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H OMME , ESPACE ET NATURE : QUELS LIENS POUR QUELLES ETHIQUES ?

III. 1.3. « Des changements ? Non, pas vraiment. »

IV.1. H OMME , ESPACE ET NATURE : QUELS LIENS POUR QUELLES ETHIQUES ?

1Colégio Estadual Narciso Mendes - Santa Isabel do Ivaí - PR

Puxa! Que gripe!

Por volta de 1665, Robert Hooke (1635-1703), na Inglaterra, e Jan Swammerdam (1637-1680), na Holanda, construíram microscópios de pequena resolução que permitiram descobertas importantes sobre microrganismos.

Você sabia que na antiga Grécia acreditava-se que doenças da hu- manidade haviam sido trazidas por Pandora, a Eva grega, guardiã de uma certa caixa cujo conteúdo ela desconhecia?

Conta a história que certa vez, por curiosidade, Pandora resolveu abrir a caixa e, ao levantar a tampa, deixou escapar todos os males do mundo. Por sorte, o deus Asclépio (também chamado Esculápio, pe- los romanos) possuía um bastão com uma cobra enroscada, cujo po- der espantava as doenças.

No século XVII, por volta de 1630, aconteceram muitos flagelos de doenças infecciosas, como a peste bubônica que voltou a atingir a Eu- ropa, causando 86 mil mortes. Esse fato fez com que as pessoas dei- xassem de acreditar no mito de Pandora e passassem a aceitar a expli- cação que essas epidemias eram causadas por influência dos astros.

Como a astronomia estava em expansão, o físico alemão Johannes Kepler (1571 – 1630), descreveu as leis planetárias e anunciou que a peste era influenciada pelos planetas. Surge então essa nova explicação para a origem das doenças, o movimento dos planetas. É tam- bém a partir dessa explicação que surge o ter- mo “Influenza”, a influência dos astros.

Na mitologia grega, Pandora (“bem-dotada”) foi a primeira mu- lher, criada por Zeus como puni- ção aos homens pela ousadia do titã Prometeu em roubar aos céus o segredo do fogo. Em sua cria- ção os vários deuses colabora- ram com partes: Hefestos moldou sua forma a partir de argila, Afro- dite deu-lhe beleza, Apolo deu-lhe talento musical, Deméter ensinou- lhe a colheita, Atena deu-lhe ha- bilidade manual, Poseidon deu-lhe um colar de pérolas e a certeza de não se afogar, e Zeus deu-lhe uma série de características pes- soais, além de uma caixa, a cai- xa de Pandora. Fonte: JULES JO- SEPH LEFEBVRE (1836 - 1911), Pandora II, 1882, França. 96,5 x 79,9 cm. Técnica: óleo sobre tela de tecido. The Art Renewal Center - Lefebvre Gallery, Port Reading, New Jersey, EUA.

Johannes Kepler (1571 – 1630). Kepler formulou as três leis funda- mentais da mecânica celeste, co- nhecidas como leis de Kepler. De- dicou-se também ao estudo da óptica. Fonte: GNU Free Doc. Li- cense, www.wikipedia.org

Modelo contínuo do sistema solar de Kepler, o Mysterium Cosmographi- cum (1596). Fonte: NEGUS, Kenneth G. The astrology of Kepler. Princeton, Nueva Jersey: Eucopia Publications, 1987.

Por muitos séculos, as doenças foram associadas às crenças e su- perstições. Porém, com os estudos sobre as células e os microrganis- mos, diretamente ligados ao aperfeiçoamento do microscópio, esses fatos foram sendo esclarecidos.

Robert Hooke (1635-1703) foi um dos maiores cientistas experimentais ingleses do século XVII e, portanto, uma das figuras chave da Revolução Científica. Fonte: GNU Free Doc. Licence, www.wikipedia.org

Microscópio de Robert Hooke. Af- beelding uit Hooke’s Micrographia, Londen, 1664. Fonte: Deutsches Museum (www.deutsches-museum. de) - Museu alemão dedicado às Ciências, situado em Munique, na Alemanha.

A AVENTURA DA VIROLOGIA!

Em 1898, Friedrich August Löffler, foi encarregado de investigar a fe- bre aftosa, moléstia que infectava o gado, produzindo ulcerações na bo- ca e nos cascos. Löffler e Paul Frosch testaram dezenas de meios para cultivar o agente desta doença, em meios aeróbios na presença de oxi- gênio e usando hidrogênio, ácido sulfídrico e dióxido de carbono, para fazer crescer bactérias anaeróbias. Não conseguiram detectar qualquer bactéria. Mesmo assim, coletaram líquido das vesículas infectadas, que quando inoculado na mucosa de vitelas transmitia a doença.

