Este projeto está incluído, desde o início, nos out puts previstos no pós-doutora- mento da professora Zeny Duarte. E, desde esse início, foi percebida e valorizada a sua importância.
Sempre percebemos a sua importância, assim como as dificuldades práticas que lhe estavam associadas. Entre estas, emergiu uma que continua a precisar ser bem resolvida: encontrar o apoio informático adequado para que fosse dado corpo e potenciado o que ficou exposto no item precedente.
Foi, inicialmente, construído um protótipo de base de dados, apresentada no II Medinfor, realizado no Porto, que suscitou várias sugestões tidas em conta. Com a cola- boração posterior dos colegas professores Ricardo Cruz-Correia e Raphael Port da Rocha, avançou-se para uma outra plataforma, em construção, de base Wiki, que melhor adequa- rá a concepção teórica, subjacente e evidenciada através da discussão conceitual ensaia- da atrás, a um instrumental tecnológico amigável e muito virado para qualquer tipo de usuário.
A viragem no projeto SiS Médicos ocorreu com a sugestão de mudança da plata- forma, uma vez que esta implica, também, a valorização da visão sistémica e holística, que tem presença forte e consolidada na CI trans e interdisciplinar da Universidade do Porto. E é importante sublinhar que essa visão integra-se no paradigma pós-custodial, informacional e científico, dentro do qual a metamorfose dos estudos de usuário em com- portamento informacional conduziu a uma prática investigativa atual, em que o estudo sistemático das necessidades e das estratégias de busca e apropriação da informação pe- los usuários a partir de seus contextos e situações é um eixo ou linha de valor cada vez mais acrescentado. Significa isto que o projeto SiS Médicos, ao ser concretizado e usado, terá de ser monitorado em dois planos que se cruzam e que geram fecundas pesquisas e resultados certamente instigantes: o plano do comportamento informacional, que inclui as necessidades e as práticas de busca, de satisfação e assimilação da informação encon- trada; e o plano, que se articula (depende e interfere) no anterior, que corresponde ao da mediação, ou seja, os gestores do projeto, os “arquitetos da informação” ou “criadores” do interface que liga a informação acumulada e os usuários que a buscam e necessitam.
A problemática da mediação (SILVA, 2009) remete para uma área complementar do comportamento informacional, que é a da organização e representação da informação, duas das três áreas (a outra é a da produção) da CI. Convém dizer que os informáticos e os especialistas em arquitetura da informação se acerquem desta problemática, porque conceitos que eles usam e consideram, hoje, são indispensáveis, como o da usabilidade, ganham um extraordinário complemento e total inteligibilidade no interior das reflexões em torno do processo de mediação, das “lógicas” e do condicionalismo dos mediadores. Instaura-se, assim, uma convergência interdisciplinar com a CI que só poder ser frutuosa. Para tanto, urge despertar as vontades e focar as consciências nesse sentido cooperativo.
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