que se sentem fragilizados em comparação com os mais novos.

Os professores não utilizadores, sob pressão para integrar no curriculum as tecnologias, ficam relutantes pela sua falta de experiência na área e não conseguem tirar proveito deste mundo que para eles se apresenta de algum modo assustador. Ficam um pouco intimidados com a tecnologia achando até que estão a ser deixados para trás.

Podemos arriscar dizer que um esforço de formação significativo faria infletir a situação de falta de competências por parte dos professores, tentando assim mobilizar os professores para uma maior utilização pessoal e consequentemente para uma franca utilização do computador nas suas aulas.

É hoje um facto que noções como continuidade, estabilidade, estratégia de longo prazo e abrangência das medidas, são essenciais a projetos que envolvam a

consolidação das TIC na escola. A realidade das TIC assim pensada já está presente no novo ensino e na aprendizagem.

Deve-se reforçar a promoção do uso inteligente das novas tecnologias, ou seja, não se deve confundir o acesso aos meios e equipamentos tecnológicos e/ou o consumo de conteúdos mediáticos com a adequada utilização e tratamento da informação.

―A sociedade da informação tem evoluído rapidamente e os professores não se têm atualizado ao ritmo adequado. A formação deve ser dirigida ao ensino das tecnologias desta sociedade emergente e aos meios que faculta para uma aprendizagem continuada‖ (MSI, 1997,p. 45).

A formação contínua não deve representar um esforço adicional às tarefas diárias dos professores, assim, propomos que a formação permanente seja realizada nas próprias escolas, nem que para isso seja necessário criar espaços próprios e condições de tempo necessárias para que os docentes possam realizar a formação em TIC tanto de maneira autónoma, como com apoio de formador / colega.

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