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Orientation des blocs de la transformée

5.3 Orientation des blocs de la transformée Intra H.264/AVC

5.3.2 Orientation des blocs de la transformée

O interesse em compreender como o conhecimento é adquirido, armazenado e recuperado despertou a curiosidade de como o mecanismo da memória se processa. Diferentemente da visão tradicional, em que era percebida como um arquivo cultural, sendo priorizada a lembrança literal, a reprodução na íntegra desse acervo, a memória ressurge como um meio de reconstruir ou imaginar o mundo, mais do que registrá-lo ou reproduzi- lo, impondo-se uma forma mais construtiva de entendê-la (POZO, 2002).

Flavell, et. al. (1999) e Pozo (2002) consideram dois sistema de memória interconectados, com características e atribuições diferentes: memória de trabalho (durante algum tempo conhecida como memória de curto prazo, por seu caráter transitório) e uma memória permanente (ou memória de longo prazo). Cruz (1999) citando Kirk, Gallagher & Anastasiow (1993), considera ao nível da memória de longo prazo três subsistemas - quinestésica, episódica e semântica33 – que armazenam um tipo particular de informação.

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A memória quinestésica é inconsciente e serve para manter o conhecimento dos movimentos do corpo tais como andar, falar ou nadar; a episódica abrange toda a história pessoal do indivíduo ou autoconhecimento, servindo como o armazém das experiências e pensamentos pessoais; e a memória semântica contém todo o

Existe outro sistema que Pozo (2000) chamou de memória mais elementar, de caráter sensorial, e Flavell et. al. (1999) denominam registro sensório, cuja função está mais relacionada à percepção e ao reconhecimento dos estímulos. Outra classificação foi referida por Kirk & Chalfant (1984 apud CRUZ, 1999); que é a de memória de reconhecimento - identificação de uma informação no presente que foi anteriormente estudada ou experimentada - e a memória de rechamada - reprodução de um estímulo experimentado previamente, na sua ausência.

Cruz (1999) aborda a memória do ponto de vista da audição, visão e motricidade. A memória auditiva é fundamental para o desenvolvimento da linguagem oral, que ocorrendo uma dificuldade neste nível pode resultar em problemas na identificação de barulhos e sons ouvidos, na associação do significado às palavras ou nomes de números etc. A memória visual, por sua vez, é importante tanto para reconhecer e rechamar as letras impressas do

alfabeto e os números, como no desenvolvimento das habilidades de soletração e da escrita

(p.117). Por fim, a memória motora envolve o armazenamento, retenção e reprodução de

padrões ou seqüência de movimentos (idem).

A memória de trabalho armazena uma quantidade reduzida de elementos de informação. Quando uma atividade exige o manejo simultâneo de mais informações do que é capaz de absorver a memória de trabalho, a tarefa se torna lenta, de resolução difícil. Bem assim, quando uma tarefa de aprendizagem apresenta uma quantidade demasiada de informação nova ou independente, esse tipo de memória se sobrecarrega e o desempenho escolar decresce de forma assombrosa. Pozo (2002) chama de prótese cognitiva instrumentos como lápis, papel, calculadora, computador, que são meios possíveis de utilização como suporte para auxiliar a limitada memória de trabalho. Esse mecanismo é de grande valia para o portador do TDAH, subsidiando em muito as suas deficiências em operar com esse tipo de memória.

A limitação na capacidade da memória de trabalho é um dos traços mais característicos do sistema cognitivo humano e um dos que mais influi em nossas dificuldades de aprendizagem (HULME & MACKENZIE, 1992 apud POZO, 2000). O

conhecimento apreendido na escola, sendo esta aprendizagem grandemente realizada mediante ensino e a experiência com a informação (CRUZ, 1999)

indivíduo com TDAH apresenta dificuldades nessa memória de curto prazo. Essas dificuldades decorrem em grande parte da baixa capacidade de atenção e da limitada concentração (BARKLEY, 2000; SILVA, 2003; BORGES, 2005).

A memória de curto prazo além da limitada capacidade de processamento tem a função cognitiva de servir de depósito transitório da informação. A informação é retida por um curtíssimo espaço de tempo. Pozo (2002:105) destaca a noção de que a memória

humana sofre um apagão a cada dez ou vinte segundos. Para impedir os efeitos nefastos do apagão cognitivo e preservar o material de aprendizagem quando este é processado, deve-

se salvar (guardar) essa informação e enviá-la para a memória permanente. A qualidade e a

quantidade de aprendizagem dependerão não só dos recursos cognitivos que lhe dediquemos em nossa mesa de trabalho, mas principalmente da forma, mais ou menos organizada, em que a transportemos para a memória permanente (Idem).

