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O Terceiro Setor vem desempenhando um papel fundamental para a diminuição da exclusão digital. Vários são os programas desenvolvidos pelas organizações não-governamentais em torno da cidadania digital. As ONGs têm uma participação extremamente positiva em virtude da militância engajada, comprometida com as questões sociais que permeiam a exclusão digital.

Os programas existentes atualmente, como telecentros, sampa.org, CDI, SocInfo, Viva Rio e tantos outros, privilegiam a conectividade, a inclusão de pessoas na rede. É um trabalho fundamental, pois as ONGs trabalham em regiões periféricas e extremamente carentes.

O trabalho pioneiro do Terceiro Setor começou com o Comitê pela Democratização da Informática no Brasil (CDI, 2004b), com a finalidade de

165 promover “a inclusão social utilizando a tecnologia da informação como um instrumento para a construção e o exercício da cidadania” (BAGGIO, 2004). O CDI trabalha com as Escolas de Informática e Cidadania (EIC), que têm como público- alvo os segmentos excluídos da sociedade. Por meio de programas educacionais o CDI busca transformar a realidade da comunidade onde as EICs estão inseridas. Segundo o CDI, “o domínio das novas tecnologias não só abre oportunidades de trabalho e de geração de renda, como também possibilita o acesso a fontes de informação e espaços de sociabilidade”.

A primeira EIC a ser criada foi a da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, em 1994, “fruto de uma parceria entre os voluntários da campanha ‘Informática para Todos’, o Instituto C&A Modas, que doou cinco computadores novos, e a ONG Grupo ECO, que já atuava naquela comunidade e abrigou o projeto” (CDI, 2004b).

Atualmente são 833 EICs, contando com cerca de 1.648 educadores. A rede CDI tem hoje mais de 575 mil educandos formados e cerca de 4,1 mil computadores instalados. O CDI trabalha com voluntários, que atualmente somam 989 pessoas. São 37 comitês regionais presentes em 20 estados brasileiros.

O comitê também tem escolas (comitês regionais) fora do Brasil; países como Japão, Colômbia, Uruguai, México, Chile, África do Sul, Angola, Honduras, Guatemala e Argentina já foram beneficiados com o trabalho do CDI.

Após a implantação do CDI várias outras organizações não-governamentais passaram a trabalhar com a inclusão de comunidades carentes na rede. No Estado de São Paulo pelo menos dois grandes projetos foram implantados, são eles os telecentros e o Acessa São Paulo. Para que as ações possam ser realizadas mais amplamente é necessário que sociedade civil e estado trabalhem em conjunto; em

166 alguns estados brasileiros já ocorre a parceria, como é o caso de São Paulo por meio dos telecentros.

Os telecentros são espaços com uso livre de computadores conectados à Internet. Os telecentros oferecem cursos de informática básica, oficinas especiais de comunicação comunitária, conexão de saberes, educação, arte digital, entre outras atividades, além do uso dos computadores. Cada telecentro possui entre 10 e 20 computadores com conexão em banda larga. A gestão do telecentro é de responsabilidade de um Conselho Gestor que, normalmente, é formado por membros da comunidade, por meio de eleição realizada pela própria comunidade. Esse Conselho Gestor tem a função de auxiliar os funcionários, bem como de fiscalizar a gestão do espaço. Atualmente várias regiões da cidade de São Paulo são atendidas: “Até o final de 2003 foram abertas 105 unidades. A escolha dos locais foi feita a partir do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade. As regiões de pior qualidade de vida e menor presença do estado foram as escolhidas” (TELECENTRO, 2004).

Já o Acessa São Paulo trabalha com infocentros, que são centros de informática espalhados pelo estado. Na capital são 70 infocentros, no interior são 64 e na Região Metropolitana de São Paulo são 3, totalizando 137 infocentros no estado. O projeto vem sendo implantado desde o início de 2002 com a intenção de facilitar a vida da população atendida. Nos infocentros o usuário pode acessar a rede, fazer boletins de ocorrência on-line, cursos profissionalizantes, solicitar segundas vias de contas de luz, água e telefone, licenciar o veículo, entre outras facilidades.

O Acessa São Paulo é na realidade um centro de oferecimento de serviços e informações aos habitantes da cidade onde o infocentro é implantado,

167 diferentemente de outros projetos que trabalham na periferia, ou seja, em determinados bairros de uma determinada cidade.

O espaço público virtual torna-se cada vez mais um espaço de troca de experiências, de informação, de conteúdo e de formação. Segundo LÈVY,

o ciberespaço não deve ser pensado como estando povoado por indivíduos isolados e perdidos entre massas de informações. A rede é antes de tudo um instrumento de comunicação entre indivíduos, um lugar virtual no qual as comunidades ajudam seus membros a aprender o que querem saber. (1999, p. 244)

As comunidades virtuais podem se transformar num espaço cidadão. Prova disso são as experiências realizadas tanto pelo CDI como pelos telecentros de São Paulo.

Trabalho um pouco diferente é desenvolvido pela Sociedade Digital (Socid), ONG especializada em Tecnologia da Informação fundada em 10 de julho de 2001 com o objetivo de potencializar o uso das TIC nas ONGs e não nas comunidades. O propósito dessa ação é reduzir a exclusão digital também nas organizações não- governamentais. Para a Socid a prioridade é democratizar o acesso aos meios digitais para “os segmentos sociais discriminados e menos favorecidos, levando as ferramentas da Tecnologia da Informação às organizações da sociedade civil para o combate à exclusão digital” (SOCID, 2004).

As iniciativas partem de várias cidades do país. A cidade de Curitiba, no Paraná, tem o projeto chamado Digitando o Futuro, que foi inaugurado pela Prefeitura em junho de 2000 e é umas das primeiras redes públicas de acesso à Internet. O projeto, além dos serviços normais de conexão e uso da rede, também fornece contas de e-mail e discador para acesso gratuito. Atualmente são mais de 91

168 mil pessoas beneficiadas, além de 430 computadores instalados em 48 pontos da cidade (DIGITANDO O FUTURO, 2004). Outro ponto desse projeto é o Inclusão Digital de Curitiba, que tem seu atendimento itinerante dentro de um ônibus, o Inter Clique, o qual durante a semana atende nas chamadas ruas da cidadania e em praças centrais, e aos finais de semana, nos parques da cidade.

No site oficial do projeto são colocados à disposição dados que traçam o perfil do usuário. Segundo o Digitando o Futuro, 43% dos usuários utilizam o serviço de e- mail; 74% dos acessos realizados são feitos por estudantes; 50% dos usuários são mulheres; 24% dos usuários possuem primeiro grau incompleto e 49% tem idades entre 11 e 20 anos (DIGITANDO O FUTURO, 2004). O perfil do usuário mostra como esse tipo de ação pode beneficiar o cidadão que não tem acesso a computadores, seja pela sua renda familiar, seja pela falta de oportunidades.

Além dos projetos anteriormente citados existem vários outros que têm o mesmo objetivo: incluir comunidades carentes na rede. Essas ações em conjunto com as realizadas pelo Estado auxiliam na diminuição dos excluídos digitais e aceleram o crescimento histórico, cultural, político e econômico do país.