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Dans le document COURS DE MATH ´EMATIQUES - MP (Page 56-62)

Este ponto é dedicado à observação das aulas realizada nas turmas da professora cooperante e das colegas do núcleo de estágio. Está dividido em dois subpontos: breve revisão da literatura e reflexão sobre a experiência de observação das aulas. Todas as aulas observadas constituíram-se como experiências fundamentais e significativas no processo de desenvolvimento da minha prática profissional.

5.3.3.1. Revisão da literatura

“A observação desempenha um papel fundamental na melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem, constituindo uma fonte de inspiração e motivação e um forte catalisador de mudança na escola”. Reis (2011, p. 11).

Segundo Tamarozi e Cristóvão (citado em Queroz e Stutz, 2016, p. 10) é “necessário observar o contexto para que possamos verificar as condições dos alunos, dos professores, da comunidade e do

111 | P á g i n a espaço físico, para mais tarde, agir nesse espaço”.

Para Alarcão e Tavares (citado em Branco & Cavadas, p. 515), a observação tem como propósito “obter dados e informações sobre o que se passa no processo de ensino-aprendizagem com a finalidade de, mais tarde, proceder a uma análise do processo das variáveis em foco”. A observação de aulas deve incidir sobre vários aspetos: os objetivos da aula; as estratégias; as atividades da aula; a utilização dos materiais de ensino; o envolvimento do docente; o discurso do professor e dos alunos; o ambiente ecológico da aula; a gestão e a liderança da aula; a interação na sala de aula; o envolvimento dos estudantes; o ambiente de aprendizagem na sala de aula; a avaliação em tempo-real; a avaliação do cumprimento dos objetivos pelos estudantes no final da aula (Alarcão & Tavares, Reis, 2011; The New

Teacher Project (TNTP) citado em Branco & Cavadas, p. 515).

Segundo Vieira (citado em Tavares, 2017, p. 24), a observação é “o instrumento ideal de acesso à sala de aula, o elo de ligação entre o mais vasto contexto de supervisão e a prática pedagógica”.

De acordo com Vilelas (citado em Tavares, 2017, p. 24), a observação é o “uso sistemático dos nossos sentidos na procura dos dados necessários para resolver um problema de investigação”, isto é “observar […] é perceber ativamente a realidade exterior com o propósito de obter os dados que, previamente, foram definidos como de interesse para a investigação”. Ainda segundo Vilelas (citado em Tavares, 2017, p. 24), “a observação é um processo que consiste em selecionar, provocar, registar e codificar um conjunto de comportamentos e de ambientes que estão ligados ao objeto que se pretende estudar”.

Tavares (2017, p. 25) cita Reis (2011) que se refere à importância da observação de aulas como uma tarefa essencial na formação inicial de professores num “estágio de iniciação à prática profissional” o que permite “o contacto com práticas de ensino particularmente interessantes de colegas mais experientes” contribuindo para ”o desenvolvimento das competências profissionais dos estagiários”.

Baseando-se em Serafini e Pacheco (citado em Tavares, 2017, p. 25) que afirmam que a “observação de aulas é a pedra angular de todo o processo de orientação e de supervisão tendo por objetivo principal o desenvolvimento profissional do professor”, Tavares (2017, p. 25) conclui que através da observação de aulas podemos repensar e refletir sobre o processo de ensino e aprendizagem e dessa forma “percecionar o nosso desenvolvimento profissional ao longo do percurso em análise e ainda identificar os aspetos a melhorar em ações futuras, de modo a combatermos e ultrapassarmos as nossas principais dificuldades”.

Segundo Reis (2011, p. 11), o processo de observação de aulas deve ser encarado “como um processo de interação profissional, de carácter essencialmente formativo, centrado no desenvolvimento individual e coletivo dos professores e na melhoria da qualidade do ensino e das aprendizagens”.

112 | P á g i n a observação de práticas consideradas interessantes – nomeadamente, as do mentor ou supervisor, ou de outro colega – com o objetivo de promover, por exemplo, o contacto com uma diversidade de abordagens, metodologias, atividades e comportamentos específicos. Aprende-se muito através da observação e o ensino não constitui uma exceção. A observação regular de aulas e uma discussão de qualidade sobre o desempenho constituem uma componente extremamente importante do processo de desenvolvimento pessoal e profissional de qualquer professor, independentemente do seu nível de conhecimento e experiência. Neste caso, a observação e a discussão das informações recolhidas destinam-se a ampliar tanto os conhecimentos e as capacidades profissionais do observador como do observado, constituindo um catalisador importante de aprendizagem e mudança.