Destarte, a memória permanente é compreendida como um sistema quase ilimitado em capacidade e duração. Precisaríamos de toda uma existência para nos lembrar do que a vida nos ensinou até agora. Esse tipo de memória está organizada para desempenhar uma função seletiva, que nos possibilita reconstruir o passado e aprendizagens precedentes em função de nossos objetivos presentes e futuros, de modo a não perder incontáveis lembranças aglomeradas umas sobre as outras. Pozo (2002) ressalta que a memória humana serve para armazenar e recuperar o aprendido, como também para esquecê-lo, quando deixa de ser necessário. Esquecemos porque aprendizagens novas vêm se somar as anteriores.

Pozo (2002) aponta três mecanismos que utilizam os conhecimentos guardados na memória permanente para tornar mais eficiente o processamento da informação que chega à memória do trabalho: condensação ou peças de informação, automatização atribuição de significado. Explicita que:

Ao unir distintos elementos numa mesma peça de informação, reduz-se a demanda cognitiva da tarefa, já que a quantidade de informação que se deve atender é menor. A automatização, que é também um resultado da aprendizagem repetitiva armazenado em nossa memória permanente, permite executar apenas com consumo atencional tarefas que inicialmente produziam muito gasto, liberando os recursos da memória de trabalho para fazer simultaneamente ou de modo paralelo outras tarefas. E, por último, a busca do significado das tarefas, mediante sua conexão com estruturas organizadas da memória permanente, nos permite

selecionar e controlar de maneira mais adequada e estratégica a realização das tarefas (...) (p.111).

Os dois tipos de memória trabalhando de forma conjunta, conectada, potencializam a capacidade do indivíduo de realizar operações complexas. Ao contrário, se tomados separadamente, são bastante deficientes. Os recursos da memória de trabalho são de tal modo insuficientes que mal permitem realizar uma multiplicação de dois números, sem uma ajuda externa; e a memória permanente, ilimitada para armazenar informações, está tão preenchida e algumas vezes de tal forma desorganizada que encontramos dificuldades de localizar o que procuramos. É intrigante como um sistema de aprendizagem tão sofisticado, complexo e potente como é o do homem seja estruturado sobre uma base aparentemente tão frágil (POZO, 2002).

Mattos et. al. (2003) citando Barkley (1997), destacam algumas funções34 que consideram executivas no autocontrole do comportamento. Entre essas se encontra a memória de trabalho subdividida em não verbal e verbal. Segundo ele, no indivíduo com TDAH, o comprometimento da memória de trabalho não verbal traduz-se na impossibilidade de manter os eventos em mente, manejá-los e agir de acordo com eles. Revela-se na dificuldade de prever conseqüências - em parte pela incapacidade de articular ações futuras com as informações já registradas – e na noção de tempo comprometida. O indivíduo com esse transtorno seria capaz de avaliar ações futuras e suas conseqüências, mas incapaz de agir a partir desse conhecimento; suas atitudes seriam dirigidas pelo presente imediato, por aquilo que o ambiente lhe proporcionasse no momento. Os déficits na memória de trabalho verbal, por sua vez, se manifestam na dificuldade em fazer uso de auto-instruções verbais para comandar os comportamentos. Encontram-se deficitárias as

capacidades de reflexão, autoquestionamento e solução de problemas verbais; a orientação do comportamento por regras e instruções verbais e a geração de regras

(...)(p.68). Esse déficit interfere no controle do comportamento a partir do senso de passado e futuro.

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A memória de trabalho não verbal, a memória de trabalho verbal, a auto-regulação – do afeto, da motivação e dos níveis de ativação – e o que denominou reconstituição – análise e síntese comportamentais. Essas funções executivas são definidas como ações internalizadas e autodirigidas que agem em conjunto (p.67).

Por fim, a memória é a habilidade para codificar, processar e armazenar informações a que se esteve exposto, sendo como mecanismo cognitivo inseparável da aprendizagem. O déficit no funcionamento dessa estrutura compromete consideravelmente o desempenho acadêmico.