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O Programa Nacional de Informática na Educação – ProInfo, como já assinalado, é uma iniciativa do Ministério da Educação – MEC, em parceria com a Secretaria de Educação a Distância – SEED. O Programa chegou ao estado do Ceará em 1997, tendo como uma das atividades iniciais, referentes à implementação, a seleção dos professores multiplicadores do NTE. “No Ceará, quando o Estado adere a um programa, ele começa a fazer as formações. O professor recebe a designação de multiplicador, pois, ele recebia a formação e a multiplicava nas regionais”14.

Como mencionado no capítulo anterior, os cursos de formação do ProInfo ocorreram em forma de cadeia, onde os professores multiplicadores receberam o curso de especialização oferecidos por Instituições de Ensino Superior - IES, para, em seguida, repassar os conteúdos para os professores do LEI, e posteriormente chegar aos professores da educação básica, estando o aluno e a comunidade escolar ao final dessa cadeia. O nome “multiplicador” refere- se justamente ao fato de se repassar o conhecimento recebido. Essa inciativa teve

14 Orientadora da Célula de Formação docente – SEDUC. A mesma Esteve presente na implementação do ProInfo no estado do Ceará e na implantação do NTE.

continuidade com a aplicação do curso de especialização em “Informática Educativa”, ministrados em 1998 pela FACED/UFC com duração de um ano.

Quanto aos aspectos operacionais, Segundo a entrevistada,

Começou com a especialização na UFC, e cerca de 50 professores do estado do Ceará fizeram a especialização em informática educativa. Aqui no estado foi o investimento altíssimo de especialização nessa área, isso via parceria do Governo Federal. Que aí tiveram turmas na UECE, cada turma eram 20 a 30 professores, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e na Universidade Federal do Ceará [...] (Orientadora da Célula de Formação docente – SEDUC, 14-06-16).

Segundo a orientadora da célula de formação docente da Seduc: “Teve um investimento muito forte desde 1998 até 2005. Um investimento altíssimo de formação, principalmente na área de tecnologia educacional” (14-06-16). Nesse período inicial de implementação do ProInfo, houve um grande investimento na formação de professores, sobretudo no que envolve a elaboração de materiais, capacitações, tutores, dentre outros. Dado que pode ser considerável, visto que se tratava de uma área nova, e não havia materiais específicos para o campo educacional. De acordo com o desenho institucional da política, e com o que foi mencionado pela entrevistada, havia uma preocupação que transcendia o aspecto físico de equipar os laboratórios com aparatos tecnológicos, pois uma das prioridades se direcionava à formação e capacitação de pessoal para tal fim. Após esse primeiro momento foram criados os NTEs.

Em 10 de fevereiro de 1998, através do Decreto nº 24.790 (em anexo), foi implantado o Núcleo Tecnológico Educacional – NTE, nos Centros Regionais de Desenvolvimento da Educação – CREDE, assim relatado pela entrevistada

Em 98 foram criados os Núcleos de tecnologia com o ProInfo, com toda uma política, não só de infraestrutura, pois, sempre foi pensado além da infraestrutura: “Ah, vamos dar infraestrutura, computadores para as escolas e tal...mas vamos dar também pessoas que sejam capazes de fazer essa mediação”. Já era uma grande preocupação. E aí foi feita essa primeira especialização de Informática na Educação (sic) (Orientadora da Célula de Formação docente – SEDUC, 14-06-16).

Um dos marcos iniciais da implementação do ProInfo foi a criação dos NTEs. Tais núcleos corroboraram para o desenvolvimento da informática educativa, bem como sediaram as capacitações de professores para atuarem nas escolas, com a finalidade de inserção das

tecnologias informacionais digitais no processo de ensino-aprendizagem. De acordo com Souza,

O Decreto Nº 24.790, de 10 de fevereiro de 1998, criou o Núcleo de Tecnologia Estadual – NTE, artigo 88 e incisos V e VI da Constituição do Estado, que versava sobre a legalização dos NTE e o desenvolvimento de uma política social de formação e acompanhamento na área de informática educativa como espaço de sala de aula. Essa legislação é a mesma usada nos dias atuais e a operacionalização dos NTE é feita junto aos Centros Regionais de Desenvolvimento da Educação – CREDE, sob a coordenação da SEDUC e do Núcleo de Educação à Distância (SOUZA, 2008, p. 69).

A criação dos NTEs correspondeu ao primeiro mandato do então governador Tasso Ribeiro Jereissati, tendo como secretário estadual de educação, Antenor Manoel Naspolini, que assinou o Decreto juntamente com o governador,

CONSIDERANDO a necessidade de desenvolver uma política social integrada e abrangente, que contribua para a capacitação de professores na utilização de novas ferramentas para o trabalho com multimeios, favorecendo o aprofundamento de conhecimentos nas áreas de informática educativa (CEARÁ, DIÁRIO OFICIAL de 13/02/1998).