Decidiram então diluir o líquido num tipo de filtro que retinha todas as bactérias. Testaram para detectar se havia alguma substância capaz de imunizar os animais. Para surpresa, quando inocularam o filtrado em vi- telas, em vez de imunizá-las, os animais ficaram doentes e a infecção se alastrou. (Adaptado de: RAW e SANT’ANA, 2002, p.120)

Antony van Leeuwenhoek (FIGURA 1), também holan- dês, por volta de 1668, aprendeu a polir lentes com mui- ta precisão, com as quais observou fios de cabelo, pulgas e pequenos insetos, além de realizar a primeira descrição de- talhada dos glóbulos vermelhos. Leeuwenhoek descreveu diferentes seres vivos, seus tamanhos, como se moviam e quanto tempo viviam as bactérias, algas e protozoários pre- sentes nas águas de riachos e lagoas. Estes pequenos seres vivos foram descritos como “animálculos”. Inicia-se a partir desses fatos, a história da microbiologia.

FIGURA 1 - Antony van Leeuwenhoek (1632-1723). Cientista conhecido pelas suas contribuições para o melhoramento do microscópio, além de ter contribu- ído com as suas observações para a biologia celular. Fonte: GNU Free Doc. Licence, www.wikipedia.org

Microscópio construído por Leeuwenhoek. Fonte: Este instrumento tem um fator de ampliação de aproximadamen- te 275 vezes. Pertence a coleção de microscópios do Museu Universitário de Utre- cht, Holanda.

Friedrich August Johannes Löffler (1852 - 1915) era um bacteriologista alemão na Universidade Ernst Moritz Arndt, Greifswald, Alemanha. Entre suas descobertas está o organismo que causa a difteria (Corynebacterium diphtheriae). Fonte: History of Medicine Library & Museum, http://clendening.kumc.edu

“O aperfeiçoamento dos sistemas ópticos melhorou cada vez mais a qualidade e a riqueza de de- talhes das imagens microscópicas, portanto, os microscópios são considerados uma tecnologia a ser- viço da ciência.”

a) Você concorda com essa afirmação? Justifique.

b) Qual a importância do estudo da microbiologia para a humanidade?

Pensando no experimento de Löffler e Frosch, o que são bactérias aeróbias e bactérias anaeróbias?

Os dois pesquisadores testaram dezenas de meios para cultivar o agente da doença que afetava o gado, porém não encontravam as bactérias. O que poderia estar acontecendo? Justifique.

Quando tentaram imunizar os animais inoculando um filtrado, perceberam ainda que a doença per- sistia e a infecção se alastrou. Por quê?

Para explicar tais resultados, eles pensaram em duas possibilidades: o filtrado livre de bactérias continha uma toxina extremamente potente.

o agente causador da doença, que até então não fora descoberto, seria tão pequeno que os poros do filtro não o reteriam.

Em qual das duas possibilidades você vê uma explicação para o fato descrito no texto do quadro? Justifique.

A febre aftosa, doença que os pesquisadores tentavam encontrar seu agente patológico, tem algu- ma relação com a doença atual?

ATIVIDADE

Relatório que Friedrich A. Löffler fez às autoridades locais, Alemanha,1898:

“Graças ao uso do telégrafo para informar sobre os novos surtos de febre aftosa que sua Excelên- cia colocou a nossa disposição, através de contatos com funcionários de muitas localidades, foi possí- vel obter extensas quantidades de material fresco para estes estudos. Como descobrimos que bacté- ria penetra nas vesículas depois de alguns dias, decidimos usar sempre vesículas frescas para nossos estudos. Vesículas frescas são relativamente raras...” (RAW e SANT’ANA, 2002, p. 120).

Qual a importância dos meios de comunicação para época, final do século XIX ? Qual a influência dos avanços tecnológicos nos meios de comunicação?

Faça uma relação entre as pesquisas científicas feitas naquela época e das pesquisas feitas nos dias atuais.

A primeira referência aos vírus foi feita por Louis Pasteur (1822 – 1895) no final do século XIX. Em 1880, na tentativa sem sucesso, de cultivar o agente causador da raiva (hidrofobia), Pasteur utilizou o ter- mo vírus, que em latim significa “veneno”. Poucos anos depois, desen- volveu-se a técnica de esterilizar soluções por filtração. Os filtros eram capazes de reter as bactérias, mas deixavam passar alguns agentes pa- togênicos - microrganismos menores que as bactérias.

Em 1892, o botânico Dmitry Ivanovski (1864 – 1920) caracterizou o vírus do mosaico do tabaco (doença comum nas folhas do tabaco). Mas somente em 1899, o botânico Mariunus Willen Beijerinck (1851 – 1931), investigando a mesma doença, descobriu que injetando extra- tos das folhas de tabaco doente, transmitia para plantas sadias a mes- ma doença. Acreditavam, então, tratar-se de “germe vivo solúvel”, que se proliferava em células vivas das plantas.

Alguns anos mais tarde, entre 1915 e 1917, dois bacteriologistas descobrem a existência de seres que “comem bactérias”, denominando-os de bacteriófago (vírus que atacam bactérias).

Então até 1917 não se conhecia a existência

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