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A seguir, apresentaremos a contextualização do campo empírico em que a pesquisa foi realizada com os professores de matemática, professores não formados nesta disciplina e estudantes de licenciatura em matemática.

5.1.1 O contexto da pesquisa com os professores de matemática

A pesquisa com os professores de matemática foi realizada em encontros de formação continuada promovidos pela Secretaria Estadual de Educação de

Pernambuco (SEE) para professores com atuação no Ensino Médio. O encontro teve por objetivo a discussão dos documentos da Base Curricular Comum – BCC e Orientações Teórico-Metodológicas – OTMs, dirigidos à reestruturação curricular do ensino de matemática em escolas da rede estadual.

Os encontros de formação foram organizados em dois momentos para cada grupo de professores das Gerências Regionais de Educação (GRE):

1 Grupo 1 - Recife Norte, Metropolitana Norte, Metropolitana Sul, Litoral Sul e Mata Sul;

2 Grupo 2 - Sertão Moxotó-Ipanema, Sertão do Pajeú, Sertão Central, Sertão do Submédio São Francisco, Sertão do Médio São Francisco e Sertão do Araripe;

3 Grupo 3 - Recife Sul, Agreste Meridional, Agreste Centro Norte, Mata Norte, Mata Centro e Vale do Capibaribe.

Os encontros de formação ocorreram no município do Cabo de Santo Agostinho/ Gaibu-PE para os professores dos Grupos 1 e 3 e no município de Gravatá-PE, para os professores do Grupo 2, acomodados em hotéis da região.

Os encontros de formação continuada foram organizados com o seguinte cronograma:

1 Grupo 1 – um encontro no mês de agosto e outro em outubro; 2 Grupo 2 – um encontro no mês de setembro e outro em outubro; 3 Grupo 3 – um encontro no mês de outubro e outro em novembro. A programação dos encontros foi organizada em torno de quatro dias: com abertura do evento em auditório, durante o primeiro dia e nos dias posteriores, estudo dos documentos BCC e OTMs, mediado por 10 (dez) formadores diferentes; com rodízio destes a cada turno do dia entre salas compostas por, em média, 19 participantes.

Estivemos presente nos encontros de formação, seguindo o cronograma e a programação dos mesmos, com o propósito de escolhermos o melhor momento para coleta dos dados, de acordo com a abertura propiciada para visita nas salas pelos formadores.

5.1.2 O contexto da pesquisa com os professores não formados em matemática

A pesquisa com os professores não formados em matemática foi realizada em encontros de formação continuada do Projeto Travessia, promovidos pela Secretaria Estadual de Educação – PE.

O projeto Travessia trata-se de um programa de ações desenvolvidas pela SEE-PE para correção de fluxo escolar de estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, ministrado por meio de telessalas.

Esclarecemos que outrora, o projeto Travessia recebia a denominação de projeto “Avançar”. Em termos pedagógicos, o que mudou do formato de um projeto para outro foi a substituição da prática de um único professor para atuar em todas as disciplinas, independente de sua formação, para a divisão entre professores das áreas humanas e das áreas exatas para atuação em suas respectivas áreas.

Em nossa pesquisa foi possível encontrar professores que já tinham trabalhado no projeto Avançar e permaneceram trabalhando no projeto Travessia. Este achado favoreceu a ampliação de categorias para análise em torno destes sujeitos e de suas representações sobre a docência em matemática, uma vez que podemos ter uma amostra de professores sem formação em matemática que já ensinaram esta disciplina.

Comparecemos aos encontros de formação do Travessia realizados em hotéis do município de Gravatá-PE, em duas visitas. Em cada uma, estavam presentes grupos distintos de professores das Gerências Regionais de Educação (GRE).

A sistematização de coleta dos dados ocorreu no formato semelhante aos procedimentos já descritos, realizados na investigação com os professores de matemática da rede regular de ensino.

Esclarecemos que uma primeira visita foi realizada na fase do estudo piloto, cuja coleta de dados se deu com os professores do referido projeto. Na segunda visita, com a intenção de capturarmos as representações sociais de um maior número de professores que, embora não formados em matemática, já tivessem experiência em ensinar esta disciplina, coletamos novos dados, não desprezando aqueles já adquiridos no estudo piloto.

5.1.3 O contexto da pesquisa com os licenciandos em matemática

O contexto em que se deu a investigação com os licenciandos em Matemática da capital e do interior do estado foi o seguinte:

Em uma das instituições da capital, seguindo orientação da coordenação das licenciaturas, fizemos uma visita às turmas com as disciplinas “Introdução à Educação” para investigarmos estudantes das turmas iniciais e “Prática III” para investigação de estudantes das turmas finais.

Nossa chegada ao local com antecedência na aula da primeira disciplina, possibilitou-nos aplicar os questionários à medida que os alunos iam chegando para aula. Devido ao atraso do professor, conseguimos a maior parte dos questionários aplicados a estudantes do 2º período em tempo hábil, antes do início da aula. Na outra disciplina, efetuamos uma visita para agendarmos com o professor o melhor dia para aplicação dos questionários e no dia previsto conseguimos aplicá-los em torno de 15 minutos cedidos pelo professor colaborador em sua aula.

Nesta mesma instituição, em outro departamento, estivemos presentes na disciplina “Cálculo II”, reiterando a aplicação com estudantes do 2º período, devido à oferta de disciplinas do 1º período ter ocorrido no semestre anterior a nossa visita. Nesta disciplina reencontramos vários alunos que já haviam respondido o questionário na disciplina “Introdução à Educação”. Desta forma, ao final da aula da disciplina “Cálculo II”, dirigimos a coleta dos dados para aqueles que não tivessem respondido e pertencessem ao 2º período, visto que encontramos um significativo número de estudantes de outros períodos.

Finalmente, nesta instituição pesquisamos os estudantes das turmas finais na disciplina de “Análise”. Na oportunidade de nossa visita, apenas seis alunos estavam presentes, dos quais um não devolveu o questionário, no momento da aplicação, ficando com o mesmo para posterior entrega. Como primamos pela resposta imediata dos questionários em todas as aplicações que efetivamos, não retornamos para recolhê-lo, uma vez que perderíamos o caráter espontâneo desse instrumento.

Em outra instituição da capital, conseguimos um número significativo de alunos na disciplina “Cálculo I”, com a aplicação dos questionários em espaço cedido pela professora ao final da aula, mediante contato anterior com a mesma.

Para os estudantes das turmas finais, estivemos presentes na aula da disciplina “Equações diferenciais”, no mesmo formato da turma anterior e com a mesma professora colaboradora.

Na IES do interior, realizamos duas visitas, uma para a coleta nas turmas iniciais e outra para as turmas finais, com uma visita anterior para conhecimento do calendário de aulas das turmas e contato com a coordenação do curso.

Obtivemos a colaboração de quatro professores diferentes, que nos cederam espaço dentro de suas aulas para aplicação dos questionários, nas aulas de “Prática Pedagógica I” (1º período), “Introdução à Informática” (2º período), “Fundamentos da matemática” (7º período) e “Prática Pedagógica III” (8º período).

Em seguida, apresentaremos o detalhamento da amostra dos diferentes grupos de sujeitos investigados, evidenciando entre outros aspectos a localização dos professores de matemática segundo as microrregiões de Pernambuco, a amostra por área de atuação dos professores que não são formados em matemática e também a localização dos estudantes de licenciatura em matemática nas IES do Estado.