Vale ressaltar que o estado do Ceará está dividido, em termos de administração da educação, em 21 coordenadorias regionais de educação e desenvolvimento – CREDE. Fortaleza corresponde à CREDE 21, Sobral à CREDE 6 que é composta pelas cidades de Alcântaras, Cariré, Coreaú, Forquilha, Freicheirinha, Graça, Hidrolândia, Irauçuba, Massapê, Meruoca, Moraújo, Mucambo, Pacujá, Pires Ferreira, Reriutaba, Santana do Acaraú, Senador Sá, Sobral (SEDE) e Varjota. A orientadora da SEDUC ressalta que,

Bem, aí aqui no Ceará com essa política todinha, foi selecionado e foi montado os Núcleos de Tecnologia no Ceará, 21 NTE. Devido as 21 regionais que estão estruturadas aqui no Estado. Em cada Regional fica um Núcleo de Tecnologia Educacional. Só que nessa época, nesse âmbito já nas dimensões do ProInfo, já essa questão tecnológica de entrega de computadores, o Governo Federal liberava muito equipamento (Orientadora da Célula de Formação docente – SEDUC, 14-06-16).

À principio, não foram todas as CREDEs que contaram com a implantação do NTEs, tendo sua implantação em todo o estado sido de forma gradual. Inicialmente, 04; posteriormente 08, distribuídas nos seguintes locais: Fortaleza, Itapipoca, Sobral, Crato, Tauá, Quixadá, Iguatú e Crateús. Em Sobral, a 6ª CREDE lançou em Setembro de 1998 um Projeto

de Implantação do Núcleo Tecnológico Digital – NTE, “[...] a SEDUC junto com o MEC/PROINFO estão por concretizar a informatização de suas escolas públicas, tomando como pontapé inicial a criação do Núcleo Tecnológico Digital – NTE” (CREDE-06, 1998, p. 3).

O projeto de implantação do NTE em Sobral tinha como pressuposto que a informática educativa deveria fazer parte do processo didático, pedagógico e curricular das escolas em todos os graus e modalidades de ensino, como parte de uma educação voltada para o desenvolvimento científico e tecnológico. O documento conta com os seguintes objetivos gerais:

 Preparar professores para usarem as novas tecnologias da informação de forma autônoma e independente, possibilitando a incorporação das novas tecnologias à experiência profissional de cada um, visando a transformação de sua prática pedagógica, contribuindo no processo de ensino-aprendizagem;

 Possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitivas no ambientes escolares mediante a incorporação adequada das novas tecnologias da informação pelas escolas, propiciando uma educação voltada para a cidadania global numa sociedade tecnologicamente desenvolvida (CREDE 06, 1998, p. 4).

Dentre os seus principais objetivos, o NTE voltava-se como um núcleo de apoio para a capacitação de professores, com a finalidade de adaptá-los na inserção das TICs em suas metodologias cotidianas, tendo como ferramenta as novas tecnologias de maneira educativa como uma forma de envolver os alunos e a comunidade escolar no processo de inclusão digital. Nessa perspectiva, foram elaborados dois cursos para os professores da educação básica, o curso de “Informática Básica”, com a carga horária de 40 horas, tendo como conteúdo: Introdução à Informática Básica – Noções Básicas; Ambiente do Sistema Operacional; Windows 95; Editores de texto e gráfico; Word 7.0. E o curso “Informática Educacional”, igualmente com 40 horas, contendo o conteúdo programático: Noções Teóricas Educacionais; Pedagogia de Projetos; Oficina de Avalição de Softwares e Internet.

No que se refere à equipe envolvida tanto na implementação quanto na operacionalização do programa, a mesma era formada pelos professores multiplicadores do NTE, professores e alunos das escolas, 1 (um) coordenador por laboratório, alunos monitores, 1 (um) técnico para manutenção das máquinas, professores da UFC, Comissão Estadual Interinstitucional; Professores do SAP e Gestão escolar do CREDE-06. Cada um com as suas respectivas funções. Destaca-se, como elemento essencial para o desenvolvimento do projeto, o professor multiplicador. Segundo o professor do NTE, de Sobral, sua função é,

[...] executar os projetos do ProInfo. O que a gente tem que fazer é dar suporte. No caso, dar suporte aos professores do LEI e também as escolas, no processo de ensino-aprendizagem, utilizando às tecnologias. É facilitar, né, o uso das tecnologias no processo de ensino-aprendizagem (Professor Multiplicador/NTE/Sobral,01-06-2016).

Ainda segundo ele, “é um esquema de acompanhamento e visita. Acompanhando os projetos dos trabalhos do LEI. Geralmente a visita é ao professores do LEI” (Professor Multiplicador/NTE/Sobral,01-06-2016). O professor multiplicador tem a função de fazer as capacitações com os professores, ofertando cursos semipresenciais, além de fazer o acompanhamento nas escolas, juntamente com os professores do LEI, visando incluir as Tecnologias de Comunicação e Informação no currículo escolar para que faça parte do processo de ensino-aprendizagem. “Tem outra atribuição que eu tenho, que é de fazer esse acompanhamento. É, acompanhar as ações técnico-pedagógicas do LEI no processo de ensino-aprendizagem” (Professor Multiplicador/NTE/Sobral,01-06-2016).