Conforme Reis (2011, p. 12) refere, a observação de aulas:

pode ser utilizada em diversos cenários e com finalidades múltiplas, nomeadamente demonstrar uma competência, partilhar um sucesso, diagnosticar um problema, encontrar e testar possíveis soluções para um problema, explorar formas alternativas de alcançar os objetivos curriculares, aprender, apoiar um colega, avaliar o desempenho, estabelecer metas de desenvolvimento, avaliar o progresso, reforçar a confiança e estabelecer laços com os colegas.

Na tabela 8 podemos ver algumas finalidades da observação de aulas:

Tabela 8: Algumas finalidades da observação de aulas.

• Diagnosticar os aspetos e dimensões do conhecimento e da prática profissional a trabalhar/melhorar.

• Adequar o processo de supervisão às características e necessidades específicas de cada professor.

• Estabelecer as bases para uma tomada de decisão fundamentada sobre o processo de ensino e aprendizagem.

• Avaliar a adequação das decisões curriculares efetuadas pelos professores e, eventualmente, suscitar abordagens ou percursos alternativos.

• Proporcionar o contacto e a reflexão sobre as potencialidades e limitações de diferentes abordagens, estratégias, metodologias e atividades.

Desenvolver diferentes dimensões do conhecimento profissional dos professores. Adaptado de Reis (citado em Dias, 2013, p. 294).

Em suma, a observação de aulas constitui-se como um processo essencial na formação inicial de professores.

5.3.3.2. A observação das aulas

113 | P á g i n a quer das colegas de Mestrado, que faziam parte do núcleo da PES.

Durante as aulas observadas foram recolhidos dados em forma de registos escritos do desenrolar das mesmas. Para tal foi utilizada uma grelha de observação de fim aberto e uma lista de verificação (Anexo VII).

Para além das aulas dedicadas somente à obervação, houve também momentos em que, nessas como noutras aulas assistidas, por solicitação dos alunos, tive uma participação ativa na aula, ajudando os alunos quando para tal era solicitado.

Da observação das aulas da professora cooperante, destaco dois aspetos. Em primeiro lugar, o facto de a professora lecionar a quatro turmas e disciplinas diferentes, possibilitou-me o contacto com alunos diferentes, com reações diferentes aos métodos e recursos utilizados pela professora, permitindo- me assim aprender mais.

Em segundo lugar, a observação das aulas permitiu-me vivenciar experiências diferenciadas, que culminaram em momentos proveitosos de reflexão, conforme afirma Reis (2011) “aprende-se muito através da observação e o ensino não constitui um exceção” (Reis, 2011, p. 12).

Assim, a condução do processo de ensino-aprendizagem deve pautar-se pela promoção de uma aprendizagem centrada nos alunos, onde desempenhamos o papel de orientador e facilitador do processo, promovendo a articulação das aprendizagens a realizar com aprendizagens anteriores; efetuando sínteses globais dos conteúdos tratados na aula; apresentando coerência entre conteúdos, objetivos/competências a desenvolver, estratégias/atividades, recursos e avaliação das aprendizagens (momentos, formas e instrumentos); explicitando, de forma clara, as aprendizagens (conteúdos e objetivos) bem como as tarefas a realizar na aula; apresentando o saber de forma problematizadora de modo a suscitar dúvidas no aluno, conducentes a uma aprendizagem por descoberta; recorrer a exemplos pertinentes na exploração dos conteúdos relacionando-os com os conhecimentos dos alunos; utilizando métodos diversificados de modo adequado, designadamente na realização frequente de sínteses de aprendizagem; orientando o trabalho dos alunos com base em instruções precisas, visando a sua concentração e a autonomia na realização das tarefas; mostrando firmeza em relação ao respeito pelas regras indispensáveis ao funcionamento da aula e estimulando e reforçando a participação de todos os alunos.

Segundo Queroz e Stutz (2016, p. 17), quando “observamos um professor, uma turma, um aluno, buscando somente copiar modelos, os nossos resultados podem ser falhos, visto que a educação parte sempre das ciências do humano que são complexas”.

Ainda segundo Queroz e Stutz (2016, p. 18), observar “não significa julgar, mas sim, procurar compreender tudo o que circunda uma aula (planeamento, humor dos intervenientes, formação do professor, condições de trabalho, etc.) procurando sempre a transformação das pessoas e dos ambientes:

114 | P á g i n a transformar pelo pensar crítico”.

No que aos alunos diz respeito, importa referir que participaram ativamente nas aulas; estiveram motivados para aprender; respeitaram as regras da sala de aula; demonstraram iniciativa na realização das tarefas solicitadas; esforçaram-se para ultrapassar as suas dificuldades; demonstraram uma relação positiva entre eles; respeitaram a opinião dos outros e pediram ajuda aos outros colegas.

Uma das grandes vantagens de podermos assistir a aulas de um docente com uma larga experiência de ensino é a de podermos aprender muito mais nos diversos aspetos por que se rege o processo de ensino-aprendizagem como, por exemplo, o lidar com situações imprevistas que acabam eventualmente por acontecer.

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