Após a formação dos professores tem-se o momento de equipar as escolas com laboratório de informática. Segundo a coordenadora da E. E. M Ribeiro Ramos,

Faz tanto tempo, acho que foi em 2004 se eu não estou enganada. Logo quando a gente começou a ver realmente essas ferramentas, essa tecnologia chegando na escola. Porque antes desse período nós não tínhamos acesso, nós tínhamos uns dois, três computadores na escola, mas não de acesso aos alunos, aos profissionais, aos professores. Então nós só começamos a ter acesso a essas ferramentas. Foi a partir daí, de 2004/2005, que a gente começou nessa inclusão da tecnologia voltada para os alunos. E eu tive a oportunidade de fazer os cursos de capacitação, porque até para os professores era algo muito novo, tinha até alguns colegas que não sabiam ainda utilizar as ferramentas básicas da informática, mas isso foi mudando na escola a partir daí (Coordenadora da E.E.M Ribeiro Ramos, 23-06-2016).

Nesse contexto ocorreram uma série de fatores que podem ser denominados como novidade, por exemplo, a chegada dos computadores nas escolas; os professores multiplicadores; a criação do termo “Professor do LEI”, dentre outros. Essas ações demandavam flexibilidade e adaptação da escola, pois dava-se início a uma longa jornada de adaptação e inserção das TICs no processo de ensino-aprendizagem.

Segundo um Professor de Matemática,

Conheço o ProInfo. Já fiz alguns cursos no início, faz muito tempo, foi na CREDE. Isso em 2004/2005 faz tempo. Na época a gente era os primeiros momentos, aí a gente devia implantar dentro da escola. Fazer blogs, fazer

site, fazer toda a estrutura pra escola funcionar. (sic) (Professor de Matemática da E.E.M Ribeiro Ramos, 01-07-2016).

Os professores que recebiam os cursos oferecidos pela

CREDE/SEDUC/PROINFO/MEC tinham a função de propiciar a ecologia digital dentro do ambiente escolar. Isso não seria realizado sem impacto imediato na escola, considerando-se uma realidade marcada de laboratórios e mesmo de uma cultura virtual, razão pela qual tal processo não se faria sem conflitos.

O conflito era mais na questão da receptividade, porque era uma área nova, como sempre foi, é uma área nova que chega: “Ah, aquele é o multiplicador” porque eles viviam em formação. Todo conflito geracional dos que têm e dos que não tem informação, gera algo novo, desconhecido. E a gente precisava de muito apoio nas escolas, de deslocamento nas escolas, muitas dificuldades pra ir para as escolas, muita luta, porque não era uma área privilegiada, pra ir nas escolas, acompanhar como é que estava, sempre era na carona de algum outro projeto (Orientadora da Célula de Formação docente – SEDUC, 14-06-16).

Segundo a entrevistada, haviam conflitos decorrentes dessa “novidade” que se propunha, uma resistência devido à chegada dos laboratórios na escola, as visitas dos professores multiplicadores, além da dificuldade de locomoção no estado para que as idas às escolas acontecessem. Havia um medo do desconhecido que gerou resistência. Segundo o Professor do NTE de Sobral,

[...] quando o NTE foi formado havia grande dificuldade de professor ter contato com as novas tecnologias. A maioria mesmo dos professores não tinham computadores, não sabiam nem pegar no mouse (Professor Multiplicador/NTE/Sobral,01-06-2016).

Com a Revolução digital e tecnológica, a educação e, principalmente, a escola como instituição legitimadora do saber, passaram a assumir o desafio de adaptar-se às TICs, e incluí-las no processo de ensino-aprendizagem. No momento de implementação do ProInfo em Sobral, houve também a necessidade de adaptação, por se tratar de escolas públicas, estaduais, sem acesso a computadores. Mesmo oferecendo cursos de capacitação, ainda lhes faltavam prática, o que demanda tempo. Era necessário desenvolver a cultura digital no cotidiano dos professores para que eles pudessem estar aptos, adaptados e preparados para incluir esse habitus no processo de ensino-aprendizagem.

Atualmente, após a implementação do programa, existem 602 escolas com laboratório de informática, equivalente aos números de escolas de ensino médio da CREDE.

Dente esses, 7015 laboratórios de informática se encontram em Sobral, com uma quantidade de 1.257 computadores ativos e 900 máquinas obsoletas (não ativos). Ainda conta com tablets (para professores), Lousas digitais e 09 laboratórios móveis, com 45 tablets cada. “Após mais de 10 anos de programa, em dezembro de 2008, no Ceará, existem implantados 21 NTE, contanto com 57 multiplicadores, 17.000 computadores, distribuídos em 602 escolas” (SOUZA, 2008, p. 59).